Dívida federativa alavanca inflação

O foco da inflação brasileira, assim como o da inflação mundial, está no excesso de endividamento público. Os governos dos países ricos - Estados Unidos, Europa e Japão - resolvem esse problema, no momento, elevando a dívida pública, mas sem pagar mais nenhum juro por ela, desvalorizando-a, vegetativamente, para não dizer que estão dando um calote geral. Enquanto isso, no capitalismo periférico, os governos, como o do Brasil, vai tentando ajambrar soluções que nem os ricos seguem, que é aplicar arrochos fiscais e monetários, sustentando juros positivos, que são a bomba de efeito retardado em face dos elevados endividamentos de Estados, Municipios e União. Se, no capitalismo cêntrico, os governos podem emitir  moeda sem ter lastro real, como é o caso do dólar, que, ainda assim, vai criando incertezas gerais nos outros países, que buscam superar a moeda americana, criando condições para as moedas nacionais se afirmarem entre si nas relações de troca - como buscam fazer os Brics -, no capitalismo periférico, onde as moedas não têm curso global, o jeito é buscar a alternativa mais viável da renegociação dos endividamentos públicos gerais, de modo a equacionar as tensões políticas que vão se acumulando perigosamente, no plano federativo, a exemplo do que rola no Brasil, no momento. A dívida pública é o principal instrumento de combate a inflação no sistema capitalista tocado pela economia monetária, ou seja, pela economia que depende da emissão de papel moeda. Com uma mão, o governo lança na circulação moeda para dinamizar as atividades produtivas e, com a outra, joga papel para enxugar o excesso de oferta monetária, para evitar enchente inflacionária. O governo é, ao mesmo tempo, irrigador e enxugador. Se irriga, tem que enxugar. O enxugamento, porém, depende da capacidade de endividar-se. Por isso, reduzir a dívida tem que ocorrer por meio ou dos cortes neoliberais de gastos públicos ou da renegociação da própria dívida. A primeira solução o mundo está vendo que é problemática, pois para o desenvolvimento e joga a sociedade nas ruas, propensas à revolução política; a segunda solução, o governo americano já está praticando, via expansão da oferta de moeda na circulação, acompanhada de juro negativo. O império americano, por meio dessa providência, já começa a abrir espaço para respirar. Por que a periferia não vai pelo mesmo caminho, sabendo que, no caso brasileiro, faz-se necessário equacionamento no mesmo sentido, por meio da renegociação das dívidas da União, dos Estados e dos Municípios, acumuladas na era neoliberal cuja superação requer não mais soluções neoliberais mas, essencialmente, sociais, voltadas à inserção do maior número de categorias sociais no processo de desenvolvimento, por conta de opções políticas adotadas pelo governo Lula e Dilma para enfrentar a crise global. Se a solução neoliberal não deu certo quando a inserção social ainda não havia acontecdo, com o potencial que veio acontecer, a solução ortodoxa, como pregam os neoliberais, seria a solução. Ou o problema? a situação da redução dos gastos ou da renegociação da própria dívida.
BARACK OBAMA ESTÁ DANDO A DICA PARA DILMA ROUSSEFF E OS EMERGENTES COMBATEREM A INFLAÇÃO: CORTAR JURO PARA NÃO PAGAR OS SERVIÇOS DA DÍVIDA, DESVALORIZAR VEGETATIVAMENTE O ENDIVIDAMENTO PÚBLICO, DE MODO A PERMITIR AO GOVERNO ENDIVIDAR-SE, NOVAMENTE, A FIM DE ELEVAR OS INVESTIMENTOS, PUXANDO A DEMANDA GLOBAL CAPITALISTA, POIS, CASO CONTRÁRIO, SOB O AVANÇO DAS CATEGORIAS SOCIAIS, NO PROCESSO DE DISTRIBUIÇÃO DA RENDA, O PERIGO É A EXPLOSÃO SOCIAL, SE SE PARTIR PARA A SOLUÇÃO NEOLIBERAL. O foco do combate à inflação brasileira, assim como o da inflação mundial, está no excesso de endividamento público. Os governos dos países ricos – Estados Unidos, Europa e Japão – resolvem esse