Visão fascista da Globo da Greve Geral

Globo, protegida pelas forças repressoras, organicamente, incorporada a elas, julga, ideologicamente, como instrumento de manipulação e repressão, greve geral não como ato político revolucionário mas como movimento de provocação, para esvaziá-lo politicamente

Durante a greve geral, que paralisou dois terços  do setor produtivo do país,  evidenciando movimento nacional, conforme mapeamento realizado pela Rede Globo, o comportamento da emissora dos irmãos Martinho comprovou função essencial do poder oligopólico midiático antinacionalista, entreguista, golpista, de praticar não o jornalismo isento, mas o antijornalismo militante, ideológico, comprometido com as forças governistas, opressivas.

Não se trata de instrumento de comunicação ou de mera empresa de comunicação.

Ao contrário.

Houve uma evolução quantitativa e qualitativa desse poder oligopolizado ao serviço  das classes dominantes , engajado na defesa dos interesses antinacionais, particularmente, norte-americanos, responsáveis pelo golpe político parlamentar que, em 2016, derrubou a presidente Dilma, democraticamente, eleita.

Foi possível verificar in loco tal mudança durante cobertura da movimentação dos grevistas na praça  Panamericana, em São Paulo, onde localiza a residência do presidente Temer, cercada pelas multidões, alvo do protesto político dos trabalhadores, durante a greve geral.

Os repórteres da Rede Globo, orientados por ordens superiores, se posicionaram atrás das forças policiais de repressão.

Ou seja, estavam protegidos por tais forças repressivas do Estado, diante do movimento grevista, enquanto cobriam o desenrolar do mesmo, no desdobrar dos acontecimentos.

Importante: cobriam os repórteres da Globo a greve geral do ponto de vista, do ângulo das forças repressivas, pois estavam ao lado delas, ou melhor, atrás delas, protegidos por elas.

Não viam uma greve geral, mas um movimento considerado pelo governo de protesto, de provocação, a merecer tratamento brutal, repressor, das forças repressivas, ao lado das quais se situavam, em condição de protegidos por elas.

Expressavam a realidade conforme a visão não da resistência dos grevistas expostos à  repressão, mas conforme a lógica da ação e visão das forças repressoras do movimento, sem que sofressem qualquer constrangimento, ao qual estavam expostos os demais participantes que as enfrentavam, desprotegidos, munidos, apenas, de palavras de ordens, desarmados, expostos à brutalidade inaudita.

Nessa condição de privilégio, em condições excepcionais de segurança,  emitiam os repórteres da Globo juízos conforme a ação dos repressores, cuja tradução,  naturalmente, confere posicionamento invertido relativamente aqueles submetidos às  forças  repressoras.

A reportagem global, na prática, traduzia e emitia visão da repressão contra os resistentes a  ação policial repressora.

Eis que tal fato, evidente quanto ao posicionamento da cobertura global, chancela conclusão justificadora da repressão como ato correto, justo, contra os resistentes à  repressão.

A cobertura jornalística da Globo, nesse contexto, em que é feita ao lado das forças repressoras, representa, implicitamente, justificação da própria repressão à greve geral.

Por essa razão, para os repórteres da Globo, protegidos, pelas forças repressivas, do perigo de sofrerem quaisquer constrangimentos, o movimento grevista revelou-se provocação, protesto, prática de violência e não resistência política da classe trabalhadora à tentativa governamental de cassar-lhes direitos constitucionais, contidos na proposta de contrarreforma da previdência e trabalhista.

Tal inversão dos fatos, observada do ponto de vista das forças repressivas, contribui, evidentemente, para conclusão ideológica dos comentaristas da Globo segundo a qual não ocorreu greve geral, mas, apenas, movimento de protesto e violência dos grevistas.

Tudo isso, naturalmente, construído, ideologicamente, para descaracterizar o movimento político que representou, essencialmente, a greve geral, em seu aspecto, eminentemente, revolucionário.