Cachoeira, receita do capitalismo em crise
Cachoeira, produto do capitalismo em crise
Posted 3 horas ago

A corrupção que tomou
conta do Estado capitalista 
O drama maior da crise capitalista em ascensão irresistível decorre do fato de que o governo não pode mais gastar inflacionariamente, escondendo a…

Cachoeira, produto do capitalismo em crise
Colapso capitalista destroi direitos humanos
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Posted 1 dia ago

Os ex-presidentes precisam
unir-se à presidenta, urgente, 
É chato ficar repetindo.
Os neoliberais detestam.
Mas, fazer o que frente às evidências históricas que se desenrolam diante de todos?
Olhaí a Europa!
Capitalismo desenvolvido, ao entrar…

Colapso capitalista destroi direitos humanos
Estatizar o crédito, programa para neoesquerda
Capitalismo em transe: salve-se quem puder
Posted 2 dias ago

O programa politico para
neoesquerda é pregar

O comportamento dos bancos privados brasileiros de resistência à diminuição dos absurdos spreads bancários é a demonstração inequívoca de que a bancocracia não tem…

Capitalismo em transe: salve-se quem puder
Ataque à miseria reduz crise e eleva receita
Capital + Trabalho + Consumo = Receita – Cris…
Posted 3 dias ago

No auge da crise financeira
global, o jeito
São mais quatro milhões de novos consumidores na economia, que demandarão R$ 2,8 bilhões a serem lançados na circulação capitalista.
É o que, de…

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Colonialismo tecnológico inviabiliza emancipação economica nacional
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Posted 4 dias ago

No país do entreguismo, o capital
 
estrangeiro deita e rola,

No momento em que surgem novos avanços na nanotecnologia e na criação de materiais, como o grafeno, é fundamental compreender a…

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Corrida suicida ao dólar como reação ao colapso europeu sinaliza moratória global inevitável
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Posted 8 dias ago

O mundo enlouqueceu ao 
Cenas de horrores econômicos.
A Europa, se não sair do pacto de austeridade, pode acelerar a bancarrota financeira americana, pois os investidores, sem nenhuma confiança nas atividades produtivas,…

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Grande mídia anti-nacional, inimiga de Dilma
Golpismo midiático-bancocrático ataca Dilma
Posted 9 dias ago

Acostumado a ver obedecidas
A grande mídia está com saudades do Banco Central subordinado à bancocracia.
O editorial do Estado de São Paulo, nessa quarta feira, é o exemplo acabado dessa nostalgia.
Reclama…

Golpismo midiático-bancocrático ataca Dilma
Agiotagem bancária une Dilma e Chavez
Ataque aos agiotas une Dilma e Chavez
Posted 10 dias ago

A luta do governo Dilma Rousseff contra a agiotagem bancocrática vai ganhando contornos dramáticos e colocando a titular do Planalto na posição defendida também pelo presidente da Venezuela, Hugo Chavez,…

Ataque aos agiotas une Dilma e Chavez
Neopoupança exige renegociação de dívidas e divide com CPI atenção do Congresso Nacional
Vitória de Hollande fortalece Dilma
Posted 11 dias ago

O governo Dilma Rousseff se fortalece com a vitória do presidente eleito Francois Hollande, na França. Ele derrotou o neoliberalismo abraçado por Nicolau Sarkozy, cujo objetivo era o de destruir…

Vitória de Hollande fortalece Dilma
Juro abafa CPI e vira bandeira eleitoral
Consumo mais barato turbina reeleição
Posted 12 dias ago

BB, CEF e BNDES, armas
contra bancocracia privada
O estardalhaço que prometia ser a criação da CPI do Cachoeira foi relativamente abafado pela decisão política da presidenta Dilma Rousseff de cair…

Consumo mais barato turbina reeleição
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Capitalismo não pode mais ir à guerra

Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 17-03-2010

A contradição capitalista global explode no Oriente Médio nas barbas de Lula, demonstrando que o sistema não pode bancar mais o estado judeu, porque corre perigo diante de deficits elevados de sofrer corrida especulativa contra o dólar. Fadiga de material.

O presidente Lula, que, no Oriente Médio, jogou com a dialética, ao sacar que a crise entre Estados Unidos e Israel pode levar à paz, configurando visão de que os impérios caem pelas divergências internas, abrindo-se, forçosamente, às mudanças, está diante do movimento que provoca o colapso da economia de guerra, bancada pela dívida pública americana. Esta se torna incapaz de dinamizar a demanda global, em decorrência dos elevados déficits que colocam o dólar alvo dos especuladores depois do crash de 2008. Não podendo mais puxar a locomotiva econômica mundial, porque o mercado perdeu a confiança na capacidade da moeda americana de gerar superávit financeiro – senhoriagem imperial – , a fim de cobrir déficits comerciais e fiscais, como forma de aquecimento do consumo mundial, os Estados Unidos, sob perigo de sofrerem ataques especulativos, perderam capacidade de continuar bancando keynesianamente o Estado militarista de Israel. A bancarrota financeira fragilizou o poder imperial americano no mundo.

O mundo capitalista se desenvolveu depois da segunda guerra mundial (1940-45) mediante macroeconomia guerreira, segundo os grandes economistas, como John Maynard Keynes. O autor de “Teoria Geral do Juro e da Moeda” rompera com seus mestres neoliberais, como Alfred Marshall, depois que viu ir para o brejo sob deflação o sistema monetário apoiado em reservas metálicas – padrão ouro – na crise de 1929.

A moeda monárquica, ancorada no padrão-ouro, que dependia da tônica do equilíbrio orçamentário, para evitar débâcles deflacionárias, foi aos ares no crash de 29. Abriu-se espaço para novo padrão monetário, apoiado no papel moeda, sem lastro, cuja âncora passou a ser as dívidas públicas dos Estados soberanos, para alavancar gastos governamentais, dinamizando, especialmente, produção bélica e espacial, o chamado departamento III da economia capitalista, depois que implodiu a convivência contraditória entre os dois departamentos vigentes sob a economia de mercado, isto é, o departamento I, produtor de bens de capital, e o departamento II, produtor de bens de consumo.

A superação parcial da contradição representou fuga para frente. O departamento III, produtor de não-mercadorias, produtos bélicos e espaciais, dinamizador da economia de guerra vira solução, bancada pelo endividamento governamental, expressão da soberania estatal.

A soberania – a dívida – esconderia, dialeticamente, a inflação, crescendo no lugar dela, para dinamizar a reprodução capitalista, que, no crash, havia se esgotado, sob lassair faire. A inflação mascarada evitou, como fator de controle social, a derrocada capitalista para o socialismo, como destaca Lauro Campos em “A crise completa -  Economia política do não”(Ed. Boitempo, 2002).

Em 1929, os Estados Unidos produziam 5 milhões de automóveis/ano, dispondo de uma frota nacional de 27 milhões de unidades motorizadas. Depois do crash, o consumo despencou para 700 mil carros. Deflação automobilística.

No Brasil, na ocasião, aconteceu, também, a deflação, só que de café. Em 1932, Getúlio Vargas mandou subsidiar e queimar os estoques do produto, para recuperar o preço, provocando escassez relativa. Adotou remédio keynesiano. Chamou a  atenção de Roosevelt, que elogiou a medida getulista, para salvar do crash total os fazendeiros paulistas. Getúlio foi não apenas pai dos pobres, mas, principalmente, dos ricos de São Paulo. A dinâmica capitalista, portanto, como antecipou Getúlio, seria dada pela moeda estatal, no século 20.

