Fachin enterra reformas de Temer e coloca em discussão acordo político e econômico para evitar colapso nacional

Não dá para não ver. Depois da lista do ministro Fachin de acusados na Operação Lavajato, responsável por destruir reputação dos políticos em geral, misturando todos num mesmo saco, seja os listados, seja os não listados,  honestos e desonestos, quem ousa apoiar reformas impopulares do presidente Temer, totalmente, repudiado em pesquisas de opinião, se terão de enfrentar as urnas nas eleições de 2018? Tancredo Neves, mais atual do que nunca, disse: pode se pedir tudo ao político, menos que ele suicide. Essa frase tancredista foi lançada em reunião entre políticos da base governista com o ministro Meirelles, da Fazenda. Estão todos com a pulga atrás da orelha. Quem terá coragem de votar em reforma trabalhista, que detona a CLT, e na reforma da previdência, que determina idade mínima de 65 anos e tempo de contribuição de 49 anos para ter aposentadoria integral? Listado por Fachin, o presidente do Congresso, senador Eunício Oliveira, mais sujo que poleiro de pato, na condição de notório caloteiro da previdência, como empresário do serviço de contratação terceirizada de mão de obra, candidato a beneficiar-se do fim da CLT,  auto se anula, politicamente. Os justos pagarão pelos pecadores. O parlamentar que votar a favor da reforma antipopular da previdência marchará para as urnas como se marchasse para a guilhotina, depois da bomba atômica, que se constitui a Lista Fachin. O ministro do STF, relator da Operação Lavajato, na prática, enterra as reformas antipopulares e antinacionalistas de Temer. O teste decisivo começará semana que vem com a volta dos parlamentares de suas bases depois do tsunami Fachin. O presidente Temer, sem um pingo de legitimidade, envolvido até o pescoço nas denúncias da Odebrecht, tenta fazer chantagem. Diz que sem as reformas, a economia marcha para o abismo, como se ela já não estivesse lá, nesse momento, em que as forças produtivas sofrem os abalos da recessão decorrente do congelamento geral, por vinte anos, dos gastos públicos, sem os quais o sistema capitalista não funciona. A experiência neoliberal comprovou isso na Europa, onde os governos estão sendo obrigados a voltar atrás em seus arrochos fiscais, que desorganizam as bases produtivas nacionais. Por aqui, o desespero bateu na equipe econômica, ignorante e despreparada para conduzir o desenvolvimento nacional. Não entendem Meirelles e sua turma neoliberal que não adiantará nada apenas reduzir juros, porque a inflação está caindo, se se anula a única variável econômica independente sob capitalismo, que é a prerrogativa do governo, emissor de moeda, de elevar a quantidade desta, na circulação econômica, para puxar a demanda global. Demonstram essa evidência todas iniciativas econômicas ocorridas desde que o sistema capitalista, a partir do crash de 1929, comprovou ser inviável sua sobrevivência sob o lassair faire, sob economia de livre mercado, cujas consequências, no limite, são deflações, destruidoras da taxa de lucro, sem o qual inexistem investimentos etc. O colapso das forças produtivas, que se verifica, no momento, no país, com o governo baleado pela queda crescente de arrecadação, visto que sua função tem sido a de destruir o consumo da população, sem o qual não há desenvolvimento, produziu mais uma redução dos juros, nessa semana. Mas, isso só não basta. Quem investirá em novas máquinas para colocar no lugar das que já estão paradas por falta de consumidor? Nesse contexto economicamente perturbador, conduzido por governo ilegítimo, o efeito da Lista Fachin, destruindo, de cima a baixa, a classe política, serve, sobretudo, para paralisar as reformas temerosas de Temer, cujas consequências serão redução ainda maior da renda disponível para consumo. Há males que vem prá bem, como diz ditado popular. Talvez seja positivo para produzir acordo político nacional capaz de remover, urgentemente, a legislação eleitoral corrupta em vigor, responsável maior pelo desastre político e econômico nacional, no momento. Se não for removida, estarão sendo favorecidas forças externas interessadas na derrocada econômica brasileira já em marcha acelerada. O projeto econômico nacional, em meio a esse modelo político, visivelmente, falido, entrou em colapso. Tanto quanto os políticos, estão sendo destruídas as empresas, todos envolvidos no torvelinho da corrupção que a legislação eleitoral produziu e sedimentou, chegando, agora, ao crash. Somente grande acordo suprapartidário, tendo como pressuposto salvar o País, alcançará objetivo pragmático, em meio à conjuntura à beira do desastre total, cujo beneficiário único são os interesses antinacionais, a serviço dos quais está, essencialmente, a grande mídia tupiniquim oligopolizada. Reforma política urgente. Ou o acordo ou o suicídio.