18 ago
2010Continuidade lulista exigirá redução jurista sob pena de desgaste popular do novo governo eleito
Cesar Fonseca em 18/08/2010

PERIGO DA IMPOPULARIDADE À VISTA. A continuidade da Era Lulista que os candidatos à presidência da República prometeram materializar no primeiro programa eleitoral nessa terça feira deverá implicar, necessariamente, opção pela sustentação do crescimento econômico cujas consequências serão, no atual estágio de endividamento, tanto do governo, como das famílias brasileiras, renegociação das dívidas e inadiável redução dos juros. Caso contrário, o crescimento não se sustentará e o novo ou a nova presidente eleita, muito , provavelmente, Dilma Rousseff, mantida a escalada favorável a ela nas pesquisas, poderá começar a sofrer desgaste popular, logo nos primeiros meses de exercício do poder. A sociedade, vendida no juro alto, passará a ter saudade de Lula e a queimar o seu ou a sua sucessora, sem maiores delongas. O nível de endividamento do governo e das famílias, ampliado no compasso da grande crise mundial, que promete aprofundar-se, especialmente, nos países ricos, ameaçados pela deflação, poderá, se não houver renegociação das dívidas e, principalmente, redução dos juros e spreeds, desencadear moratórias e defaults individuais e coletivos, resultando em redução do nível de atividade. O governo novo teria então que chamar os ´banqueiros para colocá-los diante da seguinte questão: ou quebrarão, por conta da redução da capacidade de tomar emprestimos por parte da comunidade ou serão obrigados flexibilizarem. Dificilmente, o ou a presidente eleita repetiria outro socorro aos bancos, se houver bancarrota no crediário, como aconteceu logo depois do início do Plano Real, em 1992, quando, com a queda da inflação, mas com a subida violenta dos juros, o mercado financeiro veio abaixo, obrigando o tesouro, de uma hora para outra, emitir 30 bilhões de reais para salvar a banca com o PROER.
Socorro bancário?

SAUDADE DE LULA VAI BATER NO POVO, SE O JURO CONTINUAR CASTIGANDO, PARA ESFRIAR ECONOMIA. Dessa vez, se , por conta do juro alto, em meio ao aquecimento econômico, que impulsionou o crediário, houver problemas de pagamento dos mutuários, como antevêem diversos analistas, o quadro econômico financeiro ganharia outro conteúdo político, especialmente, se Dilma Rousseff não apenas ganhar a eleição, mas caso, também, com ela vier acompanhada uma maioria legislativa, na Camara e no Senado, configurando, para o próximo governo, nova correlação de forças, no plano parlamentar, carregando nas tintas políticas defesas de reformas mais profundas. A república bancocrácia que vigora no Brasl por meio do juro mais alto do mundo estaria diante do seu maior desafio: peitar o governo, sustentando taxas escorchantes de juros, tanto para financiar o tesouro , como, igualmente, bancar crédito à produção e ao consumo, ou entrar numa nova era , vigente na econmia mundial, em que o custo do dinheiro cai para evitar a deflação econômica global. Por enquanto, a política econômica lulista em curso, que vai garantindo saldo político suficiente para sinalizar possível vitória da candidata governista, conforme apontam as pesquisas, mantém o aquecimento econômico, graças a valorização dos salários e ao incremento dos programas sociais cujos resultados são aumento do consumo que, por sua vez, eleva arrecadações tributárias, responsáveis para bancar investimentos do PAC. A desproporções dos custos dos financiamentos dos crediários, expressos em juros absurdos, tenderiam, no entanto, a descompensar aumentos dos rendimentos, que têm sido superiores, até, à inflação. A massa salarial, de acordo com o IBGE, deverá ter aumento real de 6,2% em 2010 nas seis principais regiões metropolitanas do país, comparada com a inflação que, segundo o Banco Central, ficará dentro da meta estabelecida , em torno de 4,5%. Ou seja, minimizam tais números o nível de desemprego,na casa dos 7%, elevando, consequentemente, a taxa de satisfação popular, que poderá se traduzir em vitória eleitoral governista.
Guerra aos bancos

EMPRESÁRIOS ABREM GUERRA À AGIOTAGEM BANCÁRIA QUE INVIABILIZA A PRODUÇÃO E O CONSUMO, SE OS BANCOS NÃO RECUAREM. Mas, o aumento da massa salarial de 6,2%, perto do juro, no crediário, cobrado pelos bancos, na casa dos 70% a 80% ao ano, levando o consumidor a comprometer mais de 35% do seu ganho com as compras a crédito, não seria suficiente para barrar tendência ao aumento da inadimplência. Por enquanto, esta se encontra em patamar suportável, em torno de 6,5%. Contudo, se os juros não forem contidos, a canoa poderá virar, levando a uma insatisfação popular, no início do próximo governo, quando as pressões em cima dele deverão ser as de conterem e não de expandirem a economia, num ambiente de deficit elevado e dívidas das famílias, idem, para evitar possíveis moratórias. Nesse instante, se o novo ou a nova presidente eleita submeter-se ao discurso ortodoxo-monetarista-bancocrático da contenção em nome de ajustes, passaria a sofrer os desgastes políticos, levando o povo a sentir, imediatamente, saudade de Lula. Por isso, mesmo, solução de compromisso do novo governo junto à banca estaria em curso nas primeiras semanas, especialmente, se o mercado financeiro entrar numa de especular , como sempre faz, sobre o futuro, antevendo dificuldades econômico-financeiras, algo previsível, pois a economia mundial, sob impacto de ondas deflacionárias, expressas em fugas de capitais para a periferia capitalista, alavancaria valorizações monetárias, que implicariam em aumento de dívidas dos emergentes, bem como perigo de desindustrialização. Estariam sendo criadas expectativas preocupantes.