problema, no momento, elevando a dívida pública, mas sem pagar mais nenhum juro por ela, desvalorizando-a, em termos relativos, vegetativos, para não dizer que estão dando um calote geral. Enquanto isso, no capitalismo periférico, os governos, como o do Brasil, vão tentando o impossível, ajambrando soluções que nem os ricos seguem, que é aplicarem, a pedido dos ricos e seus gênios econômicos, arrochos fiscais e monetários, sustentando juros positivos, que são a bomba de efeito retardado em face dos elevados endividamentos de Estados, Municipios e União. Se, no capitalismo cêntrico, os governos podem emitir moeda sem ter lastro real, como é o caso do dólar, que, ainda assim, vai criando incertezas gerais nos outros países, que buscam superar o impasse, lançando  alternativas às trocas comerciais por meio das moedas nacionais –  como tentam os  Brics -, no capitalismo periférico, onde as moedas não têm curso global, o jeito é  renegociação dos endividamentos públicos gerais. Somente assim será possivel equacionar tensões políticas que vão se acumulando perigosamente, no plano federativo, a exemplo do que rola no Brasil, no momento. A dívida pública é o principal instrumento de combate a inflação no sistema capitalista sob economia monetária keynesiana, ou seja, pela economia que depende da emissão de papel moeda. Com uma mão, o governo lança na circulação moeda para dinamizar as atividades produtivas e, com a outra, joga papel para enxugar o excesso de oferta monetária, para evitar enchente inflacionária. O governo é, ao mesmo tempo, irrigador e enxugador. Se irriga, tem que enxugar. O enxugamento, porém, depende da capacidade de endividar-se. Por isso, reduzir a dívida tem que ocorrer por meio ou dos cortes neoliberais de gastos públicos ou da renegociação da própria dívida. A primeira solução o mundo está vendo que é problemática, pois bloqueia o desenvolvimento e joga as classes sociais nas ruas, propensas à revolução política; a segunda solução, o governo americano já está praticando, via expansão da oferta de moeda na circulação, acompanhada de juro negativo. O império americano, por meio dessa providência, já começa a abrir espaço para respirar. Por que a periferia não vai pelo mesmo caminho, sabendo que, no caso brasileiro, faz-se necessário equacionamento no mesmo sentido, por meio da renegociação das dívidas da União, dos Estados e dos Municípios, acumuladas na era neoliberal cuja superação requer não mais soluções neoliberais mas, essencialmente, sociais? A inserção do maior número de categorias sociais no processo de desenvolvimento, por conta de opções políticas adotadas pelos governos Lula e Dilma para enfrentarem a crise global, tornou-se caminho sem volta. Se a solução ortodoxa neoliberal não deu certo, tornando-se problema, ao jogar o mundo no impasse geral, a alternativa, se se quer seguir na democracia, é ampliar a incorporação social por meio da ampliação da distribuição da renda. Voltar atrás, como se tenta na Europa, com o exemplo agudo de Chipre, é apostar na revolução que irá destruir o capitalismo. Obama, que não é besta, passou a impor sacrifícios aos rentistas. Por que Dilma faria diferente, para abrir espaço para Aécio ou para rachar seu próprio governo, viabilizando Eduardo Campos, deixando para eles a decisão de chamar os governadores e prefeitos e acelerar a renegociação do endividamento público geral, preservando o desenvolvimento? Se a presidenta partir para uma grande renegociação, cria, imediatamente,novo clima político no Congresso a seu favor, porque ali estão os representantes legítimos dos estados e municipíos sob democracia representativa. E o principal: as expectativas inflacionárias se esfumaçam, pois, no ambiente da economia monetária, a inflação não é meramente fenômeno monetário, mas, essencialmente, político.