Falência keynesiana

A bela Secretária de Estado americana, sob recomendação de Obama, reune-se, às pressas, com Rússia, União Européia e ONU, para implementar multilateralismo global capaz de dar conta da crise no Oriente Médio, ameaçada pela radicalização israelense contra palestinos, porque o unilateralismo de Washington esgotou suas possibilidades com o estouro dos deficits públicos que comprometem o dólar. Sofreria corrida especulativa cambial. Emerigira implosão monetária hiperinflacionária global. Repeteco nazi-fascista.

Keynes não vacilou sobre essa possibilidade, porque já havia percebido que, na primeira guerra mundial, a Inglaterra pudera sustentar demanda agregada e o pleno emprego, graças aos gastos do governo com produção bélica e espacial. Por isso, em 1936, aconselhou Roosevelt a apostar na guerra:

“Penso ser incompatível com a democracia capitalista que o governo eleve seus gastos na escala necessária para fazer valer minha tese – a do pleno emprego – , exceto em condições de guerra. Se os Estados Unidos se insensibilizarem para a preparação das armas, aprenderão a conhecer sua força”.

Roosevelt mandou ver. Em 1930, a dívida pública interna era pouco mais 10% do PIB. Em 1944, chegou a 144% do PIB, devido, fundamentalmente, ao avanço da produção bélica e espacial.

O dinamismo da economia de guerra foi total. Os Estados Unidos venceriam seu principal concorrente no mercado internacional, a Alemanha; promoveriam a descolonização britânica, francesa, alemã e japonesa, na África, na Ásia e no Oriente Médio; avançariam, decididamente, sobre as reservas de petróleo em todo o mundo, ao mesmo tempo em que, utilizando a CIA, combatiam e derrubavam governos nacionalistas resistentes à filosofia washingtoniana de liberação geral dos mercados, enquanto, contraditoriamente, defendiam e praticavam o protecionismo e o isolacionismo.

Com a moeda estatal inconversível, o governo garante a demanda sem aumentar a oferta, no setor de bens duráveis. Somente 14 anos depois do crash, em 1943, os Estados Unidos voltaram a produzir 5 milhões de automóveis, mesmo patamar de 1929, graças não mais ao dinamismo próprio do setor de bens duráveis, mas à nova dinâmica dada pela guerra, expressão do departamento III.

A estratégia macroeconômica de guerra é didática. Com uma mão, o governo lança moeda na circulação; com a outra, joga títulos, para enxugar a base monetária, a fim de evitar enchente inflacionária.

O limite dessa estratégia, porém, dependeria da capacidade de endividamento dos governos. As crises monetárias ocorridas depois da segunda guerra mundial foram formando elos na cadeia da fragilização do Estado mantenedor da economia de guerra até que a água entornou na grande crise monetária de 2008.

O padrão monetário expresso no papel-moeda vai deixando de ser suficiente para continuar dinamizando a reprodução capitalista ampliada, assim como a deflação, sob livre mercado, entrou em crise de 1929, jogando ao espaço o padrão-ouro.

David contra Golias

As massas palestinas vão às ruas no Dia de Fúria para protestar contra a política suicida de de Netanyahu, que assombra o capitalismo. Washington perdeu a capacidade de garantir as agressões de Israel às custas dos deficits orçamentários dos EUA, depois da bancarrota de 2008. Impasse total do modelo keynsiano americano que ameaça a saúde do dólar .

Os conflitos econômicos financeiros guerreiros deficitários detonados pelo crash de 2008 estão em curso, desorganizando geral a economia mundial, destruindo, principalmente, a reputação dos governos dos países ricos, Estados Unidos na frente, que encharcaram monetariamente a praça global por meio da reciclagem das dívidas públicas, emitindo derivativos tóxicos em escala excessiva, intoxicando geral a praça financeira internacional.

Quem vai comprar, agora, os títulos americanos, que estão rendendo nada, sob taxa de juro negativa, para capitalizar o tesouro dos Estados Unidos, a fim de que continue armando o Estado militarista judeu, garantindo agressividade dele em cima dos palestinos, cercados de muros, vivendo em chiqueiros? Explícita fadiga de material.

O mercado financeiro, que pegava os papéis emitidos pelo tesouro de Tio Sam, nega-se a reciclá-los, porque os bancos que faziam essa jogada suicida, no mercado de derivativos, sem regras, estão quebrados, no colo do Estado. O governo precisaria nacionalizar os bancos para continuar irrigando e enxugando autonomamente a si mesmo, de modo a garantir ad infinitum Israel e toda a infra-estrutura bélica e espacial que deu sustentação ao dólar sem lastro.

As manobras do presidente Barack Obama, nesse instante, para tentar parar a política guerreira suicida de Netanyahu, em Israel, levantando fumaça de guerra no Oriente Médio, visam justamente evitar que o tesouro americano venha ser obrigado a emitir papel para garantir a estrutura bélica judaica, quando o mercado financeiro internacional se recusa a consumir a papelada financeira inflacionária de Tio Sam. Haveria perigo crescente de corrida especulativa contra o dólar. O jogo da Casa Branca demonstra à larga o estresse capitalista guerreiro.

A Alemanha, diante de tal conjuntura, prega corte nos gastos militares, para combater os déficits, impondo equilíbrio orçamentário. Mas, se foram os gastos militares que dinamizaram o capitalismo até agora, a proposta alemã torna-se contraditória, pois sua materialização implicaria volta à etapa anterior à bancarrota de 1929, equilibrismo sob padrão-ouro. Retorno ao útero materno? Freud explica.

Impasse capitalista global. Se o âmago do sistema, como percebeu Keynes, é a macroeconomia de guerra, combater a dinâmica de reprodução do capital, por intermédio do desmonte da indústria bélica e espacial, em nome da diminuição do déficit público, corresponde a dar um passo para além do capitalismo.

Não é à toa que Washington passa a temer não mais Ahamadinejad, mas a Bibi Netanyahu, como estopim que pode jogar o estado nacional americano no olho da especulação financeira global, se for obrigado a continuar financiando keynesianamente guerras emitindo dólares que estão totalmente desacreditados na praça mundial.

Paz ameaçada na terra santa leva Lula apoiar Barack Obama contra Benjamin Netanyahu

Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 16-03-2010

A estratégia da direita de Israel de jogar na radicalização é responsável maior pelas tensões no Oriente Médio, instilando reações dos muçulmanos que têm no Irã aliado, cuja disposição de enriquecer urânio passa a ser vista como a causa e não consequência da agressão judaica aos palestinos. A comprovação do jogo invertido que Israel tenta vender ao mundo é a posição contrária dos Estados Unidos à política israelense, marcando momento histórico de confronto entre os dois governos, que, desde a segunda guerra até agora, estiveram juntos. O divórcio é produto do crash global de 2008, que abalou o dólar, impedindo-o de dar as cartas na cena internacional, unilateralmente. Lula não engoliu o discurso anti-Irã de Israel.

O jogo político no Oriente Médio está fervendo. O presidente Lula, no meio do tiroteio entre o presidente Barack Obama, dos Estados Unidos, e o primeiro ministro Benjamin(Bibi) Netanyahu, sobre a controvérsia decorrente da decisão imperial de Bibi de construir núcleo habitacional em Jerusalém Oriental, onde será instalado Estado palestino, posicionou-se favoravelmente ao titular da Casa Branca, contrário à pretensão judaica, que abre espaço a nova guerra entre Israel e Palestina.

