BC INCOMPETENTE APROFUNDA CRISE DEFLACIONÁRIA E VIABILIZA LULA 2018

BARBEIRAGEM
BC caolho que olha só a inflação e deixa de lado o desemprego afunda país na recessão. Cabeça de caixa de banco não pensou no consumidor. Trabalha inconscientemente para o PT voltar ao poder. Vai continuar com o Maia para enterrá-lo, também?

Os analistas da grande mídia dizem que o BC vinha, até antes do episódio Joesley Safadão, com propósito firme e inarredável de manter ritmo acelerado de queda da taxa de juros. Programava-se, como diz Cristiano Romero, no Valor, ir diminuindo a Selic em 1,25 pontos percentuais a cada rodada do Copom. A jogada dos economistas do BC, comandados por Ilan Goldfajn, do Itaú, cabeça formada no mercado financeiro especulativo, sem nenhuma sensibilidade política, era mudar a meta da inflação para 4,5%. Durante todo o período petista, ela permanecera em 6,5%. Com intervalo de 2 pontos para mais ou para menos, foi possível promover uma era desenvolvimentista, com melhor distribuição da renda nacional, via valorização do salário mínimo, incremento relativo de programas sociais – educação, saúde, segurança, infraestrutura etc – e remoção do Brasil do mapa da fome. Criou-se, nesse período, 40 milhões de novos consumidores. Uma Argentina e pouco. O resultado foi vitória eleitoral em quatro períodos.

INFERNO DO DEUS MERCADO

Lula presidente e Dilma, provavelmente, senadora em 2018, agradecem aos equívocos neoliberais de Meirelles/Ilan Goldfajn

Os adversários, os neoliberais adoradores do deus mercado, sem programa, salvo o equilibrismo orçamentário, via arrocho salarial, objetivando retorno ao século 19, com lassair faire, historicamente, enterrado pela crise de 1929, jogaram a toalha. Partiram para o golpe parlamentar jurídico midiático para defenestrar presidenta eleita por 54 milhões de votos. Disseram que a nova meta inflacionária a ser alcançada seria de 4,5%, jogando a antiga, de 6,5%, no mar. Aplicaram congelamento de gastos públicos por vinte anos. Repetiram o congelamento de emissão de moeda de Roberto Campos em 1964, derrubado por Costa e Silva/Delfim Netto. Tudo obedecendo as ordens dos credores, resumida no receituário neoliberal segundo o qual é preciso equilibrar a relação dívida/PIB, para combater o déficit – no caso brasileiro, baixo, na casa dos 60% do PIB, se comparado com o do Japão, 200%, ou dos Estados Unidos, sempre perto dos 100%, ou de qualquer país europeu desenvolvido, nunca abaixo de 70%, 80%. Capitalismo sem déficit não existe, senão os Estados Unidos não seriam o que são.

CAPITALISMO É GUERRA

Bob Fields, Roberto Campos, é o pai ideológico da equipe econômica neoliberal que manda matar consumidores como solução para a economia.

Roosevelt, recomendado por Keynes, elevou o déficit público americano para 144% do PIB para ganhar a guerra. Capitalismo é guerra puxada por demanda estatal, indústria de defesa, que incrementa cadeia produtiva geral etc. A América, para os americanos, virou potência mundial invencível, até agora. Em menos de dois anos, os neoliberais comandados por Ilan/Meirelles, chegaram à meta inflacionária de 4,5%, mediante era receita glacial do Alasca. O que se vê? Deflação, inferno para o capital e o trabalho, simultaneamente. Os assalariados, que estão empregados, ganham, temporariamente, com tal situação. Os preços sobem menos do que os salários. Trata-se de vitória de Pirro. O contrapolo é exército de desempregados e miseráveis multiplicados por mil. O consumo desaparece. Quem vai investir em máquinas novas para colocar no lugar das que estão paradas por falta de consumidor? O mercado, como descreve Romero, está apavorado com a nova meta inflacionária milagrosa de Ilan. Os próprios banqueiros, vendo o que vem por aí, isto é, mais inadimplência, arrocha juros no crediário, eleva pressão sobre os devedores etc.

DARWIN ESTÁ NO BC

Vítimas de Joesley Safadão e de Ilan Goldfajn

Lei do mercado, lei da selva.

