28 mai
2012Mulheres se rebelam contra capitalismo
Cesar Fonseca em 28/05/2012

O grito feminino brasileiro dado nesse final de semana em várias capitais - federal e estaduais -, de forma simultânea e sincronizada, demonstra a grande articulação política das mulheres em defesa da sua dignidade e da sua essência em si para si por si mesmas, que se negam ser comandadas pela voz masculina, dada, culturalmente, por meio do contrato social, expresso no casamento, pelo qual elas se tornam propriedade exclusiva dos homens. Eis o capitalismo massacrante traduzido na sua originalidade em forma de opressão que as mulheres não suportam mais. Por isso, a histórica Marcha das Vadias é um protesto espetacular contra o regime capitalista que transforma as mulheres em objeto, negando-lhes a condição de sujeito da história, escrava dos homens, cujo destino, na crise do sistema em escala global, na atualidade, é a marginalização da condição em que se encontram, ou seja, alienados pelo próprio processo de trabalho, como essência subjetiva da propriedade privada. Organizando-se em comunidades, as mulheres lançam o seu manifesto: deixam de ser exclusivas de um individuo para serem expressão da comunidade. Nada mais socialista, germe de uma sociedade futura em que o desejo feminino deixa de se abrir para a exclusividade imposta por um contrato para se tornar propriedade de um espírito coletivo, comunitário. Marx, em "Manuscritos Econômicos Filosóficos", promovendo uma configuração animal, contrapondo a propriedade privada geral(comunismo) à propriedade privada(capitalismo) coloca o problema da mulher de forma aterrorizante para os homens, especialmente, os machistas: "O casamento contrapõe-se à comunidade das mulheres, em que a mulher se torna uma propriedade comunitária e comum. Pode afirmar-se que a idéia da COMUNIDADE DE MULHERES é o mistério aberto deste comunismo ainda inteiramente rude e impensado". Prossegue ele, assustando os machos: "Do mesmo modo como a mulher passa do casamento à prostituição universal, também todo o mundo da riqueza(ou seja, do ser objetivo do homem) vai da relação de casamento exclusivo com o proprietário privado para a relação da prostituição universal com a comunidade". Marx pegou pesado. Nada mais resta aos homens que se conformarem em transformar-se em cornos mansos, na medida em que as mulheres assumem o seu maravilhoso papel protagonista de derrubarem o capitalismo, destruindo a sua base fundamental, o contrato de propriedade privada exclusiva, para abrirem a humanidade à propriedade coletiva. Estarão, evidentemente, sob ataque o individualismo, o egoismo, a ganância, o narcisismo, a ambição, o amor próprio exacerbado etc. São os atributos essenciais intrínsecos ao direito de propriedade privada, que promove a alienação do homem no processo de trabalho, inviabilizando a conscientização plena de que a essência subjetiva da propriedade privado é o trabalho humano. Então, vem aí a mulher - o amor universal - e joga o contrato de propriedade no chão e, consequentemente, liberta o homem como ser alienado de sua própria alienação, permitindo que ele tome posse de si mesmo, construindo para si e por si o seu próprio devir. O homem se salva pela mão da mulher. TODO O PODER ÀS VADIAS!
Política vadia