O governo Obama, abalado pelo crash de 2008, que fragilizou o poder imperial americano, detonando o unilateralismo político da Casa Branca, no cenário global, enfrentaria perigosa corrida especulativa contra o dólar, se os déficits do tesouro tiverem que ser excessivamente ampliados, para sustentar economia de guerra no Oriente Médio em escala incontrolável. Emergiria impasse, em tal contexto, na medida em que estariam feridos os interesses maiores dos americanos de assegurar o fornecimento de petróleo pelos países árabes. Estes, já desconfiados da saúde da moeda de Tio Sam, elevariam o preço do petróleo, para receber pagamentos em dólares, como forma de compensar a desvalorização cambial inflacionária. Haveria, pois, mais pressão sobre a moeda verde.

Vale dizer, no período pós bancarrota financeira americana, que detonou o dólar e os bancos, período esse ainda excessivamente carregado de incertezas, armadilhas e perigos, não interessa à Casa Branca situação de beligerância no Oriente Médio, no momento em que os déficits americanos, além de não conseguirem mais puxar a demanda global, tornam-se atrativos aos especuladores para jogadas cambiais capazes de detonar o Tesouro dos Estados Unidos, como alertam analistas em geral.

O quadro internacional, depois do crash, fragilizou, relativamente, o poder imperial de Washington, no mundo e no Oriente Médio, onde não pode mais, como antes, dar-se ao luxo de gastar, sem limites, para sustentar o Estado militarista judaico. Uma nova guerra no Oriente Médio, possível por intermédio de ações políticas suicidas, como as que estão sendo adotadas, no momento, pelo governo israelense, de forma calculada, teria como resultado possível tremenda desorganização monetária internacional de proporções fantásticas, facilitando a emergência ideológica nazi-fascista, de um lado, e socialista, de outro.

Os europeus, que estão tendo dificuldades para manter a saúde do euro, entrariam em pânico, pois tal situação produziria desemprego incontrolável. A esquerda já começou a ganhar eleições parlamentares na França…

Derrubar Bibi

Obama, com apoio de Lula, aposta na remoção de Bibi Netanyahu, por meio de voto de repúdio no parlamento às agressividades do governo direitista de radicalizar contra os palestinos, invadindo suas terras, elevando, com isso, a temperatura política no Oriente Médio, abrindo-se para a guerra, que seria desastre para Washigton, sem grana para subsidiar o Estado judeu, sem antes condenar o dólar a sofrer uma corrida especulativa como produto do aumento incontrolável do deficit público dos Estados Unidos, deteriorado depois do crash de 2008.

O jogo de Barack Obama no Oriente Médio de tentar evitar a radicalização israelense é, naturalmente, o de derrotar Bibi Netanyahu, no Parlamento, para colocar, no lugar dele, novo governo, mais moderado. Conseguirá?

A radicalidade da direita israelense , se predominar, a ponto de unir o Hamas e a Autoridade Palestina, para , no contrapolo, radicalizar, também, em nome da instalação, a ferro e fogo, do Estado palestino, torna-se o maior perigo para a estabilidade financeira dos Estados Unidos.

Lula, observando Obama num mato sem cachorro, no Oriente Médio, jogou em favor do titular da Casa Branca, posicionando contra a insanidade bibiana, determinada, de qualquer jeito, a construir as 1.600 casas em território palestino, ao mesmo tempo em que fecha as fronteiras, isolando o povo da região.

A tese da guerra, agora, é colocada por Israel. A antítese, naturalmente, já é a reação popular na Palestina, arregimentando apoio global e a ira muçulmana pelo mundo afora, disposta a ir ao sacrifício pela liberdade do povo palestino na tarefa de construir seu próprio Estado.

Qual seria a síntese?

A inusitada e radical reação americana contrária a ocupação colonialista judaica sobre o Estado palestino sinaliza a síntese, dada pela contradição a que chegou, no Oriente Médio, o Estado Industrial Militar Americano, que, historicamente, apóia e arma Israel.

Washington está entre dois fogos. Que é mais vantajoso, de agora em diante, para Tio Sam: garantir acesso ao petróleo, sem guerra, de modo a assegurar a sobrevivência da base econômica dos Estados Unidos, ou sustentar deficitariamente o Estado militarista judaico, elevando o grau de desconfiança do mercado financeiro internacional sobre o dólar?

Não é, portanto, Ahamadinejad que ameaça a sustentabilidade econômica dos Estados Unidos, quando insiste do direito soberano do Irã de conquistar o conhecimento do ciclo atômico, com seus próprios recursos, mas, sim, Bibi Netanyahu, que, mediante ações agressivas sobre território palestino, levanta a ira árabe muçulmana em geral, à custa do orçamento americano, já abalado pelo crash global, correndo perigo de sofrer corrida cambial especulativa.

Bibi, do ponto de vista de Washington, joga o governo americano no impasse fiscal total: se botar mais grana em Israel, emitindo dólares sem lastro, fragiliza, ainda mais, a moeda de Tio Sam; se não jogar, garante melhora de ambiente para assegurar favorecimento de fornecimento de petróleo, evitando movimentos nacionalistas para estatizar indústrias americanas que exploram o produto nos países árabes, bem como podem diminuir as ameaças terroristas muçulmanas, esvaziando, consequentemente, Bin Laden.

O jogo da história

Lula está percebendo que não é Ahmadinejad o perigo potencial de guerra quando insiste na soberania nacional iraniana para dominar o conhecimento do ciclo atõmico, sob resistência dos países ricos, mas, exatamente, Bibi Netanyahu, que, com sua agressividade, levanta os muçulmanos de todo o mundo contra Israel e quem os financiam, os Estados Unidos, que passam a correr mais perigo de ameaças terroristas, de dificuldades para conseguir fornecimento de petróleo e de ameaças nacionalistas contra empresas americanas no Oriente Médio, abrindo espaço para empresas chinesas, russas, indianas, européias, brasileiras, japonesas etc, mudando a correlação de forças detonada pela crise monetária de 2008.

O presidente Lula chegou ao Oriente Médio em momento historicamente didático. A história dá um giro de 360 graus.

Interessam aos Estados Unidos, lá, desde o final da segunda guerra mundial, os suprimentos de petróleo, em primeiríssimo lugar.

Israel tornou-se prioridade, por conta da fortaleza da comunidade judia, em Nova York, que, desde Roosevelt, conduziu a Casa Branca, movimentando seus interesses, no controle do poder americano. Roosevelt, por isso, apoiou a criação do Estado de Israel, e todos os demais sucessores.

Harry Truman, conforme descreve Luiz Alberto Moniz Bandeira, em “Formação do império americano”, havia sido pressionado pela diplomacia de Washington a não fazer diferente da Inglaterra, na região. Os ingleses mantinham, sob poder imperial, os árabes como aliados para garantir escoamento da produção pelo Canal de Suez, cujas derivações econômicas eram vitais para os ingleses, ao mesmo tempo em que exploravam o petróleo do Oriente Médio, mantendo governos obedientes a Londres, em Terã, Iraque, Arábia Saudita etc.

Com o dólar detonando a libra, depois do tratado de Bretton Woods, em 1944, assegurando supremacia da moeda americana na nova divisão internacional do trabalho, o negócio, para os diplomatas americanos, era apenas mudar o domínio inglês para o domínio americano, ou seja, continuaria o jogo da parceria dos Estados Unidos com os árabes, do mesmo modo em que fora mantida a parceria ingleses-árabes durante a colonização britânica, tendo como razão maior a sustentação dos interesses econômicos e comerciais.

