22 ago
2014Soros: sombra malígna na eleição brasileira
Wayne Madsen em 22/08/2014
![]() O GRANDE ESPECULADOR ABUTRE INTERNACIONAL ARTICULA-SE PARA INFLUENCIAR OS RUMOS DA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL BRASILEIRA EM FAVOR, CLARO, DOS SEUS INTERESSES ESPECULATIVOS, NEOLIBERAIS, ANTI-NACIONALISTAS, CONSERVADORES. Achar que os grandes financistas e especuladores internacionais, como George Soros, estejam distantes, desinteressados e alienados em relação à sucessão presidencial no Brasil é uma ingenuidade total. O Brasil é poderosíssimo, riquíssimo, desperta interesses descomunais no grande capital internacional e tem se transformado em alvo de espionagem por parte dos países ricos, especialmente, dos Estados Unidos. Soros é um dos ponta de lança desse grande interesse global, sempre de olho no Brasil, na Argentina, na Bolívia, onde seus negócios evoluem, fortemente. Também, suas ligações com personagens decisivos, na cena política e econômica brasileira, são bastante conhecidas. Marina Silva, candidata do PSB-Rede, participa de movimentações nas quais as ações de organizações comandadas por Soros são decisivas, como a “Open society”. Soros, como se sabe, cuida, além de sempre estar envolvido em desestabilização de moedas nacionais em escala mundial, de articular a chamada “sociedade civil” em todos os países onde seus interesses se espraiam para montar “oposição controlada”, a fim de combater ondas nacionalistas-desenvolvimentistas, de modo a dar novo rumo ao desenvolvimento econômico de caráter neoliberal. Igualmente, são conhecidas as relações de Soros com Armínio Fraga, o homem forte de Aécio Neves, do PSDB. Como fundador do fundo de investimento global “Quantum”, Soros teve Armínio ao seu lado, como fiel escudeiro, no processo de desestabilização de moedas nos países asiáticos e até na derrocada da libra inglesa, que jogou o Banco da Inglaterra no chão. Armínio deixou Soros para trabalhar como diretor do Banco Central, no Governo Collor. Aí preparou todas as providências para eliminar controles internos de capital, de modo a deixar livre a passagem aos especuladores, que invadiriam o Brasil nos anos de 1990, com seus capitais de motel. No Governo FHC, o que entregou a rapadura aos comandantes do Consenso de Washington, Armínio chegou ao Banco Central, para operar a ordem dos banqueiros internacionais: fixar o tripé econômico baseado em câmbio flutuante, metas inflacionárias e superavit primário elevado. Ou seja, Armínio-Soros articulam, agora, por trás de Aécio Neves, o mesmo jogo de antes, destruir as bases nacionalistas da economia montadas por Lula e Dilma, a fim de terem acesso mais rápido às riquezas nacionais, especulando adoidado. Num país sério, Armínio estaria nas barras dos tribunais, em vez de estar, novamente, com Soros, articulando novo assalto às riquezas do povo brasileiro. A chegada de Marina ao topo da disputa presidencial e a subserviência de Aécio a um megaespeculador colocam George Soros como uma sombra malígna sobre a sucessão presidencial brasileira. Todos sabem muito bem o que ele e os Estados Unidos desejam: desarticular os BRICs, que acabam de fundar, no Brasil, um banco de desenvolvimento, lançando as bases de um novo sistema monetário internacional, capaz de rivalizar com a supremacia do dólar, cujo destino, no ambiente da crise capitalista global, essencialmente, especulativa, é cada vez mais incerto.(César Fonseca) Dilma Rousseff setransformou emadversária númeroum dos Estados![]() Dilma virou alvo preferencial de ataque dos neoliberais depois que chamou às falas Obama pelo episódio da espionagem e aliou-se aos BRICs para criar banco de desenvolvimento global, contrário aos interesses dos EUA e dos especuladores globais como Soros. As eleições presidenciais no Brasil marcadas para outubro estavam sendo dadas como resolvidas, com a reeleição da atual presidenta Dilma Rousseff.Isso, até a morte, num acidente de avião, de um candidato absolutamente sem brilho ou força eleitoral próprios, economista e ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos.Em 13.08, a notícia bomba: o avião que levava Campos – candidato de centro, pró-business, que ocupava o 3º lugar nas pesquisas, atrás até do candidato do partido mais conservador (PSDB), Aécio Neves, também economista e defensor da ‘austeridade’ – espatifara-se numa área residencial de Santos, no estado de São Paulo, Brasil.Campos era candidato do Partido Socialista Brasileiro, antigamente da esquerda, mas hoje já completamente convertido em partido pró-business. Como aconteceu nos partidos trabalhistas da Grã-Bretanha, da Austrália e Nova Zelândia, nos liberais e novos partidos democráticos canadenses, e no partido Democrata dos EUA, interesses corporativos e sionistas infiltraram-se também no Partido Socialista Brasileiro e o converteram num partido da ‘Terceira Via’, pró-business e só muito fraudulentamente ainda denominado partido “socialista”.Já é bem visível que os EUA tentam desestabilizar o Brasil, desde que a Agência de Segurança Nacional dos EUA espionou correspondência eletrônica e conversações telefônicas da presidenta Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), e de vários de seus ministros.Unidos e do seupupilo internacionalGeorge Soros depoisque abrigou![]() Marina, apoiada pelas organizações internacionais, ligadas aos interesses de George Soros, pode ser cavalo de Troia para bombardear os BRICs, se chegar ao poder, servindo-se