26 jan
2012Grande exemplo do Império para o mundo: dar calote nos bancos para reduzir dívida e se salvar
Cesar Fonseca em 26/01/2012

- NOS ESTADOS UNIDOS, CACETE NOS BANCOS. Ben Bernamke, presidente do Banco Central dos Estados Unidos manda uma trolha bem grande para os aplicadores nos títulos do governo americano, ENTRE ELES OS EMERGENTES, COMO O BRASIL: juro zero ou negativo ou de no máximo 0,5% até final de 2014. Trata-se, na prática, de uma política deliberada de calote no endividamento público, a fim de reduzir o deficit de modo a sobrar mais recuros para os investimentos. Os banqueiros que adquirem os papéis do governo terão que se contentar com uma remuneração baixíssima como forma de contribuição para o combate à crise que mantém a economia do império em rítmo de banho maria, elevando a taxa de desemprego para a casa dos 9%, dificultando, consequentemente, a possibilidade de Barack Obama garantir seu segundo mandato. Quem disse que o BC americano é antipolítico, neutro, equidistante? Mentira, ele age firme para buscar o crescimento, embora este esteja comprometido pela crise capitalista desencadeada pleo próprio governo em sua política contraditória de estimular a especulação sem freios para criar demanda interna destinada ao consumo. O abuso dessa prática levou os consumidores ao endividamento excessivo, bem como , também, ao governo, fato que leva este, agora, a decretar juro negativo para que a remuneração sobre a dívida seja, igualmente, zero. Enquanto isso, no Brasil, a presidenta Dilma arrocha o orçamento fiscal, apertando a garganta do povo, ao passo que transfere aos especuladores o grosso do sangue popular, a fim de continuar a dança da agiotagem que empobrece a sociedade e coloca em risco as finanças governamentais. Até quando?
O que a presidenta Dilma Rousseff está esperando? Enquanto ela se esforça e se esfola para controlar a taxa de juro real mais alta do mundo, incidente sobre a dívida pública brasileira, e principalmente, aquela que recai sobre o lombo sofrido do povo, no crédito direto ao consumidor, empobrecendo-o, sobremaneira, e enriquecendo, apenas, os agiotas sanguessugas da bolsa popular, eis que o presidente Barack Obama faz justamente o contrário em favor do povo norte-americano, ou seja, mandou, na quarta feira, o Banco Central sustentar a taxa de juro na casa dos zero ou negativa. Com isso, estanca o endividamento governamental, contém o avanço do deficit público, diminui a inflação e abre espaço para investimentos públicos, a fim de tentar vencer a crise, o desemprego e, dessa forma, dispor de chances para conquistar seu segundo mandato presidencial.
Quem aposta nos títulos do governo americano sabe que não ganhará nada, apenas disporá da segurança de que não levará o cano no principal aplicado, deixando de perdê-lo. Combatendo o deficit, mediante juro zero ou negativo, recobre o fôlego governamental. Não apenas reduz a dívida, mas, principalmente, conquista espaço para ampliar os gastos do governo, já que de nada adianta reduzir a zero o custo do dinheiro e a inflação, se a demanda global for jogada no chão.
Quem vai investir, se o consumo por conta da impossibilidade de o governo gastar não reage?
O juro pode ficar abaixo de zero que não adianta nada, se a demanda governamental, dependente da emissão de moeda estatal, não se realiza. É a demanda do governo, como já dizia Keynes, que provoca quatro movimentos capazes de produzir os investimentos, atiçando o espírito animal dos empresários: 1 – eleva os preços, 2 – reduz os salários, 3 – diminui os juros e 4 – perdoa a dívida do investidor contraída a prazo.
Nesse sentido, criam-se as condições para expansão da eficiência marginal do capital, ou seja, o lucro. Desse modo, o empresário, claro, faz a opção pela produção, enquanto renuncia à liquidez, já que vislumbra retorno vantajoso sobre o capital investido, garantido pelo consumo, fomentado pelo gasto governamental.
Valentia contra os fracos

- NO BRASIL, CACETE NO POVO. Guido Mantega estufou o peito para fazer o mesmo gesto de Bernamke, só que em vez de fazer como aquele a opção pelo povo, enquanto sacrifica os credores, o titular da Fazenda brasileiro cuidou de anunciar que, primeiro, é preciso satisfazer a banca, garantir a ela a meta cheia de superavit primário, ou seja, uma economia forçada de cerca de R$ 70 bilhões, somados aos outros R$ 120 bilhões destinados ao pagamento dos juros, de modo a garantir a lucratividade excessiva e recorde dos agiotas que esmagam o consumidor no crediário, enquanto vão impondo ao governo uma carga sobrehumana de endividamento cujas consequências são aumento das tensões inflacionárias, perigo de estouro dos deficits e carência crescente de oferta de serviços de saúde, educação, segurança, lazer, infraestrutura à população, embora diga sua excelencia que estará garantida ao longo do ano a adoção de políticas sociais distributivistas capazes de sustentar o mercado interno, para permitir crescimento de 5% do PIB. Tal meta até pode ser alcançada, mas ao final da jornada, a sociedade poderá estar totalmente esfolada para que sejam satisfeitas as prioridades concedidas aos banqueiros. Afinal, pagar juro extorsivo é a primeira e maior tarefa da política econômica do Governo Dilma.










