Sucesso da greve que uniu trabalhadores sinaliza união das esquerdas para 2018

O que o governo de direita golpista e o seu braço midiático, o oligopólio Rede Globo, mais temiam aconteceu com a greve geral: a união das centrais sindicais. Movimento político fundamental logrou sucesso em todo o país, apesar de os comentaristas globais tentarem descaracteriza-lo, taxando-o de protesto e violência, como se o aparato militar desproporcional nas ruas não tivesse funcionado como fator mais além de preventivo, especialmente, provocador, espalhando gás pimenta e cacetadas para gerar correrias, dispersão, como sempre acontece por parte das forças repressivas, não raro infiltradas por elementos provocadores. A classe trabalhadora revelou maturidade e consciência de sua postura essencialmente política capaz de levar adiante a defesa intransigente dos seus interesses, abastardados, nesse momento, pelo capital em plena mobilização num Congresso conservador na tarefa de produzir contrarreformas politica e economicamente reacionárias antipopulares. O desdobramento dessa manifestação política consciente e madura, certamente, afetará posições de congressistas à direita e ao centro, diante das proposições do governo golpista, que detém, nesse momento, 4%, apenas, de apoio, segundo pesquisas de opinião. Quanto às esquerdas, o recado da união dos trabalhadores, também, foi muito claro: é preciso, para conquistar poder, no Executivo e no Legislativo, união dela, hoje, espalhada em diversas siglas, cuja pulverização fragiliza seu discurso político, cada qual percorrendo, com seus programas conflitantes, caminho próprio, desperdiçando tempo, energia e poder, deficultando tarefa de atrair mais e mais adeptos. Sem essa estratégia, não arregimentarão forças para garantir direitos e conquistas constitucionais que os golpistas estão derrubando num parlamento conservador e reacionário. A movimentação, essencialmente, revolucionária dos trabalhadores, como fruto da greve geral, deu duro recado aos golpistas que atentaram contra democracia ao derrubarem presidenta Dilma eleita por 54 milhões de votos. Seguir com o golpe, apoiado e conduzido por Washington e departamento de estado norte-americano, é pedir, segundo sinalização do movimento popular, para ser cassado nas urnas, nas eleições do próximo ano. A classe política brasileira recebeu sua mais dura advertência. Os que forem favoráveis às contrarreformas da previdência e trabalhista, cuja essência é pura supressão de direitos e destruição do poder de compra dos trabalhadores, estarão assinando sentença de morte política. Na prática, os trabalhadores, unidos em torno de suas centrais, atuando combinadamente em busca de objetivo comum, pela primeira vez, desde o inicio da Nova República, desenharam ato revolucionário. Afinal, greve geral, como dizia Lenin, representa véspera de revolução. O desejo dos trabalhadores não poderia ser mais claro, direto e poderoso: o jogo é aprofundar democracia direta para além da mera democracia representativa que tem sido conduzida por elites que estão dando as costas aos verdadeiros donos do poder, o povo. As pressões populares sobre os parlamentares, que precisarão de votos, para se reelegerem, nas próximas eleições, aumentarão, e o que era aparentemente seguro para o governo, torna-se completamente inseguro de agora em diante. O que parecia sólido se desmancha no ar.