Centrão(classe média) e PSDB(burguesia) se unirão para reformar previdência social?

Maia que misturar água e óleo, CENTRÃO e PSDB, para ferrar classe média e trabalhadores, os que serão mais prejudicados pela aprovação da reforma da previdência que acaba com SUS maior programa de distribuição de renda no País e um dos maiores do mundo.

MISTURA DE ÁGUA E ÓLEO

O deputado Rodrigo Maia(DEM-RJ), representante expressivo da burguesia financeira, maior interessada na privatização da previdência social; na precarização das relações capital-trabalho; na venda da Petrobras e congêneres; na desmobilização do patrimônio dos estados e municípios, como as empresas de saneamento; na privatização das hidrelétricas etc e tal, prega urgência na reconciliação do PSDB com o presidente Temer.

As relações entre ambos estão abaladas, porque os tucanos, pressionados pela Rede Globo, racharam-se na votação que enterrou a pretensão do Procurador Geral da República de processar o titular do Planalto, no STF, por crime de corrupção passiva.

Temer raspou o cofre do Tesouro nacional, desembolsou R$ 13,2 bilhões, correspondente ao passe de 16 Neymares, ao preço de R$ 821 milhões, e se safou.

Maia acha que a fuga de 21 votos dos tucanos contra Temer pode ser recuperada para somá-los aos 263 votos, capitaneados pelo CENTRÃO, que garantiram a salvação do chefe do poder contra os 227 votos da oposição que tentaram derrubá-lo.

Será possível?

NOVA LUTA DE CLASSES

Em primeiro lugar, os vitoriosos(CENTRÃO) são expressão da classe média emergente, capital político que surgiu na Era Lula-Dilma, de 2003 a 2014, em função da melhor distribuição da renda nacional, como alternativa desenvolvimentista, no ambiente de luta de classes no País.

Seria essa classe social a mais prejudicada, se sair vitorioso o programa privatista do PMDB-PSDB-DEM, capitaneado por Maia, amplamente, apoiado pelo mercado financeiro especulativo, maior interessado na privatização da Previdência.

O PSDB-DEM-MERCADO FINANCEIRO não quer outra coisa senão tudo que não interessa à classe média emergente, novamente, submergente com o desastre econômico neoliberal comandado por Temer-Meirelles.

A privatização da Previdência, que se ergue como  prioridade das prioridades do banqueiro Meirelles, titular do Ministério da Fazenda, representará, na prática, a destruição do Sistema Único de Saúde, do qual faz parte a Previdência Social.

Considerado um dos maiores programas de distribuição de renda do mundo, o SUS representa a Seguridade Social, que engloba previdência e assistência social, responsáveis por atender cerca de 85% da população, em sua maioria pobre.

MAIOR PROGRAMA DE DISTRIBUIÇÃO DO PAÍS

A classe média, beneficiada pelo SUS, será amplamente, prejudicada com a privatização da previdência, integrante da seguridade social, como quer PSDB-DEM-BANQUEIROS.

Apartada da superavitária Seguridade Social, sustentada por contribuições sociais, receitas tributárias, contribuições de trabalhadores e empresários, a Previdência Social, que conta, apenas, com contribuições de trabalhadores e empresários, para bancar benefícios dos aposentados e pensionistas, entrará em bancarrota.

Porém, tem salvação, se for compreendida como parte da totalidade, visto que o superávit da Seguridade Social(o todo) tem amplas condições de bancar déficit dela(da Previdência), sujeito à volatilidade da conjuntura econômica, como a atual, afetada pela recessão e desemprego, decorrentes da receita neoliberal de Meirelles.

Destruída a Seguridade Social, em sua totalidade, a Previdência, parte dela, privatizada cairá nas mãos dos bancos, que venderão planos de saúde particulares como alternativa ao sistema público.

Onde foi implantada, tal alternativa deu problema, porque ela balança ao sabor dos ventos da economia, sujeita, no capitalismo, aos vais e vens da busca de lucro do capital privado, realizado, como se sabe, por meio de exploração do trabalho, como se vislumbra com a reforma trabalhista aprovada recentemente.

PRECARIZAÇÃO GERAL

A palavra de ordem, no contexto da nova realidade, é a precarização do trabalho.

Trabalhadores já estão sendo demitidos com seus salários valorizados pela política econômica de valorização salarial da Era Lula-Dilma, para serem contratados por valores menores.

A economia entra na nova conjuntura determinada pela precarização do poder de compra dos trabalhadores.

Diminuirão, consequentemente, as rendas disponíveis para o consumo.

Cairão, com isso, as arrecadações tributárias e os níveis de investimentos, como atesta a política neoliberal, no compasso do congelamento de gastos públicos em nome do combate ao déficit fiscal.

Os fiscalistas entendem que programas sociais, como os bombeados por Lula e Dilma, são deficitários.

Não veem eles como renda, mas, sim, como despesas.

Como a palavra de ordem neoliberal é cortar despesas para reduzir déficit público bombeador de inflação, a única solução que entendem adequada é corte de salários.

Sem salários, sem consumo, sem arrecadação, sem investimentos, eis a nova lógica gerada pelo subconsumismo em marcha.

DESTRUIÇÃO DA ECONOMIA POPULAR

A privatização da previdência social(receitas do capital e trabalho – menos despesas com benefícios) é, portanto, destruição da economia popular, no compasso do esvaziamento da seguridade social(receitas tributárias + contribuições dos trabalhadores e empresários – despesas com pagamento de benefícios).

A burguesia financeira, que tem, no Congresso, como porta vozes PSDB-DEM, retira as receitas tributárias da seguridade social, como totalidade da qual faz parte a previdência, para vocalizar déficit do sistema que, simplesmente, inexiste, como dinâmica do sistema capitalista que depende do consumo para sobreviver.

Na discussão da reforma da previdência, chocam-se, portanto, interesses do PSDB-DEM-MERCADO com o Centrão(nova classe média lulista), que emergiu, nessa semana, como maior força política no Congresso.

SUB PRODUTO DO PT

Ao dar maioria ao presidente Temer, livrando-o do julgamento do STF, que o obrigaria a abandonar o poder, o CENTRÃO, subproduto político inconsciente do PT, exige nova reforma ministerial para deslocar os fugitivos do PSDB, que ocupam quatro ministérios, na Esplanada.

Estão de olho no Ministério das Cidades, o mais poderoso, politicamente.

A mistura de CENTRÃO com PSDB-DEM-MERCADO FINANCEIRO é como mistura e óleo e água.

Expressam incontestável luta de classe.

BOBEIRA HISTÓRICA 

O PT, no poder, deu bobeira, ao não negociar com o Centrão o que ele mais queria, o Ministério das Cidades.

Se tivesse realizada essa negociação política, Dilma não teria caído, nem o seu carrasco, ex-deputado Eduardo Cunha, preso em Curitiba, teria sido eleito para presidente da Câmara, de onde comandou o golpe do impeachment em 2016.

Ademais, a classe média, expressão do CENTRÃO, nunca identificou, no PT, sua verdadeira paternidade, porque o PT nunca fez política de comunicação social, para mostrar aos seus eleitores a sua obra de resgate social no Brasil moderno.

Galinha que bota ovo, mas não cacareja a sua obra, o PT ficou dependendo da grande mídia, que deu o golpe nele na hora H, porque, como expressão da burguesia financeira, nunca o suportou.

 

ADEUS, MELODIA