Machismo, reação inconsciente do medo masculino da mulher, pode dar lugar ao homosexualismo?

Keynes, genial economista inglês, aristocrata herdeiro legítimo da sofisticada era vitoriana, homosexual, previu que, no século 21, o homosexualismo seria a regra geral. O machismo, opinião nossa, que tem uma penca de irmãs mulheres dentro de casa e convive com os problemas advindos dos arroubos em geral e particulares dos seus maridos machões, é uma forma inconsciente de medo de mulher. Lembro de uma personagem empregada doméstica no livro, “Cabeça de Negro”, do Paulo Francis, que representava poder incontrastável aos olhos e ouvidos do autor, totalmente, inibido diante daquela negrona maravilhosa que ele flagrava dormindo no quarto da casa de seu pai em pose sensual, pernas e calcinhas expostas, vulva pulsante. Que colosso, dizia em sua medorreia diante daquela impetuosidade feminina ali, quem sabe disponível para o desejo dele de possui-la, bastando ousadia, que ele não tinha, ao contrário do que acontecia com muitos de seus colegas que arriscavam e se davam bem. Afinal, as escapadas dos patrões e dos filhos dos patrões aos quartos domésticos nas senzalas produziram muitos filhos nos tempos coloniais. Até os teóricos  da esquerda – sexo não tem ideologia -, quase sempre moralistas, caíram nessa tentação. Marx, por exemplo, que implicou com Lafargue, moreno tropical antilhano que namorou sua filha, Laura, foi um deles. Em Londres, no exílio, nos anos 1850, quando estava na miséria, depois de fugir da monarquia ditatorial de Guilherme IV, em 1849, escapou para o quarto da sua aia, que sua mulher, Jene, levou como dote quando casou com ele, e produziu um filho. Tremendo escândalo que os marxistas machistas quiseram esconder. Engels assumiu o filho como se fosse dele e só revelou a paternidade depois da morte do autor de O Capital, em  1883. Mas, os tempos são outros e as mulheres estão impetuosas. Dominam a cena cultural com seu poder natural intrínseco em face dos homens que vão ficando brochas nas caídas das idades, sendo socorridos por viagras até que a casa despenca de vez etc. Pode pintar – coisa comum nesses dias – uma próstata a exigir cirurgia, que tende a ameaçar as possibilidades eréteis. Aí a vaca vai para o brejo. No momento em que os hormônios masculinos, a partir da meia idade prá frente, vão recuando, taxa de testosterona caindo pelas tabelas e tudo mais, ocorre, como dizem os médicos, o fenômeno natural: a mulher está inteira, especialmente, na era das academias, da malhação, querendo mais, mais, mais. Ao contrário, o macho, abalado pela natureza ingrata, vai querendo menos, menos, menos. José Mayer, excepcional ator, estaria ou não nessa faixa crítica? De qualquer forma, se não está, ainda, por agora, mais pela frente vai ficar cada vez mais tatibitate. Por isso, garoto de programa tornou-se profissão promissora, rentável, proporcionalmente à taxa de testosterona e do seu manejo profissional adquirido no treino diário, para a exuberância sexual, de forma sempre mais e mais extrovertida. Prostitutos substituem prostitutas. As mulheres vão atrás deles, que se transformam em concorrentes das praticantes da profissão mais velha do mundo. Aplicativos nos celulares abrem infinitas oportunidades de relacionamentos rápidos, e as mulheres ousam proporcionalmente mais que os homens, que vão cada vez mais jogando na retranca, tentando proteger sua grande área contra atacantes impetuosos etc. O homem vai ficando cada vez mais medroso e inseguro diante da liberdade crescente das mulheres. A violência é uma reação inconsciente desse medo e dessa insegurrança. No caso de José Mayer, não teria sido, na vida real, contaminado pelo personagem que representou nessa novela “Lição de Amor”, rico, machista, violento? Tratar-se-ia de vítima de propaganda de si mesmo? Projetou-se como machão nas novelas. Achou que podia tudo.  Teria sido dominado pela projeção de si, achando que tudo pode também ao lado das mulheres com as quais se relaciona no cotidiano, usando seu carisma machista para exagerar? Há alguns anos, li entrevista do excelente Toni Ramos, garoto propaganda do Friboi, em que confessava ser, no dia a dia, na intimidade do lar um eterno bulinador, em que – talvez, imaginamos – levava às últimas consequências ensaios e possibilidades de ator na relação com as mulheres, a partir da relação com sua própria mulher. Achei interessante, válido, algo consentido por aquela que o ama na guerra da vida. Como válida, também, achei opinião de Claudia Raia, já algum tempo, nessas revistas de variedades, quando indagada sobre sexo oral, de que tudo vale entre homem e mulher em quatro paredes, desde que haja consentimento mútuo. Mas, daí a transformar o imaginário construído inconscientemente na realidade de modo a se adiantar, como Mayer, em ficar apalpando intimidades de colegas de trabalho, é dose. Convenhamos. Mexeu com fogo. Não estava atento ao perigo. Queimou-se em brasas. O fato é que a desinibição sexual das mulheres e a sua disposição para a luta contra o machismo violento – a violência é a característica essencial do machismo – são dados da realidade que produzem novo comportamento social, jurídico e institucional, como demonstrou a reação da Rede Globo, levando o assunto ao Jornal Nacional e tomando atitude drástica. Como não concordar com a Globo, embora repudie seu lado politicamente golpista, reacionário, antinacional e , também, promotor de violência, sexismo, baixarias, alienação, falso moralismo etc? As baixas taxas de testosteronas dos machos, provenientes de diversos fatores – depressão, remédios, excessos, álcool, drogas, frustrações profissionais, falências, desemprego etc – inibidores da atividade sexual masculina e promotores do medo que produz violência característica do machismo hodierno vão acabar ou não levando os machões para o homossexualismo em percentuais descontrolados? Isso preocupa ou não as mulheres, que, também, aprontam das suas em eventuais abusos de poder favorecidos pela sua inegável natureza superior?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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