FECHAR O PAÍS ÀS IMPORTAÇÕES, COMO DESEJAM OS EMPRESÁRIOS, EXIGIRÁ JURO BAIXO PARA ESTIMULAR PRODUÇÃO INTERNA. SERÁ POSSÍVEL ISSO? Dilma Rousseff, no seu primeiro programa eleitoral, disse que será a expressão exata da continuidade lulista. José Serra, que fez , até, samba exaltação para Lula, prometendo que seguirá sua lógica, fazendo mais e mais, sinalizou, igualmente, que não deixará a economia esfriar. Marina Silva, que não se diferencia dos dois concorrentes, vai na mesm a linha. Assim, se ocorrer o esfriamento, seja quem for vencedor ou vencedora, Dilma, Serra ou Marina, que, invariavelmente, estão elogiando Lula em suas arrancadas eleitorais, cairá em desgraça popular, dada a possibilidade concreta de que recuo das atividades produtivas deverá ocorrer em face das dificuldades que emergirão para a vida dos consumidores, diante dos juros excessivamente espoliadores. Por sua vez, o novo governo não terá pela frente, apenas, o brado de revolta dos consumidores inadimplentes, no compasso dos juros altos, caso sejam mantidos e, até, aumentados, se ocorrerem tensões econômico-financeiras internacionas, já que, na crise, o juro sempre sobe, nunca desce. Da mesma forma, fortalecerá a corrente dos trabalhadores endividados os empresários, que, além de enfrentarem juros altos, sofrem com a sobrevalorização cambial produzida por eles, atraindo produtos importados, cujas consequências são aumento dos estoques, do desemprego e desindustrialização da produção nacional.

OS ENDIVIDADOS NO CREDIÁRIO PODERÃO IR PARA O FUNDO DO MAR COM SUAS DÍVIDAS, SE HOUVER ESFRIAMENTO DA ECONOMIA, NO INÍCIO DO PRÓXIMO GOVERNO. O grito nacionalista, dado nessa terça feira, no dia em que iniciaram os programas eleitorais televisivos, pelo presidente da Federação das Indústrias de São Paulo(FIESP), Benjamin Steinbrch, aponta essa tendência reativa do setor produtivo nacional em face do novo governo, caso este entre numa de esfriar a economia, no primeiro momento, para enxugar o deficit público, como defendem os banqueiros, desde já. Ao mesmo tempo, a classe empresarial sinaliza, também, defesa de uma estatização bancária, na medida em que Steinbruch destaca ser necessário a existência não, apenas, de um BNDES, mas de três BNDES, para promover o investimento produtivo, de forma geral, ajuro baixo. Tal tarefa, na sua opinião, não foi cumprida pelos bancos privados, quando o governo convocou-os no auge da crise, para evitar a bancarrota financeira e econômica nacional. Não fossem os bancos oficiais, como Banco do Brasil, Caixa Econômica e BNDES, ressaltou o empresário, o país teria ido à garra. Ou seja, a classe empresarial , conforme coloca a questão do desenvolvimento o presidente da Fiesp, abre guerra contra os bancos privados, que fugiram, conforme seu entendimento, de sua responsabilidade, preferindo continuar faturando em cima da especulação com os títulos do governo. Estes, aliás, foram os responsáveis maiores por assegurarem os reiterados recordes de lucros bancários, como demonstram, agora, os balanços do primeiro semestre. Vigoram-se lucratividades abusivas, se comparadas com a inflação e a média do faturamento do setor produtivo, obrigado a enfrentar o insuportável custo especulativo do dinheiro escorchante.

O JOGO DA NACIONALIZAÇÃO OU ESTATIZAÇÃO BANCÁRIA É SINAL DOS NOVOS TEMPOS EM QUE A ESPECULAÇÃO DESENFREADA CONDENOU À MORTE O CAPITAL PRODUTIVO. COMO RECUPERÁ-LO, SEM REMOVER O JOGO ESPECULATIVO DESTRUTIVO? A tendência do confronto do setor produtivo com os bancos, no ambiente da crise financeira global em marcha, não seria, apenas, um fenômeno que tende a ampliar-se no Brasil, conforme denota a crítica de Steinbruch aos bancos. Da mesma forma, nos Estados Unidos, crescem os confrontos entre o capital produtivo e o especulativo. Este, afinal, faliu o sistema capitalismo mundial. Agora, a voz comum é pela ampliação da estatização bancária norte-americana, especialmente, para promover o financiamento do sistema imobiliário. Quebrados, no colo do governo, os bancos americanos, vivendo excessiva liquidez sob juro zero, são candidatos, no ambiente de avanço da deflação, à falência, repetindo, o que aconteceu durante a grande crise de 1929, quando, nos Estados Unidos, faliram cinco mil bancos. A radicalização desse confronto entre capital produtivo e capital financeiro, no Brasil, no compasso em que a lucratividade do primeiro cai, relativamente, ao segundo, graças ao desbalanceamento da prática dos juros altos, tenderia a se ampliar, ainda mais, se, sendo vitoriosa a candidata Dilma, seu governo alcançar maioria legislativa, na Câmara e no Senado. A alteração na correlação de forças políticas, comparada ao momento atual em que o governo Lula não dispõe de maioria no Senado, impedindo-o de aprofundar reformas políticas, financeiras e econômicas, consequentes ao avanço dos programa sociais, frente às forças conservadoras, aliadas ao capital financeiro, impulsionaria o discurso nacionalista. Estaria aberto, inclusive, caso confirmem vitórias governistas amplas, em outubro, campo para ampliar expeirências democraticas com combinação da democracia representativa com a democracia direta, mediante plebiscitos e referendos, para acelerar reformas, conforme prevê a própria Constitição.