Truman, entretanto, sob pressão dos judeus e vendo ameaçada sua eleição, contrariou, diz Moniz Bandeira, os diplomatas. Rendeu-se à pregação em favor do Estado de Israel, dadas as circunstâncias detonadas pela guerra, que arregimentou, nos Estados Unidos, o sentimento mundial de solidariedade aos judeus, massacrados e eliminados por Hitler. Truman jogou com os sionistas e garantiu sua eleição. Tal decisão, porém, acendeu o ódio dos árabes.

Tornou-se, consequentemente, necessária instalação do Estado Judeu armado, para conter o furor árabe contra o final do predomínio das relações imperialistas inglesas-árabes, para dar lugar ao seu oposto, as relações imperialistas americanas-judaicas sob o todo poderoso dólar, que destronara a libra.

Batismo de fogo

Mohammaed Mossadegh, líder nacionalista iraniano, teve que partir para o exílio depois que a CIA derrubou-o por ter lutado pela nacionalização das indústrias petrolíferas inglesas. Não interessariam aos EUA líderes políticos nacionalistas, para substituirem os falsos líderes entreguistas ligados à Inglaterra, mas, sim, mandatários que passassem a rezar a cartilha de Washington. Mossadegh, assim como Jacob Arbenz, Getúlio Vargas e Perón, dançariam na mão da CIA , por serem nacionalistas, como são , hoje, Lula, Evo Morales, Cristina kirchner, Hugo Chavez, Fidel Castro, Rafael Correia etc.

O dólar, então, emitido sem lastro, ancorado nas armas atômicas, tinha saúde para bancar keynesianamente a formação do Estado judeu, armando-o até os dentes, inclusive, com bombas atômicas. A dívida pública esconde a inflação, crescendo no lugar dela, dialeticamente, As circunstâncias explosivas para os americanos se fizeram sentir com as dificuldades que enfrentariam, daí em diante, com o mundo árabe muçulmano, cheio de petróleo, do qual a base industrial e financeira americana é totalmente dependente.

As tentativas nacionalistas árabes para descolonizar o domínio dos ingleses sobre o petróleo iraniano, por exemplo, tiveram que enfrentar, depois da criação do Estado de Israel – sem que,  simultaneamente, fosse criado, também, o Estado da Palestina – as resistências do poder americano substitutivo do dos ingleses, na Palestina.

Aos Estados Unidos não interessaram, por exemplo, a ação iraniana de nacionalizar as empresas inglesas, em 1951, por meio de decisão do parlamento (Majlis). O aliado de Londres, primeiro ministro, general Haji-Ali Razmara, reagiu. Foi assassinado em 7 de março de 1951 pelos nacionalistas, que, em seguida, no parlamento, elegeram Muhammad Mossadeg. Nacionalista apoiado pelo partido comunista aliado de Moscou, Mossadeg seria derrubado, em seguida, pela CIA, então, nascente, com a missão de destronar tentativas nacionalistas pelo mundo afora.

Depois de derrubar Mossadeg em 1952, a CIA, em 1954, na Guatemala,  derrubaria o nacionalista Jacob Arbenz, por ter estatizado indústrias americanas de frutas. Naquele ano, no Brasil, Getúlio, sob pressão dos americanos contra sua política nacionalista petroleira, teria suicidado como protesto político ao desejo de domínio da Casa Branca. Lacerda seria agente da CIA? Em 1955, seria a vez de Perón, na Argentina, ser derrubado, também, pelas forças anti-nacionalistas, apoiadas por Washington.

A descolonização inglesa, no Oriente Médio e no mundo, fora substituída, no pós-guerra, pela colonização econômico-financeira americana, depois que os Estados Unidos destruíram seu principal inimigo comercial, a Alemanha, gerando efeito dominó na dominação colonial francesa, britânica, alemã, japonesa etc. Entraria em cena o imperialismo americano que durou do pós-guerra ao crash de 2008, grávido de espírito descolonizador, especialmente, na terra santa.

O momento histórico atual dá sinais de que a capacidade de Tio Sam de continuar o jogo colonialista financeiro internacional entrou em estresse total porque as bases dessa dominação foram detonadas pelo crash de 2008.

Por isso, parece ter chegado ao limite a dominação americana no Oriente Médio – e no mundo – , justamente, porque o mecanismo de reprodução capitalista especulativa, que puxava a demanda global, foi para os ares. Sustentar a direita de Israel, que joga, estrategicamente, para continuar sendo financiada pelo déficit orçamentário dos Estados Unidos, virou, para Tio Sam, fardo pesado demais.

Lula , em Israel, diante do confronto entre Obama e Bibi, recebe o batismo de fogo real do início da queda imperial americana no Oriente Médio, que se abre a uma nova descolonização imperialista no mundo. Saravá.

Brasil rumo à ONU no início da descolonização norte-americana no Oriente Médio

Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 15-03-2010

A direita gostaria que Lula estivesse tirando o sapato para entrar na Casa Branca, quando Obama está pedindo para economizar em viagem, para reduzir o déficit público, ou seja, sem dinheiro para bancar a demanda global, com o dólar caindo pelas tabelas. O novo jogo é a estratégia brasileira de fortalecer os mercados internos nos países dos povos mais pobres da periferia, para ditar o novo discurso global, que deixou de se sustentar na estratégia capitalista especulativa que implodiu e levou o sistema ao colapso, abrindo-se para o perigo da hiperinflação e do seu irmão gêmeo, o nazismo. Lula preenche o vácuo aberto pela implosão imperialista no Oriente Médio e no mundo, bancado pelo dólar detonado no crash de 2008. COMEÇA A DESCOLONIZAÇÃO AMERICANA NA TERRA SANTA.

O Itamarati joga com competência no cenário global. Os cães ladram e a caravana passa. Lula, para Simon Peres, disse que é preciso outros interlocutores, no Oriente Médio, para além dos que pontuam, atualmente, ou seja, as grandes potências, baleadas na crise global. Esta impõe nova correlação de forças. G-20 é o novo paradigma multilateral.

Os Estados Unidos , detonados pelo déficit público, de um lado, e a Europa, igualmente, de outro, tentando criar o Fundo Monetário Europeu, para não entrar no receituário monetarista do FMI, perderam a capacidade de dar as cartas, da forma em que vinham dando, na base do pensamento imperialista.

A história do Oriente Médio, nos últimos cinqüenta anos, foi fruto das articulações imperialistas. A bancarrota financeira de 2008 jogou tudo para os ares. Não há dinheiro entre os ricos para continuarem dividindo os pobres, ampliando suas dívidas externas a juros compostos como forma de dominação internacional, como destacou Marx.

A  bancarrota financeira americana e européia colocou ponto final nas determinações imperialistas, porque os países imperialistas estão monetariamente detonados, com suas moedas correndo perigo de sofrerem colapsos por ataques cambiais, dependentes da saúde dos emergentes, para sobreviverem.

O desmoronamento das moedas, americana e européia, provoca o movimento de descolonização do Oriente Médio, assim como a emergência do dólar, depois da segunda guerra mundial,  provocou a descolonização nos domínios dos impérios franceses e ingleses pelo mundo afora, a fim de dar lugar ao império americano dolarizado, apoiado na produção bélica e espacial, impulsionando economia de guerra.

