18 jan
2012Racismo sexual global
Cesar Fonseca em 18/01/2012

- Daniel Echaniz, negro, 31 anos, e Monique Amin, morena clara, cor de jambo, 23 anos, ambos cheios de saúde, beleza e dominados pelo desejo de aparecer, utilizando, para tal, todas as armas disponíveis para o enredo sob o qual estão inseridos, ou seja, o da banalização geral da sexualidade, e, principalmente, sentindo-se em casa, no Programa BBB12, ou melhor, no motel montado pela Globo, dispondo de toda comodidade, luxo, motivações e estímulos psicológicos diretos e indiretos, liberaram seus instintos sexuais, especialmente, depois de tomarem umas e outras, no embalo daquelas músicas eletrônicas horríveis, bem adequadas ao clima de putaria. Ora, o que queria a direção da tevê Globo: que os rapazes e moças, incensados a uma disputa de egos sem limites, motivados pelo dinheiro, sempre o dinheiro, ficassem, como na música de Raul Seixas, parados, bocas abertas, escancaradas, cheias de dentes, esperando a morte chegar? Claro, foram namorar, como dizem os casais aos filhos, ensinando-os como papai e mamãe estão fazendo sexo, para satisfação natural, sustentação do casal e saúde geral da relação matrimonial. A Rede Globo, aparentemente, não gostou do ato total de liberdade dos jovens adultos, cheios de energia e tesão, transando em frente às câmeras , como se não tivessem patrocinando escândalo de repercussão internacional. Levantou-se a tese do estupro. O negro, lobo mau, comeu chapeuzinho vermelho, a ovelhinha branca, inocente, que não obedeceu os conselhos da vovó. Daniel teria molestado sua companheira, forçado a barra e rompido as convenções. Mas, e as imagens, que dizem? Não há luta, não se vê ataques encarniçados, não se evidencia agressividade, motivada pelo desejo do homem de possuir, à força, a mulher, ou vice-versa. Pelo contrário, o que ocorre é o movimento normal dos corpos em acelerada excitação, antes de partirem para suposta deliciosa penetração e, depois, a gostosa lassidão. Normal, minha gente. Levaram os amantes para a delegacia. Ambos negaram ter tido relações sexuais. Praticaram, disseram, apenas, o namoro mais quente, debaixo do edredon, embora, para bom entendedor, as cenas excitantes – exatamente, o que o programa global cuida de criar e estimular – digam tudo, sem precisar de explicações. Diz a direção da emissora que foram recolhidas provas nos lençóis, para averiguações. Quem está mentindo? Depois de fichados pelo delegado, a bem da moral e dos bons costumes, em ambiente que a Globo produz para serem exercitadas a imoralidade e os maus costumes, Daniel, o negro, foi expulso do programa, sem antes a emissora explicar que as imagens completas do affaire sexual não foram apresentadas, exceto para os que compraram o direito de vê-las. Trata-se de um moralismo barato o episódio global, principalmente, porque a relativa insistência na tese do estupro procurou focar o rapaz negro como culpado do que foi, de acordo com o moralismo falso global, uma imoralidade. Na prática, prá valer, o que fica no ar é que se está praticando criminoso racismo sexual, na tentativa de se apontar um culpado diante de uma jovem indefesa, inocente, que teria caído na armadilha de um tarado, não devidamente percebido pelo trabalho de triagem moralista da emissora, em fuga de suas responsabilidades. Tenta o poder global justificar que está a serviço de uma pretensa formulação cultural, quando, na verdade, apresenta ao público puro lixo anti-cultural. É prá isso que o Estado brasileiro libera, de acordo com a legislação, a concessão, para exploração dos programas apelativos, destituídos de qualquer proposta, minimamente, contributiva para o fortalecimento moral, ético e educacional da sociedade brasileira? Quem tinha de ser fichada na delegacia era a Globo!
Direto da Praia do Prado-BA
Cinismo, mesquinharia e racismo, racismo sexual global. O jogo da Globo é manjadíssimo.
Eles passam meses pesquisando os comportamentos mais hedonistas em processo de expansão na sociedade dominada pelo consumismo exacerbado.
Todos estão carecas de saber que a banalização do sexo se torna cada dia mais algo comercial.
Tem que ser faturado ao máximo, porque o poder global precisa sintonizar-se com a onda, ou melhor, ele cria a demanda para o seu produto, a fim de faturar, mas o cálculo pode, às vezes, sair pela culatra.
Quando isso acontece, emerge um monte de explicações estapafúrdias, vagabundas, exorbitantes, incapazes, é claro, de convencer, sequer, uma criança, já que os meninos e meninas estão tão ou mais sabidos que os adultos, mais desprendidos, extrovertidos, autênticos, verdadeiros, liberados dos falsos moralismos pelos quais foram criados pelos pais.
Mas, vamos ao que interessa.
Vem William Bonner, no Jornal Nacional, nessa terça feira, com aquela fleuma de falso moralista, para anunciar que teria havido um estupro no BBB12, promovido com todos os apelos possíveis, sob chancela de patrocínios bilionários.
O participante negro, jovem, bonito, doido para aparecer, como todos os demais que integram aquele circo de mau-gosto, seduzira aquela maravilhosa jovem, morena clara, filha, talvez, da classe média alta, tributária dos mais altos valores da sociedade cínica, fingida, política e culturalmente manipulada.
Gata deveras sensual e provocante, na dela, cumprindo seu papel, sem disfarces, igualmente, disposta, conscientemente, a aparecer, mediante exposição de sua maior vantagem, beleza e sensualidade sem freios.
Depois de uma bebedeira federal, à qual teria faltado, para completar, um pozinho e um baseado, para dar aquele toque de foguetório legal, para soltar todas as amarras, os dois foram para debaixo do macio e cheiroso cobertor de algodão aveludado, supõem os e as telespectadoras, induzidos à total excitação.
Rolou ou não sexo gostoso?
Agitador do lixo anti-cultural

