02 nov
2012Arrogância produziu desastre norte-nordestino
Raul Monteiro em 02/11/2012

O Governo levou uma cacetada política federal no Norte e Nordeste nas eleições municipais, porque adotou uma postura excessivamente arrogante e prepotente diante do eleitorado nortista e nordestino. Por ter praticado uma política social desenvolvimentista e distributivista que favoreceu os mais pobres e necessitados, ao mesmo tempo em que fortaleceu o mercado interno nordestino, fazendo, por isso, a festa dos industriais do sul e do sudeste, em plena crise global, o lulo-dilmismo desenvolvimentista petista achou que deveria ter o apoio e a solidaridade irrestritos e obrigatórios de nortistas e nordestinos, expressos em votos. Em vez de irem ao Norte e Nordeste pedir humildemente o apoio dos nordestinos e nortistas, de modo a se fortalecerem, politicamente, Lula e Dilma, ao contrário, atuaram arrogantemente, quase que impondo condicionalidades. Se os nortistas e nordestinos tinham recebido as vantages de uma política social desenvolvimentista-lulista-dilmista-petista, estariam na obrigação de retribuirem esse “favor”, vamos dizer assim, em forma de apoio político eleitoral, especialmente, aos candidatos do PT. A prepotência governista não percebeu, infelizmente, que praticar tal política foi, evidentemente, uma obrigação histórica do governo, e não concessão de um favor governamental ao povo nordestino/nortista. Aliás, num parêntese, foi essa arrogância que conduziu a reação de Rui Falcão, presidente do PT, em relação ao STF, dizendo que provará ao povo brasileiro que o mensalão nunca existiu, desqualificando, dessa forma, a justiça brasileira, o que tem dividido os próprios petistas. Ou seja, insensatez total. Mas, voltando ao assunto desastre político-eleitoral governista no Norte e Nordeste… Atuaram as forças governistas como os velhos coronéis nordestinos: deram um pé de sapato novo ao eleitor, condicionando a entrega do outro pé, se a vitória fosse consagrada nas urnas. As posturas das autoridades governamentais nos palanques nas capitais da região foram lamentáveis. Lula exigiu, em Manaus, o compromisso dos amauaras de derrotarem Artur Virgílio, candidato do PSDB, votando na senadora Grazziotini, do PC do B. Levou pau. Da mesma forma, a presidenta Dilma, em Salvador, foi, extremamente, insensível em relacionar, simbolicamente, ACM Neto, candidato do DEM, fisicamente, baixo(1,66 metros + ou-) com a possibilidade de um governo insignificante, se eleito, isto é, baixinho, pequenininho etc. Pau. Na terra da negritude, sofrida pelo preconceito racista histórico, a presidenta não se ligou que, agindo como agiu, estava dando curso a uma outra forma de preconceito, tão perversa como a referência à cor negra como algo depreciativo, do ponto de vista da qualidade humana, para atuar na sua relação com a realidade, em seu processo de transformação dialética, no plano físico, social e político. Insensibilidade sulista perante à comunidade nordestina. Naturalmente, nem os eleitores de Manaus, nem os de Salvador, aceitaram as exigências de Lula e Dilma. Negaram-se a votar nos candidatos do governo, Pelegrino, na capital baiana, e em Graziottini, na capital amazonense. A reação do Norte e Nordeste, por outro lado, não representou rejeição à política econômica desenvolvimentista lulista-dilmista-petista. Tanto é verdade que os vencedores foram os aliados do governo, em Fortaleza e em Pernanmbuco, do PSB. Não foi, portanto, uma derrota total, mas parcial. Poderia ter sido uma vitória total, se tivesse havido sabedoria nas ações governamentais. A arrogância pagou preço alto. Já nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, beneficiárias, também, da política desenvolvimentista-nacionalista em curso, a vitória governista foi total, como reconhecimento pela opção política socialmente distributiva, desbancando, assim, a hegemonia exercida pela oposição. Nessas regiões, os petistas e aliados ganharam porque foram humildes. Assim, a conclusão que se pode tirar é que, no Norte e no Nordeste, o que faltou, fundamentalmente, foi respeito ao povo. Os nortistas e nordestinos mandaram seu recado: quem avisa amigo é. Na Bahia, como mostra abaixo o lúcido artigo de Raul Monteiro, na Tribuna da Bahia/Política Livre/Pátria Latina, Lula e Dilma tiveram que aprender, finalmente, o que é que a baiana tem: caráter. Amém.(César Fonseca)



