CONGRESSO VIRA RISCO PARA POVO

PODER INCONSTITUCIONAL
O congelamento econômico aprovado por maioria golpista virou maior risco para a população porque privilegia o mercado financeiro especulativo às custas dos setores sociais aos quais faltam recursos capazes de garantir sobrevivência digna à população. O resultado é a deflação em marcha que destrói capital e trabalho, simultaneamente. Os números da economia são vexatórios. O PIB não deverá crescer esse ano e no próximo, inflação desaba por falta de consumo, desemprego avança incontrolável e as (contra)reformas suprimem conquistas e direitos constitucionais. Congressistas instalaram poder inconstitucional. Não foram eleitos para fazer isso. Usurparam a vontade popular expressa nas urnas nas eleições de 2014.

PRESIDENCIALISMO DE COOPTAÇÃO

Fantástico: a casa dos representantes eleitos pelo povo virou perigo total para o povo.

As medidas aprovadas por representantes dele que o traíram comprometem a soberania nacional e criam instabilidade política permanente.

O Congresso virou casa de golpes parlamentares.

Não foram os atuais representantes eleitos em 2014 para fazer o que estão fazendo: rifar o estado para o capital especulativo.

Entregar as empresas estatais, especialmente, Petrobrás, privatizar Caixa Econômica Federal, romper direitos e conquistas sociais inscritas na Constituição, como leis trabalhistas e previdenciárias, desestruturação de programas sociais, mediante congelamento de gastos públicos etc, nada disso foi discutido com a população.

Se tivesse, evidentemente, não teria sido aprovado.

REPÚDIO POPULAR

As pesquisas de opinião demonstram claramente o repúdio popular às medidas governamentais.

Consideram o governo ilegítimo Temer irresponsável, usurpador.

Somente por meio do golpe parlamentar jurídico midiático está sendo possível tamanha discricionariedade do poder executivo, amparado pelo legislativo e judiciário, num gesto de alta traição à democracia representativa.

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal(STF), Aires de Brito, em ataque fortíssimo ao titular do Planalto, disse, no Globonews Painel, que está instaurado, no Brasil, governo de cooptação argentária, no lugar do presidencialismo de coalizão.

GOVERNO DE LADRÕES

Foi o que se viu semana passada, quando o Planalto comprou a peso de ouro(R$ 15 bilhões), maioria na Comissão de Constituição e Justiça(CCJ), de modo a impedir julgamento do presidente ilegítimo no Supremo Tribunal Federal, acusado de corrupção passiva pelo Procurador Geral da República, algo inédito na história republicana.

Não há, afirmou Aires Brito, diálogo entre instituições; existe, sim, imposições, a preço determinado pelas pressões de um legislativo viciado em cocaína(corrupção).

Nesse contexto, em que acordos acertados num dia não valem para o dia seguinte, como ficou claro quanto às promessas de Temer aos senadores de sua base parlamentar, relativamente, à (contra)reforma trabalhista, o mercado financeiro especulativo, maior avalista do governo (contra)reformista, instaura insegurança jurídica total.

Os agentes econômicos, portanto, estão vendidos ao léu.

Perdem confiança e se indispõem aos investimentos, especialmente, no ambiente do congelamento fiscal neoliberal, responsável pela crescente paralisia dos serviços públicos fundamentais, como saúde, educação, segurança, infraestrutura etc.

ESTADO MÍNIMO

Como diz o economista J. C. Assis, o fundamental é impor o Estado mínimo neoliberal, para dar espaço de ocupação ao setor privado em todas as áreas.

Precarizar, portanto, o social, em toda sua dimensão, faz parte do jogo do congelamento.

Falta tudo para os serviços públicos, a fim de viabilizar sua substituição pelo setor privado: educação privada, saúde privada, previdência privada, privatização total da oferta de trabalho, ao transformar trabalhador em pessoa jurídica, isto é, em capitalista de araque, sem capital, pronto para vender, sem nenhuma garantia, sua força de trabalho, a única disponível para que possa sobreviver na selva neoliberal etc.

Eis aí as prioridades da estratégia macroeconômica meirelliana, determinada pelos credores nacionais e internacionais.

A receita de Meirelles e Temer tem fim conhecido: intensifica insuficiência relativa de demanda global, que já joga a economia na deflação.

SUBCONSUMISMO EM MARCHA

Avança o subconsumismo que inviabiliza industrialização nacional.

Cada vez mais, diante de arrecadação tributária cadente, decorrente do subconsumismo, torna-se o governo, mais e mais enxuto, dependente de poupança externa.

Resultado: os juros, no ambiente do subconsumismo, que fragiliza a economia e a impede de cumprir compromissos com credores,  tendem a se manter elevados.

Trata-se da resposta do mercado financeiro ao risco criado pela escalada do estado minimalista, determinado pelo congelamento neoliberal.

Começam a ficar incomodados até uma parte dos golpistas.

TUCANOS PREOCUPADOS

FHC disse, em entrevista ao repórter Roberto Dávila, na Globonews, que, na reunião que os tucanos fizeram para decidir se ficam ou não no governo Temer, o prefeito de São Paulo, João Dória, alertou que são cada vez maiores pressões dos prefeitos de todo o estado devido à escassez de recursos públicos que jogam a população contra eles.

Até quando, perguntou, será possível suportar tal situação(produzida, claro, pelo congelamento de gastos públicos, previsto para durar vinte anos)?

A instalação da era econômica glacial não revela, para o povo, o essencial, mas, somente, o acessório.

O que está em cena é a renúncia dos capitalistas da produção ao estado que é capital.

O que era eles, jogam fora, ou seja, aquele que sempre lhes serviu, na tarefa de subsidiar seus lucros. 

O ESTADO É CAPITAL

Deixaram ser dominados pelos capitalistas financeiros, especuladores, cujo objetivo é dominar o estado, apenas, para seu usufruto, por meio de corte de gastos dos setores sociais.

Desse modo, sobrarão recursos cada vez maiores para pagamento de juros e amortizações da dívida.

O estado que estimula, por meio da arrecadação, produção e consumo, dá lugar ao estado que canaliza para os bancos pagamento de serviços da dívida à custa da restrição dos programas sociais, responsáveis por gerar renda disponível para consumo da produção nacional.

Essa inversão de papeis, que favorece os especuladores, está sendo possível por um Congresso dominado por golpistas a serviço da banca, sem compromisso com a população, inimigo dela.