O jogo político da sucessão

está na questão federativa: o

modelo neoliberal inviabilizou

Não se discute o essencial relativamente  às pressões inflacionárias em curso no Brasil atualmente, porque tem sido feita uma leitura, apenas, parcial da estratégia keynesiana recolocada em cena para tentar reanimar a economia nacional e global.

Qual é a jogada?

Keynes considera que a ÚNICA variável econômca verdadeiramente independente sob o capitalismo é a quantidade da oferta de moeda em circulação acionada pelo governo.

Quando ele eleva a oferta de dinheiro produz quatro movimentos simultâneos que alavancam os investimentos: 1 – aumenta os preços; 2 – reduz os salários; 3 – diminui os juros e 4 – perdoa a divida contraída a prazo.

É isso que desperta o espírito animal dos empresários.

Imediatamente, como um milagre, os homens da produção vêem diante de si a eficiência marginal do capital, ou seja, o lucro.

Quem não se arrisca, quando o lucro está diante do próprio nariz?

Tem um porém para esse movimento inflacionário produzido pelo governo em decorrência da sua ação SOBERANA para elevar a oferta de dinheiro, a fim de puxar as atividades produtivas.

É o seguinte: se ele coloca com uma mão esse dinheiro para girar a economia, keynesianamente, precisa, por outro lado, de lançar, com a outra mão, títulos do governo, para enxugar parte da oferta monetária, de modo a enxugar a enchente inflacionária.

O governo é um irrigador e, igualmente, um enxugador de dinheiro.

as economias dos Estados

e dos Municipios, convocados

para transferirem

Nesse sentido, a dívida pública, como ensina o marxista Lauro Campos, em “INFLAÇÃO: UM PROBLEMA METODOLÓGICO – Alem do Estruturalismo Enganado”(Senado Federal, 1999), é puro efeito reflexo da inflação.

A dívida pública cresce no lugar da inflação, dialeticamente.

O que garante a solidez dessa armação macroeconômica keynesiana é a capacidade de endividamento dos governos, como discorre, longamente, Lauro, em “A crise da ideologia keynesiana”, 1980, Ed. Campus, com prefácio de Edmar Bacha, que considera Lauro um inovador do pensamento econômico.

Os mercados financeiros têm que estar confiantes de que os governos terão capacidade de enxugar o excesso de moeda que lançam na circulação capitalista.

Se essa confiança vai para o espaço, adeus capitalismo keynesiano.

A grande crise de 2007-2008, muito mais potente que o crash de 1929, é isso aí.

Os governos já eram em matéria de suportar o endividamento criado por eles mesmos sob a economia monetária, que substituiu o padrão ouro depois da crise de 1929, quando, como disse Keynes, o ouro se transformou em relíquia bárbara.

renda para o tesouro federal,

centralizando o poder,

no qual os

O problema está, portanto, no centro do capitalismo, no maior país que comandou o sistema, depois da segunda guerra mundial, os Estados Unidos, até a implosão geral em 2007-2008.

Quando a dívida americana alcançou os 17 trilhões, Tio Sam broxou geral.

Ele não tem mais força para fazer o que, por exemplo, fez no final dos anos de 1970.

Naquela ocasião, como agora, os deficits americanos bombavam a praça global.

Havia excesso de dólar e seus derivativos – eurodólar, petrodólar, nipodólar etc, etc – pressionando a inflação monetária.

Paul Volcker, poderoso presidente do FED, puxou, em outubro de 1979, a prime rate, de 5% para quase 20%.

Antes, em 1974, quando Washington já percebera que a vaca estava indo para o brejo, descolou o dólar do ouro, deixando a moeda flutuar, dando, consequentemente, um grande beiço na praça.

O grande caloteiro do mundo não foi Sarney, foi Nixon.

banqueiros mandam,

dando ordens para

priorizar o pagamento

A potencia americana aguentou o tranco do juro alto, mas trincou o colosso, deixando, no mercado financeiro, a desconfiança grassar quanto à capacidade do governo de Tio Sam suportar o crescimento de sua dívida, indefinidamente.

O estouro geral de 2007-2008 demonstrou o óbvio.

Não era eterna a capacidade de Tio Sam de impor economia monetária keynesiana.

Desde então, o que ele passou a fazer diante da grande dívida?

