
RENEGADO DE MARX CONDECORADO NA MECA DO CAPITALISMO EM COLAPSO. Ao receber o Prêmio Klunge, nos Estados Unidos, faturando uma grana boa de 1 milhão de dólares, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deitou falação contra o ex-presidente Lula de que não fez as reformas econômicas que ele iniciou razão pela qual o país hoje padece com setor industrial sem competitividade , ameaçado de entrar em parafuso na grande crise global em curso. As recomendações fernandinas, certamente, são aquelas que agradam aos ouvidos dos banqueiros que detestam os governos petistas, no poder há três gestões presidenciais, porque se embrenharam no rumo do nacionalismo cujo avanço só se dá mediante visão social mais aguda, melhor distribuição da renda, aposta no mercado interno, na valorização dos salários, nos aumentos dos gastos do governo, ou seja, tudo o que FHC não fez, elevando as debilidades econômicas nacionais, enquanto governou, provocando a ida do Brasil, três vezes, ao FMI, pedindo socorro por conta dos ajustes cambiais e fiscais que implementou, sustentando populismo cambial favorável à bancocracia promotora da agiotagem, na tarefa de escravizar a sociedade por meio do capital especulativo. As recomendações do ex-presidente tucano são as mesmas que colocam em prática o atual governo espanhol, sob orientação dos credores, cujas consequências são - como se viu nessa semana - as massas nas ruas, revoltadas, predispostas às lutas políticas, que sinalizam conflitos sangrentos, quanto mais o poder de compra dos trabalhadores se esvaem, para que as taxas de lucros dos credores das dívidas dos governos se mantenham constantes ou em ascensão, sob neoliberalismo em colapso, responsável por manter o sistema capitalista em processo de desaceleração. FHC está na contramão do mundo posando de moderno, quando as sugestões dos mais lúcidos e moderados são as de que sem maiores intervenções dos governos na coordenação das políticas monetárias, fiscais e creditícias, bem como regulamentação do mercado financeiro especulador, a situação pode ir para o buraco, onde se encontram as sugestões favoráveis à liberdade dos mercados, como saída ilusória para a melhor alocação de recursos. Papo furadíssimo.
A presidenta Dilma Rousseff
corre o risco de enfrentar
FHC ganhou mais um prêmio internacional para laurear ainda mais a sua capacidade intelectual que foi colocada a serviço do capitalismo depois que ele resolveu rasgar o que escreveu sobre o marxismo que lhe deu a sustentação argumentativa para escrever a tese que até hoje faz a sua fama: as raízes da dependencia latino-americana.
Vem, agora, o ex-presidente destacar que Lula afundou o país nas incertezas porque não completou as reformas que ele , FHC, começou, na sua sofreguidão neoliberal.
Tal sofreguidão foi tão intensa que levou o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, um dos braços neoliberais do ex-presidente, a implementar política de sobrevalorização cambial que em determinado momento configurou um dólar tão barato que a sugestão dele, claramente, exposta, foi a de que os industriais brasileiros tinham uma ótima opção, a de transferir suas indústrias para a Bolívia.
O jogo era o de destruir o parque industrial sob o argumento de que o país não precisava de indústria, pois poderia importar tudo muito barato para combater a hiperinflação, provocada não internamente mas de dentro para fora, a partir da crise monetária, dos anos de 1980, desencadeada pelo governo dos Estados Unidos, ao elevar a taxa de juro americana de 5% para quase 20%, em nome da recuperação do dólar afetado pelos deficits de Tio Sam, decorrentes das emissões monetárias destinadas a irrigar a circulação mundial para salvar as economias européias e japonesas, no pós guerra, de modo a evitar que fossem engolidas pelo socialismo soviético.
grandes dificuldades nos
próximos meses, se não
O crédito para os países capitalistas periféricos foi cortado violentamente e, sem tal oxigênio, a inflação fugiu de controle, detonando taxa de juro explosiva, impactante sobre a produção e o consumo, levando-os ao colapso.
O garrote do crédito foi estabelecido pelos credores internacionais sob as condições que eles mesmos impuseram em forma de privatizações das empresas estatais, dos bancos estaduais, das metas fiscais, cambiais e monetárias altamente restritivas que encolheram forçadamente as atividades produtivas em nome da economia de gastos, necessária para o pagamento dos juros da dívida pública interna e externa etc.
