03 mar
2010Jogo da eterna dependência
Cesar Fonseca em 03/03/2010

A secretária de Estado lança a casca de banana da relação falsamente problemática Brasil-Irã, quando, na verdade, está interessada é em aplaudir a política monetária do Banco Central brasileiro que favorece os interesses comerciais e financeiros americanos, ao mesmo tempo em que, também, pressiona o presidente Lula a comprar aviões americanos, forçando para escanteio a negociação Brasil-França. Os americanos querem é o mercado sul-americano, depois que o mercado americano entrou em bancarrota, instaurando-se a era do não-consumismo, afetado pelo medo dos filhos de Tio Sam da escalada do desemprego nos Estados Undos.
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, desembarca, hoje, em Brasília, para falar com o presidente Lula, bastante satisfeita com a política monetária brasileira, comandada pelo presidente do Banco Central, ministro Henrique Meirelles, de sinalização de juros altos como arma de combate à inflação, mas, também, de sobrevalorização do real, que eleva as vantagens dos Estados Unidos no mercado interno brasileiro, tanto para os investimentos produtivos, como, igualmente, para os especulativos. O juro mais alto que o titular do BC sinaliza para a partir do próximo mês muda o perfil do comércio Brasil-Estados Unidos, favorecendo as exportações americanas, e ao mesmo tempo fortalecendo os investidores da terra de Tio Sam. A estratégia deles é a de aproveitar oportunidades de investimento, no país, como forma de continuar concorrendo com a China, em ritmo de grandes aplicações no Brasil, por intermédio de empresários de peso, como Eike Batista, no setor mineral, estratégico para a expansão industrial chinesa no mundo. No contexto da política monetária, agradável aos americanos e aos chineses, quem leva chumbo são os industriais brasileiros. Estes perdem competitividade nas suas exportações, ao mesmo tempo em que o real sobrevalorizado pelos juros meirellianos compra mais mercadorias americanas, elevando o deficit comercial. Esse é o objetivo principal da política econômica dos Estados Unidos, no espaço global, no momento.

A secretária de Estado lança a casca de banana da relação falsamente problemática Brasil-Irã, quando, na verdade, está interessada é em aplaudir a política monetária do Banco Central brasileiro que favorece os interesses comerciais e financeiros americanos, ao mesmo tempo em que, também, pressiona o presidente Lula a comprar aviões americanos, forçando para escanteio a negociação Brasil-França. Os americanos querem é o mercado sul-americano, depois que o mercado americano entrou em bancarrota, instaurando-se a era do não-consumismo, afetado pelo medo dos filhos de Tio Sam da escalada do desemprego nos Estados Undos.

O que interessa aos investidores americanos é um comportamento compreensivo do Banco Central em relação ao dólar em desvalorização, acumulando-o e esterizando-o em forma de reservas, para jogar nos títulos americanos e evitar que eles sejam investidos internamente para desenvolver o país, como faz Cristina Kirchner, na Argentina, nesse momento.
O dólar, que se encontra em quantidade excessiva, no mercado internacional, enxarcando a base monetária global, transforma-se em pé de cabra de Tio Sam para ir abrindo mercado, como alternativa à redução do consumo interno americano, afetado pela bancarrota financeira global que promove o conseqüente empobrecimento relativo das famílias, super-endividadas e apavoradas com o aumento do desemprego nos Estados Unidos e, igualmente, na Europa. Clinton considera, do ponto de vista americano, altamente, positiva a ação de Henrique Meirelles, que aumenta os juros para combater a inflação, mas, ao mesmo tempo, com a valorização do real frente ao dólar eleva a dívida interna e salva os empresários americanos da falência, na medida em que, com o dólar desvalorizado vai abrindo mercado na América do Sul. O maior investidor especulativo dos Estados Unidos, Warren Buffett, destacou que o papel da política externa americana, de agora em diante, para valorizar os ativos dos investidores, nas empresas que lançam suas ações nas bolsas, é abrir mercados nos países emergentes, mediante diplomacia comercial agressiva. Trata-se da melhor forma de valorizar os ativos americanos, compensando a débâcle decorrente da bancarrota financeira do dólar e do euro, em setembro de 20008, responsável por destruir a forma em que a reprodução capitalista estava se dando, ou seja, na hiper-especulação.

O que interessa aos investidores americanos é um comportamento compreensivo do Banco Central em relação ao dólar em desvalorização, acumulando-o e esterizando-o em forma de reservas, para jogar nos títulos americanos e evitar que eles sejam investidos internamente para desenvolver o país, como faz Cristina Kirchner, na Argentina, nesse momento.
Pé de cabra para abrir negócio