Começou a aumentar ela ainda mais, emitindo moeda sem lastro, mas deixou, paulatinamente, de pagar juro aos comprados dos títulos emitidos pelo tesouro.

Por que?

Para não ter a implosão do seu próprio endividamento, cujas consequências, se mantidos juros positivos, seriam hiperinflação exponencial.

Ou seja, minha gente, o governo americano está mostrando como sair da crise: não pagando juro.

Simples.

dos serviços da dívida

pública, a qualquer custo,

tornando impossível o

exercício do papel

da dívida como

Se eleva a dívida, fazendo, como o FED faz, expandindo a oferta de moeda, mas, em contrapartida, deixando de pagar os serviços dela, evidente, estará desvalorizando-a, permanentemente.

O jogo é esse: calotear a dívida, desvalorizando-a, continuamente.

Adam Smith, em “A riqueza das nações”, já dizia: dívida não se paga, (en)rola-se.

Nem isso mais Tio Sam está fazendo.

Cinicamente, ele está dando o calote.

Por conta disso, as empresas americanas que haviam sido exportadas dos Estados Unidos pelo dólar sobrevalorizado, a fim de produzirem barato em outras terras e exportarem de lá para os Estados Unidos, garantindo aos americanos inflação barata, estão retornando à América por meio do movimento inverso da política monetária colocada em prática pelo FED, desvalorizando o dólar por tempo indeterminado.

Faz isso combinando expansão da oferta de moeda com sustentação do juro zero ou negativo, descontada a inflação, de acordo com o modelo de Keynes.

Com o dólar sobrevalorizado, os Estados Unidos bombaram a economia mundial, colocando a inflação na barriga da dívida.

Agora, que a dívida se tornou insuportável, o governo americano está parindo a hiprinflação potencial,  jogando ela no colo dos outros, por meio de um abortivo: juro zero mais expansão de oferta de dinheiro desvalorizado.

É uma forma de renegociar a dívida pública interna, mas colocando o resto do mundo para pagar suas prestações a longuíssimo prazo.

Se esse é o jogo do capitalismo cêntrico para diminuir o endividamento público e evitar implosão inflacionária, por que o capitalismo periféico teria que continuar engolindo a receita que, historicamente, não tem dado certo, se nem os Estados Unidos aceitam adotá-la, como se vê, no momento, em face das brigas partidárias intestinas entre os republicanos e os democratas?

O capitalismo americano está demonstrando, claramente, que o combate à inflação tem que ser feito com o esvaziamento da dívida, para que o governo recupere sua capacidade de continuar endividando-se.

instrumento fundamental

de combate à inflação,

na tarefa de enxugar

a oferta monetária

impulsionada pela ação do

governo de irrigar a

circulação para

puxar a produção.

Destruir a dívida é destruir o capitalismo, porque a dívida é o instrumento que o sistema descobriu para combater a inflação.

Ela é o enxugador do endividamento, o outro lado do perfil governamenal, de ser irrigador.

Sem poder enxugar, não poderá irrigar.

O resto é conversa para boi dormir.

O que tem que fazer a presidenta Dilma Rousseff, senão copiar o que começa a dar certo nos Estados Unidos?

Tanto aqui, como lá, o foco da inflação, hoje, está no endividamento público federal, estadual e municipal.

Tem que reequacionar o endividamento dos Estados e dos Municipios.

Dessa forma, a titular do Planalto não apenas terá condições de abrir espaço para o desenvolvimento, como poderá renovar o apoio político decisivo dos governadores e prefeitos – a base federativa –  a sua reeleição em 2014.

O ambiente político no Legislativo mudaria, porque as tensões dentro dele são produzidas pelas incertezas decorrentes das siutações econômicas dos Estados e Municipios, dos quais são os porta-vozes no Congresso.

Se não fizer isso, se não criar um mecanismo URGENTE de renegociação das dívidas públicas, Dilma abrirá o flanco para a oposição, com Aécio Neves, do PSDB, e rachará o próprio governo, criando condições para sedimentar a candidatura do aliado Eduardo Campos.