17 mar
2010Capitalismo não pode mais ir à guerra
Categoria: (Economia, Política) por Cesar Fonseca em 17-03-2010

A contradição capitalista global explode no Oriente Médio nas barbas de Lula, demonstrando que o sistema não pode bancar mais o estado judeu, porque corre perigo diante de deficits elevados de sofrer corrida especulativa contra o dólar. Fadiga de material.
O presidente Lula, que, no Oriente Médio, jogou com a dialética, ao sacar que a crise entre Estados Unidos e Israel pode levar à paz, configurando visão de que os impérios caem pelas divergências internas, abrindo-se, forçosamente, às mudanças, está diante do movimento que provoca o colapso da economia de guerra, bancada pela dívida pública americana. Esta se torna incapaz de dinamizar a demanda global, em decorrência dos elevados déficits que colocam o dólar alvo dos especuladores depois do crash de 2008. Não podendo mais puxar a locomotiva econômica mundial, porque o mercado perdeu a confiança na capacidade da moeda americana de gerar superávit financeiro – senhoriagem imperial – , a fim de cobrir déficits comerciais e fiscais, como forma de aquecimento do consumo mundial, os Estados Unidos, sob perigo de sofrerem ataques especulativos, perderam capacidade de continuar bancando keynesianamente o Estado militarista de Israel. A bancarrota financeira fragilizou o poder imperial americano no mundo.

A contradição capitalista global explode no Oriente Médio nas barbas de Lula, demonstrando que o sistema não pode bancar mais o estado judeu, porque corre perigo diante de deficits elevados de sofrer corrida especulativa contra o dólar. Fadiga de material.
O mundo capitalista se desenvolveu depois da segunda guerra mundial (1940-45) mediante macroeconomia guerreira, segundo os grandes economistas, como John Maynard Keynes. O autor de “Teoria Geral do Juro e da Moeda” rompera com seus mestres neoliberais, como Alfred Marshall, depois que viu ir para o brejo sob deflação o sistema monetário apoiado em reservas metálicas – padrão ouro – na crise de 1929.
A moeda monárquica, ancorada no padrão-ouro, que dependia da tônica do equilíbrio orçamentário, para evitar débâcles deflacionárias, foi aos ares no crash de 29. Abriu-se espaço para novo padrão monetário, apoiado no papel moeda, sem lastro, cuja âncora passou a ser as dívidas públicas dos Estados soberanos, para alavancar gastos governamentais, dinamizando, especialmente, produção bélica e espacial, o chamado departamento III da economia capitalista, depois que implodiu a convivência contraditória entre os dois departamentos vigentes sob a economia de mercado, isto é, o departamento I, produtor de bens de capital, e o departamento II, produtor de bens de consumo.
A superação parcial da contradição representou fuga para frente. O departamento III, produtor de não-mercadorias, produtos bélicos e espaciais, dinamizador da economia de guerra vira solução, bancada pelo endividamento governamental, expressão da soberania estatal.
A soberania – a dívida – esconderia, dialeticamente, a inflação, crescendo no lugar dela, para dinamizar a reprodução capitalista, que, no crash, havia se esgotado, sob lassair faire. A inflação mascarada evitou, como fator de controle social, a derrocada capitalista para o socialismo, como destaca Lauro Campos em “A crise completa - Economia política do não”(Ed. Boitempo, 2002).
Em 1929, os Estados Unidos produziam 5 milhões de automóveis/ano, dispondo de uma frota nacional de 27 milhões de unidades motorizadas. Depois do crash, o consumo despencou para 700 mil carros. Deflação automobilística.
No Brasil, na ocasião, aconteceu, também, a deflação, só que de café. Em 1932, Getúlio Vargas mandou subsidiar e queimar os estoques do produto, para recuperar o preço, provocando escassez relativa. Adotou remédio keynesiano. Chamou a atenção de Roosevelt, que elogiou a medida getulista, para salvar do crash total os fazendeiros paulistas. Getúlio foi não apenas pai dos pobres, mas, principalmente, dos ricos de São Paulo. A dinâmica capitalista, portanto, como antecipou Getúlio, seria dada pela moeda estatal, no século 20.
Falência keynesiana

