Temer descongela economia para ricos e mantém congelamento só para pobres

Miriam Leitão, a mais destacada comentarista de economia da Rede Globo e O Globo, impregnada dos conceitos neoliberais desinformadores da opinião pública, mentiu, segundo duas testemunhas, que foi agredida moralmente por petistas durante voo comercial. Caiu no descrédito, como desacreditados são os seus argumentos para justificar o congelamento recessivo Temer/Meirelles que leva a economia para o suicídio da deflação, o erro eterno dos analistas econômicos neoliberais, segundo Keynes.

Generalização do Refinanciamento Fiscal, o conhecido Refis, está descongelando a economia para os empresários – indústria, agricultura e comércio – mais ricos, suficientemente, organizados em federações e confederações. Tenta-se aliviar para eles a recessão braba que aponta para PIB zero em 2017, juro alto e taxa de lucro cadente. Já, para os trabalhadores, a continuidade do congelamento sobre os setores sociais – especialmente, educação e saúde – aprofunda seu sacrifício e a recessão. Durou pouco a imposição macroeconômica neoliberal do ministro Meirelles. Os fortes chiam e levam. Os mais fracos, desorganizados, levam cacete. Não têm a quem recorrer. Os golpistas, ancorados nas forças antinacionais, vendilhãs da pátria, disseram que Dilma desorganizou a economia mediante excesso de desonerações fiscais. Também, pedalou, contabilmente, o orçamento, prática exercitada por todos os presidentes da Nova República.

– Não incomoda não, presidente. Estamos aqui para isso mesmo: ferrar os mais pobres. Distribuir renda era com Lula, meu caro. Nossa missão é outra, entendeu? A Miriam é que nos entende à perfeição.

Os governos das elites pedalaram. Tudo bem. Os governos do PT fizeram o mesmo, foram condenados. Derrubados estes, vieram congelamento neoliberal e contrarreformas, cujas consequências são redução da renda disponível para o consumo, que está levando a economia à deflação. A inflação cai não por força do que o PT fez, ampliação da oferta e da demanda globais, responsável pela inflação equilibrada e pleno emprego. Ela desaba porque o receituário neoliberal do mercado especulativo elimina o consumo. O subconsumismo em marcha impede investimento. Quem vai comprar máquinas novas para colocar no lugar das que estão paradas? Os excedentes não são consumidos. Os preços desabam por falta de consumidores. A taxa de lucro do capitalista não consegue se realizar na exploração da mais valia sobre o excedente produzido. O capitalista, estocado, sob congelamento dos gastos públicos, não paga dívidas. Vem o governo e concede 200 meses para refinanciar impostos. Porém, de que adianta escalonar esse desembolso, se a economia congelada elimina o consumidor que colocaria no caixa do capitalista o dinheiro para ele começar a garantir sua taxa de lucro cadente na recessão e a liquidar os impostos refinanciados? Jogo de perde-perde. O receituário neoliberal, que desarticula produção, distribuição, circulação e consumo, mediante argumento de que a estabilidade requer castração consumista para combater a inflação, é irracional.

O ideólogo da direita que ocupa o espaço na grande mídia golpista para defender o ideal econômico neoliberal de Robson Crusoé, é quem faz a cabeça de Miriam e de sua geração de jornalista, agora, criticados pelo próprio Delfim por terem se transformados em jurisconsultos.

A inflação está caindo, chegando a zero, como se prevê, para esse mês, mas os lucros não se realizam. Faz-se necessário subsidiar o capitalista com o outro nome da desoneração fiscal, isto é, o Refis, sinônimo de descongelamento. Na prática, eis que o déficit público é não apenas mantido, mas ampliado, mesmo com a queda da inflação. O subconsumismo gera a deflação que requer subsídio ao capital que produz déficit sem produção. Delfim, hoje, no Valor/Globo, tenta dar um mergulho na crise, para explicá-la, mas não pode ir fundo, pois poderia não voltar à superfície e morrer enredado nas suas próprias contradições. O ex-ministro da ditadura parte para tautologia:  a produtividade é gerada pelo trabalho humano. Foge, no entanto, do ponto central: produção é fruto do trabalho social, da sociedade divida em classes pela disputa da renda nacional. Marx, nos Grundrisses, lembra ser o trabalho social determinante da riqueza. Ver esta como produto do indivíduo criativo, é recorrer às famosas robinsonadas. Robson Crusoé, numa ilha deserta, teria criado a economia moderna. É o herói dos neoliberais. Parte do ponto de vista do consumidor autônomo, descolado da realidade, para construir o modelo perfeito, equilibrado, de oferta e demanda ideais. Pura esquizofrenia. Produção, distribuição, circulação e consumo é um todo interativo, indivisível. Não funcionam as partes isoladas entre si. Combater o desajuste do sistema cortando consumo para equilibrar o todo, como tenta Delfim neoliberalmente, apelando-se para critério de produtividade desconectado do real concreto em movimento, é robinsonada.

Parlamentar petista, Reginaldo Rossi, MG, prepara emenda constitucional para descongelar gastos sociais de modo a combater a recessão neoliberal imposta pelo governo ilegítimo de Temer.

Dialética-revolução-valor trabalho é o movimento do conjunto compreendido pela produção, distribuição, circulação e consumo, no ambiente social em que se desenvolve o que os neoliberais tem pavor de reconhecer, isto é, luta de classes. A cabeça equilibrista dos jornalistas de economia, formada pelo equilibrismo geral dos economistas neoliberais, não chega a lugar algum. Aliás, Delfim, hoje, diz que o jornalismo acabou, ao se referir à tentativa ingênua dos jornalistas de darem uma de jurisconsultos, tentando, pelo argumento moral, explicar as contradições dos juízes, que têm muito bem estabelecidas suas posições na luta de classe que move o capitalismo, cuja função é produzir o que a realidade demonstra: crise de realização da taxa de lucro quanto mais se busca reformar o sistema aprofundando insuficiência relativa de consumo. Ô vida dura de jornalista na grande mídia em que se tem que render-se à opinião do patrão capitalista, sempre, como a verdade absoluta. Delfim não teria o espaço privilegiado no Globo/Valor se não rendesse, também, como os jornalistas, aos quais agora critica como incoerentes. O fato concreto e objetivo não está saindo na grande mídia: o avanço do subconsumismo, produtor de deflação, subproduto do congelamento de gastos, bloqueia produção, distribuição, circulação e consumo no subcapitalismo tupinquim. Evidencia necessidade de descongelamento, especialmente, de saúde e educação, como defendeu, na Tribuna, o deputado Reginaldo Lopes(PT-MG). Com congelamento, desconfiança do mercado especulativo se acentua. Aprofunda-se crise política, no compasso da resistência popular às reformas. Configura-se claro ambiente de luta de classes, marcado pelo subconsumismo, cujo aprofundamento exige generalização do Refis, versão de Temer para desonerar os capitalistas dos custos da crise, enquanto os trabalhadores continuam pagando o pato.