Trabalhadores cobram preço pelo apoio a Dilma: remover arrocho fiscal que acelera desemprego

Ângela Merkel, primeira ministra da Alemanha, veio ao Brasil atrás de mercado para os produtos alemães, que estão estocados por falta de consumidores na Europa, submetida aos ajustes fiscais, que impedem os governos de gastarem para puxar a demanda global capitalista no velho continente. Mas, o que ela encontrou por aqui? Com os trabalhadores nas ruas apoiando o mandato da presidenta Dilma Rousseff, ameaçado pelos golpistas defensores do impeachment, mas exigindo, ao mesmo tempo, remoção do ajuste fiscal, que inviabiliza a produção, porque destroi os consumidores, os salários, os empregos, a renda, a arrecadação e os investimentos. Ou seja, o apoio dos trabalhadores à titular do Planalto é condicional. Ele somente terá durabilidade, se a situação econômica
PINTOU BRABO SINAL VERMELHO PARA DILMA ROUSSEFF: DESEMPREGO DISPARA COMO EFEITO DO AJUSTE LEVY. SEM REMOÇÃO DESSE ARROCHO, TRABALHADORES RETIRARÃO APOIO À PRESIDENTE QUE FICARÁ EXPOSTA AOS GOLPISTAS NO AMBIENTE POLITICAMENTE EXPLOSIVO DA OPERAÇÃO LAVAJATO QUE CHEGOU NESSA SEMANA AO CONGRESSO. A OPOSIÇÃO SABOREIA O DESASTRE GOVERNAMENTAL DE OLHO NAS ELEIÇÕES DE 2016 E 2018. Ângela Merkel, primeira ministra da Alemanha, veio ao Brasil atrás de mercado para os produtos alemães, que estão estocados por falta de consumidores na Europa, submetida aos ajustes fiscais, que impedem os governos de gastarem para puxar a demanda global capitalista no velho continente. Mas, o que ela encontrou por aqui? Com os trabalhadores nas ruas apoiando o mandato da presidenta Dilma Rousseff, ameaçado pelos golpistas defensores do impeachment, mas exigindo, ao mesmo tempo, remoção do ajuste fiscal, que inviabiliza a produção, porque destroi os consumidores, os salários, os empregos, a renda, a arrecadação e os investimentos. Ou seja, o apoio dos trabalhadores à titular do Planalto é condicional. Ele somente terá durabilidade, se a situação econômica caracterizada por paralisia for revertida. E essa reversão implica em discussão política sobre a forma de melhor distribuir a renda no País sem o que a crise irá continuar. Certamente, Merkel quer que os trabalhadores brasileiros tenham condições de consumir produtos alemães estocados por falta de consumidores, ao mesmo tempo em que aumenta a competição comercial global, no momento em que a China acelera desvalorização de sua moeda, para que os produtos chineses sejam mais competitivos. Todos querem ser mais competitivos, e a estratégia que adotam é a mesma: desvalorização cambial. Ou seja, o mundo caminha para acirramento da guerra cambial. O ajuste fiscal levyano, no Brasil, inviabiliza a competitividade brasileira, porque sua prioridade é manter juro elevado, para sustentar lucratividade crescente dos bancos, no ambiente em que o lucro nas atividades produtivas se torna impossível, devido à ausência de consumidores, que jogam as indústrias na deflação. O capitalismo global sinalizou nova possibilidade de crise essa semana com os mercados despencando: sobra mercadoria, falta consumidores. Levy quer conservar a situação acabando com os consumidores, com a chamada economia da demanda, para que, segundo ele, possa florescer a economia da oferta, da produção. Produção sem consumo? Mas como aumentar a produção, se o Banco Central, para combater a inflação, acelerada pelo juro alto,  aumenta, ainda mais, os juros? As empresas, com custos maiores de produção e sem consumidores, passam a viver de agiotagem, enquanto os concorrentes internacionais, como a Alemanha de Merkel, mantêm suas moedas desvalorizadas, para invadir o mercado brasileiro, tomando das indústrias consumidores e acelerando sua bancarrota. O mesmo vai acontecendo com China, Japão, Estados Unidos, Inglaterra, França, Coreia, todo mundo correndo para ter mais competitividade via juro baixo e moeda desvalorizada. Nesse contexto, o ajuste fiscal de Joaquim Levy e o juro alto de Tombini apenas se tornam garantias seguras de que os trabalhadores irão se rebelar contra o Governo Dilma. Nada melhor para a oposição diante das próximas eleições. Tudo fica ainda mais explosivo politicamente diante da Operação Lavajato que chegou ao Congresso para pegar os acusados de corrupção que se encontram no comando maior do Legislativo. Governar é chantagear, ao que tudo indica, passa a ser o tom da governabilidade daqui prá frente, pois todos envolvidos querem se salvar jogando sua culpa nas costas dos outros. Tempos cabeludíssimos.
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O apoio dos trabalhadores ao governo tem um preço: combate ao desemprego que só ocorrerá se for removida austeridade econômica que caracteriza o Plano Levy, empenhado em concentrar renda na esfera capitalista financeira especulativa, enquanto os setores sociais estão sendo esmagados por falta de recursos públicos. Para os banqueiros, em forma de juro alto, tudo; para os trabalhadores, o desemprego. Situação politicamente exploisva.