FHC – com sua equipe de neoliberais, Gustavo Franco, Pedro Malan, Edmar Bacha, André Lara Resende, Pérsio Arida, Armínio Fraga, que , hoje, pontifica nos conselhos de administração dos grandes bancos ou administra fundos associados aos especuladores internacionais, alavancando negócios especulativos a torto e a direito – rendeu-se, totalmente, às determinações do Consenso de Washington, encarregado de administrar o capitalismo periférico, transferindo para ele, em forma de arrochos gerais, as desestruturações causadas pela crise que os próprios Estados Unidos criaram.
Não dá para não citar Marx, renegado por FHC, que diz, muito acertadamente, que as crises nascem no capitalismo cêntrico que as transfere para a periferia, encarregada de suportá-la, com todos os seus ônus, possíveis e imagináveis.
iniciar recomposição das
dívidas governamentais que
Os Estados Unidos tinham, na Era FHC, fôlego que, hoje, na crise desencadeada por eles, em 2008, não têm mais, devido ao excesso de endividamento público americano.
Naqueles anos, 1980, 1990, 2000, a tática era conhecida: Washington, para puxar a demanda global, encharcava a circulação mundial de dólares – que se transformavam em derivativos expressos em eurodólares, petrodólares, nipodólares, narcodólares etc, etc – e quando o deficit sinalizava tensões fiscais, elevava a taxa de juros, para enxugar parte da oferta monetária, a fim de evitar enchente inflacionária.
Na sequência, transferia o prejuízo para os outros, devedores em dólares, que, diante dos juros altos, se enforcavam etc.
As dívidas internas dos países capitalistas periféricos são, portanto, dividas externas internalizadas.
O que seria das dívidas externas dos países devedores se não fossem convertidas pelas moedas locais, no momento em que a taxa de juro americana está perto de zero ou negativa porque Washington não tem mais gás para enxugar o excesso de moeda que lançou na circulação global?
exigem quase 50% do orçamento
para serem pagas, enquanto
Por ai se percebe que se o remédio do governo americano é o de conter o seu endividamento via sustentação de juro zero ou negativo, a saída, para a periferia capitalista, que converteu sua dívida em dólar para moeda local, seria, igualmente, a de zerar a taxa de juro, para, da mesma forma, evitar que a dívida continue crescendo.
O jogo do endividamento potencializado na Era FHC, cujas consequências se fazem sentir até hoje, é isso aí, ou seja, subordinação a Washington, em forma de sustentação de juro alto, para atrair capital especulativo , a fim de, com ele, pagar as importações baratas, fazendo concorrência desleal com a produção industrial nacional, que, submetida ao câmbio livre, teria, mesmo, como sugeriu Gustavo Franco, que transferir-se para a Bolívia.
FHC, sem dúvida, fez uma reforma nacionalista importante, para alavancar o setor rural.
Ao determinar que 25% dos depósitos à vista dos bancos fossem canalizados para a agricultura, a juros de 8,5% ao ano, criou as bases do agronegócio, que hoje representa a pujança econômica nacional.
A produção de alimentos cresceria fortemente e o Brasil não apenas seria autosuficiente internamente na produção alimentar como se transformaria também em grande exportador.
faltam recursos para a educação,
saúde, segurança, infraestrutura,
Como, no entanto, não trabalhou, nessa mesma linha, em relação à indústria de transformação, deixando-a ao sabor do livre mercado especulativo submetido às metas inflacionárias , ao câmbio flutuante e aos juros extorsivos, para combater a hiperinflação, o desequilíbrio econômico se instalou.
O agronegócio haveria de gerar superavits crescentes na balança comercial que trariam resultados ambíguos.
De um lado, pujança agrícola, oferta barata de alimentos, contribuição para o controle da inflação etc.
De outro, porém, excessiva valorização cambial, porque as receitas superavitárias decorrentes das exportações de alimentos não foram utilizadas para incrementar a industrialização, como aconteceu, nos anos de 1930, quando as receitas das exportações de café impulsionaram o setor industrial, a partir de São Paulo, principalmente.