A bela Secretária de Estado americana, sob recomendação de Obama, reune-se, às pressas, com Rússia, União Européia e ONU, para implementar multilateralismo global capaz de dar conta da crise no Oriente Médio, ameaçada pela radicalização israelense contra palestinos, porque o unilateralismo de Washington esgotou suas possibilidades com o estouro dos deficits públicos que comprometem o dólar. Sofreria corrida especulativa cambial. Emerigira implosão monetária hiperinflacionária global. Repeteco nazi-fascista.
Keynes não vacilou sobre essa possibilidade, porque já havia percebido que, na primeira guerra mundial, a Inglaterra pudera sustentar demanda agregada e o pleno emprego, graças aos gastos do governo com produção bélica e espacial. Por isso, em 1936, aconselhou Roosevelt a apostar na guerra:

A bela Secretária de Estado americana, sob recomendação de Obama, reune-se, às pressas, com Rússia, União Européia e ONU, para implementar multilateralismo global capaz de dar conta da crise no Oriente Médio, ameaçada pela radicalização israelense contra palestinos, porque o unilateralismo de Washington esgotou suas possibilidades com o estouro dos deficits públicos que comprometem o dólar. Sofreria corrida especulativa cambial. Emerigira implosão monetária hiperinflacionária global. Repeteco nazi-fascista.
“Penso ser incompatível com a democracia capitalista que o governo eleve seus gastos na escala necessária para fazer valer minha tese – a do pleno emprego – , exceto em condições de guerra. Se os Estados Unidos se insensibilizarem para a preparação das armas, aprenderão a conhecer sua força”.
Roosevelt mandou ver. Em 1930, a dívida pública interna era pouco mais 10% do PIB. Em 1944, chegou a 144% do PIB, devido, fundamentalmente, ao avanço da produção bélica e espacial.
O dinamismo da economia de guerra foi total. Os Estados Unidos venceriam seu principal concorrente no mercado internacional, a Alemanha; promoveriam a descolonização britânica, francesa, alemã e japonesa, na África, na Ásia e no Oriente Médio; avançariam, decididamente, sobre as reservas de petróleo em todo o mundo, ao mesmo tempo em que, utilizando a CIA, combatiam e derrubavam governos nacionalistas resistentes à filosofia washingtoniana de liberação geral dos mercados, enquanto, contraditoriamente, defendiam e praticavam o protecionismo e o isolacionismo.
Com a moeda estatal inconversível, o governo garante a demanda sem aumentar a oferta, no setor de bens duráveis. Somente 14 anos depois do crash, em 1943, os Estados Unidos voltaram a produzir 5 milhões de automóveis, mesmo patamar de 1929, graças não mais ao dinamismo próprio do setor de bens duráveis, mas à nova dinâmica dada pela guerra, expressão do departamento III.
A estratégia macroeconômica de guerra é didática. Com uma mão, o governo lança moeda na circulação; com a outra, joga títulos, para enxugar a base monetária, a fim de evitar enchente inflacionária.
O limite dessa estratégia, porém, dependeria da capacidade de endividamento dos governos. As crises monetárias ocorridas depois da segunda guerra mundial foram formando elos na cadeia da fragilização do Estado mantenedor da economia de guerra até que a água entornou na grande crise monetária de 2008.
O padrão monetário expresso no papel-moeda vai deixando de ser suficiente para continuar dinamizando a reprodução capitalista ampliada, assim como a deflação, sob livre mercado, entrou em crise de 1929, jogando ao espaço o padrão-ouro.
David contra Golias

As massas palestinas vão às ruas no Dia de Fúria para protestar contra a política suicida de de Netanyahu, que assombra o capitalismo. Washington perdeu a capacidade de garantir as agressões de Israel às custas dos deficits orçamentários dos EUA, depois da bancarrota de 2008. Impasse total do modelo keynsiano americano que ameaça a saúde do dólar .
Os conflitos econômicos financeiros guerreiros deficitários detonados pelo crash de 2008 estão em curso, desorganizando geral a economia mundial, destruindo, principalmente, a reputação dos governos dos países ricos, Estados Unidos na frente, que encharcaram monetariamente a praça global por meio da reciclagem das dívidas públicas, emitindo derivativos tóxicos em escala excessiva, intoxicando geral a praça financeira internacional.

As massas palestinas vão às ruas no Dia de Fúria para protestar contra a política suicida de de Netanyahu, que assombra o capitalismo. Washington perdeu a capacidade de garantir as agressões de Israel às custas dos deficits orçamentários dos EUA, depois da bancarrota de 2008. Impasse total do modelo keynsiano americano que ameaça a saúde do dólar .
























