2ª morte de Getúlio beneficia Índio Avatar

Legislando em causa própria
Legislando em causa própria

Getúlio Vargas deve estar dando voltas no caixão ao ser alvo de outro atentado contra sua vida política.

O primeiro foi seu suicídio, como ato de resistência contra o assalto à Petrobrás pelas petroleiras internacionais.

O segundo, agora, patrocinado por outra onda de adversários, que, primeiro, esvazia, ainda mais a Petrobrás, alienando o pré sal para as multis, e, em seguida, detona sua maior obra social, a legislação do trabalho, derrotada por placar apertado na Câmara dos Deputados.

Está eufórica a elite conservadora nacional, aliada ao capital internacional, que faz verdadeira razia contra a economia, nesse momento, favorecida pela onda entreguista em marcha, patrocinada pelo governo golpista, alinhado aos Estados Unidos, como estratégia prioritária.

Outra votação mortífera espera a lei getulista, no Senado, articulada por um dos seus mais ferrenhos adversários, o presidente do Congresso, senador Eunício Oliveira(PMDB-CE), empresário que se beneficia da terceirização das contratações, por meio da empresa Confederal, que lhe assegura lucros de mais de R$ 170 milhões anuais.

A morte da CLT, conquista social mais importante dos trabalhadores, que durou 74 anos, de 1943 a 2017, promove a euforia extraordinária dos conservadores da elite política nacional, na qual desponta o titular do poder legislativo, influente na articulação da maioria congressista empenhada em aprovar contra-reformas impopulares anti-trabalhistas e anti-nacionalistas.

Eunício Oliveira é um dos principais esteios que sustenta, politicamente, o modelo neoliberal encarnado no programa do PMDB, “Ponte para o futuro”, por meio do qual o governo vai desmontando as bases incipientes do modelo nacionalista erguido durante 14 anos de poder petista, com Lula e Dilma, apoiado na expansão de programas sociais como base do desenvolvimento econômico equilibrado.

Considerado, também, pelos trabalhadores rurais como grileiro, o senador, que apoiou o golpe político contra a presidenta Dilma Rousseff, pulando para o barco de Michel Temer, em seguida, virou alvo central de invasões de terras pelo movimento social.

Candidato a réu no Supremo Tribunal Federal por acusação da Operação Lavajato por receber propina de caixa dois eleitoral, segundo delação premiada de funcionário das Odebrecht, o senador, rápido no gatilho, promete, em 15 dias, aprovar projeto de lei que acelera a contratação de mão de obra terceirizada no País, complementando o que foi deliberado, nessa semana, na Câmara.

Revolucionário de 1930, que abriu espaço às conquistas sociais, Getúlio Vargas é detonado pelos avatares do capital externo, que derrubam a CLT e instauram o reinado da barbárie trabalhista.
Revolucionário de 1930, que abriu espaço às conquistas sociais, é detonado pelos avatares do capital externo, que derrubam a CLT e instauram o reinado da barbárie trabalhista no governo golpista de Michel Temer.

A precarização geral das relações entre capital e trabalho, está na base da fortuna que o senador cearense acumula em grande escala, como um dos maiores ofertadores de mão de obra terceirizada para os governos federal, estaduais e municipais e, igualmente, para empresas privadas.

Com a aprovação da nova lei, o titular do Senado candidata-se a ser, rapidamente, um dos homens mais ricos do País.

Poderá, de agora em diante, oferecer mão de obra precarizada, do ponto de vista salarial, para todos os setores da economia, visto que foram removidas restrições legais segundo as quais empresas não podem realizar contrações terceirizadas para atividades fins, apenas, para atividades meios.

Removida essa restrição, que merece comemoração, em forma de anúncios entusiásticos da Confederação Nacional da Indústria(CNI), nas páginas dos jornais cujos editoriais defendem irrestritamente a medida, o presidente do Senado tem diante de si o mercado nacional para enriquecer-se desmedidamente.

Poderá contratar, pela sua empresa, os trabalhadores que já se candidatam, compulsória e involuntariamente, ao desemprego, onde trabalham, para serem recontratados, em condições precárias, por salários mais baixos.

A Confederal do senador Eunício vai ser uma espécie de Casas Bahia em dias de liquidação.

Vai começar a liquidar preços de força de trabalho no mercado miserável da terceirização trabalhista.

Eunício tem diante de si, desde esse momento, o paraíso na terra, onde o inferno espera os assalariados socialmente precarizados.

Predispõe-se o titular do poder legislativo, como beneficiário direto da nova legislação, a trabalhar em causa própria.

Apelidado de Índio pelos delatores da Odebrecht, que o listaram como receptor de propina de caixa dois eleitoral, processo que envolve, praticamente, todos os partidos, no Congresso Nacional, detonando, completamente, sua credibilidade perante a população, Eunício, com seu perfil de Avatar, pontifica-se como capitalista bárbaro.

Tem por objetivo central radicalizar exploração da mais valia do trabalhador, ou seja, precarização dos salários, acompanhada do aumento disfarçado de jornada de trabalho, frente ao fim das garantias legais antes asseguradas pela Consolidação das Leis do Trabalho.

Eis o novo perfil do capitalista tupiniquim em busca da lucratividade máxima, enquanto pontifica-se no controle político conservador no Congresso Nacional reacionário, que tenta fazer reforma política ancorada em listas partidárias para usufruir de financiamento público, depois que foi detonado o sistema eleitoral viciado pela corrupção.