aos propósitos neoliberais, como a defesa do Banco Central independente do governo para ficar dependente dos especuladores. Tal fato levou ao cancelamento de uma visita de estado que Rousseff faria a Washington.As relações Brasil-EUA pioraram, ainda mais, com o governo brasileiro hospedando o presidente russo Vladimir Putin e outros líderes do bloco econômico dos BRICS em recente encontro de cúpula em Fortaleza. O Departamento de Estado dos EUA e a CIA só fazem procurar pontos frágeis no tecido social do Brasil de Rousseff, para criar aqui as mesmas condições de instabilidade que fomentaram em outros países na América Latina(Venezuela, Equador, Argentina – na Argentina mediante bloqueio de créditos para o país, em operação arquitetada por Paul Singer, capitalista-abutre sionista, e na Bolívia). Mas Rousseff, que antagonizou Washington ao anunciar, com outros líderes do BRICS em Fortaleza, o estabelecimento de um banco de desenvolvimento dos países BRICS, para concorrer contra o Banco Mundial (controlado por EUA e União Europeia) parecia imbatível, caminhando para reeleição.A atual presidenta era, sem dúvida, candidata ainda imbatível quando, dia 13 de agosto, Campos e quatro de seus conselheiros de campanha, além do piloto e copiloto, embarcaram no avião Cessna 560XL, que cairia em Santos, matando todos a bordo. A queda do avião empurrou para a cabeça da chapa do PS a candidata que concorria como vice-presidente, Marina Silva.Em 2010, Silva recebeu inesperados 20% dos votos à presidência, como candidata de seu Partido Verde.em Fortaleza areunião dos BRICspara formação debanco de desenvolvimento![]() Foi ou não vítima de um acidente aéreo em cujo avião a caixa preta não registra nada para espanto geral? Esse ano, em vez de concorrer sob a legenda de seu partido, Marina optou por agregar-se à chapa pró-business, mas ainda dita ‘socialista’ de Campos.Hoje, Marina já está sendo apresentada – talvez com certo exagero muito precipitado! – como melhor aposta para derrotar Rousseff nas eleições presidenciais de outubro próximo. Marina, que é pregadora cristã evangélica em país predominantemente cristão católico romano, também é conhecida por ser muito próxima da infraestrutura da “sociedade civil” global e dos grupos de “oposição controlada” financiados por George Soros, capitalista e operador de hedge fund globais.Conhecida por sua participação nos esforços para proteção da floresta amazônica brasileira, Marina tem sido muito elogiada por grupos do ambientalismo patrocinado pelo Instituto Open Society [Sociedade Aberta],de George Soros.A campanha de Marina, como já se vê, está repleta de palavras-senha da propaganda das organizações de Soros: “sociedade sustentável”, “sociedade do conhecimento” e “diversidade”.Marina exibiu-se ao lado da equipe do Brasil na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres em 2012.O ministro dos Esportes do Brasil, Aldo Rebelo, disse que a exibição de Marina naquela cerimônia havia sido aprovada pela Família Real Britânica, e que ela “sempre teve boas relações com a aristocracia europeia”. Marina também apoia com muito mais empenho que Rousseff as políticas de Israel para a Palestina.global capaz delançar semente denovo sistema monetário![]() Tem por trás de sua campanha personagem discípulo de George Soros, interessado em abocanhar as reservas do pré-sal, a Petrobrás e o Banco Central, tornando-o dependente de Soros e não do governo brasileiro. Como se vê também nas Assembleias de Deus de cristãos pentecostais, Marina participa de uma facção religiosa que acolhe, não raro nas posições de comando organizacional, membros do movimento mundial dos “Cristãos Sionistas”, tão avidamente pró-Israel quanto organizações de judeus sionistas como B’nai B’rith e o World Jewish Congress.As Assembleias de Deus creem no seguinte, sobre Israel:“Segundo a Escritura, Israel tem importante papel a cumprir no fim dos tempos. Por séculos, estudiosos da Bíblia ponderaram sobre a profecia de uma Israel restaurada.‘Eis o que diz o Senhor Soberano: Tirarei os israelitas das nações para as quais foram. Reuni-los-ei de todas as partes e os porei juntos na sua própria terra.’Quando o moderno estado de Israel foi criado em 1948, e os judeus começaram a ir para lá, de todos os cantos do mundo, os estudiosos da Bíblia viram ali a mão de Deus em ação; e que nós viveremos lá os últimos dias.” Em 1996, Marina recebeu o Prêmio Ambiental Goldman, criado pelo fundador da Empresa Seguradora Goldman, Richard Goldman e sua esposa, Rhoda Goldman, uma das herdeiras da fortuna da empresa de roupas Levi-Strauss. Em 2010, Marina foi listada, pela revista Foreign Policy, editada por David Rothkopf, do escritório de advogados Kissinger Associates, na lista de “principais pensadores globais”. O mais provável é que jamais se conheçam todos os detalhes do acidente que matou Campos.internacional cujaação ameaça aestabilidade dodólar no mundo e![]() Armínio, megaespeculador internacional, em país sério estaria frequentando tribunais para responder por crime de lesa pátria. Detonou geral as regras de contenção de entrada de capitais especulativos na economia, fazendo a festa geral dos seus pares. Participam hoje das investigações sobre o acidente a National Transportation Safety Board (NTSB) e a Federal Aviation Administration, do governo dos EUA.Membros dessas duas organizações com certeza serão informados do andamento das investigações e passarão tudo que receberem para