01 jul
2010Estratégia da aparência senil
Cesar Fonseca em 01/07/2010
Putz! Show de incompetência de Serra para conduzir sua candidatura politicamente! Depois diz que é Dilma que não tem experiência política! A lambança serrista sinaliza que, se eleito, seu governo seria desencontro total de aliados que se transformariam em adversários entre si. Se antes de chegar ao poder, os caras não se entendem, imagine caso cheguem lá. Saco de gatos. Os mais espertos já estão pulando da canoa furada. Os que estão no morro descem serra abaixo. O exemplo foi o falso vice escolhido, o senador paranaense tucano Álvaro Dias. Sentiu cheiro de borracha queimada. Preferiu apoiar o seu irmão, senador Osmar Dias, candidado do PDT ao governo do Paraná, aliado de Lula. Mais vale um passarinho na mão do que dez voando. Retraiu e deixou Serra na mão. A cristianização do candidato tucano não se dá, apenas, em Minas Gerais. Começa a disseminar geral. Basta leitura rápida dos noticiários. Crescem dissensões entre democratas, que bandeiam para as hostes dilmistas, como é o caso do senador Albano Franco, tucano que resiste à candidatura do democrata João Alves, enquanto se aproxima do petista Marcelo Deda, em Sergipe. Democratas goianos, como o deputado Ronaldo Caiado e o senador Demóstenes Torres, inconformados com a decisão dos tucanos que bagunçaram geral a discussão sobre o vice, demonstram inconformismo total. O presidente do PSDB, Senador Sérgio Guerra, reconhece que a coisa ficou preta para o tucanato. Como Serra ganharia sem o representante nordestino em sua chapa? Bandeamento geral do Nordeste para os lados do lulismo-dilmismo. FHC, como médico de plantão, teria sido chamado às pressas, em reunião em São Paulo, para evitar o pior entre os aliados, ou melhor, desalinhados. Feito balanço em nível federativo, os desajustes da oposição demonstram possibilidades concretas de desastres com a escolha do neo-collorido deputado Índio da Costa, do Rio de Janeiro, totalmente, desconhecido. Aparência pura que esconde essência obscura e senil em matéria de corrupção enquanto comandou secretaria de prefeitura no Rio de Janeiro, favorecendo compradores de mercadorias alimentícias para as merendas escolares. O propalado ficha limpa tem um passado de ficha suja. O DEM está mal na foto, depois da crise de corrupção no governo Arruda-Octávio, no Distrito Federal. O efeito demonstração poderá manchar de negro a candidatura serrista, mais perdida que cego em tiroteio, depois da atabalhoada escolha do vice viciado. O resultado tenderia a surpreender com ajustes regionais, tipo salve-se quem puder, no plano local, em troca de apoio nacional, não à candidatura Serra, mas à de Dilma, que vai de vento em popa, como destacou a última pesquisa Vox Populi, dando 40% para a escolhida do presidente Lula e 35% para o ex-governador de São Paulo. Fica demonstrado que pouco efeito fez a posição mais agressiva de Serra enquanto dispôs de espaço midiático mais intenso nas últimas semanas. Sem discurso, sem proposta, sem far-play, sua maior aparição resultou não em construção , mas em descontrução de sua imagem. Se a ideologia utilitarista, máxima capitalista, deixa de ser útil no plano econômico, no plano político, ao contrário, ainda tem grande validade. Em busca da utilidade total, os democratas e tucanos que estão em mar revolto sem bússola se preparam para a debandada em obediência à lei utilitarista segundo a qual tudo que é útil é verdadeiro, se deixa de ser útil, deixa de ser verdade. A candidatura de Serra vai deixando de ser verdade, para a ansiedade geral que domina o espírito utilitário dos aliados.
