Erradicar miséria abolindo escravidão jurista

A especulação financeira jurista que tomou conta do Brasil ao longo da Nova República criando uma casta de privilegiados ancorada no artigo 166 parágrafo terceiro ítem dois letra b da Constituição tem que ser removida sob pressão popular como pressuposto número um para sustentar a governabilidade sob o comando da primeira mulher presidente do Brasil como fator de segurança nacional

Chega de escravidão. O povo brasileiro não merece juro direto ao consumidor de 40%,50% até 80% ao ano, enquanto no mundo inteiro as taxas estão na casa dos zero ou negativo, porque os governos, em geral, super-endividados, precisam de custos de carregamento baixíssimos de suas dívidas, pois, caso contrário, entrarão em falência e jogarão a sociedade numa tremenda guerra sangrenta. Os banqueiros estão pegando dinheiro a custo insignificante no exterior, entre zero ou negativo a , no máximo, 2,5%, para aplicar aqui dentro a taxas escorchantes, escravizantes, matando o consumidor, a galinha dos ovos de ouro da nossa riqueza, enquanto o Banco Central mantém a taxa básica na casa dos quase 12%, colocando em risco a saúde financeira do tesouro nacional. A guerra civil bate à porta anunciada pelo juro escorchante, escravizador. Essa escravidão não pode continuar mais. Os privilegiados banqueiros estão excessivamente adiposos. Chegou a hora da lipoaspiração jurista. Não é mais possível que continue vingando na Constituição brasileira libertária e socialista em sua proposição social, como regula o artigo sexto, a tremenda discriminação inscrita no artigo 166, parágrafo terceiro, ítem II, letra b, a mais escandalosa injustiça que reserva prioridade total ao pagamento dos serviços da dívida , enquanto abre possibilidade de que os recursos orçamentários para todos os demais setores(educação, saúde, segurança, infra-estrutura etc) sejam contingenciados, a fim de satisfazer os escravocratas da bancocracia. Contingenciar a vida do povo, pode, mas a do banqueiro, não. A Nova República, desde o momento em que recebeu, da ditadura militar nacionalista, a herança da dívida e da inflação, construída pela crise monetária americana dos anos de 1980, fez , sob pressão de Washington, a opção preferencial pelo privilégio , sem limites, aos donos do dinheiro, enquanto a maioria da população padeceria a escravidão bancocrática. Embora, no governo Lula, haja sido dada preferência à superação da fome, como alavanca do desenvolvimento, os desajustes produzidos pela imensa injustiça, proporcionada pela escravidão jurista, continuam devastando os lares brasileiros. A sociedade não suporta a ambiguidade constitucional explícita. De um lado, apresenta a mais ampla proposta de liberdade e de conquistas sociais, nos artigos quinto(Dos direitos e Deveres dos Individíduais e Coletivos) e sexto(Dos Direitos Sociais), mas, de outro, no capítulo 166, dispõe das travas escravocratas que impedem a consecução dessa ampla justiça social. A teoria não bate com a prática.

Justiça social plena

Lula matou a fome do povo; Dilma promete erradicar a miséria. A revolução brasileira, pacífica e democrática, seguirá adiante, em meio a uma nova correlação de forças políticas, que demonstra estar o povo brasileiro preparado para avançar nas conquistas sociais que o levarão ao seu grande destino; transformar o Brasil na pátria da justiça social plena.

Sem justiça econômica, não haverá liberdade, não haverá a ampliação poderosa do mercado interno, não haverá a oferta das oportunidades iguais, não haverá a formação autêntica da poupança interna, para que o país se liberte da preferencial e histórica opção pela poupança externa, que, essencialmente, demonstrou ser instrumento de dominação internacional, no Brasil e em toda a América do Sul. Portanto, a luta fundamental, para que se materialize a maior promessa feita no discurso da vitória de Dilma Rousseff, a da erradicação da miséria, somente alcançará seu objetivo, se a nova presidente convocar o país para a grande luta, democratizando, inteiramente, o comando político e econômico da nação. Os trabalhadores, os empresários, os políticos e, claro, também, os banqueiros, devem sentar, de agora em diante, em torno do Conselho Monetário Nacional, para traçar diretrizes em que o fundamental seja a sustentação de uma taxa de juro interna semelhante à taxa de juro internacional, com um ganho civilizado para os bancos, cuja função essencial deverá ser a de se engajarem no desenvolvimento sustentável e não mais na especulação financeira insustentável. As forças políticas majoritárias no Congresso devem, igualmente, desde já colocar em discussão a questão financeira nacional, visto que as  contas públicas não suportam, por mais tempo, o impacto do jurismo especulativo bancocrático que construiu, ao longo da Nova República, uma casta de privilegiados espoliadores do povo. Nesse período, tal classe escondeu do povo que a causa básica da inflação é justamente o juro alto que impacta o custo das empresas , fazendo-as repassarem essa carga insuportável para os preços em geral. Predominou, até agora, o discurso enganador e mentiroso segundo o qual a inflação brasileira decorre do excesso de demanda, de consumo, do povo, razão pela qual se faz necessário elevar os juros para segurar a onda consumista. Subir juro agora sob o falso argumento de que há pressão inflacionária em curso será crime de lesa-pátria. Apenas, contribuirá para atrair ao Brasil a poupança furada internacional impulsionada pelas emissões dolarizadas em lastro pelo governo americano como nova forma imperialista de impedir a justiça nas relações de trocas globais, sobrevalorizando as moedas dos demais países

Novo papel do PMDB

A tarefa do deputado eleito vice presidente Michel Temer será a de unir o PMDB em torno de Dilma para que PT-PMDB alanquem a justiça social como prioridade nacional, fato que exigirá enfrentamento com os que detêm privilégios exagerados construídos no processo de desenvolvimento nacional ao longo da Nova República, cujos contornos estiveram sob controle das forças poderosas da bancocracia que negaram até agora os mandamentos libertários da Constituição de 1988

O governo Lula demonstrou o oposto ao enfrentar, com sucesso, a crise mundial.  Se o juro é baixo e o empresário dispõe de competência, aumentará a oferta, sempre, principalmente, se dispuser de juro zero ou baixíssimo, para promover investimentos adequados, enquanto ao governo caberá a responsabilidade de evitar que o desequilíbrio se instaure , caso, em face da oferta escassa, os preços saiam do controle, mediante juros, certamente, corrigidos. Mas não dentro da lógica jurista que predominou até agora, essencialmente, especulativa e absurda. A superação dos privilégios da bancocracia, no interior da Constituição, favorável aos interesses bancários, proporcionará, por sua vez, as grandes reformas políticas e econômicas. Maior justiça social e econômica abrirá, necessariamente, espaço ao avanço democrático cuja tradução mais relevante é a mais ampla distribuição da renda nacional. O presidente Lula conclui seu mandato cumprindo a promessa de assegurar ao povo miserável três pratos de comida por dia. Tal cumprimento dinamizou o consumo interno, valorizou a moeda nacional, conteve a inflação e elevou a auto-estima popular. A sequência do cumprimento dessa promessa, feita, agora, pela presidente eleita Dilma Rousseff, de erradicar a miséria, somente será alcançada se for atacado o principal problema nacional: a escravidão jurista que impede o desenvolvimento econômico sustentável. Mãos a obra, novos congressistas, com a maioria governista, no Parlamento, para dar consequência à revolucionária proposta presidencial feita pela primeira mulher presidente do Brasil. Saravá!