05 dez
2014Washington tenta desestabilizar Dilma
Conselho Editorial Sul-Americano em 05/12/2014

Obama não deve vir ao Brasil para a posse de Dilma no segundo mandato. Vem Joe Binder, vice, no lugar dele. Vice é cargo decorativo, só para inglês ver. Isso significa que Washington continua disposta a não pedir desculpas pela agressão feita à presidenta no episódio da espionagem americana no Palácio do Planalto. A trapalhada inviabilizou, até o momento, uma aliança estratégia Brasília-Washington que, como deseja o governo Obama, tirasse o Brasil do engajamento total com os Brics – Rússia, Índia, China e África do Sul -, empenhados, nesse momento, em criar o Banco dos Brics, algo totalmente incômodo para Tio Sam, dado o poder dele para desestabilizar o dólar, abalado pela queda relativa do poder do império, depois da bancarrota capitalista de 2007-2008. Não interessa, obviamente, aos americanos relacionar-se com quem ajuda a fragilizar o dólar no terreno em que os Estados Unidos sempre cantaram de galo, como é o caso da América do Sul. Teriam ou não relação com a onda de desestabilização política em marcha contra Dilma, por meio da oposição comandada por Aécio Neves, a insatisfação do império americano, inconformado com os caminhos getulistas que o poder nacionalista petista adota?
Novo sistema
monetário
internacional
é a última
Dilma se transformou em persona non grata ao império de Tio Sam depois que suspendeu as compras dos jatos da boeing para as forças aéreas brasileiras e optou pelos caças suecos.
Foi o imposto que ela, soberanamente, com apoio da opinião pública, cobrou do governo americano pela espionagem realizada no Palácio do Planalto.
Imposto alto para a Casa Branca.
A titular do poder brasileiro somatizou causa política com causa econômico-financeira, fazendo uma represália a Washington.
A ação política dilmista, ao lado de um golpe comercial poderoso, mereceu elogio internacional e, de alguma forma, influenciou Ângela Merkel a fazer a mesma coisa, quando expulsou agente da CIA da Alemanha pelo mesmo motivo.
a coisa
que
Washington
quer
Dilma fez escola e foi mais além.
Deu uma guinada rumo à China, Moscou, Índia e África do Sul, para estimular a criação do Banco dos Brics, algo com o qual Washington não concorda de modo algum.
Os Estados Unidos se alarmam, nesse momento, com os resultados práticos que as ações dos Brics asiáticos, China e Rússia, apresentam nas relações comerciais, mediadas pelas moedas chinesa, yuan, e russa, rublo.
Trocas comerciais excluindo o dólar?
Tal tendência tende a se aprofundar, com o Banco dos Brics, abalando o dólar como moeda de reserva internacional.
Tio Sam gosta de alguém que ameaça o dólar?
O Banco do Brics propõe fazer o papel que o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional desempenharam a partir do Acordo de Bretton, em 1944, sob total influência dos Estados Unidos, que ergueram o dólar e derrotaram a libra inglesa como equivalente geral das trocas comerciais globais.
ouvir. No
entanto, é
a música que
Dilma
O Banco dos Brics nasceu com ativos superiores aos do Banco Mundial, que se encontra abarrotado de problemas.
Debaixo das asas de Washington, financeiramente, quebrada, incapaz de dar suporte seguro ao dólar no cenário da crise capitalista mundial, o Banco Mundial perde atrativo.
Dilma Rousseff embarcou nos Brics como jogo estratégico brasileiro para dar suporte aos aliados nesse bloco em busca de novo sistema monetário internacional, em que as relações de trocas se deem por moedas e arranjos monetários alternativos ao dólar.
Por muito menos, os Estados Unidos derrubaram e mataram Saddan, que queria escantear o dólar e intensificar relações comerciais e financeiras com o euro, moeda nascente nos anos 1990 e 2000.
A mudança de Dilma rumo ao poder asiático dos Brics, ancorados no Banco dos Brics, incomoda Washington.
está
tocando,
ao
apoiar
Na verdade, Washington tentava, antes do episódio da espionagem, fixar novo tipo de relações com o Brasil.
A jogada seria criar polo político, econômico, estratégico Estados Unidos-Brasil, para contrapor-se ao polo geograficamente oposto China-Rússia, de modo a esvaziar os Brics.
Sem o Brasil, os Brics deixa de ser aquela brastemp.
Se Washington fechasse o acordo com as vendas dos boeings para a Aeronáutica, como estava sendo previsto, com sonoridade cada vez mais ampla, a dar motivos, para inaugurar novas relações estratégicas americana-brasileira, teria alcançado seu objetivo essencial.
A espionagem entra na história como uma trapalhada americana fantástica que espantou negócios.
criação do
Banco dos
Brics, de
A comunidade econômica e financeira americana está inconformada com o episódio desastroso que abalou as relações bilaterais e queimou o negócio bilionário dos grandes fabricantes de aviões, todos eles relacionados, de uma forma ou de outra, aos interesses do Estado Industrial Militar Norte-Americano.
Estado assim denominado por Eisenwoher, em 1960, como previsão pessimista sobre o desenvolvimento de uma estrutura produtiva e ocupacional promotora de guerra e dinamizadora do capitalismo americano.