Caro Cesar!
Ótimo texto. Com uma só vírgula: Eles empurram os títulos do Governo americano para
os babacas EMERGENTES, como Brasil, China e India que os compram,
PERDENDO bilhões com tais APLICAÇÕES a t’tulo de RESERVAS DÓS
FUNDOS SOBERANOS, que, afinal, acabarão zerados. Poderias ver
quanto tempos aplicados nesses ttitulos podres e quantos nos
custam anualmente. Aí vai uma pista , geral , das
transferencias dos EMERGENTES, CASO NÁO TENHA VISTO:
Abraço do Timm, torres-rs #Artigos http://www.paulotimm.com.br
Emergentes transferem US$ 827 bi a ricos
Por Assis Moreira | Valor Econômico
As economias emergentes transferiram US$ 826,6 bilhões para as nações ricas em 2011, numa alta de 25,3% em relação ao ano anterior, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).
Em relatório sobre as perspectivas econômicas globais para 2012, a entidade diz que isso se explica pelo acumulo adicional de US$ 1,1 trilhão em reservas internacionais dos emergentes em 2011, que atualmente totalizam US$ 7 trilhões.
A vasta maioria desse dinheiro continuou a ser aplicada em títulos do Tesouro americano, de baixíssimo rendimento, e em outros títulos de dívida pública. O resultado foi a transferência líquida de recursos financeiros de emergentes para o mundo desenvolvido em crise, como em anos anteriores, só que em ritmo maior dos que o dos últimos dois anos.
A maior transferência foi de países asiáticos, refletindo os saldos comerciais e alta acumulação de reservas, sob a liderança da China. No entanto, no último trimestre de 2011, pela primeira vez em uma década, as reservas da China declinaram US$ 20,5 bilhões, acompanhado a baixa de seu saldo comercial.
Mas Pequim continua a controlar US$ 3,2 trilhões em reserves internacionais, quase o triplo das reservas do Japão, o segundo maior detentor desses recursos. Analistas acham que a queda chinesa foi temporária e as reservas voltarão a subir este ano – a questão é até que ponto os chineses vão diversificar os investimentos em títulos de outros emergentes com expansão robusta e rendimento melhor.
Em 2011, a América Latina transferiu liquidamente cerca de US$ 54 bilhões, mesmo nível do ano anterior, para o mundo desenvolvido. Até os países mais pobres do mundo transferiram dinheiro em termos líquidos para os ricos, cerca de US$ 7 bilhões.
Por outro lado, a ONU calcula que o fluxo de capital privado para os emergentes e economias em desenvolvimento aumentou para US$ 575 bilhões em 2011, comparado a US$ 90 bilhões em 2010 – ou seja, alta de 538,8%.
O maior componente desse fluxo foi de Investimento Direto Estrangeiro (IDE). Foram US$ 429 bilhões, mais de US$ 100 bilhões do que no ano anterior, ilustrando a confiança das empresas na expansão dessas economias. A Ásia recebeu 45% do total, seguido pela América Latina. A expectativa é de que esse fluxo continuará aumentando.
Já o fluxo de portfólios de curto prazo começou a declinar fortemente no segundo semestre, com investidores retirando recursos das ações de emergentes. A ONU calcula que a entrada líquida desse tipo de capital declinou 35%, numa prova de sua volatilidade.
Na verdade, dados atualizados ontem pelo RBC Capital, do Royal Bank of Canadá, estimam que a deterioração moderada do fluxo para portfólio acelerou no terceiro trimestre, e continuou negativo no fim do ano. E o resultado foi a redução de mais de US$ 130 bilhões em 2011, ante os US$ 240 bilhões de fluxo que tinha tomado os rumos dos emergentes nessa categoria em 2010.
Segundo RBC Capital, os países mais severamente afetados foram a Coreia, o Brasil e a República Checa. No Brasil, isso se explica em parte pela taxação no fluxo de capital de curto prazo.
De maneira geral, países que mostraram mais resiliência à saída de capital de curto prazo, como Chile e Colômbia, tiveram menos desvalorização de suas moedas no período, segundo o banco canadense.
Para o próximo ano, tanto os economistas da ONU como os bancos projetam alta volatilidade nos fluxos de capital para os emergentes.