Déficit não é da Previdência, é da especulação financeira sobre a dívida pública

Delfim Netto, no Valor Econômico, toca na ferida. Diz que a especulação financeira está destruindo a economia nacional. Bidu. Como ex-czar da economia, sabe que a periferia capitalista age conforme a música tocada pelo império. A política de juro no Brasil é sintonizada não com as necessidades da economia nacional, mas com a politica monetária americana. Yellen, presidente do BC americano, diz ele, não olha para o que Ilan, presidente do BC brasileiro, faz. Porém, Ilan só age de acordo com Yellen. Por isso, quando os Estados Unidos trabalham com juro baixo, a exemplo que faz Yellen, para enfrentar os estragos provocados pela crise capitalista em curso, expulsa ativos especulativos para a periferia. Que faz Ilan, no BC brasileiro, atendendo interesses dos bancos privados especuladores? Diante da enxurrada monetária externa, ele, prisioneiro da ideologia segundo a qual juro alto combate inflação – um fetiche no qual ninguém mais acredita – age contrariamente ao BC americano. Puxa juro. Resultado: câmbio sobrevalorizado emerge, encarecendo dívida pública e destruindo indústria, empregos, renda, consumo, arrecadação e, claro, investimentos. O ciclo da dependência se instaura. Como acreditar em déficit da Previdência, se o buraco financeiro que destrói a economia é feito pela especulação financeira sancionada pelo juro alto praticado por Ilan? A Previdência, como os especialistas honestos destacam, é superavitária e promotora do desenvolvimento social democrata civilizatório. Temer, o breve, joga o jogo da destruição econômica nacional, que a especulação financeira, denunciada, hoje, por Delfim, promove.