Inflação ganharia eleição

Serra tentou vender a imagem de politico administrativamente competente para contrastar sua propalada experiência com a sugerida inexperiência de Dilma Rousseff no plano político, mas o que se vê é o oposto. O ex-governador paulista tucano vai aos trancos e barrancos rolando serra abaixo, sem saber organizar seu próprio terreno político eleitoral, caindo , por isso, pelas tabelas, enquanto a ex-ministra da Casa Civil, que escreveu os versos do poeta Lula, demonstra segurança na condução das alianças políticas que se ancoram em sua candidatura embalada pela popularidade lulista. Pode dar primeiro turno.
Grande experiência política dos oposicionistas! Brincadeira. Enquanto isso, no compasso da grande crise global em marcha, que leva os países ricos a um beco sem saída, podendo estourar nova bancarrota financeira, levando os ricos a uma guerra contra o Irã, para tentar despistar os grandes problemas estruturais que o capitalismo cêntrico enfrenta, a candidatura Dilma demonstra maturidade política na articulação das alianças, engordando essas com desistências claras dos oposicionistas nas suas estratégias atabalhoadas, em ambiente em que a inflação vai escalando de sua fase engatinhante para a fase mais perigosa, trotante, ainda sem chegar na fase alarmante, galopante, que faria estragos irreversíveis na candidatura governista, dada a aversão da sociedade aos efeitos destrutivos do processo inflacionário. No momento em que a economia global em derrapagem total caminha perigosamente para a deflação, a solução inflacionária – SOB CONTROLE - é a mais desejada, porque enquanto a inflação aleija, com certeza os salários, o processo deflacionário, não apenas destrói salários, mas, igualmente, o capital. Trata-se de opção entre o pior e o péssimo. Escolha de Sofia. A reunião do G-20, em Toronto, Canadá, no último final de semana, demonstrou o grande dilema na economia mundial, puxada, melhor, estagnada pela impossibilidade de os países capitalistas ricos dinamizarem a demanda global, dado o excesso de déficits que impossibilita aos governos elevarem os juros, para enxugarem a base monetária alagada global, sob pena de estourar os tesouros nacionais excessivamente endividados. Mantêm, por isso, taxa de juro zero ou negativa, tentanto, dessa forma, transferir os problemas insolúveis que enfrentam para a periferia capitalistas, onde se pratica juro alto, como no Brasil.

Serra tentou vender a imagem de politico administrativamente competente para contrastar sua propalada experiência com a sugerida inexperiência de Dilma Rousseff no plano político, mas o que se vê é o oposto. O ex-governador paulista tucano vai aos trancos e barrancos rolando serra abaixo, sem saber organizar seu próprio terreno político eleitoral, caindo , por isso, pelas tabelas, enquanto a ex-ministra da Casa Civil, que escreveu os versos do poeta Lula, demonstra segurança na condução das alianças políticas que se ancoram em sua candidatura embalada pela popularidade lulista. Pode dar primeiro turno.
Crise cambial pós eleitoral

Norman Gall, presidente do Instituto Fernand Braudel, foi cortado em seus argumentos no Programa Painel, da Globo, no último domingo, quando alertava que o governo Lula repete a mesma estratégia suicida de estimular o consumismo , como fizeram os governos americanos, com o agravante de que aqui a taxa de juros representa verdadeira armadilha contra os consumidores, podendo implodir tudo, especialmente, se houver o aprofundamento do crash global em marcha na Europa, acompanhado da mediocridade econômica dos Estados Unidos. O fenomeno do subprime que implodiu o mercado imobiliário americano e europeu vai de vento em popa no Brasil embalado pelo juro mais alto do planeta. Armadilha da dívida. Crise cambial depois das eleições à vista, que obrigará o vencedor ou vencedora a dar um tranco geral, quem sabe um Plano Real II.
