Petróleo e a 3ª Guerra Mundial. Trump segue Obama para destruir Assad. Putin, porém, é o obstáculo ao império.

 

A verdade não está na aparência, mas na essência. Terceira guerra mundial cada vez mais perto. Trump quer o mesmo que os presidentes americanos seus antecessores queriam, mas que, até hoje, não conseguiram, graças à aliança geopolítica estratégia entre Moscou-Damasco-Teerã: o petróleo sírio. As petroleiras americanas, em sintonia com suas sócias europeias, batalham, desde final dos anos 1940, pela construção de refinaria e dutos em território sírio para escoar o petróleo da Aramco, americana, explorado na Arábia Saudita e Catar rumo ao porto de Sidon, no Líbano. A verdade, escondida pela grande mídia,  está contada em pesquisa histórica minuciosa em “A Desordem Mundial”, do politólogo e historiador, Luiz Alberto Moniz Bandeira, nos capítulos 9 e 10, em descrição sensacional. De 1955 a 1970, os americanos tentaram diversos golpes políticos, para conseguir seu objetivo, sempre em parceria com a Arábia Saudita, Turquia e Catar, de um lado, e Israel, filho dileto de Washington, de outro. Primeiro, em 1949, derrubaram o presidente sírio Shukri-al-Quwatli, democraticamente eleito. Botaram no poder o coronel Husni al-Za’im, que caiu rapidamente, no mesmo ano. A resistência síria produziu o nacionalismo árabe, em aliança com Egito, de Nassar. As guerras explodiram. Israel, apoiado por Tio Sam, venceu Egito e Síria, desarticulou aliança entre ambos, mas, até os anos 1970, EUA-Israel e aliados árabes não conseguiram dominar o poder na Síria, de modo a usar o território para impor seus interesses, ou seja, tornar a Síria travessia dos dutos de petróleo rumo aos portos marítimos do Líbano. Depois de 1970, com a subida ao poder de Hafez Assad, pai de Bashar al-Assad, a Síria aliou-se à União Soviética. Foram 30 anos de poder de Hafez Assad(1970-2000), durante os quais os sírios resistiram às tentativas imperialistas americanas. Uniram-se à União Soviética, que, pós queda do muro de Berlim, transmutou-se em Rússia, depois da derrocada do socialismo, maior tragédia geopolítica da história, no século 20, segundo José Paulo Netto, historiador marxista. De 1970 a 2000, Hafez Assad, aliado à Rússia, resistiu às explosões das contradições internas do mundo árabe, na tentativa de dobrá-lo aos interesses do ocidente, da Europa e dos Estados Unidos. De um lado, Turquia, Arábia Saudita e Qatar, estes dominados por sunitas, apoiados pelos americanos e judeus, insistiam em transportar o petróleo saudita pelo território sírio, rumo ao mercado europeu. Era o interesse maior das petroleiras americanas para garantir abastecimento do velho continente. De outro, Rússia, Síria e Irã(alauitas e xiitas), resistiam, dando vazão ao interesse russo, grande fornecedor de petróleo aos europeus. Ambos, com bombas atômicas, Estados Unidos e Rússia, sempre por trás dos seus respectivos aliados, tencionando o ambiente de guerra fria. Bashar al-Assad, em 2000, substituiu, no poder, o pai, colapsado por ataque cardíaco. Há 17 anos(2000-2017), Assad sustenta a parceria com a Rússia, que refez suas forças, depois do colapso da União Soviética, e, até hoje, inviabiliza o desejo estratégico dos Estados Unidos de subjugar a Síria, junto com seus aliados, Turquia, Arábia Saudita, Catar, Israel, Inglaterra, França, Alemanha, para dominar absolutamente a produção e distribuição do petróleo. A base militar russa em Tartuc, Síria, e o apoio firme do governo russo a Assad foram precariamente suficientes(até agora), para segurar os golpes dos adversários, fortalecidos, a partir de 2010, com emergência do Estado Islâmico terrorista, nascido de dentro das forças sunitas no Iraque, aliadas ao terror da Al Qaeda, depois da destruição do país pelos americanos, com a derrubada de Saddam Hussein, em 2003. A maioria xiita iraquiana, aliada aos curdos, dominaram politicamente o