Lula no Itamarati para acelerar integração sul-americana na grande crise capitalista

GRANDE REPERCUSSÃO DA FALA DE LULA AOS EMPRESÁRIOS ARGENTINOS DEMONSTRA QUE ELE É O CARA PARA TOCAR A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA SUL-AMERICANA A PARTIR DO ITAMARATI. Não dá mais para ficar marcando passo. A integração econômica sul-americana urge. A crise mundial, ao contrário, dos otimistas, que tentam vender a solução encaminhada pela bancocracia global, predominante no comando dos governos capitalistas em colapso, está se aprofundando, especialmente, na Europa. Além disso, não se sabe bem o que vai acontecer, depois das eleições americanas. O deficit fiscal dos Estados Unidos é uma bomba atômica, cujo desarme é incognita total. Chegará a hora de os americanos, dominados pelo consumismo e por uma imprensa hedonista, comprometida com os interesses do capital especulativo, acordarem, o que pode pintar de sobressalto, se não houver um grande acordo político no Congresso, pois estarão imbricados os interesses políticos partidários, tanto do Partido Republicano, como do Partido Democrata, seja qual for o vencedor, Obama ou Romney. Nesse contexto em que nem Europa nem Estados Unidos, isoladamente, tem solução para a grande crise que enfrentam, a América do Sul reclama acelerada integração, para salvar do colapso o capital sobreacumulado nas praças ricas onde não consegue mais se realizar, seja na produção , seja na especulação. Na produção, não se realiza porque os ajustamentos fiscais, impostos pelo pensamento bancocrático, impedem o consumo interno; na especulação, igualmente, não consegue se realizar, porque vigora eutanásia do rentista, expressa em  taxa de juro zero ou negativa, mantidas pelos bancos centrais europeu e americano, para evitar estouro do endividamento e perigo de hiperinflação global, se os tesouros nacionais forem para o espaço. Ao mesmo tempo, com a desaceleração européia e americana, a China, afetada nesse ambiente, se volta para dentro, colocando em compasso de espera a América do Sul, acostumada, nos últimos tempos, a depender dos chineses, para consumir suas commodities, cuja elevação dos preços, tanto por conta do consumo chinês, como por efeito das expansões monetárias americanas e européias, tensionam o processo inflacionário sul-americano. Assim, para a América do Sul, resta o que disse ontem à noite Lula, na Argentna, com grande repercussão política. Ao abrir, como convidado especial, o encontro anual do Instituto de Desenvolvimento Empresarial Argentino(IDEA), o ex-presidente pregou união urgente dos empresários brasileiros e argentinos, para atuarem unidos no ambiente econômicamente globalizado, no qual a América do Sul vive um dos ciclos positivos mais importantes na medida em que se transformou numa turbina do crescimento mundial. Governo forte e setor privado sob regulamentação, associados mediante estratégia público-privada, eis o nome do jogo, ressaltou Lula. Destacou El Clarin: “Las empresas argentinas siempre serán muy bienvenidas, los empresarios argentinos y brasileños tienen que construir alianzas”. “Los brasileños no tienen que comprar sólo empresas argentinas, tienen que asociarse con socios argentinos para poder formar empresas juntas y disputarle a las grandes empresas del mundo”. Fundamental, para Lula, é que haja “independencia frente a Estados Unidos y promoción del consumo interno como una forma de preservar el empleo y la industria”. O discurso lulista tende a ganhar grade projeção para acelerar integração econômica sul-americana. O peso político do ex-presidente, por isso,mesmo, deveria ser acompanhado da indicação dele pela presidenta Dilma Rousseff para o Itamarati, a fim de substituir Antônio Patriota, que não está dando conta do recado na Política exterior. Lula, que ganhou projeção internacional como presidente operário brasileiro, teria, em nome da América do Sul – pq não? – condições de ser o grande interlocutor brasileiro no Oriente Médio! As políticas fiscais e monetárias que estão sendo adotadas pelos países sul-americanos, em obediências às necessidades internas, sul-ameicanas, em favor da construção do grande mercado consumidor sul-americano, de modo a abrir grande espaço aos investidores, requer um discurso político sul-americano, cuja ressonância, sob comando de Lula, no Itamarati, contribuiriam para materializar, mais rapidamente, a pregação existente na Constituição brasileira, em favor da latinoamericanização econômica. O jogo é político. A repercussão espetacular da fala de Lula entre os empresário portenhos, em meio a um contexto que reclama urgente acerto de ponteiros da produção e do consumo sul-americanos, acossados pelas políticas monetárias dos países imperialialistas em colapso financeiro, indica, politicamente, a necessidade de um grande líder para puxar essa integração continental. Lula é o cara.

DEMOROU!

