Dilma viva, golpistas, mortos; Diretas Já

Um ano depois do golpe, os golpistas são abatidos pelo desastre político e econômico que representam e os que tentaram destruir se mostram vivos e prontos para disputar novas eleições com grandes chances de serem eleitos pelo voto popular que o golpe parlamentar-jurídico-midiático tentou eliminar para vender o Brasil na bacia das almas.

O tiro dos golpistas saiu pela culatra, disse, eufórica, hoje, Maria do Carmo, quando chegava, de Planaltinha de Goiás(Brasilinha), para mais um dia de labuta, como profissional doméstica, lá em casa.

Ela completou, sorridente:

“A chance de Lula triplicou”, e deu gostosa gargalhada.

Antes, assistira um plantão do Jornal Nacional, durante a novela das 7, Rock Start.

Chamou a atenção do seu filho, João Pedro, de 10 anos:

“Meu filho, ou é uma fofoca braba ou algo estrondoso.”

Não conseguiu mais se desligar da telinha.

Um ano depois do golpe, Dilma continua viva, em outra conjuntura, que, dificilmente, avalizaria sua volta – dadas novas exigências sociais e políticas que emergem de forma fantástica -, para que pudesse ser restabelecida a justiça.

Mas, quem sabe?

As incertezas são a única certeza que existe, concretamente, no país, convulsionado pela notícia dada pelo repórter Lauro Jardim, de O Globo, de que Temer mandara dar sequência à ação corrupta do dono da JBS de manter Eduardo Cunha calado, mediante grana grossa.

Como essa ação criminosa ocorreu em pleno mandato do presidente ilegítimo, está, plenamente, madura, hipótese de sua renúncia ou cassação por meio de impeachment com claro crime de responsabilidade.

Trata-se de algo concreto, oposto ao que ocorreu com Dilma, cujo crime de responsabilidade foi forjado para destruí-la pelos golpistas, agora, abatidos pelo veneno da ilegitimidade e da corrupção desbragada.

As ruas já tomadas pelos manifestantes, em escalada que pode ficar incontrolável, dividem os congressistas, em Brasília.

Há clima para uma solução parlamentar, depois da agressão, durante um ano, dos golpistas contra os trabalhadores, por meio de propostas de reformas que retiram deles conquistas constitucionais, como são as da Previdência e a Trabalhista?

O congelamento neoliberal que acelera desemprego e desnacionalização econômica conseguirá se manter de pé com o povo nas ruas?

A população sente claramente sua exclusão do debate, no Congresso, onde, aliás, os presidentes, tanto da Câmara como do Senado, apoiadores do golpe, fecharam suas portas à participação popular.

Eleições indiretas nesse contexto de desmoralização do legislativo, que foge do povo?

Nem pensar.

Eventual novo presidente saído desse aquário não teria legitimidade alguma, mesmo as regras atuais considerando que o afastamento do titular do Planalto dá lugar ao presidente da Câmara, que convocaria indiretas.

Excluída essa hipótese por puro bom senso, resta as ruas, as diretas já, para eleger novo presidente.

Nesse caso, Lula, perseguido pelos adversários, perseguido, não, cassado, sai na frente, se for levada em consideração as pesquisas que o consagram como pule de 10 numa disputa eleitoral, agora.

Lauro Jardim: a noticia do ano

As ruas em excitação total pode conduzir emenda constitucional para que as eleições sejam diretas.

No embalo dessa possibilidade concreta, com Temer já defenestrado, moral e abstratamente, na cabeça dos eleitores, Lula, visto, depois desse novo mega-escândalo, passa a ser percebido com outros olhos, com o lastro do seu passado político de ter feito governo popular que tocou o País com distribuição de renda e melhoria da qualidade de vida.

Os potenciais adversários do ex-presidente seriam quais?

No PSDB, os considerados estão em baixa.

No PMDB, que traiu, vergonhosamente, Dilma, com Temer, agora, politicamente, morto à frente, salva quem?

Ninguém.

O novato Jorge Dória, prefeito paulista, tucano, que , dizem, estava em Nova York, essa semana com o homem de Temer que carregou a mala de dinheiro para comprar silêncio de Cunha, estaria não só verde, mas, também, prematuramente, bichado, eticamente etc.

A direita, que deu o golpe, lançaria o nazi-fascista Bolsonaro, se ela está por trás do golpe que acaba de ser abatido?

Estaria afastada possibilidade de os militares entrarem em cena, se a situação social sair de controle, caso o governo, num ato de desespero, parta para a ignorância?

A incerteza está no ar.

Eis o maior teste da democracia, ancorada na Constituição de 1988, garantidora de direitos e conquista sociais, porém, ameaçada pela direita aliada aos interesses internacionais, que está entregando a soberania nacional em ritmo acelerado.

O povo, na rua, expressão maior do processo democrático, está com a palavra.

Sairá ou não daí, a tão sonhada reforma política, para consagrar ampla participação popular no poder?