PEC da Morte e agiotagem bancária levam à greve geral

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A história é fundamental para

mostrar aos cidadãos porque

a dívida pública financiada

por agiotas especuladores

nacionais e internacionais

transformou-se no carrasco

do povo e razão principal

que impede o desenvolvimento

econômico sustentável.

 

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O próprio mercado está dividido sobre sua própria culpa.

Não se entende sobre se deve ou não começar a reduzir juros.

Não se explica, de forma alguma, porque o arrocho fiscal tem que ser feito sobre as despesas não financeiras, enquanto deixam intactas as despesas financeiras.

Metade do orçamento geral da União(R$ 2,8 trilhões em 2015) é consumido por 45% dos gastos financeiros.

O resto, espremendo todo o mundo, fica por conta das despesas que dizem respeito aos setores sociais e econômicos.

Agora, até os empréstimos consignados, tomados, principalmente, por servidores, em todo o país, estão sendo suspensos.

Os bancos temem calotes.

 

Se deixam de emprestar para

quem tem emprego, renda,

capaz de comprometer parte

dela com os empréstimos,

que vão ficando impagáveis,

por conta dos juros extorsivos,

imaginem a massa de

desempregados em expansão

no ritmo do congelamento neoliberal?

 

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Só sobra, para os banqueiros, o governo como tomador, que se submete aos dealers, que impõem a taxa de juros que desejam receber para comprar os títulos públicos.

É lorota conversa de que a taxa de juros, selic, está em 14,5%, podendo ser reduzida, na próxima reunião do Copom, em 0,25 ou 0,5 pontos percentuais.

Quem conhece o mercado por dentro sabe que são esses dealers, representantes de um total nunca superior a 12 bancos, escolhidos entre si, quem diz quanto vão receber pelos títulos ofertados pelo governo.

Jogo de carta marcada.

A verdade fica oculta.

Dilma, em 2009, diminui a taxa selic para 7,5%, aparentemente; essencialmente, ela ficou em 11,2%, em média, dadas imposições dos dealers, dos grandes bancos.

Hoje, os 14,5% selic representam, efetivamente, 16%.

A grande mídia alardeia que está em 14,5% e deverá cair aí para os 14,25% ou 14%.

Blá, blá, blá.

Cai só para inglês ver.

Como é para inglês ver a queda de 1 centavo no preço do litro da gasolina, que o editorial do Globo, nessa terça feira, diz, cinicamente, ser produto de política consistente de tarifas.

Como se chegou a esse absurdo de os juros se transformarem em tremendos algozes do povo?

Sem o concurso da história não é possível entender o conjunto dos fatos.

 

Como explica o livro

Auditoria Cidadã da Divida,

coordenado pela auditora

fiscal, Maria Lúcia Fattorelli,

tudo começa com a

exploração imperialista.

 

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Ela vai na linha de Marx, segundo o qual somente é possível entender as razões do capital se a realidade é vista com o olho do próprio capital.

De 1944, pós guerra, até 1971, os Estados Unidos, vencedores do conflito bélico mundial, vincularam o dólar ao ouro e estabeleceram a moeda americana como parâmetro das relações de troca globais.

O ouro dos povos era depositado nos Estados Unidos com a contrapartida de possuírem dólares; poderiam trocar quando sentissem necessidade.

Entretanto, déficits fiscais americanos se expandiram para sustentar guerra fria contra o comunismo soviético em expansão pelo mundo afora.

O dólar acusou a carga pesada.

Em 19 de setembro de 1971, da noite para o dia, o presidente Nixon acabou com a paridade ouro-dólar.

O BC americano ficou com o poder de emitir dólar sem lastro.

Descolado do metal, os bancos espalharam dólares pelo mundo, a partir de 1972, à taxa de juros de 4%, fixada por Wall Street e pela City londrina.

O poder anglo-americana dava as cartas.

Sete anos depois, em 1979, os Estados Unidos puxaram a taxa de juros para 20%.

Quebrou o mundo.

Delfim, puxa-saco de Tio Sam, disse, na ocasião, que quem quebrou o mundo foi o aumento do preço do petróleo; Washington, afirmou, apenas, salvava o mundo do comunismo.

Mentira.

O BC americano, em 1981/82,

baixou a ordem mundial para

que as dívidas em dólar,

público e privadas, fossem

assumidas pelos bancos

centrais dos países tomadores.

 

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Na sequência, entrou em cena o FMI obrigando os devedores a assinarem cartas de intenções por meio das quais comprometiam desmobilizar patrimônios, privatizando-os, arrochar salários, restringir créditos à produção e ao consumo etc.

Enfim, algo muito semelhante ao que se vê na PEC 241 de Temer.

Em 1992, rolou zum-zum-zum de que as dívidas contraídas depois de 1971, por força do fim da paridade dólar-ouro, já estariam prescritas, ou seja, mortas.

Entrou em cena, novamente, Wall Street, governo americano, FMI, City etc.

