Banqueiros transformam Brasil em Grécia
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Silêncio criminoso da grande mídia
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Eike, candidato da Globo ao Planalto

Cesar Fonseca em 12/01/2012

DENÚNCIAS DE GRANDE TRÁFICO DE INFLUÊNCIA NA PETROBRÁS CRUZAM A MONUMENTAL RIQUEZA DE 50 BILHÕES DE DÓLARES DO NOVO MAGNATA CARIOCA DO PETRÓLEO. A Rede Globo, ao que tudo indica, prepara o seu candidato à presidência da República para 2014. E ele é aquele que mereceu espaço digno de lançamento de campanha publicitária eleitoral no Fantástico, com escalação de uma pompa toda especial. O glamour do genuíno capitalista nacional, que tem a sua fórmula de atuar em 360 graus, analisando todos os ângulos dos seus negócios, que sabe onde quer chegar, que mexe com o inconsciente coletivo, no qual se manifesta o desejo da riqueza na sociedade movida pela ganância, pelo lucro, para afastar a frustração de não ser em si para si por si mesma, devido a séculos de humilhações produzidas por modelo de desenvolvimento econômico e modelo político eleitoral que privilegiam tão somente uma elite eterna, mandonista, que comanda o Estado na base do autoritarismo dado pelo dinheiro e pelo pensamento oligárquico à moda dos Coelho de Pernambucano etc. Mas, eis que surge um super-heroi empreendedor, despreendido, extrovertido, auto-confiante, ousado e audaz para, quem sabe, mudar os paradigmas da política a partir do sucesso econômico-financeiro profissional, individual, exposto em ondas globais em modos fantásticos. O sucesso, a força do ideal, o orgulho de possuir a arte de ganhar dinheiro como se tem o dom da composição artística, da poesia, da sinfonia encantadora, embalada pela vontade de potência, verdadeiramente, nietzscheana, para conquistar o coração dos fracos que se deixam embalar pelo som da auto-ajuda hedonista, carregada da vaidade, da ambição perseverante, obsessiva e, claro, do trabalho sistemático, disciplinado,colocado a serviço do poder de influir e construir a felicidade. No momento em que a oposição não existe, por não ter programa e estar totalmente desmoralizada, desacreditada, rachada e sem rumo, e em que o PT, o dono do poder, senta no banco dos réus do Supremo Tribunal Federal, para ser julgado pelo mensalão, que pode desmoralizá-lo, jogando o Governo Dilma numa crise política e ética profunda, eis que a Globo, cujo patrono, Roberto Marinho, chegou a dizer "Eu sou o poder", joga na cena nacional um nome de alto teor energético para fazer a cabeça da sociedade, a fim de levantar nela o desejo de sonhar em favor de um personagem alternativo, que pode ser a opção para construir futuro radioso para o país, pelas mãos, claro, do capital, em tempos de capitalismo em crise total. Dará certo?

Eike Batista, o homem de 50 bilhões de dólares, construtor de porto marítimo que implica investimento de 40 bilhões de dólares, que tem como símbolo de suas empresas o X, significando multiplicação, grande investidor em minérios, energia, petróleo, as commodities mais valorizadas no contexto da crise mundial, que se considera artista que ganha dinheiro como um compositor faz música, está virando empresário pop star e atua conforme tal, deixando claro seu grande sonho de querer ser reconhecido pelo mais graduado, assim como pelo mais humilde dos brasileiros, como exemplo para o Brasil e para o mundo, conforme declarou em longa e surpreendente reportagem de caráter triunfalista ao Fantástico, conduzida pela repórter Sônia Bridi, tendo ao lado o também repórter Roberto Dávila, autor do livro, em parceria com o empresário poderoso, intitulado “O X da Questão”.

Surpreendente, diríamos, porque soou a quem tem o mínimo de desconfiômetro sobre os verdadeiros propó$itos da grande mídia que a Globo não faz nada de graça, deixando no ar que, no mínimo, está ajudando, decisivamente, a construir uma imagem, um ícone que passou a fazer a cabeça, principalmente, dos mais jovens, os sonhadores, os que desejam erguer seu sonho nas atividades produtivas, na tentativa de construir riqueza, muita riqueza, bem dentro da linha protestante, weberiana, responsável por fazer a cabeça dos americanos, convencendo-os de serem os escolhidos por Deus, como o próprio desejo manifestdo da divinidade superior.

Dá para desconfiar. O trabalho apresentado pela Globo – anunciado com requintes de criação de expectativa, anunciado, no inicío do programa dominical, com chamadas prévias, intermediárias, carregadas do elemento surpresa, para deixar o expectador ansioso, até final da programação, quando então entrou o astro em cena – guarda sabor de lançamento de campanha publicitária milionária de um bilionário fogoso.

