Pela candidatura Lula, Jobim desnuda Gilmar

Luta de classe
Luta de classe em marcha chega ao topo da elite, dividindo-a quanto ao perigo que corre se tentar inviabilizar quem pode superar, parcialmente, as contradições do condenado modelo econômico neoliberal suicida posto em marcha pelos golpistas com apoio de Washington.

O fato político mais relevante – tantos! – na semana que passou foi sem dúvida a fala do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, ex-ministro da Defesa de Lula, ex-ministro da Justiça de FHC, ex-deputado federal constituinte, Nelson Jobim, favorável à candidatura de Lula à presidência da República.

Ele posicionou-se, indiretamente, adotando a tática da advertência.

Destacou ser perigoso para a democracia a tentativa evidente em marcha de inviabilizar a caminhada política do ex-presidente por meios escusos, jurídicos, puro disfarce que lembrou ser semelhante à ação ditatorial dos militares.

O direito da força estaria sendo substituído pela força do direito.

Quem está por trás dessas manobras?

As advertências de Jobim tem alvo indisfarçável: os atores da judicialização da política – os procuradores, as delações vazadas em entrevista em off por Janot, o juiz Sérgio Moro, perseguidor de jornalistas, e, claro, o saliente ministro Gilmar Mendes, do STF.

A cada dia que passa, como destaca, nesse domingo, o comentarista Jânio de Freitas, na Folha de São Paulo, Mendes, escandalosamente, cacifa-se candidato à eleição indireta à presidência da República.

Faz isso quanto mais aproxima-se eventual bancarrota do titular do Planalto, no processo de cassação dele no Tribunal Superior Eleitoral(TSE).

Caso fosse juiz isento, atuando na mais alta corte do País, Gilmar deveria ter dito o que Jobim disse.

Ou seja, trata-se de insanidade da direita tentar inviabilizar Lula.

O desastre político dessa tentativa se evidencia perigosamente em meio a uma crise econômica sem precedentes, cujas consequências são incógnitas totais.

Brasil pode ir à guerra civil, diante de governo ilegítimo que se põe a fazer reformas que rompem direitos e conquistas sociais civilizatórias.

Os golpistas destroem modelo de social democracia equilibrista politicamente do qual é parâmetro a Previdência Social e e a legislação trabalhista.

Acirram lutas de classe, jogando a classe trabalhadora, em polvorosa completa, frente aos capitalistas tupiniquins, apavorados pela presença de perigosa deflação em marcha que joga a taxa de lucro no abismo, na tentativa louca de restaurar o lassair faire, já condenado historicamente.

Os neoliberais liderados por Meirelles vão loucamente na contramão do mundo capitalista em crise.

Que faz Gilmar Mendes, juiz que, teoricamente, deveria ser ator equidistante das posições em conflito?

Aproveita a confusão para tentar faturar, politicamente.

Sofregamente, faz isso em face do PMDB que, tendo o poder nas mãos, graças ao golpe parlamentar, por ele, Gilmar, apoiado, não tem nenhuma perspectiva de mantê-lo por via eleitoral.

Os peemedebistas – e, também, os tucanos, seus aliados no golpe – estão irreversivelmente bichados, candidatos a réus no STF, graças à Operação Lavajato.

Gilmar, se autocolocando como solução, bate de frente com seus pares no Supremo.

Por exemplo, com o decano dos juízes, o ministro Celso de Mello, que, nos seus julgamentos, sobre os desdobramentos dos crimes verificados no processo eleitoral corrupto, considera ter sido instalado no centro do poder uma quadrilha de malfeitores do dinheiro público.

Primeiro, Mello disse isso relativamente ao PT no poder, durante operação mensalão; porém, o novo poder, dominado pelo PMDB golpista, antigo aliado dos petista, padece do mesmo mal em escala superior; nesse caso, o decano se silencia, convenientemente.

Gilmar Mendes, em sua ânsia de poder, virou unha e carne com peemedebistas; não sai do Palácio; pontifica-se nas reuniões palacianas; diz o contrário que seus pares, no STF, dizem, mostrando-se favorável ao que antes condenava, o caixa dois eleitoral etc.

Mendes tenta, indisfarçadamente, viabilizar-se como candidato da direita, no momento em que essa direita, no campo empresarial, se desespera com as contradições do próprio governo direitista, incapaz de combater a recessão, sem que afete a própria direita, em proposição que eleva juros e impostos, de modo a enfrentar a crise fiscal antidesenvolvimentista.

É nesse momento dramático em que os golpistas se sentem perdidos que entra a sanidade política de Nelson Jobim.

O ex quase-tudo na Nova República diz o que os irracionais neoliberais suicidas não querem ouvir: a saída da própria direita é Lula, que, no poder, adequou os interesses da esquerda, com providências sociais, aos da direita, dependente da especulação financeira.

Jobim viu o óbvio: a destruição dos programas sociais, do estado do bem estar social, da social democracia tupinquim, cheia de buracos contraditórios, aprofunda a crise econômica, em forma de destruição da arrecadação tributária, sem a qual o Estado deixa de ser solução para se transformar em problema para os próprios rentistas especuladores.

Sem renda disponível para o consumo, dissipada pela destruição dos programas sociais democratas, expressos na Previdência Social, na Legislação trabalhista, nos programas distributivos de renda, como Bolsa Família, Luz para Todos, Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos, Farmácia Popular etc, a burguesia industrial entra em crise e a burguesia financeira, diante de eventual bancarrota das empresas financeiramente dilapidadas, pode enfrentar mega calotes desestabilizantes.

Lula, na visão da direita inteligente que é Jobim, é o equilíbrio possível.

Vai se configurando o que o jornalista Beto Almeida, correspondente da Telesur no Brasil, tem pregado na América Latina: Lula vai acabar ungido diante do caos golpista.

Jobim entra em cena como peça importante dessa manobra de salvação da qual Lula faz parte.

Seu primeiro alvo é Gilmar Mendes e seu direitismo golpista esquizofrênico.

Uma resposta para “Pela candidatura Lula, Jobim desnuda Gilmar”

  1. Esquizofrenia instalada, incoerência de discursos. Lula é o antipsicótico

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