Impuseram a regra segundo a qual essas dívidas candidatas à prescrição, à extinção, fossem transformadas em títulos de dívida pública.

Pintou o chamado Plano Brady, ancorado nessas dívidas podres, transformadas em títulos pagando juros impostos por Wall Street/City.

Ao lado desses novos títulos, houve ainda a exigência, pelo FMI e bancos, das chamadas garantia colaterais.

Os devedores teriam que comprar títulos da dívida americana para dar como seguro de crédito aos detentores dos papeis da dívida, conforme linha geral da regra fixada pelo Plano Brady.

E o principal: com esses títulos podres, os credores adquiririam direito de trocá-los por empresas públicas que seriam privatizadas.

História de horror para a periferia capitalista.

Grande assalto do império sobre colonizados devedores.

Na sequência ocorreu outro assalto, também, sobre as finanças estaduais.

O governo, pressionado por FMI etc, foi obrigado a refinanciar geral o endividamento estadual e municipal.

 

No momento em que essa

decisão foi imposta pelos

banqueiros, os títulos da dívida

dos estados e municípios

valiam 30% do seu

valor de face.

 

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Se o governo comprasse tudo por esse preço liquidava a fatura, saneava geral as finanças públicas e tocaria desenvolvimento sustentável.

Mas, não.

Os banqueiros exigiram remuneração pelo valor de face, embora comprasse pelo valor de mercado.

Sangria.

Os estados e municípios foram obrigados a se submeterem a essa regra de refinanciamento geral em 1996, sob FHC, por ordem dos bancos, pagando juros de 9% ao ano(estados) e 6%(municípios).

Pintaria bola de neve.

A dívida não pararia nunca mais de crescer, sem produzir nenhuma contrapartida expressa em crescimento econômico.

Dívida gerando dívida, sistema da dívida tocado por juros sobre juros, crime de anatocismo, assim considerado pelo STF, segundo Súmula 121, jamais cumprida.

Banqueiro não cumpre lei.

Lula resolveu dar uma de macho, relativamente.

Reservou 15 bilhões de dólares para pagar o FMI, na tentativa de escapulir de suas garras.

Farsa.

Com o FMI, na cola, o

governo pagava juro

de 4%; fora do FMI,

transformou dívida externa

em interna, pagando

19% ao ano.

 

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Saiu das garras do Fundo, a 4%, para entrar na buraqueira dos bancos privados, a 19%.

Grande negócio petista feito por Pallocci!!!

Além disso, não cortou os vínculos com a instituição, que continuou acompanhando, como faz até hoje, as contas nacionais.

Libertação do Brasil do FMI para inglês ver.

A crise mundial de 2008/2009 levou os bancos internacionais à bancarrota, mas os governos nacionais os salvaram.

EUA e Europa(Alemanha, principalmente) ampliaram a oferta monetária, reduziram a zero a taxa de juro e tratou a crise homeopaticamente, veneno de cobra contra veneno de cobra.

Contra excesso de dinheiro, mais dinheiro.

Encharcados de ativos financeiros, os bancos, sob juro zero ou negativo, expandiram para a periferia capitalista.

Aqui, sem controle de entrada de capital, penetraram, livremente; sobrevalorizaram moedas nacionais; promoveram aumento de dívida, de taxa de juros, desindustrialização, desemprego, deficit público etc.

Mais uma vez, ao contrário do que dizem os comentaristas tupiniquins, a crise vem em ondas de fora para dentro.

É preciso estudar Marx.

Caso contrário, não se entende problemas criados pela própria sobreacumulação de capital na esfera cêntrica, rica, poderosa, imperialista.

A PEC 241 é um esparadrapo sobre a sangria desatada pela dívida pública cuja história é a história de roubo.

A acumulação primitiva do capital se realiza em cima de roubalheiras.

Cortar ou congelar por vinte anos gastos públicos para cobrir deficit produzido pelo jogo financeiro criminoso é destruir o País.

Enquanto isso, anualmente, o deficit não pára de multiplicar-se, não em decorrência de aumento de gastos não financeiros, mas por conta do seu oposto, dos gastos financeiros.

O BC é maior patrocinador do déficit público no contexto da política monetária global em que não se controla entrada de capital externo especulativo no País.

Entra capital em ondas de tsunami; o BC troca moeda que entra por títulos públicos pagando juros de agiota, enquanto compra títulos da dívida pública americana sem receber juro algum.

Cadê a lei de responsabilidade fiscal para coibir essa ação ilegal do BC que acumula deficit financeiro da ordem de 100 bilhões ao ano, impunemente?

Nesse contexto, o Brasil vai diminuindo de tamanho e se tornando alvo dos abutres na tarefa abocanhar suas riquezas.

Enquanto isso, a TV Globo bota William Waack para mostrar que os culpados são os aposentados, os servidores públicos, os benefícios continuados ofertados aos trabalhadores rurais, os assalariados que precisam ser convencidos de que a CLT prejudica-os, os beneficiados pelos programas sociais, a  Constituição que foi criada para um país que não é o Brasil etc