Tratou-se de produto midiático poderoso cujo objetivo foi menos o de apresentar notícia jornalística em si, mas o de lançar uma nova mercadoria altamente atrativa, poderosa, aliciante, irresistível, capaz de influenciar pessoas, a fim, claro, de produzir efeitos e prognósticos espetaculares e impactantes, a partir, inicialmente, da importância, excepcional, do personagem, em termos econômicos, financeiros, por enquanto, mas, quem sabe?, amanhã, em termos políticos, que se viabilize, por exemplo, como candidato à presidência da República.

Se o empresário que se diz vaidoso, que faz cirurgia plástica, implante de cabelo, de modo a ficar, aparentemente, nos trinques, mas que, essencialmente, anseia angariar respeito no coração das pessoas, como objetivo fundamental, não seria desproposital lembrar que esse é, igualmente, o desejo que move noventa e nove virgula nove por cento dos políticos que almejam algum dia chegar ao topo do poder.

Emergência do inconsciente nacional?

E nunca, evidentemente, deve ser esquecido o ensinamento de Marx, autor de O Capital, a bíblia que desvenda os mecanismos de multiplicação do dinheiro na circulação capitalista, a partir do desenvolvimento das forças produtivas e das relações sociais da produção, que capital é poder sobre coisas e pessoas.

Da mesma forma, não se pode, também, deixar de lembrar Freud, para quem as palavras servem para esconder o pensamento, de modo que ao destacar que deseja ser reconhecido pelos mais eminentes como, também, pelos mais simples na escala social pode estar querendo dizer que deseja, com o dinheiro, poder sobre coisas e pessoas, comandá-los em nome do desenvolvimento nacional, contribuindo para fazer história, por que não?

O fato é que Eike Batista está no centro dos acontecimentos. Nesta quarta feira, mesmo, anunciou, com grande estardalhaço, a união entre a sua empresa de energia MPX com a empresa elétrica alemã E.ON, visando formar o maior grupo empresarial brasileiro e sul americano, para atuar na América do Sul, inicialmente, no Brasil e no Chile.

Ao mesmo tempo, já se dispondo, na classificação da revista americana Forbes, da condição de oitavo homem mais rico do mundo e o mais rico do Brasil, ele anuncia, como fez, no Fantástico, que será o mais rico do Planeta Terra, em  2015 e 2016!

Será que é apenas confiança no próprio taco, para em tão pouco tempo, se tornar celebridade econômico-financeira global, que produz as declarações do empresário, ou outras forças energéticas poderosas no campo da influência política, compráveis pelo dinheiro, estariam alavancando ele para alturas tão espetaculares?

Rico aos 23 anos de idade, quando ganhou 6 milhões de dólares líquidos como fruto de um investimento de 60 milhões de dólares em minas de ouro na Amazônia, a partir de poupança que acumulou, vendendo seguros, na Alemanha, enquanto estudava Engenharia, Eike, filho do lendário Eliezer Batista, criador na Companhia Vale do Rio Doce, pode, no entanto, enfrentar grandes dores de cabeça que atrapalhariam a realização do sonho que a Globo, parece, tenta construir para ele.

O empresário virou alvo de acusações bombásticas, feitas à Revista Adusp, da Universidade de São Paulo,  pelo professor Ildo Luís Sauer, ex-diretor da Petrobrás, atualmente, diretor do Instituto de Eletotécnica e Energia(IEE-USP),  de que teria feito jogo de influência, na Petrobrás, para conquistar poço de petróleo que lhe assegura 10 bilhões de barris, estimados em 100 bilhões de dólares, alavanca básica do seu sonho de se tornar o homem mais poderoso do mundo, capaz, portanto, levá-lo almejar a Presidência da República, no Brasil.