- Tudo pela audiência. Quanto mais pimenta melhor. Mas, ao estimular o clima, os organizadores podem perder o controle dos enredos que buscam armar, porque, afinal, ninguém é de ferro. Bial, um craque da reportagem, passou a ter o seu talento utilizado pela Globo para promover baixarias, a fim de levantar a audiência global, que vai, a cada dia, perdendo poder relativo, visto que a sociedade percebe estar o poder global a serviço dos interesses mais alienantes possíveis, em vez de engajar-se em programação que tivesse por fim uma outra sinalização para o divertimento da juventude que não fosse a promoção do hedonismo narcisista e do consumismo em niveis ilimitados, como necessidade de satisfação essencial dos interesses da emissora, ou seja, potencializar o seu lucro, levantando os instintos sexuais da população, para conquistar telespectadores capazes de serem, claro, alvos dos patrocinadores bilionários, em busca, igualmente, da lucratividade sem fim de suas mercadorias, no contexto de uma economia dominada pelo oligopólio, produtor da crescente corrupção em escala incontrolável. Bial, o agitador do lixo anti-cultural global está como o pinto na imundice total.
Lobo Mau e Chapeuzinho Vermelho, Blake and White, White and Blake, para lá e para cá, mexendo e remexendo, na barraquinha do edredon, sob olhares das câmeras para delícia dos e das assinantes excitados.
William Bonner destaca em manchete, com ares de escândalo, que o belo negro teria molestado a bela clara cor de jambo.
Coitadinha, inocente, estava sendo assediada brabo, sem condições de dizer não ao monstro estuprador, tarado sexual, dominado pela volúpia do desejo, embalado pelas bebidinhas que o programa BBB12 deixa rolar para pintar aquele clima gostoso ao qual se rende aquela rapaziada, doida para aparecer e, evidentemente, para ganhar o prêmio de 1,5 milhão de reais.
Sexo e dinheiro!
Não é uma combinação mais do que integracionista, irresistível, inconscientemente desejada e conscientemente estimulada pela psicologia do BBB12, apresentado por Bial, que não consegue esconder as motivações estruturais e psicológicas do programa?
Não se trata de algo que motiva a turma, dominada pela alienação, a topar, quem sabe, toda e qualquer parada inescrupulosa, digna do mau-caratismo estimulado pela programação global?
Parêntesis: é essa a liberdade que a Globo cuida de estimular em nome da “criatividade”, quando, na verdade, significa pura apelação digna de ser colocada em discussão pela sociedade quanto ao seu conteúdo adequado à educação ética social?
Se se parte para este debate, os cínicos e inescrupulosos gritam que querem cercear a liberdade de imprensa, buscando o exercício da censura etc.
Mas, vamos em frente: aí, diz Bonner, ao lado da bela e competente Patrícia Poeta, que a Globo analisou todas as imagens, não mostradas no horário aberto e livre, e concluiu pela sua indesejada apresentação, retirando Daniel do ar, depois de ambos prestarem depoimentos à polícia.
Dois pesos, duas medidas. O negro dançou.
Cara da alienação global