Keynes falou tudo: “Penso ser incompatível com a democracia capitalista que o governo eleve seus gastos na escala necessária capaz de fazer valer minha tese – a do pleno emprego – , exceto em condições de guerra. Se os Estados Unidos se insensibilizarem para a preparação das armas, aprenderão a conhecer sua força”.(“A crise da ideologia keynesiana”, Lauro Campos, 1980, Ed. Campus).

O âmago da macroeconomia capitalista-keynesiana, que Roosevelt abraçou, fervorosamente, para tirar os Estados Unidos da crise de 1929, foi a guerra, destaca Lauro. O crash de 2008 é o ponto final da dinâmica da economia de guerra, bancada pela especulação financeira. A descolonização do dólar expressa o esgotamento financeiro do tesouro dos Estados Unidos de continuar bancando o unilateralismo ultra-financeiro, antevisto por Kaustky, antes de romperem os limites da especulação simultaneamente inflacionária-deflacionária.

Lula chega ao Oriente Médio no momento histórico em que se dá o início da descolonização americana por falta absoluta de gás financeiro americano para garantir a economia de guerra judaica, responsável por impulsionar a indústria bélica e espacial americana. Entra em profunda contradição o ESTADO INDUSTRIAL MILITAR AMERICANO, assim formulado por Eisenhower, em 1960, do qual alimentava temores sinistros.  Acabou o efeito keynesiano apoiado no dólar sem lastro para reproduzir o capital na guerra. Marx disse que o capitalismo dinamizaria as forças produtivas, entraria em senilidade e passaria a dinamizar as forças destrutivas na guerra, via endividamento público com papel moeda, até rebentar a contradição do Estado financeiro guerreiro. Acabou.

Neonacionalismo em cena

Trotski diz que o Populismo é fenômeno da periferia capitalista decorrente da falta de identidade dos partidos com as massas, já que se expressam em cúpulas reacionárias e corruptas, responsáveis por levá-las à adoração de líderes cujos discursos nacionalistas as fascinam.Getulismo, Peronismo, Lulismo. TERCERA POSICION COM DEMOCRACIA GARANTIDA POR REFORMA ELEITORAL QUE DETERMINA ELEIÇÕES PRÉVIAS OBRIGATÓRIAS E SIMULTÂNEAS PARA ESCOLHA DOS CANDIDATOS, COMO ROLOU NA ARGENTINA, NO FINAL DE 2009

O discurso da descolonização americana no Oriente Médio tem a cara do discurso lulista, o novo discurso, que é, também, o de Juan Domingo Perón, que, em 1955, na Conferência de Bandung, Indonésia, anteviu as contradições imperialistas no Oriente Médio e na Guerra Fria e pregou o discurso alternativo sul-americano, de fortalecimento dos mercados internos, para possibilitarem arrecadação aos governos, a fim de bancarem os investimentos da burguesia nacional, livrando-a da canga financeira externa. Peron entendeu Marx melhor do que os marxistas, tipo FHC. A direita – brasileira e argentina – é burra, quando não entende que Getúlio Vargas e Perón são a salvação – ou seja, o braço estatal – das burguesias nacionais espoliadas pelo capital financeiro internacional.

As condições que levaram o imperialismo americano ao poder mundial, quando Roosevelt articulava a derrota da Alemanha e a destruição dos colonialismos inglês, francês e alemão, na África, na Ásia, no Oriente Médio e na América Latina – como descreve, brilhantemente, Luiz Alberto Moniz Bandeira, em “Formação do império americano”(Civilização Brasileira) – , exauriram-se no crash de 2008, assim como foram para os ares o poder imperial inglês, na crise de 1929, abrindo espaço ao poder imperial americano no século 20.

Ao detonar a Alemanha, na segunda guerra mundial, com a ajuda da União Soviética, os Estados Unidos detonaram também o colonialismo inglês, francês, belga, alemão, japonês, abrindo espaço para as bases americanas, que ergueram a bandeira de Tio Sam nos mares, nos ares e nas terras, enquanto, internamente, predominava o discurso isolacionista. Contradição total.

As imposições imperiais americanas para instalar Israel no Oriente Médio, detonando a Inglaterra, aliada dos árabes, nas rotas comerciais da região, obrindo-se a um estado de beligerância bancado pela dívida pública americana, assim como ocorreu com o Plano Marshall, para salvar a Europa do comunismo, não podem mais materializar-se em face  de um dólar totalmente abatido pelo crash de 2008.

Repete-se a história da poderosa libra, ultrapassada pela moeda de Tio Sam, depois da segunda guerra mundial. O Oriente Médio terá que sair do impasse não por meio de bombas. Os limites para expansão do déficit de Tio Sam foram alcançados. Resta a necessidade da integração como fator de reprodução do capital que não reage mais aos esgotados remédios expressos em emissões deficitárias-inflacionárias-deflacionárias. Nesse contexto o juro tem que ser necessariamente negativo.

Teria que ser reativada a acumulação capitalista na integração comercial, a proposta lulista em marcha, por lá, nesse momento, cujas conseqüência poderão levá-lo ao grande patamar global, a presidência ou a secretaria geral da ONU.

Holocausto monetário à vista

CEGOS EM TIROTEIO. Os europeus estão sem chão. Enxugaram, com seus bancos, a montanha de derivativos dolarizados podres americanos e, agora, estão diante da moeda europeia em frangalhos, fugindo do FMI, tentando criar Fundo Monetário Europeu. Não podem influir nos conflitos do Oriente Médio pelas mesmas razões que Obama não pode dar as cartas, imperialmente: falta-lhes capacidade de envidamento, sujeitos às corridas especulativas cambiais. Horizontes perdidos no holocausto monetário.

Emerge necessidade de TERCERA POSICION, antevista por Peron, entre as forças polarizadas, exangues, sem capacidade de encaminhar soluções, no Oriente Médio.

Lula pode levar às Nações Unidas o programa de governo que empreendeu durante segundo mandadto como alternativa à paz mundial por intermédio do combate à fome.

Ficou comprado que os mercados internos da periferia capitalista, quando são fortalecidos, elevam a poupança interna e a arrecadação tributária dos governos, possibilitando-os ampliarem investimentos públicos. A pregação ideologicamente dependente de que o país é carente de poupança interna cai por terra se o consumo interno aumenta e gera renda tributária para bancar investimentos nacionalistas. Ou seja, o jogo é distribuir a renda.

Sem a distribuição da renda global, vinga-se a pregação marxista de que o pecado capital do capitalismo é o seu produto intrínseco em forma de crônica insuficiência de consumo que produz a especulação que leva ao crash.

O jogo alternativo lulista de bombar o mercado interno keynesianamente, em vez de jogar nas bombas atômicas, como fazem os países ricos, evitou o crash e ganhou as manchetes mundiais em 2009, tornando o titular do Planalto personalidade global como produto para a solucionática capitalista em crise especulativa, pelo menos por enquanto, já que a areia movedição está em ação destrutiva.

O montante de dinheiro que a especulação liberou, ao implodir, sufocou o sistema. Sem poderem enxugar o que pariram em excesso, sob pena de desatarem hiper-inflação, os governos dos países ricos estão tendo que garantir juros negativos para evitar enchentes inflacionárias, instaurando a era da eutanásia do rentista.

Não é possível aumentar os juros, porque o capitalismo ficou entre a manutenção do Estado, sob juro baixo, sem poder reproduzir o capital via especulação com títulos públicos, ou a supressão do Estado de forma violenta pela hiper-inflação, como aconteceu na Alemanha, na década de 20/30 do século passado, levando ao nazismo.