A arrogância e a prepotência desse Estado material e psicologicamente militarizado em termos culturais, visto como fator de superioridade americana no contexto global foram literalmente afrontados por Dilma Rousseff.
Ferida em seus brios, por ser espionada e, ainda, obrigada a ouvir de Barack Obama argumentos esfarrapadíssimos, que não conseguiram esconder a verdade oculta do império segundo a qual não tem que pedir opiniões nem desculpas a ninguém pelos atos cometidos, por entender que erros eventualmente cometidos são acertos involuntários, Dilma rodou a baiana.
forma
mais
intensa
depois
A vitória eleitoral deixa Dilma ainda mais forte na cena internacional, porém, representa, do ponto de vista americano, espinho atravessado na garganta do império.
Se eleito Aécio Neves, a expectativa de mudanças nas relações Brasil-EUA, dadas as afinidades ideológicas do candidato com o pensamento de Tio Sam, materializar-se-ia com facilidade.
Mas, Dilma não é aquela Amélia, a mulher objeto do clássico popular de Ataulfo Alves.
Aécio, sim, seria o ideal, proclamou Wall Street, dando a palavra de ordem anti-dilmista para tentar elegê-lo.
Com ele, no Planalto, mudariam regras na exploração do petróleo, por exemplo.
Em diversas oportunidades, admitiu maior participação do capital externo na exploração do óleo, excluindo a obrigatoriedade da Petrobras possuir 30% de todas as reservas leiloadas.
do episódio
da espionagem
americana no
Planalto que
Aécio concordou, também, com aceleração da produção do óleo, ao lado dessa restrição regulatória, que implicaria em colocar a empresa no rumo dos objetivos de mercado.
Com Dilma, a Petrobras continua encarnada pelo espírito de Getúlio Vargas, nacionalismo etc.
Os tucanos, com FHC, no poder, queriam a desencarnação.
Lembram quando FHC condenou a Era Vargas?
Era a senha para a desvarguização, privatização etc.
Com Dilma, Petrobras não é apenas mercado, mas, igualmente, fonte de renda para alavancar educação, industrialização, infraestrutura, integração sul-americana etc, etc.
O espectro de Getúlio está em cena com Dilma.
A esperança dos americanos de, com Dilma Rousseff, dispor do espaço para ampliar relações políticas, econômicas e estratégicas com o Brasil, de modo a esvaziar os Brics, entrou em estresse.
inviabilizou
negócios
bilionários
A aliança Brasil-Estados Unidos, pretendida por Washington, para contrapor-se à aliança que se avança Rússia-China, reforçada por mútuas ações econômicas e financeiras crescentes, foi para o brejo.
Por isso, não interessa aos Estados Unidos o fortalecimento político de Dilma Rousseff.
A opção estratégica adotada por ela virou problema para Washington, representa complicador nacionalista na América do Sul, já dominada pelo espírito nacionalista, na Argentina, Bolívia, Venezuela e, também, Brasil, ricos em petróleo, minerais, biodiversidade, energia, água, terras agricultáveis etc.
Apoiar Dilma, para os estrategistas americanos, seria dar corda para quem fez opções contrárias aos interesses de Washington.
Toda a agitação política interna, em alta, que se agiganta sob movimentos indisfarçadamente golpistas, como o do impeachment e a construção da tese econômica terrorista de que o Brasil está insolvente, levando o governo ao calote nos juros por meio da supressão de superavit primário, expressa na revisão da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2014, são braços de um mesmo movimento anti-dilmista politicamente desestabilizador impulsionado de fora para dentro.
para
empresários
dos EUA.
Ou seja, Dilma vai se tornando alguém imperdoável para Washington, que movimenta suas forças internamente, por intermédio, especialmente, da grande mídia, que se transformou em partido político, a serviço dos especuladores nacionais e internacionais.
O papel da revista Veja, claramente, golpista, à véspera da eleição, para desestabilizar a candidatura dilmista, foi sintomático.
Ela trabalha ferrenhamente contra quem contribui, como faz o Banco dos Brics, para reduzir o poder relativo do dólar no mundo.
O poder midiático oligopolizado, que vocaliza a insatisfação de Washington em relação aos Brics, vai, cada vez mais, ocupando espaço dos partidos no ambiente de falência do sistema político partidário eleitoral.
Por essas vias transversas da desinformação patrocinada pelo oligopólio midiático, inconformado com o nacionalismo dilmista-lulista-petista, prepara-se o caminho para desestabilizar Dilma, colocando-a, até mesmo, como coveira da democracia, como se tenta fazer em relação ao chavismo.
Está valendo tudo contra Dilma, depois da sua opção política pós espionagem americana imperialista no Palácio do Planalto.
Tio Sam está
nostálgico,
com saudades
da Amélia.





Brilhante seu texto, caro César. Parabéns ! Ceci Juruá
Prezado Cesar, excelente artigo! Pelo que estou informado, concordo em gênero número e grau.#
Forte abraço, Moniz
Artigo muito bom, muito bem escrito e coerente com o que se propoe. Mas dizer que a Petrobrás serve para fomentar a Educação e Saúde no Brasil?! Com toda essa roubalheira (a que aparece na Mídia, fora os 90 por cento do iceberg, como diria Érico Veríssimo) que, aliás, não começou agora. Vem desde a época de FHC. Menos, César, menos…