Marco Maia desperta tarde

para a reforma política e

tem, agora, que correr

atrás de Joaquim Barbosa

DEVAGAR QUASE PARANDO, O PRESIDENTE DA CÂMARA PISOU NA BOLA, DEMORANDO DEMAIS PARA COLOCAR EM PAUTA A REFORMA POLÍTICA, AGORA, ALAVANCADA PELO FUTURO PRESIDENTE DO STF, JOAQUIM BARBOSA. O deputado Marco Maia(PT-RS), presidente da Câmara, está se revelou um cara devagar, diante do processo do mensalão, que coloca em questão o julgamento moral da classe política brasileira, cuja honorabilidade e crédito popular entraram em crise no jogo econômico noeliberal sob o qual o Brasil se afundou, depois do nascimento da Nova República, a partir da qual os representantes do povo, no parlamento, se subordinaram aos interesses, não dos eleitores, mas dos banqueiros e dos grandes empresários, responsáveis por bancar suas candidadutras, por intermédio de caixas dois eleitorrais, condenados, agora, pela Supremo Tribunal Federal, como prática indisfarsável de corrupção. O presidencialismo de coalizão, tocado por medidas provisórias, cujas aprovações exigem manobras corruptas, de modo a sustentar governabilidade eternamente provisória, demonstrou ser a raíz da corrupção a reclamar, dos líderes, urgente reformulação das regras político eleitorais. Caso contrário, o descrédito da categoria, perante eleitores e eleitoras, tende a aumentar, abrindo, evidentemente, espaço para a judicialização da política. Isso, aliás, tente a intensificar-se, diante da disposição do futuro presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, de, após tomar posse, acelerar contatos com a presidenta Dilma Rousseff, a fim de tocar a reforma política. Marco Maia, sentindo-se atingido, declarou que esse assunto não é nem da alçada da presidenta nem do futuro presidente do STF, mas do Legislativo. Porém, cadê a proposta do Legislativo, que, no contexto do presidencialismo de coalizão, perdeu a personalidade, deixando de cumprir suas atribuições constitucionais essenciais, expressas na apresentação, discussão e aprovação de projetos de leis, em vez de se renderem, vergonhosamente, às medidas provisórias, em meio às quais emergem as negociações espúrias, ao largo do interesse popular? O legislativo está na armadilha dos agiotas da bancocracia e dos banqueiros do bicho, como demonstram os desobramentos da CPI do Cachoeira. O deputado Marco Maia está  encerrando seu mandato e, durante esses dois anos de comando da Câmara, apenas, enrolou a reforma política, tocando tópicos marginais, sem cuidar do essencial. O fundamental é o que foi feito na Argentina, pela presidenta Kirchner, com quem Lula, ontem, se reuniu em Buenos Aires. Trata-se de votar, em meio à mobilização popular – algo bem distante do que ocorre sob  o reinado político das medidas provisórias, instrumento que está acabando com a democracia representantiva – projeto que convoca eleições primárias abertas, obrigatórias e simultâneas para a eleição dos candidatos a presidente, vice-presidente, deputados, senadores e prefeitos do país. O negócio é promover o poder comunitário. Por essa via amplamente democrática, participativa, os candidatos saem da avaliação da comunidade sem mácula, totalmente, ficha limpa, porque, nesse contexto, ficha suja não tem vez. Falta, agora, é coragem e determinação da classe política brasileira, que ficou de braços cruzados ao longo das duas últimas décadas de história neorepublicana, período durante o qual predominou amplamente o neoliberalismo econômico que aprisionou o Congresso nacional, colocando-o a serviço dos banqueiros, para dar cumprimento às determinações da cláusula pétrea expressa no artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra B, da Constituição de 88, cujas consequências foram barrar a construção da infraestrutura nacional – material e espiritual -, para garantir o pagamento dos serviços da dívida, a ferro e fogo. Chegou a hora da ampliação do poder popular por meio de reforma política para que no Congresso cheguem os representantes embuídos de novos compromissos, não com aqueles que subjugam a sociedade, mas com os que demandam os recursos para que sejam atendidos, realmente, os interesses populares.             Que o próximo presidente da Câmara coloque em cena os verdadeiros projetos que confiram prioridade às demandas populares, não as do dinheiro da corrupção. A classe política está em débito alto com a sociedade.

4 respostas para “Lula no Itamarati para acelerar integração sul-americana na grande crise capitalista”

  1. Para enfrentar essa crise é urgente avançar com a proposta de Nova Arquitetura Financeira para a região. O projeto já foi aprovado nos parlamentos de 5 países latinoamericanos e no caso do Brasil nem saiu do Itamarati desde 2007!
    De fato é urgente o debate, mas a prática tem que acompanhar os discursos.

  2. Cesar,
    Objetivamente, você tocou em dois pontos delicados. É um absurdo a política ser moralizada a partir da Justiça, que intervém , ao mesmo tempo, no Executivo e no Legislativo. O dep Marcos Maia foi uma figura anômica: nao deixará saudade, nem sequer uma contribuição. Apenas cumpriu o dever, ou o Regimento, legando para a Política a jurisprudência do Supremo.
    Quando ao Lula ser ministro das Relações Exteriores, achei a idéia simplesmente brilhante. Porquê nao? Desde evidentemente que tenha um secretário-geral do perfil do atual titular da Pasta. A impressao que se tem é a de que integraçao regional passa hoje primeiro pelo Lula, e nao pelo Chavez. De alguma forma, precisamos ir em busca da nossa americanidade.
    Abraços, e parabéns. Aylê

  3. Estimado Cesar Fonseca

    Estou totalmente de acordo com sua proposta para indicar a Lula como ministro do exterior. Proponho abrir um manifesto assinado por personalidades e autoridades políticas, intelectuais, empresariais, esportivas, etc apoiando a proposta a partir do seu artigo.
    Abraços

    Theotonio Dos Santos

  4. essa campanha proposta pelo professor Theotonio deve ir adiante. Lula é o maior político sul-americano. Tem credenciais suficientes. Está sintonizadíssimo com o avanço político no continente e possui prestígio internacional. Dilma teria muito a ganhar, pois Lula fortaleceria muito seu governo. Parabéns por essa proposta.

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