O dólar e o euro sumiriam do mapa, se vigorarem juros positivos na Europa e nos Estados Unidos, ultra-endividados, ameaçados por corridas cambiais especulativas. Os estados nacionais imperialistas financeiramente abalados implodiriam sob juros positivos em nome do combate à enchente monetária, para evitar tsunami inflacionário. O neonazismo e neosocialismo colocariam a cabeça de fora em meio ao desemprego incontrolável.

Lenin destacou que as instabilidades monetárias são as melhores propagandistas do movimento socialista internacional. As forças produtivas e as relações sociais da produção entram, no cenário da crise monetária, em contradição total, abrindo etapa de revoluções e descolonizações.

O discurso lulista elaborado pelo Itamarati está sintonizado com a grande contradição que joga os emergentes como pontas de lança na nova correlação de forças. Os oposicionistas gostariam que a diplomacia brasileira seguisse tirando o sapato para entrar na casa dos ricos, quando estes estão totalmente falidos. Viajam na maionese.

Getúlio tinha razão: “A burguesia nacional é burra”. Lula veste o paletó linho branco de Oswaldo Aranha para entrar na ERA DE POMPÉIA.

Estratégia lulista na terra santa

Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 13-03-2010

Israel vive o impasse de não poder ser sustentado mais pelos deficits americanos que proporcionaram até agora investimentos em produção bélica e espacial com a qual os judeus dominaram os árabes e mulçulmanos. Precisam da cooperação econômica alternativa, que o Brasil, nova potencia internacional, pode oferecer em forma de incremento dos investimentos produtivos em parceira Brasil-Israel-Palestina, na construção do Estado judaico e do Estado Palestino. O incremento das forças produtivas e das relações sociais capitalistas no contexto da relação soberana entre estados seria o jogo brasileiro bancado pela parceira Estado-Empresas privadas, fazendo o Brasil avançar na cena global

O presidente Lula pode ser nova representação de Oswaldo Aranha para trabalhar em favor da paz no Oriente Médio, ganhando repercussão global, por meio de receita brasileira que deu certo para enfrentar a crise capitalista, apostando na promoção simultânea do econômico e do social para tentar alcançar sustentabilidade econômica em meio ao capitalismo de guerra que perde fôlego nos déficits orçamentários dos países ricos.

Trata-se, do ponto de vista de Lula, de internacionalizar a economia brasileira, utilizando as potentes alavancas das empresas e bancos estatais brasileiros em parcerias com empresas privadas, nacionais e internacionais, para investir no Oriente Médio, ao mesmo tempo em que prega disseminação de programas sociais para fortalecer os mercados internos, capazes de gerar arrecadação aos governos, possibilitando expansão dos investimentos públicos-privados.

Seria novo discurso geo-estratégico-econômico, alternativo ao que implemenaram na região as grandes potencias no pós-segunda guerra mundial, criando novo paradigma, dosado pela defesa da integração América do Sul-Oriente Médio.

As grandes potências, depois da guerra, retalharam o Oriente Médio e dividiram seus povos. Partilharam terra dos outros para colocá-los em permanente conflito, como foi o caso da Palestina, para assegurar o Estado de Israel, sem fixar, ao mesmo tempo, o Estado Palestino. A região não funciona como um saci-pererê.


Poder do medo


A abertura total do comércio entre Palestina e Israel, ambos em forma de estado soberano, abrindo-se às relações alfandegárias é a proposta brasileira de integração da América do Sul com o Oriente Médio, no instante em que as potências estrangeiras, baleadas pela crise global, não têm mais condições de bancar o clima de beligerância sustentado pelos gastos deficitários governamentais, oxigênio da corrida especulativa contra as moedas no ambiente de bancarrota financeira global.

Os imperialistas separaram os povos pelo medo. O medo, conforme destaca Emmanuel , filósofo espiritualista, é o irmão gêmeo do amor. Este expressa unidade do ser humano. UM são TODOS, TODOS são UM. O ser é o outro em si mesmo. Se se tem consciência e prática dessa realidade, não se é possível deixar dominar. Caso contrário, o medo impera, dando razão a Sartre de que o inferno são os outros. Ou seja, a humanidade é dividida pelos interesses que lucram com o predomínio do medo sobre o amor.

Como o ser humano ainda não está sintonizado nessa máxima, que o eleva a um patamar multimensional superior, tem-se que contentar, por enquanto, com a mínima, que é dada pelas relações econômicas sob o capitalismo, responsável por condenar os humanos ao eterno suplício de se conhecer e de se amar pelo comércio e pela guerra, simultaneamente.

Israel e Palestina ainda não se acertaram conforme a máxima da economia política estabelecida pelas relações entre estados nacionais. Os líderes dos dois povos se articulam no plano do medo e da guerra, sem o concurso da opção do comércio e da parceria, graças à geopolítica dominante nas cinco últimas décadas da civilização ocidental.


Discurso sul-americano



Getúlio e Oswaldo Aranha pregaram a relação total entre Estado Palestino e Estado Judaico como fator fundamental de integração entre os povos, a partir da qual seriam abertas possibilidades de participação do Brasil na expansão econômica da região. A bancarrota financeira internacional, que põe fim à continuidade da interferência imperial americana na região, devido aos elevados deficits orçamentários que ameaçam o dólar , cria novo ambiente capaz de vingar a pregação getulista-aranhista, conduzida, agora, por Lula-Amorim.

Lula não tem nada a ver com essa diplomacia da guerra que domina o Oriente Médio. Atuará conforme a diplomacia de Oswaldo Aranha e de Getúlio Vargas que defende o Estado de Israel e, simultaneamente, o Estado da Palestina, promovendo sua interação por intermédio das relações econômicas e financeiras, não por intermédio do incremento da economia  guerreira instalada em nome do livre comércio.

Os americanos e os ingleses, principalmente, armaram a tese, Israel, até os dentes. A tese produziu a antítese: os muçulmanos árabes se articularam para defenderem sua sobrevivência e utilizam a arma que dispõem, o petróleo e o terror político contra o terror bélico e espacial nuclear.

Trata-se de embate entre tese e antítese que ainda não vislumbrou a síntese por meio dos investimentos produtivos, simplesmente, porque os patrocinadores das divisões entre os dois povos apostaram na  eternização da divisão e não na construção da parceria. Dividir para reinar.

O Estado brasileiro, por meio dos seus instrumentos institucionais econômicos e financeiros, que tiraram o país do atoleiro durante a crise global, pode propor a alternativa: capital nacional, ancorado nas reservas petrolíferas do pré-sal, investimentos comuns palestinos-israelenses-brasileiros, tanto em Israel como na Palestina, para fortalecer o incremento econômico bilateral judeu-palestino, configurando interatividade Brasil-Palestina-Israel.

Não houve, desde a fundação de Israel, em 1947, por proposição brasileira, por intermédio do embaixador Oswaldo Aranha, na presidencia da ONU,  disposição dos investidores internacionais em atuarem nos territórios palestinos e judaicos. A produção, salvo a de produtos bélicos e espaciais, não prosperou em forma de integração econômica.

O Oriente Médio virou enclave contemporâneo onde o capitalismo global foi impedido de atuar movimentando as forças produtivas e as relações sociais. Uma linha Maginot separa os dois povos, tornando-os prisioneiros de um círculo de giz sem relações de trocas no ambiente de consolidação dos estados nacionais

O grande impasse, que de problema pode se transformar em solução, é o estresse deficitário total dos Estados Unidos. Perderam a capacidade de bancar dificitariamente o Estado de Israel.


