Adiar eleição, último cartucho dos golpistas

1 ANO DEPOIS, GOLPISTAS, DE NOVO, EM AÇÃO
– Olha, meus caros tucanos, no voto, nos estamos fudidos. Democracia não é prá nós. Só chegamos lá, depois de quatro mandatos petistas, derrubando eles, no parlamento, com ajuda do judiciário. Vê aí se vocês articulam novo golpe, prá gente adiar esse troço. Do contrário, é ferro na boneca. O Moro não está dando conta do recado. Eu não aguento mais mobilizações de massa, cês sabem disso, né?

Sem ter prova concreta do contrato de compra e venda registrado em cartório para comprovar que Lula e Mariza realmente são donos do bendito triplex em Guarujá, eventual condenação seria farsa, que multiplicaria, país a fora, as manifestações populares de repúdio ao judiciário que se abastardou, totalmente, por ser um dos agentes ativos do golpe político parlamentar contra Dilma Rousseff, como vai ficando cada vez mais claro. Como, claro? Basta ver as contradições do comportamento dos integrantes da justiça, local onde, hoje, vaca desconhece bezerro. Olha o quebra-pau entre ministros do STF, entidades jurídicas críticas do juiz Sérgio Moro etc! Isso sem falar que a desconfiança relativamente ao judiciário vem de longe, com as tais vendas de sentenças que evitam condenações e prisões dos poderosos, restando as grades, apenas, para os pobres, pretos, pardos, ladrões de galinha etc. A tentativa, que se engrossa nos bastidores, de que, embora sem provas concretas para julgar Lula, Moro possa condená-lo em primeira instância, levou, inegavelmente, duro golpe em Curitiba. A jararaca está viva. Poderá, sem dúvida, haver forçação de barra para empurrar o ex-presidente a julgamento na 4ª Região, no Tribunal Regional Eleitoral, em Porto Alegre, onde nunca foi reformada, até hoje, condenação efetuada pelo juiz Sérgio Moro. Evidentemente, essa hipótese, essa tese, vai levar, dialeticamente, a sua antitese, isto é, à pressão popular. Qual seria a síntese hegeliana? O Brasil se deslocaria para o Rio Grande do Sul, em escala bem maior do que rolou na capital do Paraná. O governo golpista suportaria tal movimentação política em escala nacional, num contexto em que a paciência da população em relação a ele está se esgotando, rapidamente, diante do desastre econômico neoliberal, do qual se extrai, tão somente, aumento do desemprego? O ilegítimo Temer sente a barra. Nessa semana pediu calma aos ânimos exaltados em escala incontrolável. Ele não tem mercadoria saudável para entregar à população, salvo desemprego e sequestro de direitos e conquistas sociais, como ocorre em relação às contrarreformas trabalhista e da Previdência. O clima, no Congresso, é de resistência. Na Câmara, nova Previdência, como o governo quer, dificilmente, passa; se passar, vai estar super-amenizada, ao ponto em que poderá, até, ficar palatável aos oposicionistas, embora não entrarão em acordo, porque querem faturar eleitoralmente o desgaste político do governo. No Senado, o relator Ferraço, da contrarreforma trabalhista, aprovada pelos deputados, admite “pontos sensíveis” à sensibilidade dos senadores, temerosos dos efeitos sobre eles em forma de rejeição nas urnas. Mas, qualquer modificação, lá, remete o assunto de volta à Câmara. Aí a vaca iria para o brejo. Os deputados caminhariam para outro desgaste ou sucumbiriam às pressões? É nesse clima que Lula, visto pelo povo como vítima, cresce politicamente, tornando-se imbatível em 2018. Por essa razão, amplia as articulações para adiar eleições em nome da necessidade de coincidência de mandatos a ocorrer em 2020. Na prática, seria outro golpe, para dar mais dois anos a Temer. É o que os neoliberais, o pessoal do mercado financeiro especulativo, quer a todo custo. Seriam aceleradas contrarreformas do seu interesse, com privatização da previdência e o sucateamento trabalhista. O problema é que as expectativas produzidas pela ação do mercado financeiro, ao assaltarem o poder, desarticulam a economia, no compasso das consequências decorrentes do neoliberalismo politicamente fascista, ou seja, redução da renda disponível para o consumo, sem o qual os investidores, no ambiente do congelamento de gastos públicos, por vinte anos, fogem. Os golpistas estão com sede de mais um golpe, porque sabem que com democracia em cena terão que sair do controle do poder, no qual chegam ou permanecem rompendo com o processo democrático. A natureza deles é a mesma do escorpião: picar o povo, mortalmente.