Temer favorece Diretas Já quanto mais se agarra ao cargo pra não ser preso

SE FICAR O BICHO PEGA, SE SAIR O BICHO COME

A dialética da crise ganha novo impulso com a decisão, cuja duração não se sabe até quando, de Temer em gritar que não renuncia.

Quer ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

Como jurista esperto, o ilegítimo golpista sabe que o judiciário brasileiro é o que é, ou seja, dos poderosos, e ele, com a caneta de presidente, julga-se poderoso.

Bicho acuado, resiste à morte.

Essa posição do presidente ilegítimo, que vai configurando fuga da sua prisão em primeira instância, se renunciar,  é tese que já produz antítese estridente, expressa nos movimentos de rua pelas diretas já.

Qual será a síntese desse movimento em marcha?

A burguesia financeira, hoje, dando as cartas no governo, com Meirelles, na Fazenda, e Goldfanj, no Banco Central, está apavorada.

Ela tem medo da síntese dada pela alternativa da pressão das ruas, já que não tem nenhum comando do processo.

Daí estar, certamente, pressionando pela eleição indireta, de modo que, com o Congresso que apoiou o golpe, possa ir manobrando a continuidade da política econômica neoliberal desnacionalizante.

Somente assim conseguirá manter o congelamento fiscal por vinte anos, que assegura recursos para pagamento dos juros e amortizações da dívida, às custas da destruição dos programas sociais,  e passar as reformas da Previdência e trabalhista no Legislativo.

A presença de Temer virou ameaça às contrarreformas.

Quem apoia-las estará vinculado a esse personagem que a própria Globo que o criou, ao empenhar-se pelo golpe, tenta dele se desfazer.

Temer sujou geral para as forças golpistas, conservadoras, entreguistas.

Com ele, no Planalto, Goldfajn, no BC, não consegue segurar o dólar nem a bolsa.

A volatilidade financeira especulativa intensa em escala incontrolável, com Temer no comando político, deixa a economia vendida, sem expectativas.

Os investidores desaparecem, mantida tal situação.

Quem vai investir nesse clima político descontrolado?

“Estamos trabalhando com tranquilidade, utilizando os instrumentos disponíveis”, mentiu, descaradamente, o titular do BC, que, sequer, conseguiu articular as palavras, tal seu nervosismo.

A tranquilidade de Ilan é semelhante à de Aécio Neves que se disse absolutamente tranquilo antes de perder o mandato por ordem do Supremo Tribunal Federal.

Não dá para ter Temer por mais uma semana no comando político sob pena de o mercado entrar numa ciranda especulativa desesperada.

As contradições se intensificam com os movimentos de dissidentes.

Os partidos aliados saem fora do presidente, na esperança de que o processo político pela via indireta se instale rapidamente em busca de novo presidente, a ser sancionado pelos congressistas, descrentes em Temer.

As incertezas decorrentes do processo político que se instalaria com eventual renúncia de Temer são bem menores do as que se instalarão se Temer insistir em ficar.

Que se instalarão, não, que já se instalam.

O processo político instável para preparar a eleição indireta no Congresso seria a normalidade precária, a via constitucional, ansiosamente, desejada pelo mercado financeiro, para substituir a via explosiva que representa a decisão do presidente de resistir à renúncia.

A polaridade política radical produzida pela insistência do presidente na via jurídica, a de só sair depois de julgamento do STF, estica a corda da crise que pode não aguentar e estourar, quanto mais o movimento pelas Diretas engrossar.

Temer, portanto, se transforma no maior obstáculo para as forças que o colocaram lá e dele, agora, tentam se safar o mais rapidamente possível.

Temer é a instabilidade.

A estabilidade, para o mercado, aliado dos golpistas e indutor do golpe, é a instalação do processo das indiretas já, para evitar avanço das Diretas Já.

Uma resposta para “Temer favorece Diretas Já quanto mais se agarra ao cargo pra não ser preso”

Os comentários estão desativados.