C’est fini


Peron, nos anos da guerra fria, pregou o discurso sul-americano para o Oriente Médio como alternativa às radicalizações políticas. O líder argentino entendia dispor a América do Sul do fator de equilíbrio entre as forças radicalizadas para fazer valer uma diplomacia alternativa para além das ideologias guerreiras, capaz de dar novo comando a ordem internacional. O fim da divisão internacional do trabalho sob comando do dólar abre perspectivas previstas pela visão peronista em Bandung, Indonésia, 1955.

O crash de 2008 jogou por terra a divisão internacional do trabalho do pós-guerra, bancada pelo dólar e pela estratégia econômica americana de gerar déficit global para sustentar a demanda mundial, mantendo diferencial favorável de superávit financeiro frente aos déficits fiscais e comerciais.

A senhoriagem paga pelo mundo ao dólar emitido sem lastro durou do pós-guerra até à grande crise de 2008. C’est fini. Sem gás financeiro, o tesouro americano passa a correr perigo permanente de sofrer corrida especulativa contra a moeda. Warren Buffett, maior especulador americano, é o primeiro a alertar para essa possibilidade desastrosa.

As quebradeiras dos países emergentes europeus é apenas reflexo do problema maior cuja origem está em Washington, que estimulou a produção ininterrupta de derivativos dolarizados que se espalharam pela Europa, quebrando os bancos e os países em geral, todos deficitários, fragilizando totalmente o euro. Os bancos americanos emitiram os papéis que os bancos europeus espalharam convertendo-os em euros para dinamizar a união européia. O tombo está aí.

Por que os mais ricos da Europa estão querendo criar o fundo monetário europeu? Para não terem que cair nas garras do FMI. Não valerão as regras para todos? Quem acreditou nisso foram os governos ingênuos da Nova República neoliberal brasileira, depois da crise monetária dos anos de 1980, construída para salvar o dólar do precipício. Agora, o dólar pede água de novo, mas o fôlego de Tio Sam, para puxar a taxa de juro, como fez em 1979, de 5% para 17%, enxugando a praça global, acabou.


Fôlego guerreiro esgotado



"Hillary, vai lá e fala pru Bibi que não temos mais grana para bancar as agressões de Israel aos palestinos, a fim de criar ambiente de tensão geral entre nós e os muçulmanos. São os judeus, com essa teimosia de construir esses muros e assentamentos segregacionistas, que estão tentando fazer o Ahamadinejad de bode expiatório nessa jogada. Vai lá, bela, resolve essa parada! Com isso, ganhamos a próxima eleição com você como minha sucessora. Vai por mim. Deus salve a América."

Vale dizer, no hay mais plata potencialmente inflacionária para Israel na proporção em que se dava antes do crash de 2008. O presidente dos Estado Unidos, Barack Obama está tão na pimdaíba que promete cortar gastos com viagens internacionais, para ajudar a combater o déficit, que ameaça o dólar!

Sem dispor do dinheiro americano, como os judeus sustentarão a beligerância guerreira contra os palestinos?

Trata-se de buscar nova alternativa. Lula desembarca em Israel e na Palestina no momento do impasse.

Pode pintar solução proposta por Oswaldo Aranha, tendo o capital brasileiro, ancorado no petróleo, espaço para atuar na coordenação de investimentos que se traduziriam em construção das relações econômicas como salvaguardas para a sobrevivência dos dois povos.

Os jornais israelenses recebem o titular do Planalto como apóstolo do diálogo. O cacife lulista, naturalmente, é a capacidade brasileira de alavancar o econômico e o social em plena crise , evitando bancarrota econômica. A oposição torce o nariz.


Abertura de oportunidades



Celso Amorim, Talleyrand brasileiro, diplomata da burguesia nacional sob comando de presidente operário, abre espaço para o capital nacional no cenário global, enquanto a grande mídia tenta taxá-lo de ideológico e anti-pragmático. Getúlio Vargas tinha razão quando chamava os burgueses brasileiros de burros, em 1930. Tentava salvá-los da bancarrota de 29, queimando café, enquanto era atacado por eles. O vicio da dependencia externa deixou a burguesia nacional sem personalidade própria,incapaz de entender a lógica do capital impulsionada por um trabalhador com visão de estadista. Gigante da diplomacia nacional-global.

A parceria Estado-capital privado brasileiros entraria em cena no instante de debilidade máxima da capacidade do tesouro americano de atuar no Oriente Médio.

O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Binder, foi claro, em Israel, nessa semana.  Não dá mais para garantir a demanda guerreira judaica, que se torna irresistível diante da tentação do governo de Israel em ir em frente com a construção dos assentamentos em Jerusalém oriental, em franca atitude agressiva aos palestinos, incendiando o espírito de guerra entre os muçulmanos. O foco não é Ahamadinejad, mas Benjamin Netanyahu, primeiro ministro israelense.

O lado agressor israelense está tão evidente que Hillary Clinton, na sexta feira, ligou para Bibi, dando basta à agressividade judaica. A Casa Branca sabe que teria imensas dificuldades de sustentar corrida contra o dólar.

Lula chega na Terra Santa em tal contexto dramático de pré-guerra. A estratégia lulista tenderia a ser a mesma de Peron, em 1955, na Conferência de Bandung, na Indonésia.

O discurso sul-americano, disse Peron, soará globalmente, como produto da eqüidistância entre as vozes ideologicamente radicalizadas.  O discurso da polarização levou à economia de guerra e ao crash de 2008.

Sem o fôlego fiscal americano, Israel murcharia. A alternativa seria o desenvolvimento econômico regional. O titular do Planalto, de burra cheia, chega com o discurso sul-americano, atrativo ao investidor internacional em escala máxima.

Lula desrespeita chilenos na posse de Pinera

Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 12-03-2010

O presidente Lula desdenhou a vitória eleitoral democrática do conservador presidente chileno Sebastian Pinera, que derrotou Michelle Bachelet e destronou vinte anos de poder social democrata, sinalizando má vontade e incompreensão democrática, cujas consequências, certamente, poderão ser desdobradas em dificuldades para a construção da união sul-americana, no cenário global em que a América do Sul se transforma na nova rica do mundo, em termos potencialmente econômicos, mas subdesenvolvida em termos políticos, dadas as ausências de convicções dos seus líderes para aceitarem os resultados das urnas como promotores de mudanças soberanas dos povos. Pouca convicção democrática ou excesso de capricho lulista?

