26 mai
2012Escravo da antiética do dinheiro
Cesar Fonseca em 26/05/2012

DINHEIRO NA MÃO É VENDAVAL, É VENDAVAL…. A consciência humana, nesse vale de lágrimas onde desenvolve a civilização capitalista, egoista, gananciosa, orgulhosa, vaidosa, corrupta etc, agora, em bancarrota financeira global, é, totalmente, subordinada e escravizada pelo deus dinheiro, poder sobre coisas e pessoas. De posse dele, o injusto vira justo, o culpado, inocente, o vicioso, virtuoso etc. Graças aos profissionais do direito, sabidamente, competentes, que têm diante de si um manancial de leis articuladas pelos seres humanos, intrinsecamente, imperfeitos, tudo pode acontecer sob uma superestrutura jurídica que determina o perfil de um Estado em que os códigos, como, por exemplo, o penal, se orientam por um jogo de procrastinação de decisões em escalada infinita cujo desfecho, quanto mais dinheiro na jogada, é, invariavelmente, a prescrição dos julgamentos e das penas. Se tem dinheiro, muito dinheiro, no circuito, as manobras protelatórias, ancoradas na legislação, articulada pelos poderosos que determinam os intereses financeiros, garantem a impunidade eterna. Os exemplos se estendem nos países cujo poder tem em sua cúpula elites subordinadas ao capital externo, como é, historicamente, o caso brasileiro, em que as cabeças internas são orientadas pelas cabeças externas, ou seja, os mais poderosos ditam as regras aos seus sócios menores etc. E internamanete, o círculo se repete, na escalada das prioridades submetidas aos critérios estabelecidos por esse valor maior, dado pelo capital. Assim, não importa qual o crime sob julgamento e o seu autor. Se há dinheiro suficiente para irrigar os canais da intermediação dos interesses em jogo, a probabilidade de salvação é sempre maior. Marcio Thomaz Bastos, EX-MINISTRO DA JUSTIÇA, um dos mais prestigiados advogados do Brasil, está, nesse momento, a serviço de um conhecido contraventor, o Carlinhos Cachoeira, abastecedor da classe política - à direita e à esquerda, governo e oposição etc - para eleger fichas sujas que, quando chegam ao poder, obrigam-se a servi-lo, como demonstram os fatos relativamente ao comportamento do senador Demóstenes Torres, falso moralista que enganou o Brasil por um certo tempo. Bastos, com sua sabedoria jurídica, cravou, durante a semana, sua primeira vitória, na audiência da CPMI, em que lançou mão dos instrumentos jurídicos para que o meliante ficasse calado diante dos representantes do povo. Os congressistas foram os bobos da corte diante dos sorrisos irônicos e sarcásticos de Cachoeira e Thomaz. Uma ópera bufa deprimente.







Cesar, parabéns pela abordagem inteligente deste antiética, cada vez mais recorrente.