A diplomacia comercial americana junto aos países emergentes, que dispõem de mercado interno, relativamente, mais forte que os mercados internos dos países ricos, deve ser cada vez mais agressivas, para favorecer os acionistas das grandes empresas dos Estados Unidos, que perderam espaço na redução do consumo americano e europeu. Essa é a lógica defendida pelos grandes investidores internacionais, como Warren Buffett, para quem juros altos como os vigentes no Brasil significam visão do paraíso.
A salvação das grandes empresas americanas, segundo Buffett, está nos países emergentes. Assim, quanto mais os bancos centrais dos países da América do Sul, por exemplo, mantiverem políticas monetárias restritivas, como arma para bancar a inflação, mais enfraquece o parque industrial sul-americano e mais abre espaço para as empresas multinacionais, que, com os dólares em desvalorização, utilizam-nos para participar da construção da infra-estrutura no continente, onde tudo está por fazer. Valoriza o que está em processo de desvalorização. Ao mesmo tempo, os juros altos acumulam excessivas reservas em dólares que são praticamente esterilizadas internamente, já que predomina o conceito, na periferia capitalista, de que elas não devem se destinar aos investimentos internos, mas à compra de papéis dos países capitalistas ricos. Não é à toa que é grande a reação da banca internacional à decisão da presidente da Argentina, Cristina Kirchener, de romper com essa lógica, redirecionando as reservas, tanto para pagar dívidas internas, como para aplicar nos investimentos internos. Cristina, nesse sentido, joga contra os interesses de Hillary Clinton, porque a titular da Casa Rosada passa a fazer com as reservas internacionais argentinas o mesmo que os chineses estão fazendo com as reservas em dólares deles, isto é, desovando-as na produção, em vez de mantê-las na esterilização, como ocorre no Brasil, onde já se acumulam mais de 250 bilhões de dólares esterilizados. Esterilizar dólar, no atual momento, é eternizar o jogo da DEPENDÊNCIA econômica nacional.

A diplomacia comercial americana junto aos países emergentes, que dispõem de mercado interno, relativamente, mais forte que os mercados internos dos países ricos, deve ser cada vez mais agressivas, para favorecer os acionistas das grandes empresas dos Estados Unidos, que perderam espaço na redução do consumo americano e europeu. Essa é a lógica defendida pelos grandes investidores internacionais, como Warren Buffett, para quem juros altos como os vigentes no Brasil significam visão do paraíso.
Como não se pode utilizar as reservas para investir, porque a autoridade monetária está prisioneira de conceito que faliu na crise, os europeus e americanos aplaudem tal estratégia dependente. Aproveitam as oportunidades de investimentos em infra-estrutura, setor que, na Europa e nos Estados Unidos, está esgotado. As grandes empresas multinacionais americanas, segundo Warren Buffett, terão, nesse novo contexto, de buscar capital fora das suas fronteiras onde estão as oportunidades. Torna-se indispensável às multinacionais disporem dos dólares desvalorizados, que não rendem nada na Europa e nos Estados Unidos, para ganharem tanto na especulação como na produção. Nesta, aplica na infra-estrutura, que tem nos governos os clientes seguros, e naquela esquenta a especulação com os juros altos, multiplicando os rendimentos nos derivativos que entraram em colapso nas praças dos países ricos.
A sobrevalorização do real via política monetária jurista-altista do Banco Central vai transformando o real em ativo atrativo para quem tem dólares em desvalorização acumulados na praça global. A estratégia monetária na periferia capitalista vira fonte de reprodução ampliada do capital, que deixou de se sobreacumular na esfera dos países ricos. A quebradeira iminente dos países integrantes do PIGS – Portugal, Irlanda, Grécia, Espanha -, todos dependurados nos bancos alemães, que exigem austeridade fiscal, para liquidação dos papagaios, transformou-se em escoadouro de investimentos para a América do Sul. Os investidores fogem do perigo de colapso na Europa. O juro alto meirelliano brasileiro representa, para esses investidores, visão do paraíso.
Casca de banana iraniana

A diplomacia americana tenta vender a prioridade falsa de que o maior problema dos Estados Unidos na relação com o Brasil é a opção de independência da diplomacia brasileira no cenário internacional, quando, na verdade, o que interessa, mesmo, a Tio Sam é o jogo da dependência econômica expressa nos juros altos que valorizam o empresário americano em terras brasileiras enquanto condena o empresário nacional à eterna submissão aos conceitos caducos como o da formação de reservas cambiais elevadas e sua esterilização como ativo, impedindo-o de ser utilizado no desenvolvimento interno. Mahmoud Ahmadinejad é pura cortina de fumaça.
As empresas nacionais, nesse ambiente, tenderiam a fragilizar-se, relativamente, enquanto as multis, abarrotadas de moeda desvalorizada, poderiam realizar aplicações no ambiente econômico nacional sem precisar sofrer na carne os efeitos dos juros altos internos, que bloqueiam os investimentos e, igualmente, elevam os preços internos, dificultando a competitividade das empresas brasileiras tanto no mercado interno como internacional. Enquanto a grande mídia tenta colocar em primeiro plano a polêmica da relação Brasil-Irã, como se fosse o interesse maior de Hillary Clinton, no Brasil,a diplomacia americana vai comendo pelas beiradas, saindo-se, amplamente, favorecida, em relação aos interesses americanos, pela política monetária adotada pelo Banco Central.

A diplomacia americana tenta vender a prioridade falsa de que o maior problema dos Estados Unidos na relação com o Brasil é a opção de independência da diplomacia brasileira no cenário internacional, quando, na verdade, o que interessa, mesmo, a Tio Sam é o jogo da dependência econômica expressa nos juros altos que valorizam o empresário americano em terras brasileiras enquanto condena o empresário nacional à eterna submissão aos conceitos caducos como o da formação de reservas cambiais elevadas e sua esterilização como ativo, impedindo-o de ser utilizado no desenvolvimento interno. Mahmoud Ahmadinejad é pura cortina de fumaça.









