18 fev
2012Revolução ética sai da rua para pular carnaval
Cesar Fonseca em 18/02/2012

- Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido. Tá lá, no livrinho. É isso aí. Os ministros do Supremo Tribunal Federal, na semana do carnaval, pegaram o jeitão da coisa. Ficou aquela reação esdrúxula do ministro tucano Gilmar Mendes de que os juízes não deveriam se render às ruas etc e tal. Por que, não? Felizmente, seu posicionamento ultra-reacionário não emplacou, graças a Deus. Tomaram as ruas as posições da maioria de suas excelências, que se ligaram no parágrafo único do artigo primeiro da Constituição. O povo foi às ruas em favor da lei da ficha limpa. Estava cansado de tantos e tantos abusos, praticados por uma elite política que deixou, pelas maracutaias praticadas ao longo dos anos de impunidade, de merecer o respeito popular. O grito das ruas chegou ao Congresso. A Câmara apoiou com restrições. Pensou que o Senado ia negar fogo, retornando o assunto àquela Casa, onde, como disse o senador Pedro Simon(PMDB-RS), certamente, seria engavetada. Mas, não. Os senadores, com o sentido elevado da ponderão e do respeito à dignidade popular, aprovaram e mandaram ao STF a matéria prima, gestada nas fontes mais limpas do poder, isto é a ira das ruas, para fazer valer a nova ordem. Se cuidem, corruptos! Sua hora de ir ao cadafalso chegou. No compasso da avenida, o voto das massas jorra como água límpa, pronta para beber e renovar a saúde espiritual brasileira. A verdadeira reforma política está começando, sendo colocada na ordem do dia. Não adianta chorar, mal-feitores da vontade popular. Vocês tiveram tempo para se corrigirem. Ficaram até hoje enrolando o meio de campo, fazendo evoluções retardatárias, em vez de conferir dignidade as suas próprias atuações, como representantes do povo. Não deram conta do recado. Desonraram o mandamento da democracia representativa. Tiveram que ser chamados à responsabilidade, duramente. A democracia direta avança celeremente no cenário da avenida em pleno reinado de Momo. Sai a frente!
Demorou, mas pintou

- Os políticos brasileiros, em 500 e poucos anos de história do Brasil, não tiveram o devido carinho materno para com o povo. Sempre enrolaram a galera. Levaram tudo na base do chaveco, do manobriscmo, da desonestidade, da falta de escrúpulo. Acomodaram e se subordinaram ao conceito de governabilidade adulterada pelos interesses individuais, subordinada à corrupção do dinheiro, venderam o Legislativo ao Executivo, que virou um centro de insubordinação contra o espírito federativo, instaurando a centralização política, mãe da corrupção. As alianças, no Congresso, sempre foram feitas e continuam sendo feitas à revelia dos interesses maiores do povo. Cuida-se de preservar as vontadas autoritárias de uma minoria, empenhada em dificultar as ordens constitucionais que determinam sejam o parlamento o local onde a voz da sociedade fala mais alto pormeio do debate e aprovação de leis que funcionem, em vez de ocorrer a rendição total dele às medidas provisórias, voltadas para acomodar o interesse maior que comanda o Congresso, ou seja, a ordem dos banqueiros, para que sejam reagiamente pagos, sem chiadeira, os serviços da dívida pública. Se não for assim, não terá dinheiro da bancocracia para financiar as campanhas políticas, que conduzem o eterno jogo da relação corrupta entre executivo e legislativo no arremedo democrático representativo. A democracia burguesa, que, como disse Napoleão, serve, apenas, abrigar tagarelas que infestam os parlamentos, envolvendo a sociedade em mentiras sem fim, está caindo pelas tabelas, especialmente, nos países ricos, onde o capitalismo entrou em colapso. Consequentemente, tais parlamentos, também, viraram peças de decoração, fazendo tudo que o poder financeiro manda fazer. As consultas burguesas estão proibidas porque o poder burguês faliu. Mas, aí vem a rua e diz não aos fichas sujas! O Brasil dá o exemplo da ficha limpa como pressuposto para chegar aos parlamentos. Nasce o novo tempo brasileiro no momento em que o poder materno conduz a nação, como a mãe menininha do Gantois prepara carinhosamente a filha para lavar a ladeira do Rosário na Bahia. Saravá.
Machismo, fora!

- Êêêêê… Minha Nossa Senhora do Céu! Que poder! Que maravilha! É o voto popular expurgando o ficha suja na avenida em pleno carnaval. O belo artístico é superior ao belo natural porque é a emanação do espírito e o espírito é superior à natureza, como diz Hegel , no seu famoso ensaio sobre a Arte e Estética. A idéia, o conceito, o absoluto, as partes reunidades no todo, é a mulher livre da propriedade do despotismo que a aprisionou, eliminando a sua função de ser usufruto da sociedade, livre da propriedade, para o exercício pleno da beleza, em vez de ser prisioneira do enredo limitado da função freudiana de gerar o fruto que sofrerá a repressão do princípio do prazer, para sofrer a necessidade do desprazer, em nome do progresso, assegurado pela corrupção política dos fichas sujas. Xô! Libertada do despotismo, as mulheres, no retorno do prazer, em detrimento do desprazer de viver, se transformam nas parteiras do mundo novo, totalmente, ético, espíritual, vibrante, alegre, feliz, como expressão do exercíco de uma prostituição universal, com diz Marx, para escândalo dos machos, em Manuscritos Econômicos e Filosóficos. Sai de baixo, machistas!
Vida, morte e renovação

- O patriarca de uma grande família mineira, profudamente amado, extremamente preocupado com o destino dos familiares(falo isso, porque tenho uma irmã casada com o sobrinho dele), Maurício Correia, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, ex-ministro da Justiça, ex-senador, ex-presidente da OAB-DF, advogado de grande destaque na Capital da República, onde fez fortuna, representou, sempre, uma voz ética e posicionou-se como resistente à ditadura militar, nas horas mais dramáticas. Morre, justamente, na semana em que o STF, onde se pontificou, marca posição historicamente relevante, sintonizada com as demandas sociais mais autênticas, capazes de lançar as bases fortes e duradouras de uma nova ética a conduzir o pais para uma reforma política, a fim de abrir as cortinas da nação a um novo tempo, produzido pelo vontade das ruas, removendo os espíritos conservadores. Novos alicerces são fincados pelo povo para solidificar novos conceitos, que exigem passagem, evidenciando que a novidade é a eterna mudança, pois, afinal, tudo muda, só não muda a lei do movimento, segundo a qual tudo muda(Hegel). O destino preparou uma semana fantástica. Passou a ficha limpa no Supremo e uma voz suprema em favor da ficha limpa morre ao som do batuque do carnaval. Ah, vida! Ah, mistério!