agentes da CIA estacionados em Brasília, os quais tudo farão para ter o título “Trágico Acidente” estampado no relatório final. A CIA sempre conseguiu encobrir sua participação em outros acidentes de avião na América Latina que eliminaram opositores do imperialismo norte-americano naquela parte do mundo.Dia 31/7/1981, o presidente Omar Torrijos do Panamá morreu quando o avião da força aérea panamenha no qual viajava caiu perto de Penonomé, Panamá.Sabe-se que, depois que George H. W. Bush invadiu o Panamá, em 1989, os documentos da investigação sobre o acidente, que estavam em posse do governo do general Manuel Noriega foram confiscados por militares norte-americanos e desapareceram. Dois meses antes da morte de Torrijos, o presidente Jaime Roldós do Equador, líder populista que se opunha aos EUA, havia também morrido num acidente de avião: seu avião Super King Air (SKA), operado como principal aeronave de transporte oficial pela Força Aérea do Equador, caiu na Montanha Huairapungo na província de Loja.consequentementeo poder imperialanglo-saxãoque manda![]() Os abutres especuladores que atacam a Argentina tem como guarida os Griesa da vida, advogados do capital do império, como ocorre na Argentina nesse instante. Soros sabe a quem recorrer, se for atacado. No avião, também viajavam a Primeira-Dama do Equador, e o ministro da Defesa e esposa.Todos morreram na queda do avião.O avião não tinha Gravador de Dados do Voo, equipamento também chamado de “caixa preta”.A polícia de Zurique, Suíça, que conduziu investigação independente, descobriu que a investigação feita pelo governo do Equador encobria falhas graves.Por exemplo, o relatório do governo do Equador sobre a queda do SKA, não mencionava que os motores do avião estavam desligados quando a aeronave colidiu contra a parede da montanha. Como o avião de Roldós, o Cessna de Campos também não tinha gravador de dados de voo.Além disso, a Força Aérea Brasileira anunciou que duas horas de conversas gravadas pelo gravador de voz da cabine de voo do Cessna em que viajava Campos não incluem qualquer conversa entre o piloto, copiloto e torre de controle naquele dia 13 de agosto.O gravador de voz da cabine a bordo do fatídico Cessna 560XL foi fabricado por L-3 Communications, Inc. de New York City.Essa empresa L-3 é uma das principais fornecedoras de equipamento de inteligência e espionagem para a Agência de Segurança Nacional dos EUA, a mesma empresa que fornece grande parte das capacidades de escuta de seu cabo submarino, mediante contrato entre a ASN e a Global Crossing, subsidiária da L-3. Embora Campos não fosse inimigo dos EUA, sua morte em circunstâncias suspeitas, apenas poucos meses antes da eleição presidencial, substituído, como candidato, por elemento importante na infraestrutura política coordenada por George Soros, cria alguma dificuldade eleitoral para a presidenta Rousseff, que Washington, sem dúvida possível, vê como adversária.nas finanças globaisdesde a segundaguerra mundial,poder abalado pelacrise de 2007-2008![]() Os BRICs se transformaram no terror para os Estados Unidos que se fragilizaram barbaramente na bancarrota capitalista de 2007-2008. Temem o Banco dos BRICs, criado no Brasil, pois será a ponta de lança de novo sistema monetário internacional, a fim de estabilizar a economia mundial abalada pelas incertezas do dólar, dadas pela excessiva dívida americana, que ameaça geral os poupadores do mundo. Os EUA e Soros pesquisam já há muito tempo várias vias para invadir e desmontar, por dentro, o grupo das nações BRICS.A tentativa de Soros-CIA para pôr na presidência da China um homem como Bo Xilai foi neutralizada, porque os chineses conseguiram capturá-lo e condená-lo por corrupção, antes. Com Rússia e África do Sul absolutamente inacessíveis para esse tipo de ardil, restam Índia e Brasil, como alvos dos esforços da CIA e de Soros para fazer rachar e desmontar o grupo BRICS.Embora o governo do direitista Narendra Modi, na Índia, esteja apenas começando, há sinais de que pode vir a ser a cunha de que os EUA precisam para desarticular os BRICS.Por exemplo, a nova ministra de Relações Exteriores da Índia, Sushma Swaraj, é conhecida como empenhada e muito comprometida aliada de Israel. No Brasil, hoje governado por Rousseff, a melhor oportunidade para infiltrar no governo um dos ‘seus’ parece ser, aos olhos da CIA e Soros, a eleição de Marina Silva.Seria como um ‘cavalo de Troia’ infiltrado no comando de um dos países do grupo BRICS, em posição para atacar por dentro aquele bloco econômico, mais importante a cada dia. A queda do avião que matou Eduardo Campos ajudou a empurrar para muito mais perto do Palácio da Alvorada, em Brasília, uma agente-operadora dos grupos financiados por George Soros.Wayne Madsen, Strategic Culture(traduzido).. |












Esse Wayne Madsen também diz que Obama esconde ser gay e que 11 de setembro foi coisa da CIA. E apresenta como única prova da ligação Marina-Soros o fato de que é elogiada por ONG ligada ao magnata (por sua ação na Amazônia _ até recentemente elogiada até por Lula) e usa “palavras-senha da propaganda das organizações de Soros: “sociedade sustentável”, “sociedade do conhecimento” e “diversidade”.” A prova de que a CIA derrubou o avião de Campos é porque já fez atentados na America latina antes. A prova de que interfere nas eleições é porque Armínio já foi seu empregado (fato público e notório; como se Armínio não tivesse vôo _ neoliberal _ próprio).
