12 mar
2010Lula desrespeita chilenos na posse de Pinera
Categoria: (Cultura, Política) por Cesar Fonseca em 12-03-2010

O presidente Lula desdenhou a vitória eleitoral democrática do conservador presidente chileno Sebastian Pinera, que derrotou Michelle Bachelet e destronou vinte anos de poder social democrata, sinalizando má vontade e incompreensão democrática, cujas consequências, certamente, poderão ser desdobradas em dificuldades para a construção da união sul-americana, no cenário global em que a América do Sul se transforma na nova rica do mundo, em termos potencialmente econômicos, mas subdesenvolvida em termos políticos, dadas as ausências de convicções dos seus líderes para aceitarem os resultados das urnas como promotores de mudanças soberanas dos povos. Pouca convicção democrática ou excesso de capricho lulista?

O presidente Lula desdenhou a vitória eleitoral democrática do conservador presidente chileno Sebastian Pinera, que derrotou Michelle Bachelet e destronou vinte anos de poder social democrata, sinalizando má vontade e incompreensão democrática, cujas consequências, certamente, poderão ser desdobradas em dificuldades para a construção da união sul-americana, no cenário global em que a América do Sul se transforma na nova rica do mundo, em termos potencialmente econômicos, mas subdesenvolvida em termos políticos, dadas as ausências de convicções dos seus líderes para aceitarem os resultados das urnas como promotores de mudanças soberanas dos povos. Pouca convicção democrática ou excesso de capricho lulista?
Depois de desrespeitar os cubanos, estando em Cuba, ao manter silêncio sobre a morte do preso político cubano Zapata Tamayo e considerar preso político preso comum, negando sua própria história de prisioneiro político da ditadura militar brasileira, o presidente Lula voltou a pisar na bola no cenário político da América Latina durante a semana. Ao negar-se a ir ao Chile para a posse do presidente Sebastian Pinera, o titular do Planalto desrespeitou o povo chileno, que passa por momentos de grandes dificuldades materiais e psicológicas, devido aos terremotos que abalam o espírito popular, revolvendo as certezas e lançando incertezas para todos os lados, embora a disposição nacional para vencer os desafios continue firme e inabalável nas atitudes do novo titular do poder empossado. Por que não foi? Inexplicável. Por problemas políticos? Sebastian Pinera foi eleito pelo voto conservador, derrotando o candidato oficial Eduardo Frei, apoiado pela presidente Michelle Bachelet, que, embora derrotada, eleitoralmente, encerra sua atividade no comando do país com mais de 80% de popularidade, podendo voltar de novo ao poder nas próximas eleições. Lula, certamente, não comunga com os propósitos conservadores de Pinera, que, logo eleito, destacou críticas ao governo nacionalista do presidente Hugo Chavez, da Venezuela, ao qual considera voluntarista e anti-democrático. Na linha conservadora, Pinera, igualmente, não avaliza o governo cubano e a tendência renovadora anti-neoliberal que avança na América Latina, no rastro da bancarrota financeira internacional, responsável por deitar no chão o neoliberalismo importado dos países ricos, que, na crise, como se vê, não praticam o que pregam. Sim, as posições de Pinera estão colocadas, mas e daí, se avalizadas, popularmente? Constituir-se-iam motivos suficientes para permitir ao presidente Lula deixar de lado a opção democrática dos chilenos? Não foi esse o comportamento dos presidentes sul-americanos aos quais, ideologicamente, o governo Lula está alinhado, nesse momento, como Cristina Kirchner, da Argentina; Fernando Lugo, do Paraguai; Rafael Correia, do Equador; Evo Morales, da Bolívia. Estiveram lá e morreram de medo na hora em que a terra chilena tremeu, ameaçando derrubar o palácio em que se encontravam, para prestigiarem a posse. Compreensivelmente, Hugo Chavez não compareceu e não poderia fazê-lo por ter sido a priori criticado pelo novo titular do poder chileno, mas, o presidente Lula não teria nenhuma jusitificativa plausível para adotar o comportamento que seguiu. Solidariedade a Chavez? Fragilizou, sensivelmente, sua liderança na América do Sul, onde tenta firmar posição capaz de unir valores sul-americanos para apoiar a pretensão brasileira, sempre negada, de alcançar o objetivo de dispor de uma cadeira no Conselho de Segurança da Organização nas Nações Unidas(ONU). Da mesma forma, a atitude lulista enfraquece a União das Nações Sul-Americanas(UNASUL) em sua busca de fortalecimento no contexto internacional em face da crise global, em que desabam o sistema financeiro mundial, a partir da fragilização das economias dos países ricos, ao mesmo tempo em que os países emergentes sul-americanos, dados seus potenciais econômicos, erguem-se como alvos dos investidores europeus, americanos, japoneses e chineses, todos em fuga diante das políticas monetárias que jogam as taxas de juros abaixo de zero, na tentativa de evitar bancorrotas das dívidas públicas no capitalismo cêntrico, abalados pela crise. O gesto de Lula, sendo o líder do país mais forte da América do Sul, descontroi, relativamente, as intenções de união sul-americana de criação do Parlamento Sul-Americano, na medida em que lança controvérsias profundas sobre os propósitos democráticos do poder lulista, que, por capricho em face da derrota dos partidos de centro esquerda, apoiados por Lula, para os de centro direita, boicota, simbolicamente, a opção popular chilena de renovação do poder político nacional, depois de vinte anos de dominação social democrata. A renovação popular eleitoral chilena é reprovada pelo governo Lula, diante de sua ausênica incompreensível à posse de Pinera, em hora dramática para o povo do Chile, enquanto é respeitada por aqueles a quem Lula dedica solidariedade ideológica.
Solidariedade sulamericana