Privataria petista x privataria tucana

BOMBA, BOMBA, BOMBA. O professor emérito da Universidade de São Paulo, Ildo Sauer, ex-diretor da Petrobrás, integrante do núcleo de inteligência da estatal do petróleo que participou das pesquisas e descobertas do ouro negro na camada do pré-sal, responsável por mudar as expectativas do poder petista, sob Lula e, agora, sob Dilma, de maneira a guindar o Brasil à condição de potência global em meio à grande crise capitalista, capaz de dobrar os joelhos dos países ricos, faz declarações bombásticas - de grande repercussão nas redes sociais, mas escondidas pela grande mídia alienante - que poderão influenciar-incendiar o debate político nesse início de 2012, no Congresso Nacional. Segundo ele, a cúpula petista entregou, de mão beijada, para Eike Batista reserva bilionária de petróleo, no pré-sal, cujas consequências levam o poderoso empresário a prever, desde já, que será o homem mais rico do mundo em 2015, 2016. Por uma razão simples, segundo o professor: graças ao jogo de influência, entrou no negócio do petróleo pelas mãos de consultores saídos do governo FHC e do governo Lula, para dar informações privilegiadas ao empreendedor. Graças a isso, Eike fez grandes investimentos e entrou nos leilões, com grande confiança, municiado de informações privilegiadas, inside information, antes que Lula decidisse suspendê-los, a fim de alterar a filosofia da exploração da riqueza petrolífera, concedendo poder total à União, na base da partilha, para gerir a grande mina de ouro do povo brasileiro. Assim, Eike, sem dúvida, pode antever seu futuro, pois já tirou o bilhete premiado, comprando as informações dos técnicos que saiu da Petrobrás, para trabalhar para ele. O assunto é serio demais para que não seja debatido, amplamente, no Parlamento. Afinal, coloca em cena a evidência de que não ocorreu apenas a privatara tucana, mas, igualmente, a privataria petista, na qual estiveram envolvidos o ex-presidente Lula e, também, a atual presidenta da Republica, Dilma Rousseff. Pode dar CPI. Trata-se de nitroglicerina pura.

Em longa entrevista(http://www.adusp.org.br/files/revistas/51/r51a01.pdf)de 27 páginas à edição trimestral de outubro de 2011 da Revista Adusp aos repórteres Pedro Estevam da Rocha Pomar, Thaís Carrança e Daniel Garcia, o professor Ildo Sauer, diretor de Gás e Energia da Petrobrás entre 2003 e 2007, período que cobriu o primeiro mandato do presidente Lula e o início do segundo, participante ativo das decisões que levaram à descoberta, em 2005-2006, das jazidas do Pré-Sal, denuncia que Eike contratou, como consultores, dois ex-ministros do ex-governo FHC, Pedro Malan, da Fazenda, e Rodolfo Tourinho, das Minas e Energia, e um do ex-governo Lula, José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, para assessorá-lo, depois que arregimentou para a sua empresa OGX   o engenheiro Rodolfo Landim, um dos maiores especialistas da estatal em petróleo.

Integrante da equipe de especialistas que conduziu as pesquisas vitoriosas em 2005-2006, que culminaram com as descobertas de petróleo na camada de pré-sal, primeiro, no poço Paraty(2005), em seguida, o poço Tupi(2006), cuja estimativa de produção vai até os 80 bilhões de barris, Landim e seu colega, também, engenheiro, Paulo Mendonça, ambos, ex-integrantes da Gerência Executiva de Exploração, centro nevrálgico da Petrobrás, saíram da estatal, criaram uma empresa de consultoria e foram trabalhar para Eike, que havia sido recomendado pelo ex-ministro Tourinho para entrar no negócio do petróleo.

Ou seja, o empresário X, já milionário, com uma fortuna estimada em 200 milhões de dólares, deu, graças às informações que teria sido a ele repassadas por ex-ministro e ex-especialistas  da Petrobrás, tacada bilionária, para se transformar em homem de fortuna potencial de 100 bilhões de dólares, a partir de compra via leilão de poço de petróleo avaliado em 10 bilhões de barris de reservas.

Não seria, portanto, impossível que Eike, como declarou à repórter Sônia Bridi, do Fantástico, em 2015 e 2016, venha ser o homem mais rico do mundo. Só para ter-se ideia da grandeza das reservas arrematadas por Batista, atualmente, os Estados Unidos têm 29,4 bilhões de barris, não mais que o dobro do que passa deter  o empresário brasileiro. Breve. diz Batista, estará produzindo – os trabalhos de exploração começam, agora, em janeiro – 1,4 milhão de barris por dia – o mesmo que a Líbia produz, atualmente. Já a Petrobrás anuncia produção de 5 milhões de barris, superior à produção do Irã, 4 milhões, e inferior à da Rússia, 8 milhões.

Para o professor Ildo Sauer, o que ocorreu foi o maior ato entreguista da história do petróleo, favorecendo Eike. Os técnicos da Petrobrás, com ele à frente, diz, teriam encaminhado ao presidente Lula e à então ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, solicitações para que, já a partir de 2005/2006, fossem suspensos os leilões para os poços de petróleo na área do pré-sal.

Tratava de riqueza viva que não representaria risco nenhum para qualquer investidor, seja nacional, seja estrangeiro, participante no regime de concessões concebido pelo Governo FHC. Era, simplesmente, bilhete premiado, como diria o ex-presidente Lula, quando esteve na Petrobrás, para conhecer a mina de ouro, de acordo com o relato do repórter Ricardo Batista Amaral, no livro “A vida quer é coragem”, sobre a trajetória de vida de Dilma Rousseff.

