13 fev
201233 anos de revolução antiimperialista
Beto Almeida em 13/02/2012

O Império não consegue engolir 33 anos de revolução islâmica no Irá que derrubou os marcos da exploração econômica imperialista na cultura persa.Tal libertação proporcionou o avanço científico, tecnológico, social e cultural, numa das mais antigas civilizações da humanidade, cheia de brilho, que resiste ao cerco da indignidade imperial, disposta a fazer de tudo para barrar o avanço da educação, no país, que conquista a tecnologia nuclear, propondo-a à utilização para fins pacíficios, ao mesmo tempo em que visa dominar o petróleo iraniano. As vozes da guerra se acumulam contra o Irão, agora, articuladas pela OTAN, onde se organiza o chamado imperialismo coletivo, pois, isoldamente, cada império, financeiramente, falido, por conta dos excessos de dificits, não tem capacidade de levar adiante suas proposições sinistras. O cerco midiático global tentar demonizar o Irã como perigo para a humandade, como se essa acusação não assentasse, justamente, na cabeça dos próprios agressores, perdidos em meio à crise capitalista contra a qual não tem remédio, pois não dispõem dos efetivos mecanismos de reprodução do capital na escala em que ocorreu até agora, na base da especulação, impulsionada por moeda podre, emitida e sustentada por dívidas que não podem mais ser financiadas. A demonização iraniana é uma fuga do capital que busca bode expiatório para justificar seus fracassos. O problema é que os imperialistas esbarram no apoio popular irrestrito que sustenta a revolução islâmica iraniana. Por isso, os generais da morte vacilam, pois, acima de tudo, tem medo do povo politicamente organizado e mobilizado para defender seus interesses nacionais.
Há 33 anos, num 11 de fevereiro, a Revolução Islâmica sacudia as estruturas retrógadas da sociedade do Irã, derrubava a ditadura pró-imperialista do Xá Reza Pahlevi e, sob a direção do Aiatolá Khomeini, com tremendo apoio popular, constituição de milícias armadas e com a incorporação de mulheres - com chador e tudo - dava início a um período de significativas transformações sócio-econômicas e políticas, apesar de todas as hostilidades, agressões militares, sanções econômicas e manipulação informativa que só comprovam como este processo revolucionário incomoda profundamente o império.
Só com forte apoio popular é possível suportar e vencer o cenário hostil que a Revolução Islâmica teve que enfrentar. As agressões foram de vários tipos. Quando agora em dezembro um avião não tripulado dos EUA, tipo drone, invadiu ilegalmente o espaço aéreo iraniano e foi - com absoluta legitimidade – capturado por meio de uma tecnologia de controle remoto que os norte-americanos não calculavam existir, um simbolismo imenso surgiu diante do Pentágono. Os Eua enviam naves ao espaço sideral, mas não puderam impedir que o controle remoto sobre o drone lhe fosse tomado por aquilo que foi construído em 33 anos de desenvolvimento tecnológico independente.
Ou seja, em três décadas de revolução iraniana, a nação persa adquiriu soberania tecnológica em vários setores, a despeito das agressões e dos boicotes. Ou, exatamente por causa deles, foi obrigada a contar com suas próprias pernas. Hoje, o Irã possui a esmagadora maioria de seus cientistas na idade média de 30 anos, dirigindo projetos de excelência tecnológica, entre as quais, a que lhe confere um dos mais avançados programas espaciais do mundo, estando previsto, ainda para 2012, o lançamento de uma nave tripulada ao espaço sideral.
Analfabetismo, telhadão de vidro
Só para contextualizar um pouco, vale mencionar que o Brasil, denominado a sexta economia do mundo, não tem ainda qualquer previsão para alcançar a maioridade em matéria de tecnologia espacial. Aliás, não há nem mesmo sequer previsão sobre quando eliminará o analfabetismo, o que a Bolívia, a mais frágil economia do continente, já alcançou, sob o comando de um índio que, na infância, vivendo no norte da Argentina, foi condenado como inepto para a leitura e a escrita. Os telhados de vidro mencionados pela Presidenta Dilma em Cuba, analisando com coragem a hipocrisia que cerca o debate sobre direitos humanos, vale também para outras áreas da política, como o desenvolvimento científico-tecnológico.
Praticamente toda a tecnologia da potente indústria petroleira do Irã foi nacionalizada e está sob o comando de 100 por cento de técnicos iranianos, formados nas modernas universidades que se multiplicaram no país como efeito da Revolução Islâmica de 11 de Fevereiro de 1979. Vale relembrar: 70 por cento dos universitários do país são mulheres, quando na Arábia Saudita as mulheres são proibidas de votar, de dirigir automóveis e são punidas com a degola. Mas, a mídia imperial silencia sobre os podres do aliado. Desde a Revolução Islâmica, nenhuma iraniana foi punida com a pena de apedrejamento, apesar de todo o dilúvio de mentiras que se lança sobre Sakhine, cidadã iraniana condenada pelo assassinato do marido - o que é crime em qualquer parte do mundo - mas apresentada ao mundo, cotidianamente, como se tivesse sido condenada ao apedrejamento por adultério.
Dilúvios de mentiras
Os dilúvios de mentiras contra o Irã são cortinas de fumaça para que não sejam desnudados os verdadeiros interesses imperialistas na região: fortalecer Israel a qualquer custo, impedir o desenvolvimento econômico e tecnológico de um país do porte do Irã, com 70 milhões de habitantes, e, por fim, rapinar o petróleo persa, tal como se fez na Líbia, mediante sanguinária ocupação da Otan, com o apoio de uma certa esquerda otanista na Europa.
O progresso do país deve-se fundamentalmente à nacionalização dos setores fundamentais da economia, a começar pelo petróleo, medida adotada ainda sob a direção de Aiatolá Khomeini. Com significativa presença do estado na economia, políticas públicas foram consolidadas nestes 33 anos de Revolução, levando a nação persa à erradicação do analfabetismo, que, na época da ditadura do Xá, alcançava mais de 90 por cento da população. O salto educacional e cultural do Irã neste período é digno de nota. Com a expansão universitária, a multiplicação de centros científicos, o Irã tem hoje indústria própria nos setores de automobilismo, aeronáutica, armamentos, navegação, ferrovias, tratores, setor petroquímico, farmacêutico.
Humanismo e estratégia comunicativa

Na ONU, Ahmadinejad fez a proposta radical: "Energia nuclear para todos! Destruição já de todas as bombas atômicas". Por que os Estados Unidos e seus aliados, como Israel, podem dispor das bombas e os outros, não? E porque não se dispõem a destruir as suas, para que seja dado efetivo sinal à humanidade quanto à sinceridade relativamente à disposição dos impérios para a paz? Não há essa disposição. Ao contrário, o que se vê é a OTAN se organizando para praticar o imperialismo coletivo, espalhando o terror, especialmente, nos países detentores de matérias primas indispensáveis à manufatura produzida nas economias ricas, financeiramente, em colapso, por conta do esgotamento do modelo de reprodução do capital que promoveram até que tudo fosse aos ares, ou seja, a acumulação de riqueza na base da especulação com moeda sem lastro, candidata a apodrecer.









