Crise Tasso-Aécio: produção x especulação

São bem mais profundas as divergências entre Tasso e Aécio que as aparências indicam. Tasso é homem do capitalismo produtivo. Tem empresas espalhadas pelo país inteiro. Depende do mercado consumidor que Temer está destruindo mediante modelo neoliberal que fracassa por todos os lados no mundo. Já Aécio é ligado aos banqueiros, ao mercado financeiro. Seu compromisso é com Wall Street. Quer, mesmo, é vender o patrimônio nacional, entregar a rapadura ao preço mais conveniente possível, acelerar desmontagem da unidade nacional produtiva que a estratégia econômica e social lulista montou para alavancar capitalismo nacional. É muito mais fácil haver entendimento Tasso-Lula do que Tasso-Aécio. A jogada de Aécio destrói, no jogo bruto do capitalismo global, o interesse do capitalismo nacional, no qual se envolvem Tasso e Lula, como homens representativos do capital e do trabalho. Para onde vai o PSDB?

Não é à toa que o presidente ilegítimo Temer está querendo detonar Tasso Jereissati, para seguir negociando o apoio do PSDB ao seu governo. Tasso fez a opção de Mario Covas, favorável ao capitalismo nacional, como saída desenvolvimentista. Tenta juntar o empresariado paulista dividido entre os sócios internos do capital estrangeiro, que dominam parcialmente a Fiesp, enquanto outra parte da classe empreendedora está condenada à desnacionalização e à desindustrialização, com destruição da Petrobrás, por Temer, na tarefa de acabar com contratação, pela estatal, de conteúdo nacional. Tasso joga no campo do vice presidente da Federação da Indústria Paulista, Benjamin Steinbruck, crítico do neoliberalismo financeiro especulativo, apoiado pela Febraban. Tal política elimina o que Tasso, como empresário, mais defende, consumidores. O modelo neoliberal, que fixou teto de gasto público por vinte ano, violando a Constituição, segundo consultores do Senado e da Câmara, condena o governo à paralisia. Aécio, por sua vez, joga o jogo dos especuladores, ligados à Febraban e a Wall Street. O mineiro, antítese do nacionalista Tancredo Neves, seu avô, é neófito em economia e não entende o dualismo intrínseco ao gasto público como propulsor dos investimentos, sem os quais os capitalistas tupiniquins falirão. Tasso entende. Ele sabe que gasto é arrecadação e arrecadação é gasto. Fenômeno dialético. Se se destrói gasto público, congelando-o por vinte anos, reajustando-o, apenas, pela inflação do ano anterior, conduz-se a economia à anemia crônica, à deflação, à inevitável queda de arrecadação e à bancarrota do PIB. Os números do segundo trimestre do ano são expressivamente negativos. O PIB cresceu 0,2%, no segundo trimestre, contra 0,99%, no primeiro trimestre, e a inflação marcha para a queda, evidenciando fragilidade da produção, acentuando recessão. Os banqueiros, que mandam na economia e na mídia, para que os comentaristas mintam dizendo que ela está em plena recuperação, dizem que o PIB cai porque inflação e arrecadação caem. Mas, por que arrecadação cai, senão porque a economia trilha o perigoso caminho da deflação, que, ao derrubar preços, derruba, também, emprego e consumo? Sem estes, evidentemente, a arrecadação não reage. O PSDB está se desmoronando porque está apoiando a estratégia macroeconômica suicida de Temer-Meirelles-Ilan Goldfajn, responsável por derrubar a economia paulista, principalmente, a mais forte do país. Tasso Jereissati sabe perfeitamente que sem consumidor os negócios afundam, o desemprego se amplia e o PSDB, igualmente, se lasca, eleitoralmente. Por isso, como presidente interino do partido, ensaiou, no programa eleitoral tucano, crítica a Temer. Aécio, comprometido com o mercado financeiro, cuja visão é, meramente, mecanicista, relativamente, ao fenômeno da queda de arrecadação, adota posição oposta, aliando-se ao chefe do Planalto, cuja popularidade se aproxima de zero. O PSDB, nessa altura do campeonato, só tem a perder, ficando ao lado dos que estão afundando a economia. João Dória, prefeito de São Paulo, não sabe porque está levando ovadas Brasil afora. Já, Lula, sobe que nem foguete eleitoral, enquanto os tucanos racham entre si.