Francamente, César, esse artigo todo é de uma maluquice de camisa de força, um insulto à inteligência de quem o lê. E desalentador para os amigos de quem o divulga como se não fosse a cretinice que é.
Sérgio,
Se o Obama é gay ou não, não sei, tem tanta gente que fica dentro do armário… Que a CIA está ou não por trás do 11 de setembro quem sabe? Não se tem prova concreta de quem ou quais personagens ou forças articularam o atentado. É assunto para os historiadores. Bin Laden, o inimigo do império? Mas, antes, ele não era amigo do império? Por que o apagaram, jogando-o no mar? Não seria arquivo vivo, como foi Gregório, guarda costa de Getúlio, assassinado na prisão? As fontes que dão conta de que foi a Al Qaeda a responsável são as dos meios de comunicação manipuladas pelas forças poderosas que ambos conhecemos, ou seja, a grande mídia ocidental, totalmente, carente de credibilidade, dados os interesses concretos que a dirigem. Quem foi, você saberia dizer? O que existe de fato: uma conspiração construída ou a construção de uma conspiração? Shakespeare teria ou não razão ao dizer que há muita coisa entre o céu e a terra antes que a verdade seja dita? Se a CIA já fez atentado na América Latina antes, matando presidentes latino-americanos, por que não faria de novo, se as conveniências, para ela, para quem ela representa, estiverem presentes, reclamando providências nesse sentido? Os casos de assassinatos são tantos… Os golpes de estado se multiplicam e as desestabilizações são permanentes, na América Latina, no Oriente Médio, na Ásia, na África. Seria ocioso embrenhar-se nesse assunto para levantar comprovações da participação da CIA em golpes, atentados, desestabilizações, assassinatos… Para não ir muito longe, pergunto-lhe: e essa espionagem americana em cima de Dilma Rousseff? É ou não coisa da CIA? Merkel agiria radicalmente contra o agente da CIA na Alemanha, se não tivesse sabendo das coisas, para manda-lo sair do país?
Onde está a cretinice de alguém que costura fatos para relacioná-los a mais um acontecimento que permanece totalmente obscurso, como é o caso da queda do avião em que viajava Eduardo Campos, se a caixa preta estava sem registro? Ou os registros foram retirados?
Quanto a Armínio Fraga, bem… Diga-me com quem andas que te direi quem és, não é assim? A relação dele com Soros, sim, é conhecida. Basta ler “George Soros”, uma autobiografia deste megalomaníaco que se considera “Estadista sem Estado”, tendo como arma seu fundo de investimento, o Quantum, por meio do qual se diz habilitado para desestabilizar governos, moedas etc. Armínio recebeu em primeira mão esse livro para ler e analisar, como destaca o próprio Soros no prefácio. O que importa não é a ligação que os dois tiveram – ou ainda têm, muito provavelmente -, mas as lições que são repassadas: “Os fundos especulativos detêm hoje uma soma de poderes superior ao de muitos estados nacionais…”, diz Soros, em outro livro prefaciado por Armínio Fraga. Sentiu, Sérgio, o que a mente dele quer dizer? Marechal da república volátil de George Soros, como diz Lauro Campos, em “O Brasil de bandeja”, Fraga, em parceira com Sérgio Werlang, no Ensaio Econômico nº 203, intitulado “Os Bancos Estaduais e o Descontrole Fiscal, Alguns Aspectos”, traça as lições de Soros para cumprir, no Governo FHC, as determinações do Consenso de Washington, ou seja, a alienação do patrimônio público, em nome de ajuste fiscal, para liquidar dívidas, no compasso do tripé econômico neoliberal etc. Nesse ensaio, Fraga adianta-se na explicação do por que os bancos privados, considerados eficientes, ruíram “fragorosamente”, mostrando-se muito mais incompetentes do que os do que os bancos estaduais. Estes, porém, foram privatizados, para que as dívidas deles fossem transformadas em créditos para os banqueiros usarem no processo de privatização etc. Enfim, Sérgio, maluquice, me parece, é não abrir espaço para as dúvidas em geral, nessa profissão nossa de jornalista, nesse mundo, em que o que se mostra como única verdade verdadeira é a velha e persistente luta de classe. Por que Armínio está de volta? O jornalismo brasileiro devia entrar numa ampla investigação sobre o tema. Mas, o que se vê é louvação nas pregações do ex-funcionário de Soros, amigo de Marina, a rainha da sustentabilidade. Obrigado pelo prestígio da sua leitura,
César
César, Sérgio,
se permitem a este velho escriba imiscuir-se no oportuno debate que deflagraram, ouso começar pela célebre frase de Beaumarchais: “Caluniai, caluniai; alguma coisa sempre fica.”
