Capitalismo de Feira. Congelamento fiscal Temer-Meirelles doa empresas aos bancos para privatizá-las em Wall Street na bacia das almas.

– Congelando por vinte anos os gastos públicos vamos ter uma economia superbarata para os investidores e empresas praticamente de graça para eles comprarem, com ajuda dos nossos bancos. Encheremos nosso caixa com vendas de empresas no exterior, já que elas, aqui, sem demanda, vão morrer, tá certo, excelência? – Mas, e o que eu faço com os consumidores que são eleitores candidatos ao desemprego, meu caro Meirelles? – Presidente, povo é, apenas, um detalhe, na nossa equação. Deixa comigo. Acabo com ele.

Vai ficando cada vez mais claro para quem consegue raciocinar fora dos cânones da ideologia neoliberal despistadora que a tática do congelamento de gastos públicos por vinte anos abriga objetivo claro, entreguista, desnacionalizante. Os setores produtivos em geral, diante do congelamento glacial, vão perdendo força diante do capitalismo financeiro especulativo bancocrático que domina a economia nacional. Na Fazenda, Meirelles, ligado ao Banco de Boston,  e no Banco Central, Ilan Goldfanj, homem de confiança do Itaú, com o congelamento, fragilizam a economia, reduzindo demanda global ao setor privado, porque a prioridade é pagar juros e amortizações da dívida, cortando gastos dos setores sociais, infraestrutura etc e tal. Incapaz de puxar os próprios cabelos, para evitar afogamento no rio caudaloso da recessão e do desemprego, os empresários, endividados, batem, cada vez mais assiduamente, à porta dos banqueiros. Resultado: empresas crescentemente frágeis, sufocadas por dívidas embaladas por juros sobre juros altos – anatocismo criminoso, segundo o STF – , poderão, nas mãos dos bancos, ser vendidas a preço de mercado por eles, nas praças internacionais, preferencialmente, a partir de Wall Street. A desnacionalização econômica, no compasso do congelamento neoliberal, tende a se aprofundar, levando a economia nacional, o capitalismo tupiniquim, a viver fase de liquidação de feira. Capitalismo de Feira. Feira do Paraguai. A concorrência predatória dita o preço.

Aqui, Temer-Meirelles joga o destino do capitalismo tupiniquim na tarefa de recolonizar o Brasil.

Os banqueiros vão ser os agentes da desnacionalização acelerada vendendo empresas financeiramente falidas no ritmo da concorrência liquidatória, em fase do capitalismo global em crise, em que o capitalismo financeiro adquire quase de graça os ativos produtivos baleados por falta de demanda global sob orientação econômica neoliberal desestatizante. O excesso de oferta dos ativos, manipulados pelos banqueiros, reduzirá preço, forçadamente, produzindo, para quem os adquirir por valores vagabundos, taxa de lucro elevada, em forma de riqueza primitiva obtida na bacia das almas. Os banqueiros, como caixeiros viajantes, a liquidarem patrimônio nacional, terão argumento extra para convencer compradores. Estes terão pela frente custo mais barato de produção, proporcionado pelas contrarreformas trabalhista e da previdência. O custo de contratação e de sustentação dos trabalhadores, por unidade produtiva, ficará uma mixaria, especialmente, porque com o avanço do desemprego, os salários desabarão. Já em relação à previdência, as mudanças no sistema previdenciário, que interessam aos banqueiros, propiciarão bancarrota do SUS e emergência da previdência privada, sujeita, é claro, às volatilidades do mercado, sempre pronto a implodir diante da especulação desenfreada. A bancocracia, que governa o País, sob Temer-Meirelles, acelera, ao máximo, as contrarreformas, para que seja oferecido, pelos bancos, no mercado internacional, pacote completo, atrativo aos investidores, isto é, ativos baratos e sujeitos às novas regras de composição de preços que, supostamente, elevam sua produtividade e lucratividade. Resta a dúvida. Para o capitalista investidor – o universal individual concreto -, as condições de produção estarão mais vantajosas, graças às violentas quedas de preço; porém, para o capitalismo nacional, sobreacumulador de renda e promotor de exclusão social, como o todo, as contradições emergirão quanto mais o novo contexto expressar sua especificidade neoliberal, ou seja, a redução crescente da renda disponível para o consumo. Vai ser bom negócio para o capitalismo financeiro, mas problemático para o capitalismo produtivo, quando mais os consumidores desaparecerem do cenário econômico, como se vê com o avanço do desemprego, no embalo do congelamento fiscal neoliberal glacial.