Descabelada, a equipe econômica dá uma engatada no velho Refis, soltando novo Refis, para desafogar empresas que não conseguem pagar impostos. Os pequenos empresários tentam fazer esse Refis, mas, embora o prazo tenha esticado para 180 meses, estão carentes de capital de giro. Não têm disponibilidade para dar entrada na primeira prestação. Pedem carência de 180 dias. Anemia dos investimentos, título do comentário de Cláudia Safatle, também, no Valor, dá a dimensão do desastre glacial. Cortar gastos para tornar a economia mais eficiente, mais vigorosa, sem o peso do Estado, para dar lugar aos investimentos privados etc e tal, é isso aí: blá, blá, blá neoliberal. Um ano depois, um dos gigantes do aço, no País, Benjamin Steinbruck, vice-presidente da Fiesp, alinhada aos golpistas de primeira hora, abriu o bico. Não dá, escreveu ele na Folha de São Paulo, para sobreviver sem os investimentos públicos, derrubados pela tentativa de conter déficit na marra, de modo a diminuir inflação a qualquer custo, matando consumidor.  As receitas, sem consumo, desabam.

ESTADO ANÊMICO

Os tucanos entraram pelo cano ao apoiarem o golpe. Perderam credibilidade popular.

Os investimentos, com o governo de caixa baixo, desaparecem. As transferências de receias para estados e municípios, esvaziados pela recessão, choram na beira da estrada. Ninguém consome, salvo o absolutamente necessário, em proporção relativamente reduzida, incompatível, com a capacidade de oferta disponível, para uma renda disponível para o consumo, crescentemente, ridícula. As expectativas dos empresários não se realizam, admite a CNI, golpista de primeira hora. “Deflação, um erro eterno.”(Keynes). Os capitalistas tupiniquins não entenderam o mandamento do autor de “Teoria Geral do Emprego, do juro e da Moeda”, segundo qual o espírito animal dos empresários é despertado pela única variável econômica verdadeiramente independente do capitalismo. Trata-se do aumento da quantidade da oferta de moeda que produz, automaticamente, quando lançada na circulação, quatro fatores interdependentes: 1 – aumento de preços; 2 – redução de salários; 3 – diminuição dos juros e 4 – perdão da dívida dos empresários contraída a prazo. Esse movimento da variável independente, que está na mão do governo capitalista, é que produz a eficiência marginal do capital, isto é, o lucro. Os capitalistas brasileiros abriram mão do capital, que é o Estado. “O Estado é capital”(Lauro Campos)

ANIMAL ADORMECIDO

Lauro Campos dissecou Keynes que chamaria o pessoal neoliberal do BC de assassinos do capitalismo brasileiro.

É isso e somente isso que desperta o espirito animal do investidor. Ilan Godfajn e Meireles têm cabeça de caixa de banco, cabeça de planilha, para lembrar o belo livro de Luis Nassif. A incompetência do BC na crise atual é total. Bem feito, quem manda seguir receita colonizada de Samuel Pessôa. Economia não é ciência exata. É política. O que fez Lula quando a bancarrota capitalista global mandou o capitalismo aos ares em 2008? Enfrentou-a elevando crédito ao consumo e segurando juros. Salvou a indústria, o comércio, a agricultura, os serviços, os empregos. Ao final de 2014, a taxa de desemprego era a menor da história: 4,8%. O que fez Ilan, neste momento, para evitar que os empresários não deixassem se abalar pela crise política em ascensão, evitando que a economia entrasse em processo deflacionário? Manteve a rigidez dos juros altos diante da inflação cadente. Barbeiragem.

VISÃO BURRA

Os mecanicista da Fazenda e do BC não entendem o silogismo do capital dialético ensinados por Hegel e Marx.

A cabeça neoliberal é mecanicista, não leva em consideração as circunstâncias histórias. Trabalha mediante modelos construídos em laboratório, com ajuda da matemática, ciência que, segundo Hegel, se constrói no exterior da realidade dos fatos. Marx, autor de O Capital, sentenciou: Economia é política e política é economia, como, no ambiente do trabalho social, produção é consumo e consumo é produção. O circuito do capital é dado, segundo ele, pelo silogismo: produção, distribuição, circulação e consumo. Tudo engatado. Organismo vivo. Político. Os cabeças de planilha, trabalhando celeremente para o PT voltar ao poder, em 2018, querem combater o déficit destruindo o silogismo dialético. Se fuderam. Amarrados pelo Consenso de Washington, que Washington não toma para si mesmo, porque não é besta, Meirelles/Ilan e Cia Ltda seguiram piamente o mandamento do tripé neoliberal: meta inflacionária, superávit primário e câmbio flutuante. Receita de bolo queimado. Bela porcaria.