Lula esvazia base de Temer no Congresso

Temer precisava de 257 deputados do total de 513. Arregimentou 230. No café da manhã, reuniu 130 parlamentares, 100 a menos do que juntou há pouco mais de duas semanas, para tentar formar maioria capaz de aprovar reformas. O barco temerista balança em alto mar proceloso.

Os testes estão dizendo a verdade. Temer tentou dar urgência à reforma trabalhista, na Câmara. O tiro saiu pela culatra. Os comentaristas da Globo arranjaram uma desculpa para o fiasco. Disseram que foi interpretação errada de regimento. Os parlamentares teriam pixotado. Imagine! Ali só tem macaco velho. Não querem se queimar. Lula está bombando nas pesquisas. Essa é a forma de o povo dizer que as reformas de Temer não são boas para ele. Na sequência do desastre da tentativa da urgência, a base governista aprovou mecanismo de financiamento dos estados falidos em troca de arrocho fiscal. Detalhe: os problemas estão nos destaques. Nestes, a discordância emerge quanto ao entendimento sobre tal arrocho. Os estados querem prazo para pagar as dívidas, mas as contrapartidas exigidas por Temer/Meirelles/banqueiros são insuportáveis. Nenhum governador concorda. Seria suicídio, em meio à recessão, arrochar salários de servidores, demiti-los, impor mais cortes de gastos, privatizar empresas estaduais etc e tal. Quer dizer, Temer não tem segurança alguma que logrará sucesso na votação dos detalhes, dos destaques. Enquanto isso, aprofundam-se as divergências sobre os termos da reforma/desmonte neoliberal  da previdência. O que se vê em marcha é uma reforma seletiva. Valem regras gerais para uns, mas, para outros, não. Os policiais partiram para o quebra-quebra. Não aceitam o limite de idade de 65 anos. A estratégia funcionou. Poderão aposentar com 55 anos de serviço. Mas, e os operários que se desgastam nas máquinas o dia inteiro, como ficarão? Assim como os policiais correm riscos no combate aos crimes que se avolumam na crise recessiva, os trabalhadores veem desgastar, dia a dia, seus cérebros, nervos e músculos. Não poderão usufruir do mesmo tempo de serviço? Trabalhadores rurais, igualmente, ameaçados pelas máquinas modernas que, no campo, dispensam mão de obra, terão que trabalhar até os 65 anos, sabendo que quando chegar lá, não haverá emprego no campo? O que fazem outros povos, nesse momento?

Zebra total. O chefe do golpe não consegue reunir sua turma para atender as demandas dos credores que querem o estado mínimo e o fim dos consumidores.

Os chineses, relativamente aos trabalhadores rurais, facilitam aos agricultores vendas de suas terras, para que se tornem trabalhadores urbanos. Fazer o que no campo, desempregados, vendo as máquinas substituí-los? Nas cidades, as políticas sociais distributivas, bancadas pelo Estado, sustentam consumidores, assim como acontece com o bolsa família e outros programas do mesmo naipe que somente governo de trabalhadores tiveram coragem de colocar em prática, por aqui. Criam-se, na China, cidades para esse novo personagem urbano, o desempregado crônico consumidor. Na Europa, mesma coisa. Governos europeus defendem programas como os de Lula, recomendados, agora, pela ONU. Vive o mundo o fim do emprego. Mas, o consumidor precisa sobreviver. Vai-se antevendo que no mundo futuro do capitalismo socialmente excludente basta ter consumidor, comendo e cagando, para garantir o PIB. Saída: política social distributiva. O governo, no mundo sem emprego, dispensado pela tecnologia,  garante o consumidor que vai consumir para gerar tributo sem o qual não há governo, não há desenvolvimento etc. O estado mínimo que Temer/Meirelles/banqueiros quer impor detona previdência, arrecadação e desenvolvimento. Lula avança nas pesquisas porque o inconsciente coletivo percebe que a turma golpista é inimiga dele. A base governista no Congresso, sintonizada com essa percepção, não vai se suicidar, como dizia Tancredo Neves. Os caciques partidários, como Renan, sem disposição para o suicídio, já viu, né. Estão pulando fora do barco. Não é à toa que já se articula força política capaz de dar sustentação à onda que se forma em torno do ex-presidente, bafejado pela preferência popular. A direita golpista vê agora em que fria entrou. Depende, para sobreviver, politicamente, da ditadura. Os militares vão cair no conto do vigário, novamente?

Uma resposta para “Lula esvazia base de Temer no Congresso”

  1. parabéns César, vc nos envia excelente material

    falta nos ainda analisar a disseminação da corrupção como um resultado da globalização e da invasão do território nacional por agentes estrangeiros

    ninguém fala nas mineradoras por exemplo

    punem e assassinam empresas produtivas, mas ninguém pensa em fechar os partidos políticos que abrigam corruptos e foram os reais beneficiários das maiores negociatas

    tampouco os tribunais que nada viram durante décadas

    e os bancos por onde circulou a dinheirama? Todos internacionais com braços nos paraisos fiscais

    e os monopólios das comunicacoes, energia e transportes que se apropriam do excedente do consumidor

    E as consultoras estrangeiras responsáveis por contratos nocivos á economia nacional

    Quem são os controladores de nossos portos? E dos controladores de transportes e espaço aereo?

    E muito mais seoderia falar…

    Abs

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