16 fev
2012Desonestidade intelectual do jornal Valor
Cesar Fonseca em 16/02/2012

O prestigiado jornal Valor Econômico oferece, hoje, aos seus leitores uma tremenda enganação – deliberada? Ingênua? Mal intencionada? – quando diz em manchete de primeira página que “Formalização e renda maior aumenta carga tributária”. Ao longo da matéria, nenhum entrevistado discorre sobre o aumento de CARGA tributária, que é diferente de aumento de ARRECADAÇÃO tributária. Não foram elevadas, nos últimos tempos, alíquotas de impostos sobre a renda física e jurídica, o que configuraria aumento de CARGA tributária. Pelo contrário, durante a crise econômica global, o governo tem desonerado as folhas de pagamento, conferido isenções e subsídios, de modo a favorecer movimento anticíclico, capaz de permitir a economia nacional ganhar fôleto, mediante incremento do consumo, favorecido, justamente, pelas medidas econômicas heterodoxas, ao lado da sustentação de uma política redistributiva de renda, cujos efeitos, aí, sim, têm sido aumento não de CARGA tributária , mas de ARRECADAÇÃO tributária. Tal estratégia tem produzido esforço menor para economizar forçadamente recursos para pagar os juros da dívida, em vez de cortar os gastos, como pressionam os banqueiros, trazendo como efeito redução da demanda global e, claro, queda de arrecadação e investimentos. Tenta-se vender que o governo do PT é um tremendo sanguessuga da sociedade, sangrando-a como permanente aumento de CARGA TRIBUTÁRIA, de impostos, confundindo as coisas. Se o que está havendo é aumento de ARRECADAÇÃO, decorrente do aumento relativo da renda, seus efeitos concretos sobre o bolso do contribuinte não são negativos, em forma de aumento de tributos. Se se muda de faixa de renda, paga-se mais porque se ganha mais, o desejo de todos! Trata-se de fato positivo que se expressa em mais ARRECADAÇÃO e mais investimentos, que elevam a demanda global, com maior oferta de empregos, renda, consumo e, mais uma vez, maior ARRECADAÇÃO -e novos investimentos. Ciclo virtuoso. A manchete do mais importante jornal de economia do país é uma tremenda chantagem manipuladora que busca inverter os fatos em vez de informar corretamente o que, de fato, está acontecendo no país: desenvolvimentismo sem aumento de CARGA, mas de ARRECADAÇÃO, que favorece a população, pois traz mais investimentos, emprego, renda etc e tal. O PT está acuado porque quer, porque não tem uma estratégia de comunicação para a sociedade, deixando-se ser levado pelo poder midiático ideologicamente mentiroso.
Rola uma confusão grande entre CARGA tributária e aumento de ARRECADAÇÃO tributária.
Certamente, aumento de carga tributária implica em aumento de alíquotas de impostos; mas, aumento de arrecadação não significa a mesma coisa.
Pode ter, portanto, aumento de arrecadação, sem que haja aumento de carga tributária.
Por acaso, foram majoradas as alíquotas do imposto de renda sobre a pessoa física, nos últimos tempos?
Não vi nem li essa notícia.
Houve, igualmente, aumento de aliquota do imposto de renda sobre a pessoa jurídica? Nesse período, não aconteceu; as alíquotas dos impostos sobre serviços, da mesma forma, aumentaram? Não!
E as alíquotas dos impostos sobre circulação de mercadorias(ICMS), arrecadados pelos estados? E o ISS – Impostos sobre Serviços(ISS), administrados pelos municípios? Também, não.
Imagine se tivessem sido elevadas todas essas alíquotas, no tempo de Lula e de Dilma, que escarcéu teria havido por parte dos partidos de oposição e grande mídia etc!
O PT tentou, durante a Era Lula, aprovar a CPMF e não conseguiu!
Quando aumenta a CARGA tributária, ela reflete sobre os indivíduos; o assalariado, que paga alíquota de 27% chiaria barbaramente; iria para as ruas protestar, porque essa é a forma democrática, quanto mais o tempo vai passando e efetivando o direito de cidadania inscrito na Constituição.
As alíquotas dos impostos sobre a renda das pessoas jurídicas, das empresas, do mesmo jeito, permanecem onde estão.
Não há uma reação conjunta, social, de repúdio ao aumento de CARGA tributária, porque, individualmente, as pessoas não estão sendo afetadas, nem as empresas, sob esse aspecto.