(Acuso nenhum dos dois de caluniar, muito menos falsear fatos. O alvo é outro, como verão.)
Provoco-os, sem ficar em cima do muro nem querer agradar — muito ao contrário…–, porém polemizar, concordo com ambos e de ambos discordo:
acredito ser dever de jornalista dar sequência a ideias e opiniões que eventualmente interessem ao leitor (César),
e também creio em que se há de ter cuidado ante acusações sem provas (Sérgio).
E aqui a dúvida atroz: quem? decide quanto a suspeitas de falsidade nas informações que nos chegam — o jornalista? (e assim filtrará a notícia conforme seu juízo) ou o leitor? (caso em que tudo será passado adiante, sem julgamento).
Não tenho resposta, certeza alguma, só dúvida e se duvido inclino-me a procurar em cada momento adequado meio termo. Obviamente, não sei se e quando o consigo.
No caso em tela provoco-os, de novo: o artigo de Wayne Madsen (autor que não conheço) parece-me eivado de teorias conspiratórias. As quais entretanto não refuto in limine. Num exemplo conhecido, pareciam teorias que tais as suspeitas de interferência dos Eua no golpe de estado dos generais, empresários e políticos de 1964, depois indubitavelmente comprovadas; costumo acreditar duvidando (ou duvidar acreditando) de coisas assim — no creo em brujerías, pero que las hay, las hay. Ou não… diria Caetano.
E já que de teorias conspiratórias talvez se trate, ofereço-lhes outra:
não seriam as denúncias que desmoralizariam Marina Silva (caluniai, caluniai…), no Brasil considerada sinônimo (até radical, pelo agronegócio) de ambientalismo e desenvolvimento sustentável, não mais que insidiosas manobras para deter-lhe a ascensão, justo pelos adversários dessas teses — quer dizer, pelo fundamental-capitalismo que tem ímpetos de sacar seu revólver à simples menção da palavra “ecologia”?
Como disse, no creo em brujerías mas às vezes parece que bruxas atuam, sim.
Teria mais observações sobre o tema: sobre a aparentemente perversa progressão de Wayne Madsen na intenção (também aparente) de macular a imagem de Marina — um crescendo mediante o qual suspeitas mal-alinhavadas no início transformam-se, ao final, em certeza de comprometimento com o capital financeiro internacional, sem demonstrar a transição; e de outro lado sobre as óbvias tentativas dos fundamentalistas do capital de sabotar a estruturação dos Brics e seu banco de desenvolvimento, óbvia ameaça ao pensamento único do tal consenso do Washington e a fmis, birds…
Mas fica pra outro entrevero, se mais intromissão admitirem em seu proveitoso debate.
Relevem-me a audácia e recebam abraços fraternos.
Caro César,
Parabéns pelo artigo, que nos tira do quadrado para uma reflexão mais ampla. Necessária, principalmente em virtude de fatos tão opacos.
Igualmente, pela resposta equilibrada e abalizada ao temperamental colega.
Forte abraço,
Ricardo.
Meu querido César, a questão é: o texto faz uma série de acusações e os argumentos para apoiá-las são risíveis, no mínimo. É como eu dizer que o César Fonseca apoia os miliares porque já trabalhou num jornal que apoiou a ditadura. Espero mais de ti. Vamos travar um bom debate; se o Armínio é deletério á ditadura, vamos mostar mais do que o simples “ele-é-amigo-do-Soros”. Se marina tem apoio da CIA, mostremos provas, não ilações e argumentos ridículos como “as ONGs que a apoiam usam ‘palavras-chave’ do Soros como ‘sociedade sustentável’ e ‘diversidade'”.
E, por favor, prestigiemos intelectuais de respeito. esse Madsen não é burro. Mas é uma piada.
abração do amigo,
SLeo
Sérgio e César, meus prezados,
A ADEG informa:
Sérgio Léo 7 x Wayne Madsen 1.
Confesso que só me dei ao trabalho de ler o perdedor porque respeito muito o que pensa e o que escreve o vencedor.
César, lamento, mas o Sérgio tá encharcado de razão.
O texto é uma verborréia amalucada, muita pretensão e nenhuma informação.
Mais do que maluco, que às vezes pode ser divertido, o cara é um chato, porque claramente acredita nas tolinhas bobagens que escreve.
Já li muita coisa boa no teu blog, César.
Nunca li nada pior do que isso.
A vida é dura.
Paro por aqui porque não quero gastar o tempo de vocês e o meu com besteiras desse quilate. Chega. Fui.
Um grande abraço aos dois, Sérgio e César.
Caro Sérgio,
Não há, como você diz série de acusações sem provas no texto de Madsen. Portanto, não podem ser taxadas de risíveis, se não existem. Existem, sim, constatações e comprovações. Senão, vejamos:
1- Campos seria candidato sem brilho incapaz de ameaçar Dilma. Isso os analistas brasileiros já estavam dizendo, abertamente, antes de 13.08. Acusação sem provas?
2- Campos, candidato pró-business. Ele se declarava abertamente adepto das soluções pró-mercado: BC independente, tripé econômico, ou seja, neoliberalismo puro, tudo que fracassou na crise capitalista. Marina, sua substituta, assina em baixo. Acusação sem provas?
