Crise política racha direita e une esquerda

Diretas Já ganha corpo em todo o pais e inibe as indiretas que a direita golpista quer aprovar no Congresso depois do fiasco do golpe que pôs o ilegítimo Temer no Planalto. A correlação de forças se mostra irresistível ao volume de gente que cresce nas ruas para resolver a parada nas urnas, democraticamente.

A direita se esfacela diante das suas grandes contradições. Já a esquerda se aproveita do grande desgaste político e econômico do governo ilegítimo Temer. Cresce a olhos vistos em todo o país. Ontem, em São Paulo, a multidão tocou o mote político das ruas: diretas já, fora Temer, não às contrarreformas da previdência e trabalhista. As contradições que dividem da direita se acentuam com o avanço do desemprego e da recessão. Os comentaristas neoliberais destacam que não haverá melhora dessa situação, enquanto não forem aprovadas as reformas. Estas, porém, foram bloqueadas pela reação popular: greve geral e movimentos de resistência que engrossam as Diretas Já e a saída do titular do Planalto, pego com a mão na massa, pela gravação de Joesley Safadão. Tenta-se construir falsa realidade. Não há certeza de que seja correta a análise neoliberal de que a Previdência Social é a maior fonte do déficit público. Mais do que o buraco da Previdência aumenta o déficit o custo financeiro do endividamento do governo tocado por política econômica que aprofunda instabilidade cujas consequências são paralisia dos investimentos. O congelamento neoliberal dos gastos públicos de Temer/Meirelles/banqueiros vai produzindo o mesmo efeito do congelamento monetário adotado pelo governo militar de Castelo Branco, tocado pela dupla Roberto Campos-Gouveia de Bulhões, em 1964. Durou pouco. O segundo governo militar de Costa e Silva, um ano e meio depois, rompeu a ordem neoliberal de Bob Fields, ditada de Washington. Derrubou a inflação, mas aprofundou a crise social. A Globo não coloca em discussão o congelamento de gastos públicos. Tem medo do debate. Cuida, apenas, de manipular. Insiste na mentira de que a previdência é deficitária, quando o giro do dinheiro dos aposentados, em vez de paralisar a produção, gira a produção, gerando arrecadação de impostos, que viram investimentos etc.

No 6º Congresso Nacional do PT diversas correntes de esquerda estiveram presentes para formação de Frente de Defesa Nacional contra o governo golpista. Momento da esquerda unida contra a direita totalmente rachada e sem rumo diante da crise econômica que ela aprofunda com congelamento neoliberal à moda de Roberto Campos.

Já o pagamento de juros absurdos não tem volta, não promove produção, mas o desastre. A desmontagem do sistema previdenciário visa outros interesses. O mercado financeiro quer privatizar o SUS e disseminar planos de saúde a prestação, a fim de substituir a participação do Estado na oferta de saúde, bem como da educação etc. A reforma trabalhista, idem, visa castrar direitos. Ambas às contrarreformas produzem resultados antieconômicos ao reduzir a renda disponivel para o consumo sem o qual a recessão e o desemprego se acentuam. A mobilização do Congresso, pelo mercado financeiro, que manda nos congressistas, segundo reconheceu o deputado Rodrigo Maia(DEM-RJ), presidente da Câmara, entrou em estresse, porque tal tarefa implica aprofundar corrupção, que, afinal, explodiu no colo do governo golpista, na tarefa de disseminar as práticas corruptoras, para acelerar aprovação das contrarreformas da previdência e a trabalhista. O movimento de resistência popular deixou a direita enlouquecida, que quer a eleição indireta, no colégio eleitoral, o mais rápido possível. Para isso, faz necessário tirar Temer. O presidente diz que não renuncia e que levará o jogo do julgamento no TSE, pela cassação da chapa presidencial de 2014 – Dilma/Temer -, até o fim, ou seja, quanto mais esticar/procrastinar etc, melhor. Tal imbróglio, se durar muito tempo, como ocorre, sempre, com a justiça brasileira, justiça dos ricos, que, agora, estão em questão, aprofunda a crise econômica e, consequentemente, fortalece, nas ruas, as Diretas Já e o combate popular às contrarreformas. O fora Temer é o desejo maior não da esquerda, mobilizada, mas da direita dividida, para evitar as Diretas Já. Ocorre que ela sequer tem candidato para disputar, no colégio eleitoral, as indiretas. Não que a esquerda queira Temer. Ao contrário. No entanto, estratégica e taticamente, a permanência dele favorece a inundação das ruas pelas Diretas Já, de modo que as indiretas, na prática, se tornem fator de instabilidade diante do desejo popular de acelerar mudança do poder nas ruas, nas urnas e não na manipulação elitista do colégio eleitoral. Seja qual for o resultado do julgamento do TSE nessa semana as tendências continuarão sinalizando divisão da direita e união da esquerda. A eleição da nova presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmman, no 6º Congresso nacional do partido, mediante presença da diversidade partidária esquerdista nacional, amplamente, acompanhada por observadores internacionais, comprovou a unidade e fortalecimento de Frente de Defesa Nacional para lutar contra o golpe.