Contra-filé da camada do pré-sal

Ocorreu, no entanto, um porém: Lula suspendera os leilões dos postos considerados filé mingon, mas os tidos como contra-filé, em número de 41, seriam leiloados. Nessa leva entrou Eike, depois de muito bem assessorado, ou seja, mediante tráfico de influência, pago a peso de ouro, segundo o professor da USP.

Procurados pela reportagem da Revista Adusp, tanto José Dirceu, como Eike, deram suas versões. Dirceu disse que ocorrera equívoco, jamais – depois que saiu do governo, defenestrado pelo episódio do mensalão -  foi consultor do empresário para tais assuntos, e o empresário destacou que agiu conforme a lei, sem entrar no mérito dos bastidores das denúncias de Ildo Sauer.

Já o Palácio do Planalto, como, também, o ex-presidente preferiram manter silêncio sobre o conteúdo das bombásticas declarações do ex-diretor da Petrobrás, que destaca a não participação da direção da estatal em eventual favorecimento a Eike, visto que decisões na área dos leilões eram de responsabilidade da Agência Nacional do Petróleo.

Em 2006, diz Sauer, a justiça havia anulado leilão por discriminação contra a Petrobrás, feita pelo governo do PT, comandado pelo PC do B, na ANP, a mando, diz ele, de Dilma Rousseff.

Se forem realmente verdadeiras as denúncias de Ildo Sauer, os petistas não podem mais falar dos tucanos em matéria de privatização. Afinal, a privataria tucana, relatada no livro do repórter Amaury Ribeiro Junior, seria bem mais modesta do que a privataria petista. Farinhas do mesmo saco.

O que dirão os tucanos sobre a longa reportagem da Revista Adusp?

Se disporão a discutir o assunto no Congresso Nacional, quem sabe, por meio de proposta de CPI, confrontando os tipos de privatização feitas, de um lado pelo Governo FHC, e, de outro, pelo Governo Lula, ou vai deixar o assunto em brancas nuvens, dada a delicadeza e explosividade do mesmo?

Dilma sob ataque de Sauer

As denúncias de Sauer se estendem, longamente, não, apenas, sobre supostos favorecimentos ao empresário Eike Batista, permitindo que leilões fossem realizados na camada do pré-sal, mesmo depois da decisão política de suspendê-los em nome de argumentos nacionalistas, para que não fossem prejudicados investimentos prévios realizados pelo magnata carioca, antes que ocorressem a nova orientação governamental.

O professor, especialista em energia nuclear, se estende, também, sobre as políticas energéticas, de modo geral, com a marginalização da Eletrobrás, a fim de favorecer o capital privado, que compra energia a preço subsidiado, enquanto os contribuintes brasileiros pagam a tarifa mais cara do mundo.

Mais: elabora considerações relativas ao personalismo e às intransigências da ex-ministra Dilma Rousseff, agora, presidenta da República, em tomadas de decisões, altamente, controversas quanto às prioridades energéticas, cujos desfechos poderiam ser outros, se a sociedade, por meio do Congresso, fosse consultada para participar delas, diz Sauer.

Enfim, a explosiva entrevista de Sauer joga muita luz e sombra sobre período histórico recente em que pontificou Dilma Rousseff, comO principal ministra do Governo Lula, quando virou favorita dos empresários por adotar, com apoio do titular do Planalto, decisões que, diz o professor, beneficiaram a classe empresarial em detrimento da sociedade.

O instinto político de Lula para escolher ela primeira mulher candidata como tacada política vitoriosa teria que ser, também, relativizado com decisões que fizeram a classe empresarial ver nela a pessoa ideal para ocupar o Palácio do Planalto.

Dilma, praticante, segundo Sauer, de assédio moral sobre seus colaboradores, seria, assim,  candidata não apenas do presidente do povo, mas, igualmente, do poder econômico e financeiro, do capital, dos poderosos empresários, que atuam na área mais promissora da economia nacional, a energética e a de infraestrutura.

Eike Batista, nesse sentido, seria um dos grandes empresários beneficiados pela gestão Dilma na área energética.

Depois de uma mulher na presidência, teria chegado a hora de o empresário poderoso na caderia presidencial?

A encenação feita pela Globo, jogando Eike no ar, como produto propagandístico de personagem de auto-ajuda para fazer a cabeça da sociedade, pode ter tudo a ver com a disposição da classe empresarial de ver seu representante no comando do poder nacional, cuja imagem seria a de alguém ousado, simpático, jovem, carismático, meticulosamente, construída pelo poder global.

Sucessão e confusão já estão no ar no alvorecer do ano novo.

Categoria: (Economia, Política)

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