PSDB foge da reforma trabalhista Temer

ASSUNTO QUENTÍSSIMO DO DIA
O senador da Paraíba jogou Temer no mar. Admitiu que na próxima semana o partido defenderá renegociação da reforma trabalhista. Ela deverá voltar à Câmara, onde a tramitação da matéria foi iniciada. O Senado, assim, passa exercer sua função constitucional de casa revisora. Caiu por terra a estratégia do Planalto de propor aprovação do projeto sem nenhuma alteração, justamente, para evitar essa possibilidade. Em contrapartida, o presidente ilegítimo comprometeu-se em respeitar acordos feitos entre oposição e governo. As mudanças seriam propostas em medidas provisórias. Evitaria assim o papel dos parlamentares representantes dos estados e municípios de serem autênticos revisores de projetos oriundos de outra casa legislativa. Sendo assim, acabou o governo, que tinha acertado com banqueiros e empresários não aceitar qualquer mudança. Se não aceitar o que Cunha Lima admitiu, certamente, os tucanos estarão fora, se é que já não estão. No final dessa quarta era dado como certa fuga do PSDB da coalizão golpista.

FUGA EM MASSA

Não houve um pronunciamento de integrantes da base aliada favorável ao projeto da reforma trabalhista relatado pelo senador Ferraço, PSDB, Espírito Santo. O decano da Casa senador Garibaldi Alves, PMDB, Rio Grande do Norte, fez longo discurso para colocar nele muitos poréns. O mais importante deles, sem dúvida, foi ressaltar, sem muita convicção, promessa presidencial de que não se pode mexer no projeto vindo da Câmara. O Planalto comprometeu-se lançar medidas provisórias, sob garantia da palavra presidencial, para manter acordos. Risível, sabendo da situação concreta do governo, com ministros na cadeia e o presidente ameaçado de julgamento pelo STF, se Câmara autorizar. Temer, com sua proposta indecorosa, simplesmente, tenta fazer do Senado uma Casa legislativa que diz amém ao Planalto sobre a questão mais importante para a vida dos trabalhadores. Temos, disse o velho senador potiguar de acreditar nas instituições. A presidência da República, segundo ele, é mais importante delas no contexto da República. Não se pode, na avaliação dele, desconfiar de um compromisso proposto pela mais alta autoridade do País. Destaque-se que Garibaldi mais falou contra do que a favor da reforma trabalhista. Enumerou injustiças fixadas no projeto governamental que prejudicam os interesses dos trabalhadores. Arrasador contra o projeto governamental foi o discurso do senador do PMDB, do Amazonas, Eduardo Braga. Falou pensando nos operários da Zona Franca de Manaus, maior pólo industrial regional do País. Descascou impiedosamente o projeto Temer. Pregou mudanças, não remoção radical, mas negociação, o que está faltando, conforme lógica parlamentar. Sentiu que se falasse a favor, adeus votos nas eleições de 2018. Estas, aliás, passaram a conduzir o comportamento do PMDB, saindo de uma posição de moderação, para uma de maior radicalidade, justamente, para ficar sintonizado com o eleitorado. Evidenciou-se o óbvio: o PMDB está rachadíssimo, depois que o senador Renan Calheiros, peemedebista alagoano pulou fora do barco do Planalto. Quer Temer longe de sua praia. Depois que pulsou a opinião pública do seu estado e sentiu-a amplamente oposicionista, relativamente às reformas, previdenciária e trabalhista, Calheiros não titubeou mais. Virou oposição tanto ou mais enérgica do que o pessoal da oposição. Ou seja, até terça feira próxima, 10, o número de peemedebistas tende a aumentar, fortalecendo a oposição. Os petistas, puxados pelo vigoroso discurso do senador Paulo Paim, Rio Grande do Sul, dispensa comentários. Estão flexíveis a uma negociação decente. Mas, a fala mais impactante da tarde, no Senado, foi a  de Cássio Cunha Lima, da Paraíba. Elogiou a reforma, com convicção duvidosa, mas ressaltou necessidade de diálogo. Avançou em relação ao velho Garibaldi, que pediu crédito de confiança ao presidente, nessa hora em que ele está desacreditado. Disse que, as coisas evoluem, que, até à votação, na terça, pode ocorrer apoio dos tucanos ao retorno do projeto à Câmara. Ou seja, tudo o que o Planalto não queria ouvir. Do ponto de vista da racionalidade econômica, o discurso mais consequente, foi o do senador João Capiberibe(PSB-AMAPÁ). Segundo ele, a reforma é anticapitalista porque reduz renda disponível dos trabalhadores para consumo, sem a qual o governo não tem arrecadação para sustentar investimentos. Avançou em lógica segundo a qual não haverá, de jeito algum, aumento da produtividade, se a reforma reduz salário e consumo. Sobrarão mercadorias, faltarão consumidores. Nesse ambiente, porque os empresários vão investir em aumento de produtividade, se os salários, mesmo baixo, não produz consumidor para garantir taxa de lucro? O senador Requião, também, foi na mesma linha. Lembrou a recuperação econômica nos Estados Unidos, no tempo de Roosevelt. Os investimentos em inovação tecnológica, o taylorismo, iam de vento em poupa. Mas, os consumidores, conforme o domínio do pensamento neoliberal, do lassair faire, estavam sem renda. Que disse Ford a Roosevelt, que o queria condecorar, por optar pela estratégia de Taylor. Repetiu o que Marx havia dito no século 19, que fosse reduzida a jornada de trabalho e aumentado os salários. Mesmo argumento, também, utilizado por Carlos Lacerda, em 1967, no lançamento da Frente Ampla, com JK e Jango, para brigar com os militares: Lacerda, de olho na presidência da República, disse que não se faz desenvolvimento sem consumidores. A estratégia de Castelo Branco, na ocasião, era a mesma de Temer, hoje: congelar emissão de moeda para combater inflação. Castelo colheu recessão e Costa e Silva derrubou-o para retomar a economia. Quando viu que a retomada econômica melhorava a popularidade dos militares, adiou promessa de fazer eleição direta. Os militares ficam 20 anos no poder. O congelamento de Temer está destruindo consumidores e empresários, levando-os à deflação. Se Lula, candidato a 2018, suprimir a era glacial recessiva deflacionaria, ficará ou não mais vinte anos no poder? O jogo é a economia, estúpido