Por enquanto, a economia brasileira, com a taxa de juro real mais alta do mundo está conseguindo suportar o tranco, mediante aumento do endividamento público, conjugado com a dinâmica acelerada do consumo. Mas, até quando. Norman Gall, no programa Painel, da Globo, destacou que o fenômeno do subprime, que detonou as finanças globais, jogando o capitalismo no abismo, se repete no Brasil, com os programas de financiamentos populares a juros altos, cuja fatura poderá ser danosa e destrutiva no compasso do dinheiro caro cobrado pela bancocracia. A grande mídia cai na conversa de que a inflação está sendo combatida pela alta da taxa de juros para combater o consumo, em meio aos financiamentos em massa para a casa própria, mas não destaca que a arma antiinflacionária efetiva foi acionada pelo governo Lula ao garantir mercado ao setor produtivo via melhor distribuição da renda. Evitou, dessa maneira, formação de estoques, como outrora, responsáveis por desvalorizações cambiais, sob pressão empresarial, a fim de promover exportações, tendo, como contrapolo, crises hiperinflacionárias, seguidas de arrochos fiscais e monetários ortodoxos. O aumento do consumo interno consumiu os estoques, valorizou a moeda, mas esta, sob juro que permanece superelevado, atraindo dólares que sobram na Europa e nos Estados Unidos, puxa fortemente o endividamento público, embora a inflação seja mantida sob controle, em fase transitória do estágio de engatinhamento para o de trote mais acelerado. O discurso de alerta de Serra, no momento, não é ouvido pelo povo, que está consumindo anestesiado.

Norman Gall, presidente do Instituto Fernand Braudel, foi cortado em seus argumentos no Programa Painel, da Globo, no último domingo, quando alertava que o governo Lula repete a mesma estratégia suicida de estimular o consumismo , como fizeram os governos americanos, com o agravante de que aqui a taxa de juros representa verdadeira armadilha contra os consumidores, podendo implodir tudo, especialmente, se houver o aprofundamento do crash global em marcha na Europa, acompanhado da mediocridade econômica dos Estados Unidos. O fenomeno do subprime que implodiu o mercado imobiliário americano e europeu vai de vento em popa no Brasil embalado pelo juro mais alto do planeta. Armadilha da dívida. Crise cambial depois das eleições à vista, que obrigará o vencedor ou vencedora a dar um tranco geral, quem sabe um Plano Real II.
Demotucaldima para ganhar
![brizola[1]](http://independenciasulamericana.com.br/wp-content/uploads/2010/07/brizola1.jpg)
Brizola alertou que a mágica do Plano Cruzado de Sarney entraria em parafuso rapidamente. Falou, porém, antes da hora. Não surtiu efeito eleitoral. Sarney faturou a eleição, levando o PMDB a ganhar em 23 dos 27 estados da Federação, mas, seis meses depois, o congelamento de preços e salários implodiu. Implodiria o subprime forçado de Lula tocado a juro alto, com deterioração inflacionária? A diferença, agora, é a de que Lula garantiu mercado consumidor para as empresas, enquanto Sarney não cuidou disso. O perigo, porém, continua sob juros escorchantes. Serra antecipa o seu diagnóstico, mas com a inflação ainda trotante o temor da sociedade não se manifesta em forma de pavor antiinflacionário. Núvens escuras no horizonte no compasso da crise global. Por enquanto, tudo é festa. Mas, a fatura para o povão pagar está a caminho.
![brizola[1]](http://independenciasulamericana.com.br/wp-content/uploads/2010/07/brizola1.jpg)
Brizola alertou que a mágica do Plano Cruzado de Sarney entraria em parafuso rapidamente. Falou, porém, antes da hora. Não surtiu efeito eleitoral. Sarney faturou a eleição, levando o PMDB a ganhar em 23 dos 27 estados da Federação, mas, seis meses depois, o congelamento de preços e salários implodiu. Implodiria o subprime forçado de Lula tocado a juro alto, com deterioração inflacionária? A diferença, agora, é a de que Lula garantiu mercado consumidor para as empresas, enquanto Sarney não cuidou disso. O perigo, porém, continua sob juros escorchantes. Serra antecipa o seu diagnóstico, mas com a inflação ainda trotante o temor da sociedade não se manifesta em forma de pavor antiinflacionário. Núvens escuras no horizonte no compasso da crise global. Por enquanto, tudo é festa. Mas, a fatura para o povão pagar está a caminho.