A carga tributária atual é alta? Sim, é alta, porque, durante o predomínio do Consenso de Washington, na Era FHC, ela subiu, enquanto a economia caiu, para dar conta do pagamento dos serviços da dívida.
Naquele momento, rolou, mais ou menos, o que passa a acontecer, agora, na Grécia, ou seja, aperto salarial, quebra de direitos sociais, demissões em massa, centralização do poder e aumento da carga tributária, tudo para pagar os credores.
Manchete mentirosa
Assim, faz-se necessário colocar os pingos nos iiisss.
A manchete do jornal Valor Econômico, nessa quinta feira, é um monumento à enganação, à falsidade: ”Formalização e renda maior aumentam carga tributária”.
De relance, o que fica na mente é que o governo, de sacanagem, aumentou violentamente os impostos, sangrando o bolso do contribuinte.
Mas, não é nada disso; há uma deliberada – ou ingênua? ou mal intencionada? – inversão dos fatos.
Não foi a CARGA tributária que subiu de 32,72% do PIB em 2010 para 33,99% em 2011, “puxada pela alta expressiva dos impostos ligados à renda, responsável por metade do avanço, segundo estimativas do economista Bernard Appy, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e diretor da LCA Consultores”.
Mas, se formos aos argumentos, de forma qualificada, o que se vê?
O próprio economista cuida de explicar o movimento de aumento da entrada de dinheiro nos cofres do governo como produto “de ganhos mais expressivos no rendimento do trabalho e no lucro das companhias”, como acredita, também, que a tendência de maior formalização deve continuar nos próximos anos, especialmente, no mercado de trabalho.
Segue uma tentativa de manipulação das informações, ao ser dito que “o peso dos impostos sobre a renda subiu de 6,02% do PIB em 2010 para 6,65% no ano passado; isso ocorreu tanto nos tributos da pessoa física quanto da pessoa jurídica”.
Mas, teria sido o aumento desse “peso” dado pelo aumento de CARGA tributária ou pela elevação da ARRECADAÇÃO?
CARGA é uma coisa; ARRECADAÇÃO, outra.
Ora, se mais empresas se formalizaram, perante o fisco, e aumentaram os rendimentos do trabalho, por conta dos aumentos dos salários, evidentemente, foram produzidas condições objetivas para o maior ingresso de impostos no tesouro nacional, não porque o governo tenha elevado a CARGA de tributos, mas porque a economia, mais dinâmica, mais acelerada, proporcionou maior circulação de mercadorias e riquezas, sobre as quais, claro, se cobra imposto, elevando ARRECADAÇÃO.
A verdade é que a incidência do imposto está se dando em cima de um bolo maior de riqueza, cujo resultado se expressa no aumento da ARRECADAÇÃO, não porque tenha havido aumento da CARGA tributária.
Appy é didático: “Há mais pessoas pagando imposto, e parte delas muda de faixa de renda”.
Se, por exemplo, o trabalhador, que ganhava R$ 4 mil por mês e pagava sobre esse montante 27% de IR, passa ganhar R$ 5 mil, pagando os mesmos 27% de IR, recolherá mais aos cofres públicos.
Essa realidade se manifesta não porque tenha o trabalhador sido sangrado com mais CARGA tributária, ou uma alíquota maior, mas porque sua renda, simplesmente, subiu.
Não é um fato negativo para o trabalhador que ele pagado mais impostos porque aumentou sua renda, mas, sim, positivo.
Conceitos trocados.

A oposição, que está mais perdida que cego em tiroteio, posa ao lado do impostômetro, que poderia ser chamado de impostura, para mentir para a população que está havendo aumento de CARGA tributária, quando, na verdade, está, sim, ocorrendo fantastico aumento de ARRECADAÇÃO, por conta da opção desenvolvimentista adotada pelos governos Lula e Dilma, apostando no mercado interno como antídoto contra a crise capitalista global que destruiu as economias mais desenvolvidas, nesse momento, prostradas, com seus governos financeiramente falidos, sem condições de sustentar a reprodução ampliada de capital, porque perderam a capacidade de manter ativos os intrumentos que estavam garantindo tal reprodução, como a dívida pública interna, cujo tamanho se transformou em problema, deixando de ser solução. Os tucanos, quando estiveram no poder, sim, elevaram , violentamente , a carga tributária, para atender as pressões do Consenso de Washington, voltadas para minimizar o potencial econômico nacional, de modo a conter o desenvolvimento, tudo para sobrar mais recursos para pagar os banqueiros pelo serviço do endividamento. Posam diante do seu próprio fracassso.