3- PSB, antigamente partido de esquerda, hoje uma fraude de esquerda, como os partidos trabalhistas europeus, canadense, asiáticos. Acusação sem provas?
4- Já é visível que os EUA tentam desestabilizar Brasíl, Argentina, Venezuela, Bolívia, de orientação nacionalista. Acusação sem provas? O apoio da justiça americana aos abutres dispensa comentários, para mostrar essa tendência que vem de longe. E a espionagem no Planalto, seria ou não tentativa de desestabilização? Prova maior que esta, impossível.
5- Piorou relação Brasil-EUA depois da reunião dos BRICs, com criação de banco de desenvolvimento. Acusação sem provas ou constatação clara e insofismável?
6- Dilma era imbatível até 13 de agosto. Acusação sem provas? Certo ou errado?
7- Marina optou por chapa pró-business. Acusação sem prova? Ao lado de Gianetti, neoliberal de posições semelhantes às de Armínio Fraga, Marina representa ou não anseio das forças contrárias à reeleição de Dilma. Isso é acusação ou comprovação?
8- Marina, com as suas posições, agradam ou não os adversários de Dilma, os Estados Unidos, George Soros, o mercado especulador etc, todos dispostos a detoná-la? Acusação sem provas? Ou constatação?
9- Marina, evangélica, é conhecida por ser próxima da infraestrutura da “sociedade civil”, financiada por Soros. Ser conhecida por ser próxima é ser participante, integrante, ativista da “sociedade civil”, financiada por Soros? Ou ela é conhecida por ser distante dessa infraestrutura, considerada persona non grata?
10- Marina tem sido elogiada por grupos ambientalistas patrocinados pelo Instituto Open Society. Ser elogiada é ser comprometida com os propósitos desse instituto? Acusação sem prova? Ou ela tem sido desconsiderada e atacada, por ser contrária às pregações dos grupos ambientalistas? Acusação sem prova ou comprovação sem acusação, como constatação?
11- “Ela sempre teve boas relações com a aristocracia europeia”, diz Madsen, citando, textualmente, Aldo Rebelo. Boas relações significam compromisso formal, compatibilidades etc? Acusação sem provas?
12- Ela comunga com os princípios dos “cristãos sionistas”. Isso é o mesmo que dizer que ela apoia Israel no massacre aos palestinos? Acusação sem provas? Ou a facção religiosa dela ataca os “cristãos sionistas”?
13- Marina, em 1996, foi considerada, pela Foreign Policy intelectual global, recebendo prêmio ambiental Goldman. Significa que ela fecha com os princípios da Foreign Policy ou representa mera constatação de que recebeu o prêmio? Mas, teria recebido essa homenagem se não comungasse com eles?
14- Admitir que a National Transportation Safety Board poderá repassar à CIA informações sobre as investigações que estão sendo feitas no avião em que morreu Eduardo Campos representa acusação sem provas ou trabalhar com hipótese plausível, sabendo das ligações da NTSB com os órgãos de espionagem dos Estados Unidos?
15- Discorrer que a CIA participou de atentados diversos na América Latina para desestabilizar governos e matar presidentes é acusação sem prova ou ressaltar que não se pode desconsiderar que a CIA estará sempre a serviço dos interesses maiores dos EUA voltados ao controle do poder global, a qualquer custo? E as ações recentes da CIA na Síria, na Ucrânia, apoiando neonazistas para chegarem ao poder, o que significa, senão que o mesmo pode acontecer em qualquer outro lugar do mundo, inclusive e principalmente, no Brasil, que, para os EUA, são muito mais importantes, estrategicamente, que Ucrânia e outros.
16- Não seria, também, esquecer o que aconteceu com Allende e Jango? Acusações sem provas ou constatação de que a CIA está aí para o que der e vier, em nome dos interesses de Tio Sam?
17- Colocar sob suspeita inexistência de gravação na caixa preta do avião em que Campos e mais seis morreram é acusação sem prova ou mera constatação, cuja consideração deixa dúvidas e mais dúvidas no ar, especialmente, se relacionar esse acidente com outros de mesmo calibre ou maior acontecidos ao longo da história latino-americana?
18- Dizer que a morte de Campos cria dificuldades para Dilma é uma acusação sem provas? Isso, sim, risível.
19- Dizer que EUA e Soros são contrários aos BRICs e trabalham para dificultar a materialização desse novo organismo internacional que ameaça a estabilidade dos instrumentos institucionais criados em Bretton Woods, em 1944, é acusação sem provas ou comprovação evidente, salientada pelas pessoas bem informadas em todo o mundo?
20- Afirmar que Marina já atrai apoios que desejam detonar Dilma e que esses apoios favorecem interesses dos EUA que têm Dilma como adversária, depois que ela confrontou Obama, depois do episódio da espionagem, bem como incomodou Washington, realizando reunião dos BRICs no Brasil, é dizer que ela é apoiada pela CIA ou desconfiar de que essa possibilidade pode ser real? Acusação sem provas?
21- Afirmar que o acidente de Campos empurra Marina para perto do Planalto, com possibilidade de deslocar Dilma, é uma acusação ou uma confirmação óbvia, sem desconsiderar que fatos semelhantes já aconteceram na América Latina, por artes da CIA e que poderão se repetir, se as circunstâncias contrariarem interesses do poder americano e de poderosos que dão as cartas nas finanças internacionais? Correlacionar fatos é fazer acusação sem provas?
