PEC 241 perde força com Temer ameaçado por Cunha

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A principal proposta do Governo(PEC 241), altamente, impopular, de congelar por vinte anos os gastos públicos com os setores sociais, enquanto mantém intactos os gastos com pagamento de juros e amortizações, maiores responsáveis pelo déficit governamental, pode sofrer desgaste decorrente da prisão do ex-deputado cassado do PMDB carioca, Eduardo Cunha.

Maior articulador, no Congresso, dos interesses financeiros e econômicos da elite nacional, responsável por bancar financiamentos de campanha dos principais políticos do País, Cunha tem, por isso, todo mundo no bolso.

Sabe quem é quem dentro do PMDB, do PT e, também, do PSDB, com o qual transacionou muito bem, realizando alianças que culminaram com o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff e, consequentemente, abertura para a PEC 241.

Em razão disso, a vulnerabilidade do governo Temer, onde estão bem situados, no poder, os aliados do ex-deputado, é enorme em caso de eventual delação premiada do ex-parlamentar carioca, hoje, abandonado por todos.

Em que medida a PEC 241 pode correr risco?

Quanto mais seus efeitos nocivos aos interesses populares se avolumam, mais os políticos governistas, comprometidos com Cunha, ficam expostos às críticas por estarem defendendo propostas econômicas antipopulares que alimentam expectativas econômicas altamente negativas.

Os indicadores econômicos e sociais, somente, pioram quanto mais é debatida a proposta governamental em tramitação no Congresso, cuja essência é a de diminuir renda disponível da população para o consumo, provocando insuficiência de demanda global, mãe da deflação, maior inimiga do capitalismo produtivo.

As consequências dessa escalada recessiva crônica, decorrente da diminuição crescente das atividades produtivas, por estreitamento radical  do consumo, sinalizam desgaste popular do governo Temer, como as pesquisas, nessa semana, evidenciam.

O próprio presidente da República, em entrevista à Globonews, assegurou que tão cedo haverá reversão do desemprego, que está na casa dos 12%, atingindo, basicamente, os jovens, hoje, desesperançados com redução dos gastos públicos que afetarão os setores de educação, saúde, segurança, concursos públicos etc.

O PIB, em agosto, desabou 0,91%, diz o BC.

Não há, com Temer no poder, confiança na retomada da economia.

Depois da prisão de Cunha, então, nem se fala.

Não adianta salgar carne podre.

Cercado de desconfiança por ter sido, entre outros, interlocutor de confiança de Cunha, nas articulações do PMDB, para derrubar Dilma, afastar do PT e tomar o poder, no golpe jurídico-parlamentar, o titular do Planalto está naquela de se ficar o bicho pega, se correr o bicho come.

Por enquanto, de acordo com pesquisas, 70% da população, ainda, não estão sabendo dos efeitos nefastos da PEC 241, se vier a ser aprovada.

Caso passe a ser, claramente, percebida pelas massas como armação do PMDB, ou seja, das forças políticas articuladas por Eduardo Cunha, que levaram Temer ao poder, a chamada PEC da Morte tenderia a ser amplamente vomitada nas ruas.

Já está ocorrendo isso nas redes sociais, que, na prática, são as ruas virtuais, sobre as quais as atenções dos políticas estão voltadas em grau elevado.

O clima político, no Congresso, indisfarçavelmente, não é o mesmo do momento em que euforia tomou conta da base aliada na votação da PEC 241 em primeiro turno.

Tudo está mudando em velocidade extraordinária; nada é sólido nesses tempos em que a matéria está submetida a altas temperaturas.

A enxurrada de críticas, no espaço comunicativo virtual, bate forte nas caixas eletrônicas e nas consciências dos parlamentares.

A última coisa que passa pela cabeça dos legisladores é serem vinculados a uma PEC da Morte, que, na verdade, tem origem no programa político e econômico do PMDB, Ponte para o Futuro, articulada por golpistas sob comando do corrupto Cunha, encarcerado em Curitiba.

As resistências populares contra a PEC 241, sem dúvida, podem crescer de forma incontrolável, se houver ligação dos fatos, de modo a abrir espírito crítico da sociedade.

Aí, ficaria evidenciado, para ela, quem realmente articula as medidas econômicas que destroem programas sociais, de modo a sobrar mais recursos para pagamento de juros e amortizações, beneficiando aqueles que mais lucram com a deterioração econômica nacional, os bancos, enquanto o povo paga o pato.

Quem salva o governo, nesse momento, é a grande mídia golpista, comprometida com ele.