Constituinte evitou golpe parlamentar

PODER POPULAR EM ASCENSÃO NA VENEZUELA
A mobilização popular na Venezuela que culminou com eleição da nova Constituinte representou resistência ao golpe que a Assembleia Nacional, colocada sob suspeita pelo Tribunal Superior de Justiça(TSJ), preparava para derrotar Nicolas Maduro, com apoio decisivo de Washington.

A direita latino-americana, historicamente, rendida às ordens de Washington, a partir da OEA, onde sempre se articulou os golpes contra democracia na América Latina, está de cabeça inchada.

A Assembleia Nacional Constituinte, na Venezuela, composta de 545 eleitos, por oito milhões de votos, personalizados por sistema eleitoral moderno, frustrou os golpistas.

Ela evitou o que ocorreu no Brasil, em 2016.

Aqui, os golpistas, amplamente, apoiados pelos sobrinhos de Tio Sam e toda a sua espionagem, articularam união de Congresso(majoritariamente, conservador, eleito por sistema eleitoral, dominado pelo poder do dinheiro), Judiciário(igualmente, corrompido por propinas, para distribuir sentenças de modo a proteger poderosos), e grande mídia(porta-voz do mercado financeiro, aliada incondicional do pensamento único washingtoniano).

Alcançaram sucesso relativo, sujeito a chuvas e trovoadas.

Com Temer, no poder, os golpistas aceleraram a agenda neoliberal.

O objetivo deles é o que se vê em marcha acelerada: desmonte das garantias constitucionais e conquistas sociais dos trabalhadores, por meio de medidas provisórias, que passam no Congresso, dominado pelo dinheiro do mercado financeiro, e avanço de privatizações de empresas estatais.

Nessa semana, pintou o golpe mais poderoso dos conservadores:  início da expatriação da Petrobrás, cuja direção se articula para ser transferida ao exterior, em Nova York, começando pelo seu braço poderoso, a Brasken, complexo de indústria química, sócia da Odebrecht, destroçada pela Operação Lavajato.

AVALISTAS DA NOVA CONSTITUINTE VENEZUELANA
Acabou o tempo em que a palavra de Tio Sam era lei incontrastável na América do Sul. A China e a Rússia apoiam, decisivamente, a Constituinte de Maduro e se põem em defesa da democracia popular, que afasta o domínio das elites conservadoras da América Latina no comando do poder continental. Novo tempo latino-americano no contexto da nova guerra fria.

Getúlio Vargas esquartejado, como Tiradentes.

Essa armação dos golpistas correu perigo de ser interrompida pela possibilidade de Temer ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal, acusado, pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, de corrupção passiva, nas maracutaias que armou com o empresário Joesley Batista.

O dinheiro do contribuinte, cerca de R$ 13 bilhões, correspondente a mais de 8 vezes o valor do passe de Neymar, vendido ao PSG, salvou Temer, comprando votos no Congresso.

Salvo do perigo de ser cassado, embora possa, ainda, enfrentar outras escaramuças do Procurador, disposto a defenestrá-lo do Planalto, Temer tenta voltar à agenda neoliberal, de forma acelerada.

Porém, tem, pela frente, o colapso econômico do ministro banqueiro Meirelles, que não consegue segurar a gastança necessária para manter de pé o golpe na democracia brasileira.

Torna-se, por isso, difícil, senão, impossível, levar adiante a privatização da Previdência Social, que requer maioria qualificada no Congresso, temeroso de aprová-la, dado seu caráter, intrinsecamente, antipopular.

O golpista Temer, dessa forma,  não adquire condições adequadas para vender o que prometeu aos agentes econômicos, levando-os à permanente insegurança, produzida por falta de expectativa positiva, sem a qual babau à estabilidade econômica.

Continua, portanto, no pau da goiaba.

O golpe de 2016 não se completa, para atender as demandas da direita entreguista, agora, muito temerosa sobre o que está acontecendo na Venezuela.

Afinal, os venezuelanos, dominados por uma Assembleia Nacional, semelhante ao Congresso brasileiro, reagiram, sob comando de Nicolas Maduro, contra a mesma estratégia colocada em prática por aqui, para impor ao povo a agenda direitista, antinacional, mascarada de interesse nacional.

É vergonhosa a declaração do chanceler golpista Aloísio Nunes Ferreira favorável à expulsão da Venezuela do Mercosul, lançando mão da chamada Cláusula Democrática, que teria sido desobedecida por Maduro.

Ocorre, justamente, o contrário.

Maduro evitou o assalto da direita à maior empresa de petróleo venezuelana, a PDVSA, como Temer está fazendo com a Petrobrás, a joia da coroa brasileira, sem a qual afunda a industrialização nacional.

A façanha golpista brasileira, articulada a partir do parlamento, onde se força o chamado novo parlamentarismo de coalizão, amplamente, dominado pelo mercado financeiro, foi, parcialmente, interrompida, na Venezuela, pela emergência do poder constituinte.

WASHINGTON IRRITADÍSSIMA QUER GOLPEAR
Rex Tillersson, secretário de estado americano, colocou as cartas na mesa. Diz que a Casa Branca fará de tudo para afastar Maduro do poder, por bem, com renúncia dele, que é apoiado pelas forças armadas venezuelanas, ou por mal, através das jogadas que Tio Sam sabe fazer, detonando nova Síria na América do Sul.

Fortificou-se, na terra de Hugo Chavez, resistência ao assalto internacional aos interesses dos venezuelanos.

Certamente, as tensões continuarão crescentes no caminho da afirmação da revolução bolivariana.

Os novos constituintes colocarão em cena uma agenda nacionalista, contrastante à da maioria da Assembleia Nacional, obediente aos interesses de Washington.

O quadro se complica para a direita venezuelana, porque Maduro, nesse momento de vitória da Constituinte, passou a ter ao seu lado apoio internacional da China e da Rússia.

Ambas se mostram predispostas a fortalecer o titular do palácio de Miraflores.

Criou-se, com tal apoio externo, envolvido pela força econômica dos BRICs, poder alternativo ao de Washington, que comanda o FMI e o Banco Mundial.

São restos do poder americano iniciado em Bretton Woods, no pós guerra, para impor, a partir de 1944, o poder do dólar sobre o mundo.

Ocorre que isso está bichando, virou passado.

A moeda americana não é mais aquela brastemp, dado excesso de endividamento público norte-americano, detonador de desconfianças generalizadas na outrora potência de Tio Sam.

Maduro, ancorado pela China e Rússia, unidas e predisposta a implementar novo sistema monetário global, inaugura novo tempo histórico na América do Sul, de resistência ao poder de Washington.

A Constituinte venezuelana segue essa nova estrada aberta pelo poder global da Eurásia, que vai minando a força de Washington em escala global.

Visão crítica de um dos maiores comentaristas políticos do Brasil sobre momento nacional

Não percam!!!