Por que não?
Porque, na Era FHC, a orientação econômica não era, como no tempo de Getúlio, nacionalista, mas neoliberal, entreguista, expressa em política econômica subordinada à orientação do Consenso de Washington, cuja essência era a de abrir a economia a forceps via câmbio sobrevalorizado, de um lado, e sustentação de juro alto, de outro, para que os especuladores mais que triplicassem seus lucros, aplicando na compra dos títulos da dívida pública interna.
eternizando a conjuntura que foi
inaugurada pelos neoliberais que
Como FHC se lixou para consolidação da base industrial, assim como sustentou uma política de superconcentração da renda nacional, o ápice da sua obra governamental se deu com a convivência da economia com uma taxa básica de juro na casa dos 45%, para remunerar os títulos do governo, potencializando instabilidades cambiais que culminaram com overshottings de forma reiterada, levando o governo a pedir socorro ao FMI por três vezes.
Lula e Dilma, por mais que fizessem, nos anos seguintes, ajustando relativamente os estragos deixados por FHC, que ressuscitaria a inflação no final do seu governo em 2002, diante das fugas de capital, não evitaram que a herança do endividamento continuasse provocando estragos, em meio a uma conjuntura internacional marcada pela força do neoliberalismo, suficientemente, poderoso para conter os impetos econômicos nacionalistas manifestados pelo petismo que havia chegado ao poder.
Em 2012, depois do estouro da financeirização econômica global neoliberalizante de 2008, o quadro é o de uma casa caindo aos pedaços sob os desastres neoliberais, enquanto as propostas nacionalistas, ancoradas em melhor distribuição da renda nacional, continuam encontrando dificuldades.
A superação do desajuste neoliberal não é fácil em meio à resistência de forças políticas reacionárias ao avanço das opções por maior taxa de justiça social, capaz de remover desastres econômicos provocados pela elite concentradora da renda nacional, favorecida pelos juros altos, garroteadores da produção e do consumo, geradores de inadimplências, responsáveis por manter os empresários resistentes aos investimentos, dependentes, em última instância, da demanda estatal.
exigem mais neoliberalismo suicida
contra a estratégia nacionalista
praticada pelos governos petistas
As dificuldades financeiras do Governo Dilma, no entanto, colocam-no diante de opções decisivas.
Com uma dívida pública interna de quase R$ 2 trilhões, ou seja, 50% do PIB, próximo dos R$ 4 trilhões; uma inadimplência de 20% do total do endividamento, como se registrou no primeiro trimestre, girando na casa dos R$ 400 bilhões e com desembolso de 46% dos recursos orçamentários – mais de R$ 700 bilhões – para pagamento de dívidas, amortizações e juros, enquanto faltam recursos para educação, saúde, segurança, infraestrutura em geral, a titular do Planalto terá obrigatoriamente de promover recomposição do endividamento público, capaz de acomodar os antagonismos políticos que se avolumam e que caminham para a superação, exigindo opções políticias fortes.
Quais são as reformas que FHC prega para que a situação se acomode, senão aquelas que o fez ser o bonzinho para os banqueiros, mas que levou o país a uma perigosa insolvência?
As recomendações de FHC são as mesmas dos banqueiros internacionais, nesse momento, para os governos americanos e europeus, ou seja, enxugarem, enxugarem, enxugarem, cortando custos que atingiriam as demandas sociais já parcamente atendidas, como demonstram os números do orçamento, por meio do qual se vê privilégios concedidos aos banqueiros, enquanto os setores sociais reagem com ameaças de greves.
Se Dilma seguisse os conselhos de FHC, as ruas dos grandes centros urbanos se encheriam de grevistas revoltados, a exemplo do que aconteceu, nessa semana, na Espanha, sinalizando tensões políticas crescentes e explosivas.
Prezados, FHC foi tão ruim assim?
Por que Lula continou toda a política econômica e social do FHC?
Inclusive mantendo a equipe econômica dos tucanos, como é o caso do Alexandre Padilha?
Vocês estão acompanhando o crescimento das dívidas internas e externas do Brasil, que o Lula jura que pagou?
As privatizações, o FUNPRESP e a nova reforma do INSS não não neoliberais?
Felicidades.