02 dez
2012Bebê de Rosemary
Parecer dos Prazeres em 02/12/2012

CARTA ENIGMÁTICA COLHIDA PELA POLÍCIA FEDERAL NUM CESTO DE LIXO DO MINISTÉRIO DA…..- Chefinho, tudo bem, escrevo-lhe para tentar saber três coisas. Primeiro, meu amor, o que aconteceu que não estou mais conseguindo falar contigo? Antes era tão fácil, tão corriqueiro, tinhamos uma relação, assim, tão assim, assim, lembra? Estou intrigada. Há gente querendo nos incompatibilizar, só porque tento ti proteger contra as maledicências e os mal entendidos. Precisamos conversar, mas ficou tão difícil… Parece que vejo uma estrela bem grande brilhando sobre nossas cabeças, desprendendo fios por todos os lados, soltando faíscas. Tive um sonho essa noite, não gostei dessas faiscadinhas que me deram uma sensação total de insegurança. Nunca havia me acontecido esse incômodo. Você precisa ver. Em segundo lugar, pretinho, seguinte: sinto que a insegurança cresce para o meu lado. Sabe como é que é , né. Nessas horas, penso que o mais correto é ir pra o exterior. Tem muita intriga nos ameaçando, nos cercando, é uma coisa louca. Lembra quando consegui um parecer do PP para que o Banco Central liberasse a expatriação daquela grana para o nosso paraíso fiscal predileto? Preciso ser expatriada, mas para ficar numa boa… Me sinto como um animalzinho de estimação enjeitado. Mas, eu tenho minhas armas, cê sabe, né. Se eu acionar aquele meu dispositivo, que você conhece, muito bem, posso… Não se trata de ameaça contra aqueles seus conhecidos que dizem que gostam de você, heim, mas chega uma hora que a casa cai, porque a paciência da gente tem limite, concorda? Por isso, lhe peço, pela última vez, em caráter emergencial, que me faça aquele favor que, entre nós, na confiança total que existe no nosso relacionamento, precisa ser realizado, para o nosso próprio bem. Cê sabe o que estou dizendo. Por fim, quero lhe dizer que sinto saudade, muita saudade, mesmo, mesmo sabendo que o passado me condena, ou melhor, nos condena… Lembra daquele passeio noturno que fizemos em Paris, quando conseguimos ludribriar todo mundo, para conhecer aquelas passagens do romance de Balzac, que lhe falei, no livro “A mulher de 30”? Foram tantas emoções… Agora, só sinto medo. Estou receosa. Há muita maldade nesse mundo, meu bem. Sei que, depois de tudo, ficou muito dificil alimentar ilusões românticas, mas como pedir a um ser humano, falível como sempre fui, que deixe de lado o romantismo? É muito difícil. Contudo, conto, ainda, contigo, para que, num esforço final, me faça aquele favor que lhe pedi. Ele é a minha saída, a nossa saída. Não é uma ameaça, viu, benzinho… Mas, o fato é que eu preciso tanto daquele parecer, lá na Agência. O PP pode resolver esse caso. Faça um esforçozinho para sua, eternamente sua….