- Aí estão os novos ídolos do hedonismo nacional narcísico, construídos pela máquina de publicidade global, para serem alvos preferenciais de um público ávido por aventuras excitantes, capazes de revolver os inconscientes coletivos, de modo a gerar motivações permanentes nos patrocinadores bilionários, na tarefa de utilizar a tela da Globo para vender suas manufaturas. O noticiário global tentou esconder o escândalo que a própria programa da emissora insensa sem parar. A postura diante do resultado da obra que se ergue não passa de moralismo barato. A concessão para exploração de tevê no Brasil tem que ser repensada à luz da falta de escrúpulo de uma programação que tem no espírito educativo sua última prioridade, e olhe lá.
Foi uma indecorisidade, sugere o apresentador, como se a Globo fosse inocente, tivesse sido traída pelo comportamento que ela mesma estimula, de forma consciente, para atender o inconsciente insaciável de um público dominado pela mediocridade.
Evidentemente, quem devia ser convocado não deveria ser outra que não a própria Globo, patrocinadora e estimuladora do comportamento que levou os dois jovens ao livre jogo do sexo ao vivo, certamente, para atender uma audiência ávida, claro, por sexo e escândalos.
Se fosse a sociedade mais exigente com a qualidade daquilo que a tevê oferta ao povo já teria acionado na justiça a emissora em nome da moralidade pública etc.
Ressalte-se que o BBB12 foi lançado, agora, em janeiro, quando as famílias estão em férias, nas praias, curtindo o verão e, claro, o BBB12, com toda a avidez possível, para curtirem a diversão e o entretenimento global.
O cinismo deveria ser rasgado.
O oculto não se revela, é claro, mas, o que está por trás da reação moralista global é o sentimento racial.
Um negro transando com uma branca na tela da Globo, como culminância de um processo de promoção geral de entretenimento inescrupuloso, merece ou não um grande debate nacional?
Trata-se ou não de tremendo falso moralismo a decisão da direção da Globo de excluir do programa o negro, em nome da preservação dos bons costumes que a própria emissora cuida de banir, sem contudo, ter condições de esconder suas falsas motivações?
Cuida a Globo, com o noticiário do escândalo, que ela própria induziu, preservar as aparências, demitindo quem ela contratou, por ter se excedido em suas sensualidades, com as quais ela conta para manter em alta a audiêncica.
Eis o cinismo global.
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DESTAQUE PARA UMA OPINIÃO DO SITE UOL
Robervaldisse:
17 de janeiro de 2012 às 15:21
Coloquem homens e mulheres juntos em uma casa,onde tem bebida piscina,e tudo do bom e do melhor o resultado é suruba da grossa,e se juntar o povo que adora ver uma safadeza e um apresentador babaca o resultado é a vergonha que as famílias decentes estão sentindo.
x.x.x.x.x.x..x.x.x.x.

Cabra bom do sertão baiano, Antônio Barreto desancou, pra valer, a mediocridade global exposta pelo apresentador do lixo anti-cultural Pedro Bial.
Autor: Antonio Barreto
Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.
Há muito tempo não vejo/Um programa tão ‘fuleiro’/Produzido pela Globo/Visando Ibope e dinheiro/Que além de alienar/Vai por certo atrofiar/A mente do brasileiro.
Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.
Em frente à televisão
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.
Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.
O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.
Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.
Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.
Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Da muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.
Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.
Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.
A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.
Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.
Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.
Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.
É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.
Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.
A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.
E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.
E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.
E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.
A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.
Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.
Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?
Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal.
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal.
FIM










A mulher estava inconsciente e no outro dia não lembrava sequer se tinha dormido vestida. Fazer sexo com (ou mesmo “bolinar”) uma pessoa inconsciente é, SIM, abuso sexual. Já escrevi dezenas de textos criticando o racismo da Globo e de Ali Kamel, mas este caso, definitivamente, não tem nada a ver com racismo, e sim com violência sexual contra uma mulher.