O fato, caro Sérgio, é que o jornalista não existe para, preferencialmente, correr atrás de notícias, quase sempre manipuladas, como cachorro perdigueiro, apenas, sentindo o cheiro delas. Sobretudo, sua função é mais nobre. Ele tem, obrigatoriamente, que analisar as circunstâncias nas quais os fatos – quase sempre para permanecerem muito bem escondidos por quem os fabrica – são produzidos e buscar as conexões necessárias para expô-los, com sensibilidade e inteligência, de modo a se aproximar ao máximo da realidade complexa, em que o dinamismo é dado, essencialmente, pela luta de classes. Lamentavelmente, a mídia, no Brasil, é dominada por uma oligarquia composta de pouco mais de meia dúzia de famílias, atuando na base do oligopólio, rendendo-se ao poder do capital, que domina coisas e pessoas, transformadas estas em coisas. Atuando nela, o jornalista está longe de dispor da liberdade para o seu exercício pleno. Por isso, me parece, causa estranheza e reações irritadas as abordagens de Madsen sobre um fato da vida brasileira, com a liberdade que o jornalista brasileiro não possui, visto que virou escravo de um jornalismo mecanicista, que considera acusação sem prova meras constatações e comprovações decorrentes da análise livre dos fatos.
Abraço,
César
Cesar,
a ofensiva de Putin, de acordo com esse texto abaixo enviado pelo Luis Alberto Moniz Bandeira, que está na frente dos acontecimentos, a partir do seu mirante, na Alemanha, baseia-se no fato de que tem todas as provas de que foi o imperialismo quem derrubou , de fato, o avião malaio, para justificar novas ações contra a Russia. Aqui me recordo de Sergio leo e de Claudio Cunha, pois logo que o avião foi derrubado, toda a mídia capitalista culpou Putin sem qualquer prova, enquanto nós analisamos, pelas circunstâncias, que não tinha cabimento que Putin fizesse aquela besteira e que quem tinha toda a NECESSIDADE POLÍTICA de fazer o ato criminoso, e que costuma fazer isso historicamente, eram os Eua e o imperialismo, e seus comparsas. não importa quem puxou o gatilho. Quem tinha toda a NECESSIDADE POLÍTICA DE REMOVER Eduard Cunha da campanha era o imperialismo, o Soros, os banqueiros nacionais. Não se trata de ter as provas, elas virão com o tempo, como já chegaram no caso do avião malaio e reforçam a decisão corajosa de Putin de entrar com o comboio CALCULANDO politicamente, que o outro lado teria pouca capacidade de reação, apesar desta bobajada de leis internacionais que são sempre espezinhadas a bel prazer do imperialismo
beto
O que significa a decisão dos russos, de introduzir o comboio humanitário em território da Novorrússia
22/8/2014, The Saker, The Vineyard of the Saker
http://vineyardsaker.blogspot.com.br/2014/08/the-significance-of-russian-decision-to.html
Parece que os russos cansaram-se de esperar. Sugiro que todos leiam atentamente a “Declaração sobre Entrega de Ajuda Humanitária no Sul da Ucrânia”, do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, que postei hoje cedo. É documento interessante, porque, além de explicar a decisão russa de pôr a caminho o comboio, é também defesa potencial, para efeitos legais, de ato que a Rússia jamais empreendera antes: violar abertamente a soberania da Ucrânia. Explico-me.
Primeiro, porque o caso da Crimeia foi também “caso especial”. Os russos tinham presença legal na Crimeia e, pela lógica dos russos, a única coisa que os “Homens Armados Vestidos de Verde e Bem Educados” fizeram foi proteger a população local e assegurar que pudessem manifestar a própria vontade, sem coação. Só depois de aquela vontade estar bem expressa, a Rússia aceitou formalmente reincorporar a Crimeia à Federação Russa. Assim, do ponto de vista da lei russa, nenhuma das ações russas na Crimeia incluíram qualquer tipo de violação da soberania ucraniana. Sei perfeitamente que muitos analistas ocidentais não concordarão, mas essa é a posição oficial dos russos. E posições oficiais são importantes, porque dão embasamento legal para argumentar em juízo, legalmente.
Segundo, a ajuda que a Rússia estava dando à Novorrússia foi sempre, até agora, exclusivamente clandestina. E operações clandestinas, não importa a magnitude delas, não dão embasamento legar para argumentar em juízo, legalmente. A posição oficial de Moscou sempre foi de que não apenas não houve absolutamente nenhuma ajuda militar à Novorrússia; nem quando bombas da artilharia Ukie caíram dentro da Rússia, o Kremlin autorizou qualquer retaliação – e mais uma vez em respeito (oficial) à soberania da Ucrânia.
Mas agora não há dúvidas de que os russos escolheram – pensadamente e oficialmente – ignorar Kiev e seguir adiante. Claro que, de fato, na realidade, essa é a coisa logicamente, politicamente e moralmente certa, que tinha de ser feita. Mas em termos legais, não há dúvidas de que é violação da soberania da Ucrânia. De um ponto de vista legal, os Ukies têm direito de deter o comboio na fronteira por mais 10 mil anos, se quiserem; e a Rússia não tem nenhum direito legal de entrar no país. O que me parece que aconteceu hoje foi que os funcionários Ukies nem se deram o trabalho de aparecer no posto de fronteira; o Kremlin, então, simplesmente decidiu “esqueçam os Ukies”; e ordenou que os caminhões avançassem.
