09 jan
2012Chuvas avisam: Nordeste é O poder na Era PT
Cesar Fonseca em 09/01/2012

BRASIL SE DESMANCHA SOB AS ÁGUAS DA INCOMPETÊNCIA. A presidenta Dilma Rousseff e a ministra da Casa Civil, Gleisy Hoffman, se reúnem hoje com o ministro da Integração Nacional Fernando Coelho para avaliar os estragos produzidos pelas chuvas de verão. No centro da discussão estão as denúncias de que Coelho transformou o Ministério em promotor de privilégios para Pernambuco, seu estado natal, e, mais do que isso, para sua própria família, na cidade de Petrolina, onde a oligarquia dos Coelho manda faz mais de um século. Entra Coelho, sai Coelho e as coisas continuam como sempre, ou seja, só dá Coelho, mandando e desmandando. A grande mídia do sul e sudeste carrega nas tintas, na tentativa de detonar o ministro. Difícil isso acontecer, porque ele é aliado do mais importante aliado do governo Dilma no Nordeste, na atualidade, o governador Eduardo Campos, campeão de votos, expressão do novo Nordeste, que levantou voo na Era Lula, a partir do momento em que o desenvolvimento nacional passou a ser impulsionado pelo incremento político do mercado interno como arma para vencer a crise financeira global, o que está sendo possível até o momento. Detonar Coelho seria criar um problemão para Dilma que, afinal, como disse o govenador, avalizou todas as ações adotadas por Coelho. No fundo, está em cena o novo Nordeste, com seu poder político renovado pela maior participação popular, embora, ainda, comandado por velhas oligarquias, viciadas na manipulação das verbas públicas. Ou seja, uma contradição que caminha para sua superação histórica.
É claro que os nordestinos pernambucanos estão apoiando o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, que jogou dinheiro na construção de obras nordestinas para salvar a comunidade das enchentes que detonaram cidades, povoados e populações nas chuvas do ano passado.
É claro que se não fizesse o que fez estaria rifado pelos nordestinos pernambucanos.
É mais do que claro que está havendo um racismo anti-nordestino na grande mídia quando foca com grande estardalhaço que Bezerra Coelho, por ser nordestino, só vê o seu umbigo.
É claro, também, que a manipulação do poder pelos coronéis ainda é um absurdo na terra de Miguel Arraes.
E, principalmente, é claro que o neto de Miguel Arraes, o governador Eduardo Campos, campeão de votos, na eleição estadual, atuou como seu avô, ou seja, jogou com o discurso popular, de um lado, para se popularizar, mas, de outro, amarrou seus bigodes com os ditos coronéis, para conseguir chegar ao poder.
Deu, é claro, uma de Salazar, o velho ditador português, derrubado pela revolução dos cravos: aprendeu, no comando do governo, a tocar violino: pega o mesmo com a esquerda, mas toca-o com a direita.
Herdeiro da sabedoria de Arraes, Campos, junto com os coelhos velhos de guerra, virou disputa do governo e da oposição, navegando em águas turvas que seus olhos verdes sabem vê-las límpidas, em sua ação de político sabido.
Mas, o que não está claro é a motivação da grande mídia em ficar fustigando os políticos pernambucanos e nordestinos, em geral, nesse início de ano, cujos presságios são imensamente preocupantes no ambiente de crise global.
Lula alavancou nordestinos
Por que isso, se, segundo o ditado popular, não se chuta cachorro morto?
Claro, o Nordeste virou o epicentro do poder nacional.
Depois que o ex-presidente Lula – nordestino, filho de dona Lindu, conhecedora das dificuldades de se criar filhos pobres nordestinos na periferia de São Paulo, para onde fugiu da fome e da miséria do Nordeste – prometeu e garantiu aos miseráveis três pratos de comida por dia, tudo mudou.
De barriga cheia, os pobres nordestinos não tiveram mais que se manterem escravos dos coronéis que tudo prometiam por um prato de comida, antes das eleições, para não lhes darem nada passadas as lutas políticas.
Claro, saciada a fome nordestina, o governo, que apostou no consumo dos mais pobres, dispôs de arrecadação para tocar obras governamentais no Nordeste, a exemplo das que se realizam, na região, nesse momento, a transposição do Rio São Francisco e a construção da rodovia Transnordestina.
Lembram quando Sarney, nordestino, era presidente e entrou numa de construir a Ferrovia Norte-Sul?
Os grandes jornais das elites dos estados Sul e Sudeste cairam de pau.
Coronel nordestino, esse Sarney, que queria escoar a produção agrícola do centro-oeste pelo norte em vez de encaminhá-la até os portos de Paranaguá, Santos etc, onde as estruturas do poder econômico-financeiro dessas elites se encontram solidificadas, amarradas ao capital internacional, beneficiárias históricas das políticas de exportações, regadas por desvalorizações cambiais, impulsionadoras das crônicas inflações, destruidoras do poder aquisitivo dos salários etc.
Os capitães das indústrias do Sul e do Sudeste berraram quando os governos nordestinos iniciaram o que os sulinos alardearam ser guerra fiscal.
Na verdade, o que era guerra fiscal para os sulinos, para os nordestinos era competição tributária, a partir do momento em que os governadores do Nordeste ofereceram vantagens tributárias aos investidores do sul, bem como aos do exterior, para instalarem suas fábricas em terras de Luiz Gonzaga, de Lampião, de Antônio Conselheiro, de Ariano Suassuna, de Graciliano Ramos etc.
Grande paradoxo desenvolvimentista

O governador Eduardo Campos e o ministro Fernando Bezerra Coelho, ambos do PSB pernambucano, estão no epicentro da política nacional nessa segunda feira, no momento em que a presidenta Dilma Rousseff e a ministra da Casa Civil, Gleisy Hoffam, avaliam os estragos econômicos e políticos provocados pelas chuvas de verão, responsáveis por fazer emergir, também, os costumes políticos deletérios da elite política nacional e nordestina em particular, contra os quais, porém, a titular do Planalto pouco pode fazer, dadas as correlações de forças que comanda como aliada de Campos no Nordeste, favorecido pelo desenvolvimentismo petista-socialista ao longo da Era Lula que se prolonga com a primeira mulher presidenta do Brasil. Eduardo Campos, como o velho Salazar, segura o violino com a esquerda(Arraes) mas toca o instrumento com a direita(os Coelho), na linha do seu avô, para compor uma formulação e articulação política que demonstram as grandes contradições da política nacional que não podem ser detonadas pela gritaria da grande mídia do sul e do sudeste, incomodada com a predominância relativa do poder do Nordeste no plano federativo. Os nordestinos são o NOVO poder. Os que moram no Nordeste e os que estão fora da região espalhados pelo Brasil afora, mas, principalmente, concentrados na região sul e sudeste, passaram a dar as cartas na política nacional, na fase pós Lula. Não são mais meros coadjuvantes, como aconteceu ao longo da histórica, depois do declínio econômico da cana de açucar, mas os atores principais, determinados pelo novo período histórico nacional dado pelo avanço do poder popular, impulsionado pelas políticas sociais desenvolvimentistas distributivistas, embora administradas ainda por oligarcas como Coelho. Não é fácil entender e resolver esse paradoxo produzido pela emergência do poder das massas brasileiras nesse início de século 21.