Está pintando clima de crise capitalista mundial de novo, tipo a de 2007-2008, semelhante à crise de 1929, só que com muito mais intensidade e poder de fogo destrutivo.

Quer dizer, ela não deixou de existir.

Mantém-se como aquela cinza em fogo de acero.

Queima por baixo.

Na aparência, tudo indica que vai indo, no rumo da superação.

Porém, de repente, as contradições se apresentam e não se afastam e o fogo pode crepitar forte de novo

Em determinado momento, suas garras são expostas.

As preocupações se voltam para a China.

Desvalorização da moeda chinesa assusta o mundo.

Bolsas despencam, pois todas estão se valorizando especulativamente sem correspondência no mundo real, na produção de bens e serviços.

Guerra cambial à vista?

O capitalismo está naquela: tem capacidade produtiva global sobrando.

Os capitalistas não podem explorar ao máximo a produtividade.

Emergiria deflação.

Excesso de banana na feira, sem quantidade de consumidores suficiente para consumi-las, joga os preços para baixo.

Apodrece.

Estocada em excesso, a China quer desovar mercadorias.

Câmbio desvalorizado joga elas para fora.

Mas, e os outros?

Os estoques estão para todos os lados: Estados Unidos, Europa, Japão, China, Brasil.

Por aqui, os pátios das montadoras automobilísticas se encontram abarrotados de carros.

O governo, nessa semana, determinou aos bancos públicos que financiem o mercado de automóveis.

O desemprego, no setor, responsável por agregar ampla cadeia produtiva, que puxa a demanda global, sai pelo ladrão.

Desemprego sinaliza desinvestimento.

 Em tempos de crise política, de racha, parece, inevitável das forças governistas, aumento de desempregados produz cheiro de pólvora.

Se todos estão estocados, se todos partem para a desvalorização de suas moedas, cada qual querendo deslocar o outro no mercado, evidentemente, a crise se instala no comércio internacional.

Sobra mercadoria, falta consumidor.

Complicou-se a situação no ambiente capitalista global da produção e do consumo, ou seja, nos dois departamentos do capitalismo nos quais floresceu, a partir do século 18, a economia clássica: o departamento I(produtor de bens de produção) e o II(produtor de bens de consumo).

Emergiu contradição clássica: deflação tende a acelerar-se por falta de renda suficiente para consumir a capacidade produtiva do sistema, impulsionado pela ciência e tecnologia colocadas a serviço da produção.