A carga tributária sobre as pessoas físicas tem aumentado devido à omissão na atualização da tabela do imposto de renda. A defasagem já supera 60%, o que significa que trabalhadores que tiveram meros reajustes salariais nos últimos anos, que não significaram aumento de sua capacidade contributiva, passaram a pagar mais imposto de renda.
PARABÉNS , MEU CARO FONSEQUINHA. ´SÓ UM PROFISSIONAL COMO VOCÊ, COMPLETAMENTE INDEPENTE, ÍNTEGRO E CORRETO PODERIA FAZER UMA REPORTAGEM COMO ESTA, DO MAIOR SIGNIFICADO POLÍTICO!
UM ABRAÇO CALOROSO, Henrique Gougon
Se não fosse o Bolsa Família para dar consumo ao povo que não tem o que comer a indústria não teria o que produzir, a agricultura estaria falida, o desemprego aumentaria e o governo não teria o que arrecadar. De nada adiantaria atrasar a o reajuste da tabela do imposto de renda sobre um montante menor para tentar aumentar a arrecadação. Como vai tirar leite de pedra? O país tá comendo mais e arrecadando mais por conta do desenvolvimento e não porque o governo atrasa reajuste da tabela. Lula entra para a história porque deu consumo aos pobres, que faz a festa dos nobres. Mas, certamente, a carga tributária é alta e os juros dificultam a vida dos que trabalham. É preciso resolver isso. Mas, enquanto o governo tiver dando consumo, o empresário corre para atender a demanda. É disso que ele precisa, e o governo, também, para ter mais dinheiro em caixa. Senão, como vai investir? E como o empresário vai viver com governo de caixa vazio?
Ricardo de Figueiredo Caldas
07:58 (3 horas atrás)
para mim
Olá César,
Parabéns pela correção que você faz ao VE. Além de tudo trata-se de postura irresponsável do jornal.
Abraço,
Ricardo de Figueiredo Caldas
Tel.: +55 (61) 2196-8080
Fax: +55 (61) 2196-8082
http://www.telemikro.com.br
Não há desonestidade alguma na reportagem, na minha opinião. O Valor Econômico, o jornalista Sergio Lamucci e a fonte da informação, o economista Bernard Appy, são absolutamente confiáveis. Seria muito interessante que o Cesar Fonseca discutisse o assunto tecnicamente, sem partir de afirmações infundadas. Se o sr. Fonseca realmente lê o Valor Econômico diariamente não poderia fazer afimações como essa. Isso sim é desonestidade.
Se a formalização e a renda maior aumentam a arrecadação, é claro que esse aumento alivia, em vez de aumentar, a carga, que significa sacrifício, peso, etc. Se a arrecadação não aumentasse, seria necessário ao governo elevar as alíquotas, para compensar a queda do nível de arrecadação. Mais carga tributária significa reação governamental à queda de arrecadação, como fator compensatório por tal movimento negativo. Já aumento de arrecadação, por conta de maior consumo, gerado por aumento de renda, por formalização de empresa, minimiza a carga tributária. Carga tributária e arrecadação tributária são inversamente proporcionais, no processo de crescimento da economia.
É o aumento da carga tributária, que sacrifica o povo, ou o aumento da arrecadação, que representa aumento da renda e da formalização, que melhor expressam a face desenvolvimentista nacional nesse início de século 21?
Olha, isso aí é tudo conversa fiada. Governo nunca pensa em diminuir imposto. Só pensa em aumentar. Falar ele fala, mas fazer? Nunca. Nunca vi ocorrer o contrário. Era hora, sim, de diminuir um pouco essa carga, quando a arrecadação aumenta. Mas, imaginar isso é viver sonho de noite de verão que nunca se realiza. Acorda, gente. Dilma, se deixar, tentará subir não só a arrecadação, mas, também, a carga, como tenta, com a CPMF.
Quem é oposição, quem é esquerda e o que é direita?
Não li este artigo todo, nem vou perder meu tempo vendo coisas que nunca nem Deus dará jeito, mas se estivesse lido, garanto que já estaria mais puto.