Golpistas golpeados

INCÔMODOS PARA OS PRÓPRIOS GOLPISTAS
Os tucanos, essencialmente, golpistas têm pela frente dois abacaxis: Aécio e Temer.
O primeiro é o próprio chefe do partido.
Virou zumbi.
O PSDB comandado por ele vira partideco.
O cara sifu, completamente, no episódio Joesley Safadão, quando tentou surrupiar R$ 2 milhões dele a título de empréstimo, para pagar, segundo disse, advogado.
Por que não foi ao banco?
Não tem crédito?
Currículo imundo o do mineirinho esperto.
O Senado fica menor com Aécio lá dentro.
A corporação senatorial não teve dúvida em destruir o ex-senador Delcídio Amaral, petista, não por tentativa de obstruir justiça, como foi a justificativa oficial.
Dançou porque delatou os companheiros.

ESTRATÉGIA MAQUIAVÉLICA

Delcídio: traiu, dançou

Não teria sido essa a estratégia de Aécio, ameaçar delatar, para não merecer o mesmo julgamento do ex-senador do PT? Rapidinho, a Comissão de Ética acelerou enterro do processo do senador mineiro. Livrou-o da cassação. A presença dele, no Senado, porém, cassa a credibilidade do PSDB, quiçá da instituição. Dar o golpe nele, tirando-o da presidência do partido, virou, portanto, imperativo categórico para os tucanos. Eis a dialética política golpista. Por isso, o vice da agremiação, senador Jereissati, quer derrubá-lo de qualquer maneira. Imagine reunião dos tucanos, presidida por Aécio, para decidir escolha eventual do deputado Rodrigo Maia(DEM-RJ), dado como futuro presidente, substituto de Temer, carta fora do baralho para as elites? Seria o pior negócio do mundo para o próprio Maia.

MATAR OU MORRER

Jereissati golpeia Temer e Aécio

Crônica de um golpe anunciado, analogia com o grande Garcia Marques, é o desenrolar da ação golpista que os tucanos preparam para Aécio. Golpista golpeado. É preciso, pelo menos, salvar as aparências. Outro golpeado golpista, claro, é o presidente ilegítimo Temer. Vítima, também, de Joesley Safadão, perdeu, inteiramente, capacidade de governar. A vaca foi pru brejo, depois que Janot pediu ao STF julgá-lo pelo crime de corrupção passiva/ativa. O titular do Planalto só tem tempo de articular, mediante mais corrupção, sua permanência no trono. Comprar o voto de deputados, de modo a evitar aprovação no plenário de autorização para o STF julgá-lo, eis a prioridade número um do presidente golpista. O massacre midiático da Globo contra Temer representa constrangimento completo para seus aliados no Congresso. Se quem foi recebido pelo presidente, para ter seu voto comprado, for exposto pela Globo, estará lascado. Todos os que deram o golpe parlamentar jurídico midiático contra Dilma-PT, para colocar Temer no poder, têm, agora, medo de ficar ao lado do golpista. Sujou.

FATOR GLOBO

Partido golpista da direita elege outro golpista para apoiar

Tenta a  Globo convencer os aliados de Temer que têm de buscar novo rei, se quiserem se salvar, se reeleger em 2018. Esse convencimento forçado vai se materializando mediante deslocamentos de votos na Comissão de Constituição e Justiça, na Câmara, bem como no plenário. São realizadas “pesquisas” e “estimativas” diárias, mostrando vai e vem no placar dos votos. Tremenda manipulação. Na Alemanha, onde foi recebido com faixas “Fora Temer”, o presidente se sente cravejado de punhais nas costas. O oligopólio midiático mudou de posição. Sai Temer, entra Maia. O desgaste da direita golpista no poder será aliviado se houver troca de guarda, no ambiente, amplamente, antidemocrático que ela mesma criou para se sustentar? As chances são mínimas, porque o maior desgaste dela são suas atitudes efetivas. As propostas golpistas da direita com as reformas trabalhista e previdenciária, bem como o congelamento geral de gastos públicos, que aprofundam a recessão e o desemprego, jogam sua credibilidade no lixo. Elas inviabilizam, politicamente, qualquer substituto de Temer, se permanecerem intactas.

DEMOCRACIA APUNHALADA

Se não flexibilizar com as reformas vira outro Temer sujeito ao fim do Temer

Por exemplo, a tramitação, a toque de caixa, da reforma trabalhista, no Senado, é a negação da democracia. É pura ditadura parlamentar golpista o acordo de Temer com sua base senatorial. Prometeu editar medidas provisórias para consagrar mudanças que suas excelências julgam necessárias no que foi aprovado na Câmara. Tenta, dessa forma, evitar que o projeto volte para lá, de onde poderia não mais retornar como foi inicialmente aprovado. Temer, se o Senado aceitar essa jogada, ergue-se como ditador constitucional. Os senadores terão feito papel muito pior do que os deputados. Como casa revisora, constitucionalmente, estabelecida, o Senado estaria renunciando as suas prerrogativas constitucionais. Talvez, por isso, o senador Cunha Lima(PSDB-PB) tenha, na quarta-feira, no início das discussões, em plenário, da reforma trabalhista, admitido necessidade de mudanças no projeto capazes de levá-lo, de novo, à apreciação dos deputados. “Se for necessário retornar, não tem problema”, disse. Estaria enterrado o golpe de Temer das medidas provisórias.

UTILITARISMO CÍNICO

Cunha Linha: nova tendência tucana para as reformas. Entregar anéis para salvar os dedos e se manter no poder.

Não seria esse o novo posicionamento do PSDB, que poderá rolar, na próxima terça feira, quando a reforma trabalhista será votada em plenário? Representaria ou não flexibilização da direita parlamentar golpista para rejeitar acordo de Temer, a fim de apressar sua saída, para colocar no seu lugar Rodrigo Maia? A jogada é, apenas, salvar as aparências. A aparência Temer perdeu utilidade. O utilitarismo é o suprassumo da ideologia da direita. “Tudo que é útil é verdadeiro; se deixa de ser útil, deixa de ser verdade.”(Keynes). Com maioria esmagadora de votos, a direita ganharia de novo, no plenário da Câmara. Aceitaria, na reforma trabalhista, alguns remendos, para salvar o essencial: o negociado sobre o legislado, onde cabe tudo que os capitalistas pedem. O risco, para eles, são mobilizações de massas nas ruas.