País, mas não seguraram a emergência terrorista, decorrente da união entre sunitas e Al Qaeda, apoiada pelos americanos, emirados árabes, Turquia e europeus, cujo propósito maior era continuar insistindo em destruir a aliança Síria-Rússia, apoiada pelo Irã. Os europeus engajaram-se ao lado dos americanos para tentarem romper as resistências nacionalistas no Oriente Médio, expressas na união Putin-Assad-Aiatolás. A força ocidental articulada por EUA-OTAN destruiu a Líbia, de Kadafi, e engrossou o propósito imperialista: dobrar a Síria, sem a qual o domínio total da exploração do petróleo no Oriente Médio não cairia nas mãos das petroleiras defendidas por Washington. O terror islâmico fugiu do controle dos seus criadores. As contradições levaram Estados Unidos e Rússia a um compromisso comum, ambíguo: combater os terroristas islâmicos, que passaram a ameaçar a vida não apenas de Bashar al-Assad, na Síria, mas, também, de americanos e europeus, em ataques suicidas em escalada incontrolável. Tudo ficou ainda mais contraditório depois que a União Europeia negou passagem à Turquia, para integrar-se, geopoliticamente, no velho continente. Renascia, entre os turcos, o velho desejo de ressuscitar o seu Império Otomano. Para tanto, precisava passar por cima da Síria, cujo território pertencia àquele império que desapareceu depois da primeira guerra mundial. O terrorismo islâmico se tornou conveniente a essas forças reacionárias agindo no Oriente Médio para dobrar a Síria, ancorada nos aliados russos e iranianos. A utilização de armas químicas, nesse contexto, é o segredo de polichinelo mais fantástico dos últimos tempos. Em 2013, diante das explosões terroristas, na Síria, produzidas pelas forças invasoras, financiadas por Estados Unidos-Arábia Saudita-Catar-Turquia, Israel, Europa etc, Assad foi acusado de ter usado armas químicas, mantando milhares de pessoas. Os Estados Unidos bradaram que Assad tinha rompido a chamada linha vermelha da guerra. Não tinham provas do que estavam dizendo. Por isso, não conseguiram seu intenso, de obter, na ONU, autorização para invadir a Síria. Quatro anos depois, a união Rússia-Irã-Síria, praticamente, destruiu as resistências terroristas do Estado Islâmico em território sírio. O novo presidente americano, Donald Trump, na disputa eleitoral com Obama, condenou a politica externa americana e prometeu tirar os Estados Unidos da guerra, se eleito. Elegeu Putin como ídolo e irritou o poder militar americano, derrotado em seu intento de derrubar Assad, alvo obsessivo do Pentágono e das petroleiras. Como o poder militar de Tio Sam sobreviveria diante de perspectiva de paz, se sua palavra de ordem é a guerra, para movimentar o capitalismo americano? Eis que, de repente, nesse novo clima de expectativa de paz, explode, novamente, ataques com armas químicas, na Síria. Assad sofre nova acusação, sem provas, por parte de quem o acusa, agora, ou seja, Trump, que dá guinada radical na política externa americana. Por que mudou de posição, subitamente, decidindo atacar a Síria à revelia da ONU e do próprio Congresso americano? A linha histórica da disputa pelo petróleo, descrita por Moniz Bandeira, elucida, extraordinariamente, essa conjuntura internacional em crise de desordem total. Na verdade, os generais do Pentágono não engoliram a derrota para Putin, que, ao colocar de joelhos o Estado Islâmico, desarmou, também, o poderoso Estado Industrial Militar Norte-Americano, a âncora do capitalismo de Tio Sam. Ainda mais insuportável para Tio Sam é o novo acordo da Síria com a Rússia, por meio do qual Putin consegue o que os governos americanos, desde os anos 1950, não conseguiram, a exploração do petróleo sírio e sua distribuição a partir do País de Bashar al-Assad. Eis porque Assad é candidato à morte política pela biruta de aeroporto em que se transformou Trump. Está em aberto ou não o caminho para a terceira guerra mundial?