Como os capitalistas somente produzem se tiverem lucros, e estes somente se tornam possíveis se ocorre a distribuição desigual do produto, a produção tende a entrar em colapso, se a continuidade do lucro cessar em decorrência da insuficiência de consumo, afetado pela concentração de renda.

A saída, portanto, não se encontra na economia de mercado, no livre jogo da produção e do consumo, tendo o lucro por objetivo.

A crise de sobreacumulação de capital, no embate entre departamento I(bens de produção) e departamento II(bens de consumo), no ambiente de queda da taxa de lucro, devido à distribuição desigual  da renda, necessária para que o lucro do capitalista se realize, somente se torna possível mediante duas providências:

1 – distribuição de renda mais acelerada, para eliminar a concentração dela que destroi a lucratividade e afasta investidor, ou

2 – intervenção do Estado na economia, que se transforma em departamento III, para tirar o I e o II da crise de realização de lucro.

Qual a mercadoria que o Estado consome, se ele não produz nada?

Não-mercadorias: consumidores que não produzem, mas que consomem aquilo que o dinheiro estatal adquire para dissipar: guerras, funcionários públicos, obras públicas, produtos bélicos e espaciais etc, etc.(Crise da Ideologia Keynesiana, Lauro Campos, Ed. Campus, 1980)

Para tanto, o governo emite moeda(capital), se tornando consumidor que estabiliza os departamentos I e II no ambiente de escassez relativa, para sustentar inflação capaz de reverter deflação que a contradição entre ambos os leva à crise de realização de lucros.

O limite para o funcionamento do departamento III exercer essa função histórica é sua capacidade de endividamento.

Enquanto essa capacidade de endividar-se não foi contestada pelos que compram os títulos emitidos pelo governo para exercitar a função de consumidor autonomizado, capaz de dinamizar o capitalismo, que deixa o livre mercado para viver sob fase intervencionista – necessariamente, intervencionista – o sistema funcionou relativamente bem.

Depois que o endividamento estatal se tornou excessivo, sinalizando risco permanente aos credores, estes correm do perigo de bancarrota do devedor crônico.

Exigem, para continuar o jogo, ajuste fiscal draconiano, desmobilização de patrimônio etc e tal, o que resolve, apenas, em parte o problema, porque a questão maior é outra.

Sem capacidade de continuar intervindo na economia, de forma cada vez mais crescente, o departamento III(estado), imobilizado, econômica e financeiramente, acelera a crise deflacionária nos departamentos I(produção) e II(consumo).

Ou seja, ajuste fiscal excessivo, no departamento III, como o que caracteriza o Plano Levy, por exemplo, totalmente, irracional, anticapitalista, aprofunda desestruturação dos departamentos I e II.

Volta-se à situação histórica anterior: os departamentos I e II, sem a intervenção do departamento III, morrem de deflação.

Os governos dos países capitalistas ricos – Estados Unidos, Europa, Japão, Inglaterra e, agora, China – aceleram intervenção, em forma de desvalorização de suas moedas e redução das taxas de juros.

Criam, dessa forma, situação favorável aos setores produtivos, enquanto jogam seus problemas para os outros, em forma de sobrevalorização cambial dos concorrentes, aumento de dívidas, sucateamento industrial, aumento de desemprego.

Aceleram, dessa forma, assalto imperialista dos ricos sobre os pobres em escala acelerada.

Os trabalhadores foram às ruas essa semana para defender o governo dos golpistas da oposição favoráveis ao impeachment, mas discordam do Plano Levy, porque vêem nele a destruição dos seus empregos.

Eles deram claro recado à presidenta Dilma: se quiser continuar tendo esse apoio, para uma proposta de desenvolvimento nacionalista, diante da crise social e econômica que se aprofunda, sob neoliberalismo, precisa remover a austeridade levyana.

Beth Carvalho, a grande sambista,

nacionalista, repudiou o movimento

direitista que usou sua música

para defender impeachment.

Os golpistas pegaram canoa errada.

Beth nunca esteve na deles.

 

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