Risco Cunha aumenta juro, recessão e crise

Bomba atômica: "Eu quero falar, eu vou falar."
Bomba atômica: “Eu quero falar, eu vou falar.”

 

Os banqueiros, que estão dando cartas na economia,  inventam outra desculpa para não deixar que os juros caiam e haja possibilidade ainda que tênue de retomada da economia, embora se saiba que apenas diminuição do custo do dinheiro não basta para incrementar produção e consumo diante do congelamento dos gastos públicos com os setores sociais por vinte anos, uma loucura neoliberal.

Vazam, no Valor Globo Econômico, nessa sexta feira, que inflação de serviços resiste, apesar de o IPCA-15 diminuir, no ritmo da deflação recessiva.

O papo é outro.

Os riscos avaliados pelo mercado financeiro, na verdade, estão relacionados ao que está sendo chamado nos bastidores de RC – Risco Cunha.

As delações possíveis do ex-todo poderoso presidente da Câmara dos Deputados comprometem a saúde política do governo, simplesmente.

Os reflexos na economia são inevitáveis, dadas as inseguranças que espraiam.

Os aliados de Cunha estão no comando do poder.

Por isso, não alimentam confiança no mercado, quanto mais se colocam no alvo das autoridades policiais.

São sombrias, portanto, as expectativas formadas pelos bancos, que dão, também, as cartas no Congresso, financiando mandatos parlamentares, na base da corrupção.

Eventuais delações bombásticas de Cunha comprometendo ocupantes do Governo Temer, no processo da Lavajato, deixam os agentes econômicos propensos à especulação total na bolsa.

Como nas atividades produtivas os lucros não se realizam, forçam-se especulações, para elevação da lucratividade no sobe e desce instável das ações, via manipulação bursátil, em meio às retrações dos investimentos.

Os sinais vermelhos acenderam de todos os lados com as reclamações duras do primeiro ministro japonês Shinzo Abe ao presidente Temer, no Japão, em defesa das empresas japonesas.

Elas estariam sendo fortemente prejudicadas pela Operação Lavajato nas suas relações, principalmente, com empreiteiras nacionais poderosas, prestadoras de serviços à Petrobras.

Acelerada pela Operação Lavajato, a desmontagem econômica e financeira dos colossos empresariais nacionais, erguidos a partir da pujança da petroleira brasileira, com ramificações de cadeias produtivas interna e externa, representa sinal vermelho ao mercado.

Os japoneses, chineses e russos estão lendo o que está acontecendo pela ótica da geopolítica.

Desmonta-se estrutura nacionalista da Petrobras com tais ramificações, de modo favorecer concorrentes externos, especialmente, das empresas anglo-americanas do petróleo.

São elas as maiores beneficiadas para tomar conta do espaço nacional, escanteando os aliados externos, no caso, empresas japonesas, como a Kawazaki, alvo da reclamação do primeiro ministro japonês.

O pânico nos investidores pode aumentar ainda mais, se  Cunha delata empresários com os quais montou rede de influência no Congresso para apoiar projetos econômicos favoráveis às grandes empresas nacionais e contratos no exterior com grandes empresas internacionais, como a Kawazaki.

A insegurança jurídica virou questão central das relações econômicas internacionais.

Os contratos correm perigo por conta da besta solta, a Operação Lavajato.

Trata-se de fatores que influenciam decisivamente as expectativas do comportamento da economia no curto, médio e longo prazo.

E o resultado imediato é elevação do risco e consequente resistência à queda nas taxas de juros.

Tenta-se culpar setores de serviços pela resistência à queda da inflação.

Lorota.

A realidade é outra: virou risco total a conjuntura política nacional, que coloca no olho do furacão lideranças governamentais, acusadas, pela Operação Lavajato, de envolvimento na corrupção, centrada na Petrobras, ocupada pelos partidos da outrora coligação PT-PMDB.

Se Cunha joga merda no ventilador, expondo as entranhas do sistema, que compromete todo mundo, governo e oposição, ficará claro o conteúdo e a intensão da PEC 241, cujos objetivos são os de garantir assalto dos interesses financeiros sobre o orçamento geral da União.

Eles desejam garantir pagamento de juros e amortizações da dívida pública, que já leva, hoje, 44% do total dos recursos orçamentários, próximos de R$ 1 trilhão, em 2015.

É essa instabilidade financeira, razão maior do déficit público, que pode ficar exposta em eventuais delações de Cunha, jogando para o alto o esquema de relacionamento das empresas com o Congresso.

Foi essa, afinal, a superestrutura jurídico-parlamentar corrupta que possibilitou, ao fim e ao cabo, o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff e a virada de mesa das relações externas do Brasil.

Temer expressa vitória da geopolítica dos Estados Unidos, maior aproximação do Brasil com americanos, e destruição da geopolítica anterior Lula-Dilma, de aproximação com China e Rússia por meio dos BRICs.