21 fev
201221 fev
2012
Crime de genocídio, crime contra a humanidade, crime de guerra e crime de agressão. Eis os quatro tipos de crimes que o Tribunal Penal Internacional julga como atributo da sua ação no plano global, para além das fronteiras nacionais. O bárbaro assassinado de Hala Misrati, a jornalista líbia, que resistiu, de armas em punho, na redação da TV estatal da Líbia, aos ataques dos rebeldes líbios, apoiados pela força descomunal da OTAN, teria que ser analisado e julgado pelo TPI, se a grande mídia do ocidente não adotasse dois pesos e duas medidas para defender os seus falsos princípios de liberdade de imprensa. Presa e torturada barbaramente, Misrati não mereceu nem um editorial do New York Times, do Le Monde, do Financial Times, do Globo, do Estado de São Paulo etc, tão ciosos da defesa da liberdade de imprensa, quando os jornalistas que trabalham para as agências ocidentais são atacados. Onde está a isonomia, a independência, a coragem desses veículos informativos? Pregaram a democracia para a Líbia, desde que Kadafi fosse eliminado, mas o que se vê, agora, é o oposto, é a instalação do regime de terror, financiado pelos grupos financeiros e empresariais ocidentais, interessados em assaltar o petróleo, motivo, afinal, para a mobilização de forças que derrubaram o ex-presidente, que resolveu contrariar seus antigos puxa-sacos no Ocidente. Afetadas pela crise global capitalista que as impossibilita garantir a reprodução ampliada do capital especulativo sobreacumulado explosivo para as finanças públicas, as forças imperialistas ocidentais buscaram e construíram um bode expiatório para seus fracassos, Kadafi. Misrati, brava jornalista, foi a vítima de mais essa barbárie praticada pelos protegidos do império, que agora usa a OTAN para dar colorido a uma ação coletiva, visto que, individualmente, as economias outrora poderosas estão financeiramente abaladas pela bancarrota de suas moedas, incapazes de continuarem sendo equivalentes monetários para garantir, sustentavelmente, as relações de trocas globais. Têm que inventar uma agressão externa para justificar as crises internas insolúveis sob o capitalismo.
Falam que Chavez, na Venezuela, e Correa, no Equador, cerceiam a liberdade de imprensa, porque defendem dos ataques golpistas que os seus governos nacionalistas recebem, por contrariarem as diretrizes do império americano. Já o império de Tio Sam manda seus agentes na Líbia matar quem resistia aos ataques à liberdade de informar à população que esta esteve o tempo todo sendo assaltada pela OTAN , apoiando os vendilhoes internos. Por que não há movimento de repúdio nos grandes jornais, nesse instante, contra essa barbárie patrocinada pelos assaltantes do petróleo líbio? Só pode haver uma resposta: esses jornais são os porta-vozes dos asslatantes da soberania da Líbia.