Depois de desrespeitar os cubanos, estando em Cuba, ao manter silêncio sobre a morte do preso político cubano Zapata Tamayo e considerar preso político preso comum, negando sua própria história de prisioneiro político da ditadura militar brasileira, o presidente Lula voltou a pisar na bola no cenário político da América Latina durante a semana. Ao negar-se a ir ao Chile para a posse do presidente Sebastian Pinera, o titular do Planalto desrespeitou o povo chileno, que passa por momentos de grandes dificuldades materiais e psicológicas, devido aos terremotos que abalam o espírito popular, revolvendo as certezas e lançando incertezas para todos os lados, embora a disposição nacional para vencer os desafios continue firme e inabalável nas atitudes do novo titular do poder empossado. Por que não foi? Inexplicável. Por problemas políticos? Sebastian Pinera foi eleito pelo voto conservador, derrotando o candidato oficial Eduardo Frei, apoiado pela presidente Michelle Bachelet, que, embora derrotada, eleitoralmente, encerra sua atividade no comando do país com mais de 80% de popularidade, podendo voltar de novo ao poder nas próximas eleições. Lula, certamente, não comunga com os propósitos conservadores de Pinera, que, logo eleito, destacou críticas ao governo nacionalista do presidente Hugo Chavez, da Venezuela, ao qual considera voluntarista e anti-democrático. Na linha conservadora, Pinera, igualmente, não avaliza o governo cubano e a tendência renovadora anti-neoliberal que avança na América Latina, no rastro da bancarrota financeira internacional, responsável por deitar no chão o neoliberalismo importado dos países ricos, que, na crise, como se vê, não praticam o que pregam. Sim, as posições de Pinera estão colocadas, mas e daí, se avalizadas, popularmente? Constituir-se-iam motivos suficientes para permitir ao presidente Lula deixar de lado a opção democrática dos chilenos? Não foi esse o comportamento dos presidentes sul-americanos aos quais, ideologicamente, o governo Lula está alinhado, nesse momento, como Cristina Kirchner, da Argentina; Fernando Lugo, do Paraguai; Rafael Correia, do Equador; Evo Morales, da Bolívia. Estiveram lá e morreram de medo na hora em que a terra chilena tremeu, ameaçando derrubar o palácio em que se encontravam, para prestigiarem a posse.  Compreensivelmente, Hugo Chavez não compareceu e não poderia fazê-lo por ter sido a priori criticado pelo novo titular do poder chileno, mas, o presidente Lula não teria nenhuma jusitificativa plausível para adotar o comportamento que seguiu. Solidariedade a Chavez? Fragilizou, sensivelmente, sua liderança na América do Sul, onde tenta firmar posição capaz de unir valores sul-americanos para apoiar a pretensão brasileira, sempre negada, de alcançar o objetivo de dispor de uma cadeira no Conselho de Segurança da Organização nas Nações Unidas(ONU). Da mesma forma, a atitude lulista enfraquece a União das Nações Sul-Americanas(UNASUL) em sua busca de fortalecimento no contexto internacional em face da  crise global, em que desabam o sistema financeiro mundial, a partir da fragilização das economias dos países ricos, ao mesmo tempo em que os países emergentes sul-americanos, dados seus potenciais econômicos, erguem-se como alvos dos investidores europeus, americanos, japoneses e chineses, todos em fuga diante das políticas monetárias que jogam as taxas de juros abaixo de zero, na tentativa de evitar bancorrotas das dívidas públicas no capitalismo cêntrico, abalados pela crise. O gesto de Lula, sendo o líder do país mais forte da América do Sul, descontroi, relativamente, as intenções de união sul-americana de criação do Parlamento Sul-Americano, na medida em que lança controvérsias profundas sobre os propósitos democráticos do poder lulista, que, por capricho em face da derrota dos partidos de centro esquerda, apoiados por Lula, para os de centro direita, boicota, simbolicamente, a opção popular chilena de renovação do poder político nacional, depois de vinte anos de dominação social democrata. A renovação popular eleitoral chilena é reprovada pelo governo Lula, diante de sua ausênica incompreensível à posse de Pinera, em hora dramática para o povo do Chile, enquanto é respeitada por aqueles a quem Lula dedica solidariedade ideológica.


Solidariedade sulamericana



Os adversários do conservadorismo vencedor das eleições chilenas fizeram questão de estar presentes na posse de Pinera, demonstrando a convicção democrática do nacionalismo sulamericana em expansão , enquanto soou incompreensível o gesto lulista caprichoso de ficar em Brasília conferenciando com os líderes do PMDB as armações sucessórias para tentar garantir a eleição de Dilma Rousseff em outubro em cenário em que a economia está bombando e a oposição, sem discurso, parte para as denuncias de corrupção, como se não existesse corruptores entre os oposicionistas para serem manchados em sua escalada denuncista eleitoral

Evo Morales, Fernando Lugo, Rafael Correia, Cristina Kirchner estiveram lá, rendendo respeito à sociedade destroçada pelos terremotos, enquanto o titular do Planalto preferia manter conferências de cúpula com os líderes do PMDB, senadores José Sarney e Romero Jucá e o deputado Michel Temer, em favor de encaminhamentos dos fatores sucessórios, algo que poderia ser, perfeitamente, adiado, para outro dia, por que não? O preço a pagar por Lula, por conta desse comportamento desatinado e desrespeitoso, especialmente, em face das circunstâncias excepcionais vividas pelos chilenos, é , certamente, abalo em sua popularidade externa, acrescentando outros pontos negativos  decorrentes de suas afirmações relativas aos presos e dissidentes políticos cubanos, equiparando-os a bandidos comuns instalados nas cadeias de São Paulo. O presidente brasileiro considerou insanidade a greve de fome de Guillermo Farinas, que caminha, resolutamente, para a morte em protesto pela prisão de dissidentes políticos, levantando a sensibilidade da opinião global, nesse momento, esquecendo que a luta política se desenrola em todas as dimensões, inclusive, com a opção consciente pela própria morte. Negou o titular do Planalto, com sua declaração, a resistência política que o grande líder indiano Ghandi promoveu, fazendo greve de fome, contra o imperalismo inglês, dobrando-o e conseguindo, com seu gesto heróico, a independência da Índia.  No momento em que as forças sul-americanas lutam contra as forças imperialistas abaladas pela crise mundial para afirmar os propósitos da América do Sul em favor da construção do parlamento sul-americano, da moeda sul-americana, do banco sul-americano, do tribunal sul-americano etc, para fazer valer o potencial econômico sul-americano, que se valoriza, relativamente, no cenário de crise internacional, diante da desvalorização das moedas dos países ricos, desestruturados pelo desmonte de suas instituições financeiras, amparadas pelos governos, abalados pelo excesso de dívidas que levantam dúvidas gerais sobre a capacidade de suportá-las, sem que haja novos abalos econômicos fulminantes, a estratégia política caprichosa de Lula em desdenhar o povo chileno que escolheu um conservador para dirigi-lo não contribui em nada. Ao contrário, atrapalha, e muito, a estratégia sul-americana de afirmação internacional. Em casa onde as lideranças se dividem por conta de desrespeito às decisões populares tiradas nas urnas, como parece ser a posição de Lula em optar soberbamente por não ir à posse de Sebastian Pinera, a construção da unidade sul-americana vira quimera. Demonstram os sul-americanos, no caso o governo brasileiro, o quão distante se encontra da grandeza política que possibilitou aos europeus a construção da União Européia, a partir do pós-segunda guerra mundial, culminando com o soerguimento econômico sintonizado com a moeda européia, agora, abalada pela crise, mas com os governos europeus dispostos a lutar por ela, inclusive, determinados em fundar fundo monetário europeu para resolver os problemas da Europa, expressos em descordenação monetária, em face da bancarrota financeira internacional. O nacionalismo sul-americano em marcha seria incompatível com a opção do povo chileno em escolher direção política conservadora nos próximos quatro anos sob comando de Sebastian Pinera, negando que opções nesse sentido, entre os europeus, não foram suficientes para evitar a união européia até sua consolidação? O lance diplomático errático lulista em relação ao Chile representa dificuldade colocada pelo país mais rico do continente em meio ao esforço continental de união sul-americana para firmar liderança mundial no momento em que nova divisão internacional do trabalho se ergue sobre os escombros da divisão internacional nascida depois da segunda guerra mundial sob comando do dólar, agora, tatibitate em face dos fantásticos deficits americanos que deixaram de ser o fator de dinamismo da economia global. Enfim, a decisão lulista em relação ao Chile representa, nesse contexto, tiro no pé. Divide, em vez de unir, a América do Sul.