Gasolina mais cara freia deflação, abala Temer e Meirelles e bombeia Lula 2018

MALANDRAGEM MEIRELLIANA
– Chefe, com a deflação, construímos um estado da arte, o pleno emprego. Só não trabalha quem não quer pelo salário que oferecemos: zero ou negativo. Entendeu, meu camarada?
– Que mágica, heim?
– Deixa comigo. Subo o preço da gasolina para combater a deflação. Os empresários sobem os preços, aumentam os lucros e voltam a contratar.
– Por salário que não compra nada? Que adianta?
– É assim que atrairemos investidores, para comprar barato nossas empresas. Nessa transação, arrecadamos impostos e fazemos o superavit primário necessário ao ajuste fiscal para pagar os juros aos nossos credores.
– Mas, e o meu prestígio junto à população?
– Chefe, vamos fazer o parlamentarismo, para não precisar de eleição. É a moderna democracia, cara!
– Ah, entendi. Só precisamos, agora, de mais verbas para manter nossa base acomodada, com mais uns carguinhos, né?
– Você está pegando o espírito da coisa, chefe. Se precisar, a gente sobe mais um pouco o imposto, sacou?
– Gênio. Você me deixa encantado!

Se a barra já estava suja para Temer depois do episódio Joeley Safadão, que deixou seu mandato pendurado na broxa, tudo ficou muito pior com o aumento absurdo da gasolina.

Passou a ser terrivelmente afetado o bolso da classe média que se ascendeu na Era Lula-Dilma(2003-2014), uma massa de 44 milhões de novos consumidores, correspondente a 22 milhões de novos empregos, tempo em que a economia registrou a mais baixa taxa de desemprego da história, 4,5% da população economicamente ativa(PEA).

Maior beneficiado pelo congelamento geral de gastos que destrói a classe média que ganhou força no seu tempo.

Carro particular, para essa categoria social emergente, é instrumento de trabalho.

A renda disponível para o consumo dessa faixa populacional cairá ainda mais afetando produção, distribuição e circulação de mercadorias.

Avança, nesse contexto, queda de arrecadação de impostos, sem a qual os investimentos não se realizam.

Os políticos da base governista, que estão nos seus estados, nesses dias de recesso parlamentar, devem estar sob intensas pressões.

Eleitores e eleitoras, que condenam o governo nas pesquisas, estão, certamente, pressionando parlamentares para que votem pela condenação do presidente ilegítimo no plenário, de modo a ser julgado, por corrupção passiva, pelo Supremo Tribunal Federal(STF), a pedido da Procuradoria Geral da República(PGR), algo inédito na história do Brasil.

Temer mexeu, fortemente, no bolso da população, já afetada pela recessão e desemprego incontroláveis, desatado pelo congelamento geral de gastos públicos, previstos para os próximos vinte anos.

Arrocho geral nos setores sociais, para que sobrem recursos mais polpudos para pagar juros e amortizações da dívida pública, prioridade das prioridades da política macroeconômica de Meirelles.

Os empresários caíram na real.

Padecem crescentemente da falta de consumidores.

A estratégia econômica neoliberal caminhou para a desinflação selvagem, levando a economia à deflação suicida.

Destruição simultânea de capital e trabalho.

O aumento da gasolina, em proporção absurda, é um mea culpa disfarçado da equipe econômica, para combater o desastre deflacionário.

Aumenta-se o preço dos combustíveis, que reflete em todas as cadeias produtivas, como cascata, de modo a aumentar, de novo, a inflação, sem a qual os capitalistas não realizam lucros.

Só que a contradição foi longe demais.

Com o congelamento, prá que aumentar preços, de modo a fugir da deflação,  se o consumidor, graças à estratégia econômica glacial, desaparece do mercado, reforçando, consequentemente, o processo deflacionário?

Lógica da destruição.

O Banco Central caolho, que tem foco, apenas, na inflação, mas não cuida da taxa de emprego, continua, com a estratégia suicida.

Mantendo os juros relativamente altos, os estragos se mantêm diante da aceleração da queda de preços decorrente do subconsumismo neoliberal.

O juro real, com aceleração deflacionária, continua extorsivo.

Agora, com aumento do preço da gasolina, que inflaciona para evitar deflação, os banqueiros constroem justificativa para não diminuir juros.

Mantendo-os altos, garantem lucratividade máxima.

O Nordeste que subiu na vida com Lula está caindo na escala social e com saudade dele.

Inflacionar para não deflacionar, eis o jogo do aumento do preço dos combustíveis.

Se a inflação aleija trabalhadores e aumenta lucro do empresário, levando-o aos investimentos, capazes de gerar novos empregos, a deflação mata a ambos, tanto o capital como o trabalho.

Escolha de Sofia.

Expande depressão, falência empresarial,  desemprego, enquanto mantém juro real, igualmente, elevado.

As pesquisas de opinião apontam, evidentemente, para desgaste do governo.

Em contrapartida, embala candidatura Lula quanto mais vai se percebendo que o congelamento neoliberal destrói o que o ex-presidente petista construiu, isso é, a classe média que volta a empobrecer, assim como, também, os mais pobres voltam aos bolsões de fome e miséria.

O desastre neoliberal, que destrói as economias estaduais e levam servidores de estados e prefeituras às filas para ganhar cestas básicas ou ingresso nos programas bolsa família, está por trás do aumento da deflação combatido, agora, com fogo na gasolina.

Avança o desemprego involuntário.

Chega-se àquela situação surreal da economia neoliberal do final do século 19, em que reinava o pleno emprego como produto da oferta de trabalho sem remuneração.

Ao trabalhador não falta trabalho, desde que tope, como defendiam os economistas neoliberais, como Pigou, trabalhar por salário zero ou negativo em sua expressão máxima do termo.

Já, já Temer e Meirelles estarão se vangloriando da existência do pleno emprego.

Só não trabalha vagabundo que se nega a não ganhar nada diante das vagas de trabalho disponíveis sem salários.