Os adversários do conservadorismo vencedor das eleições chilenas fizeram questão de estar presentes na posse de Pinera, demonstrando a convicção democrática do nacionalismo sulamericana em expansão , enquanto soou incompreensível o gesto lulista caprichoso de ficar em Brasília conferenciando com os líderes do PMDB as armações sucessórias para tentar garantir a eleição de Dilma Rousseff em outubro em cenário em que a economia está bombando e a oposição, sem discurso, parte para as denuncias de corrupção, como se não existesse corruptores entre os oposicionistas para serem manchados em sua escalada denuncista eleitoral
Evo Morales, Fernando Lugo, Rafael Correia, Cristina Kirchner estiveram lá, rendendo respeito à sociedade destroçada pelos terremotos, enquanto o titular do Planalto preferia manter conferências de cúpula com os líderes do PMDB, senadores José Sarney e Romero Jucá e o deputado Michel Temer, em favor de encaminhamentos dos fatores sucessórios, algo que poderia ser, perfeitamente, adiado, para outro dia, por que não? O preço a pagar por Lula, por conta desse comportamento desatinado e desrespeitoso, especialmente, em face das circunstâncias excepcionais vividas pelos chilenos, é , certamente, abalo em sua popularidade externa, acrescentando outros pontos negativos decorrentes de suas afirmações relativas aos presos e dissidentes políticos cubanos, equiparando-os a bandidos comuns instalados nas cadeias de São Paulo. O presidente brasileiro considerou insanidade a greve de fome de Guillermo Farinas, que caminha, resolutamente, para a morte em protesto pela prisão de dissidentes políticos, levantando a sensibilidade da opinião global, nesse momento, esquecendo que a luta política se desenrola em todas as dimensões, inclusive, com a opção consciente pela própria morte. Negou o titular do Planalto, com sua declaração, a resistência política que o grande líder indiano Ghandi promoveu, fazendo greve de fome, contra o imperalismo inglês, dobrando-o e conseguindo, com seu gesto heróico, a independência da Índia. No momento em que as forças sul-americanas lutam contra as forças imperialistas abaladas pela crise mundial para afirmar os propósitos da América do Sul em favor da construção do parlamento sul-americano, da moeda sul-americana, do banco sul-americano, do tribunal sul-americano etc, para fazer valer o potencial econômico sul-americano, que se valoriza, relativamente, no cenário de crise internacional, diante da desvalorização das moedas dos países ricos, desestruturados pelo desmonte de suas instituições financeiras, amparadas pelos governos, abalados pelo excesso de dívidas que levantam dúvidas gerais sobre a capacidade de suportá-las, sem que haja novos abalos econômicos fulminantes, a estratégia política caprichosa de Lula em desdenhar o povo chileno que escolheu um conservador para dirigi-lo não contribui em nada. Ao contrário, atrapalha, e muito, a estratégia sul-americana de afirmação internacional. Em casa onde as lideranças se dividem por conta de desrespeito às decisões populares tiradas nas urnas, como parece ser a posição de Lula em optar soberbamente por não ir à posse de Sebastian Pinera, a construção da unidade sul-americana vira quimera. Demonstram os sul-americanos, no caso o governo brasileiro, o quão distante se encontra da grandeza política que possibilitou aos europeus a construção da União Européia, a partir do pós-segunda guerra mundial, culminando com o soerguimento econômico sintonizado com a moeda européia, agora, abalada pela crise, mas com os governos europeus dispostos a lutar por ela, inclusive, determinados em fundar fundo monetário europeu para resolver os problemas da Europa, expressos em descordenação monetária, em face da bancarrota financeira internacional. O nacionalismo sul-americano em marcha seria incompatível com a opção do povo chileno em escolher direção política conservadora nos próximos quatro anos sob comando de Sebastian Pinera, negando que opções nesse sentido, entre os europeus, não foram suficientes para evitar a união européia até sua consolidação? O lance diplomático errático lulista em relação ao Chile representa dificuldade colocada pelo país mais rico do continente em meio ao esforço continental de união sul-americana para firmar liderança mundial no momento em que nova divisão internacional do trabalho se ergue sobre os escombros da divisão internacional nascida depois da segunda guerra mundial sob comando do dólar, agora, tatibitate em face dos fantásticos deficits americanos que deixaram de ser o fator de dinamismo da economia global. Enfim, a decisão lulista em relação ao Chile representa, nesse contexto, tiro no pé. Divide, em vez de unir, a América do Sul.

Os adversários do conservadorismo vencedor das eleições chilenas fizeram questão de estar presentes na posse de Pinera, demonstrando a convicção democrática do nacionalismo sulamericana em expansão , enquanto soou incompreensível o gesto lulista caprichoso de ficar em Brasília conferenciando com os líderes do PMDB as armações sucessórias para tentar garantir a eleição de Dilma Rousseff em outubro em cenário em que a economia está bombando e a oposição, sem discurso, parte para as denuncias de corrupção, como se não existesse corruptores entre os oposicionistas para serem manchados em sua escalada denuncista eleitoral