- Não tem jeito de ficar barato. O ex-presidente negou que tenha presssionado o ministro Gilmar Mendes, do STF, a gestionar em favor do adiamento do julgamento do mensalão. Ele considerou inverídica a versão da revista Veja nesse sentido. Mas, a revista publicou que Lula havia proposto uma troca. Se Mendes trabalhasse em favor do pedido lulista de adiar julgamento do mensalção, em troca Mendes não seria molestado pela CPMI do Chachoeira, por conta de aproximação do ministro do Supremo Tribunal Federal com o senador Demóstenes Torres, com o qual se encontrara em Berlim, em confraternização familiar, algo que poderia ter sido cabeludo, se ambos tivessem, mesmo, ido às custas de Cachoeira, em avião fretado(qual a companhia, esse faturamento existiu etc?). Lula ficou indignado, segundo nota oficial. Nota oficial, diga-se, é uma construção mental elaborada com cuidado em circunstâncias explosivas politicamente. Gilmar mentiu? Isso, disse Jobim, não posso dizer. O encontro entre os três é um mistério. Foi casual, foi armado, teve objetivo previamente determinado? Por que a Veja não ouviu Jobim? Por que não consultou Lula, sua assessoria, para checar a fala de Gilmar? Teria medo de que a matéria “caísse”, pois, evidentemente, poderia haver negativas de Jobim e de Lula diante das afirmações de Mendes? Mas, não teria sido mais verdadeiro, mais honesto, colocar em cena as afirmações de pessoas tidas como honradas? Como a honradez pode conviver com a mentira? Por que, somente , um mês depois a notícia, pela boca de Mendes, vem ao ar? O que estaria por trás dessa necessidade de Gilmar em falar , agora? Teria ele falado com seus pares, com o Procurador Geral da República, na tentativa de promover o vazamento, a fim de dispor da oportunidade de ser entrevistado, para cumprir um objetivo inconfessável? A nação está diante de um tratado de versões políticas. Orson Welles teria se inspirado por aqui, para escrever o seu genial “Verdades e Mentiras”, se fosse possível retrocedor o presente ao passado? A imperfeição humana cínica está sem cena em grande estilo. As consequências desatadas pelas declarações de Gilmar Mendes, seriam, sendo elas verdadeiras, altamente negativas para o ex-presidente, politicamente, falando, porque baterão nos olhos, ouvidos e sentidos dos eleitores e eleitoras, no momento em que começa a batalha das eleições municipais. Um presidente acusado de esconder o fato, ou de mentir, ou de fugir da verdade, não contribui, de forma alguma, para fortalecer os seus correligionários. O ex-presidente, por isso, falou, negando Gilmar, para que não ocorresse com a ausência da sua fala o que ele teme ocorra com o julgamento do mensalão, se realizado, antes da eleição: seria, como teria dito, inconveniente para os interesses do Partido dos Trabalhadores, visto que a maioria dos acusados são petistas? Se condenados pelo STF, os efeitos sobre o partido poderiam ser arrasadores. A oposição não esperava por essa tremanda colher de chá. Ela estava – está – sem discurso, enquanto a economia não baquear, se baquear, em razão de aprofundamento da crise mundial, cujas consequências são retrações dos empresários relativamente aos investimentos, fato que poderia colocar em xeque a estratégia desenvolvimentista dilmista, apoiada, maciçamente, no estímulo ao consumo interno, que, caso ocorra o pior, poderia dançar, sem a correspondência do estímulo à produção. Com a barbeiragem geral do ex-presidente em cair em eventual armadilha de Nelson Jobim e Gilmar Mendes, os oposicionistas terão argumentos para desgastar Lula e sua base eleitoral que é , também, a da presidenta Dilma Rousseff. O jogo político eleitoral se antecipa em favor do PSDB e aliados e em desfavor do PT e aliados. Qual seria o comportamento do PMDB, nesse contexto? Aproveitaria ou não o inevitável desgaste do PT e do seu presidente de honra, pego no contrapé de um episódio que coloca em choque os poderes republicanos, por conta de comportamentos políticos pragmáticos que desmentem as formalidades entre estes no exercício de suas funções recíprocas? Os peemedebistas, que anseiam ganhar espaço eleitoral, fazendo com que seus candidatos sejam vitoriosos no máximo de prefeituras, acharão muito bom o desgaste político dos petistas concorrentes nos 5.560 municípios brasileiros. Todos desejarão tirar uma casquinha nos petistas, mediante esse episódio inusitado em meio ao desenrolar da CPMI do Cachoeira, colocando o país diante de novo escândalo político.









ja disse a voce caro amigo:quem nao for filho de deus ta na unha do capeta.