Não apenas os russos avançaram, como avançaram sem a Cruz Vermelha, cujo pessoal recusou-se a acompanhar o comboio por conta da falta das garantias que Kiev não deu. A resposta dos russos à ausência das garantias de segurança foi: (a) ordenar que o comboio desarmado avançasse; e (b) declarar explicitamente em documento oficial do Ministério de Relações Exteriores:
“Alertamos contra quaisquer tentativas para desvirtuar essa missão puramente humanitária, que exigiu muito tempo para ser preparada em condições de completa transparência e cooperação com o lado ucraniano e a Cruz Vermelha. Os que só se interessam por continuar a sacrificar vidas humanas às suas próprias ambições e objetivos geopolíticos e que estão agredindo violentamente as normas e princípios da lei humanitária internacional que assumam total responsabilidade pelas consequências de opor tais e tantas provocações contra o comboio de ajuda humanitária.”
Mais uma vez, de um ponto de vista lógico, político e moral, é tudo bem autoevidente, óbvio; mas de um ponto de vista legal, é declaração de que se usará força para defender o comboio ([quem atacar o comboio] que assuma total responsabilidade pelas consequências de opor tais e tantas provocações contra o comboio de ajuda humanitária) dentro do território suposto soberano da Ucrânia.
O principal agente dos EUA em Kiev, Nalivaichenko, entendeu imediatamente e corretamente a declaração dos russos: não só o comboio leva ajuda humanitária muito necessária para Lugansk, como, além disso, deu excelente cobertura legal e política para futuras ações russas dentro da Novorrússia. E quando falo de “ações” não me refiro exclusivamente a ações militares, embora essas também sejam agora clara e oficialmente possíveis. Falo também de ações legais como reconhecer a Novorrússia.
Do ponto de vista deles, Obama, Poroshenko, Nalivaichenko têm absoluta razão para estarem enfurecidos. Por que aposto que o timing, o contexto e o modo como a Rússia moveu-se para dentro da Novorrússia não resultarão em mais sanções ou em consequências políticas. A Rússia declarou agora oficialmente que a soberania nacional Ukie ‘já era’; e a União Europeia dificilmente tomará alguma medida e muito provavelmente não tomará medida alguma significativa contra a declaração dos russos.
Só isso já é, em si, pesadelo que chegue para o Tio Sam.
Mas, além disso, espero que os russos ajam com extrema, total compostura. Seria estupidez se dissessem “ok, agora que já violamos a integridade territorial da Ucrânia e atropelamos a soberania do país, podemos bombardear as forças da Junta e trazer nossos exércitos para cá.” Tenho confiança de que não farão isso. Por hora. Quanto aos russos, a melhor coisa a fazer agora é esperar. Primeiro, porque o comboio é contribuição realmente vital e ajudará muito. Segundo, o comboio virará uma dor de cabeça para os Ukies (bombardear um comboio branco, de ajuda humanitária, não é ação recomendável e não ‘pegará bem’). Terceiro, o comboio ganhará tempo, enquanto a situação vai-se tornando mais clara. E aqui falo, precisamente, do quê?
O plano dos Ukies era apresentar alguma grande “vitória” no domingo, dia 24, quando planejam um desfile da vitória Kiev para celebrar o dia da independência (é, o Banderastão controlado pelos EUA e gerido pelos nazistas celebrará sua “independência”, o que é ao mesmo tempo triste e cômico). Em vez da grande “vitória” só têm a exibir derrotas vergonhosas durante os últimos 5-6 dias. Segundo todos os relatos, os Ukies estão sendo esquartejados e, pela primeira vez, já tiveram de retroceder (ainda que só em nível tático). Aquele comboio em Luganks acrescentará um simbólico “fodam-se!” dirigido à Junta em Kiev. Também exacerbará as tensões dentro da claque que está no poder, com o Setor Direita e Dmitri Iarosh e o crescente movimento de protesto no oeste da Ucrânia.
Resumo da história: sem dúvida é movimento arriscado, acionado pela consciência de que, com Luganks já sem água para beber, Putin tinha de agir. Ainda assim é movimento brilhante, brilhante, absolutamente brilhante, que gerará horrível dor de cabeça para os EUA e seus nazi-fantoches em Kiev.
[assina] The Saker
PS: Ouvi ontem à noite que a Holanda declarou oficialmente que não divulgará a íntegra dos dados de voo e gravadores de vozes do MH17. Assim, a Holanda torna-se cúmplice confessa do encobrimento da operação ‘de falsa bandeira’ comandada pelos EUA e do assassinato dos passageiros do MH17. É horrível, absolutamente inadmissível, e espero que o governo da Malásia não permita que essa ação prossiga. Quanto a Kiev, está também sentada sobre as gravações das comunicações entre a torre de comando em Kiev e o voo MH17. Quanto aos EUA, já sabem de todas as informações, obtidas pela própria inteligência norte-americana. Nas atuais circunstâncias, será que alguém ainda tem alguma dúvida sobre “quem é o criminoso”?
Luis Alberto Moniz Bandeira
Lam-ube <lamb@ube.org.br